Category: Cultura

Cultura em Português

  • Mini-Saia – Uma revolução feminina nos anos 60

    Mini-Saia – Uma revolução feminina nos anos 60

    Criada há mais de 60 anos, a mini-saia foi a peça que marcou a Liberdade e a Emancipação da mulher.

    História e Contexto político e social

    Após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), houve uma explosão de nascimentos de bebés, os famosos “baby boomers”.
    Na década de 60, o mundo estava cheio de jovens a “gritar” por mudanças e a viverem o movimento da contracultura, que foi o responsável por contestar padrões conservadores da época.

    Protestos nos anos 60 // americanarchive.org

    Ainda nesse período, outros acontecimentos foram fundamentais para o espírito revolucionário desses jovens: a ida do homem à Lua, a segunda onda do feminismo e a comercialização da pílula anticoncepcional nos Estados Unidos.

    A moda e as tendências sempre foram um reflexo do comportamento das épocas, ao longo de toda a história da humanidade. Ou seja, as roupas mudam conforme surgem novos valores da sociedade e, neste caso concreto, existia um contexto jovem de insatisfação política.

    Contexto económico

    Foi também em meados de 1960 que a alta-costura, caracterizada por peças luxuosas feitas sob medida, entrou em declínio e o prêt-à-porter caracterizado pela produção em larga escala, teve a sua ascensão. Por consequência, a saia longa precisava de perder pano para se tornar mais funcional e mais barata para um grupo de mulheres jovens e feministas.

    Origem da mini-saia

    No entanto, a origem da mini-saia ainda é incerta. Os historiadores não têm certeza sobre quem realmente criou ou começou a produzir as mini-saias. Porém, dois estilistas considerados precursores desta peça ficaram em destaque: a britânica Mary Quant (1930-2023) e o francês André Courrèges (1923-2016).

    Mary Quant // http://nytimes.com

    Foi entre 1965 e 1970 que a mini-saia ficou mais popular.

    Carnaby Street, nos anos 60 era o Centro da cultura pop emergente, esta rua londrina fervilhava de ideias inovadoras. Jovens com roupas coloridas percorriam esta rua, para cima e para baixo, não deixando ninguém indiferente. Foi precisamente aqui que a jovem Mary Quant, estilista britânica e fundadora da Bazaar (loja de moda que criava peças que refletiam o espírito jovem da cidade), deu a conhecer ao mundo uma peça de roupa que, rapidamente, se tornou famosa – a mini-saia.
    E livremente as pernas saíram para a rua…

    Mary Quant era fã do carro “Mini” e por isso a saia, tem esse nome.

    Para esta estilista, a moda era tudo menos aborrecida. Os jovens deviam vestir roupa adequada à sua própria personalidade e espírito. Nada de imitar os mais velhos – o que se queria era um vestuário divertido, irreverente e, também, barato.

    Mary Quant sempre afirmou que foram as próprias jovens de King’s Road que inventaram a peça, que esta era fácil de vestir, simples e juvenil. Que se poderiam mover livremente, saltar e correr atrás dos autocarros. Proferiu ainda, que apenas começou a fazer a barra da altura que as jovens queriam: bem curtas!

    André Courrèges // ledevoir.com

    Nesse período, o francês André Courrèges, que também é considerado um pioneiro da mini-saia, inventou o vestido trapézio e em 1965, lançou a “Mod Collection”.
    Yves Saint Laurent e Pierre Cardin também fizeram coleções com a mini-saia.

    A Revolução

    Naquela época, o desejo de liberdade era enorme. Foi o auge dos Beatles e da queima de sutiãs. E sim, a famosa mini-saia estava presente entre as 400 ativistas do grupo Women’s Liberation Movement que se reuniram durante o Miss América de 1968 para queimar sutiãs e outros objetos que simbolizavam a beleza feminina. Sem dúvidas, um marco histórico!

    Imagem: http://modahistorica.blogspot.com

    Antes da mini-saia, a roupa era usada para esconder as mulheres de “apetites” masculinos, só que tais roupas não eram práticas e dificultavam os movimentos. A mini vinha como uma opção rápida e prática de se vestir, tornando a moda mais divertida e decretando a morte da austeridade convencional.

    A mini-saia desde logo foi motivo das mais diversas opiniões. Se havia quem a considerasse como uma grave ofensa aos bons costumes, outros havia que a idolatravam.

    O que é certo é que uma mini-saia e umas botas pelo joelho foram, rapidamente, adotadas pelas raparigas mais jovens, sedentas de algo que quebrasse com todas as tradições. Depois de séculos com as pernas cobertas, elas eram agora mostradas sem pudor, tal como são.

    Imagem: Salão Virtual

    Lulu e Twiggy foram apenas algumas das modelos que ajudaram a espalhar a invenção de Mary Quant um pouco por todo o mundo. Sob a influência da pop art, motivos dos mais diversos serviam de inspiração para criar as mais irreverentes mini-saias. Meias e collants divertidos completavam o figurino.

    Símbolo do feminismo da época, a mini-saia, era uma forma de se manifestar, de reivindicar a sensualidade e a sexualidade. Isto, desagradava aos pais das jovens, que as proibiam de as usar. Mas não resultava, porque elas simplesmente cortavam os seus vestidos!

    A mini-saia era algo tão novo que quando a peça chegou aos Estados Unidos não havia um mercado preparado para a receber, mesmo assim, a juventude americana estava igualmente fascinada e ansiosa pela liberdade, procurando roupas menos rigorosas e uma elegância ousada.

    Twiggy // Miniskirt Revolution

    Proibição e protestos

    A mini-saia chegou a ser proibida em países como a Holanda, houveram protestos contra ela na França. Mas também houve protestos de mulheres a exigir o direito de as usar! Uma peça que alcançou impacto popular porque mostrava um pouco mais do corpo feminino, sempre considerado um “objeto” a ser resguardado, já que os velhos hábitos diziam para as mulheres se vestirem de modo “decente”, afinal elas passavam de ser propriedade dos pais para logo a seguir serem dos maridos. Demoraram muitos anos para os tabus caírem, a revolução de Maio de 1968 ajudou nesse processo.

    Manifestação em Paris – Maio de 1968 // MST

    Naquela época, existia este espírito de liberdade no ar, as mulheres revelaram os seus joelhos e coxas pela primeira vez, o que foi visto como um sinal de rebeldia e emancipação.

    Retrocesso

    O ano de 1969 marcou o auge da mini-saia. Mas o encurtamento da peça atingiu o seu ponto de saturação fashion e o retorno das saias e vestidos mais longos tornou-se a melhor alternativa na época. Contribuiram para o efeito o factor cíclico da moda, mas também, as variações dos valores sociais. Aos poucos, a obsessão jovem e a revolução sexual, iniciada na década de 1960, começou a pluralizar-se e a distanciar-se do culto do corpo quase sempre magro e exposto.

    Regresso rebelde

    Então, a partir da década de 70, a mini-saia foi incorporada novamente à moda, só que desta vez associada ao estilo punk. Eram combinadas com meias-arrastão, jaquetas de couro, blusas rasgadas e penteados rebeldes.

    Na primavera de 1985, Vivienne Westwood revisitou a peça na sua coleção Mini-Crini, com uma versão supercurta das saias vitorianas, estruturadas por crinolinas (por esse motivo o nome).

    Mini-Crini // LACMA

    Portanto, desde o seu surgimento e no decorrer dos anos, a mini-saia sempre se manteve na moda.

    Por alguns, ela ainda é considerada vulgar, indecente e deselegante. Mas a realidade é que se tornou numa peça clássica, cheia de história, carisma e empoderamento feminino.

    Uma peça de roupa que incomoda tanto, só poderia ter nascido e se ter firmado entre os livres e rebeldes: a mini-saia!

    Fontes: styleitup.com, modahistorica.blogspot, mulherportuguesa.com, jornalcruzeiro

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  • Filigrana Portuguesa – Uma arte com séculos

    Filigrana Portuguesa – Uma arte com séculos

    A Filigrana é uma arte manual de grande beleza, que exige extrema perícia para trabalhar os finíssimos fios de prata ou ouro entrelaçados e soldados que compõem cada peça, sendo por isso reconhecida internacionalmente pela sua qualidade.

    Nas oficinas resistentes, onde ainda se entrelaça a filigrana portuguesa, existe um orgulho, ou como os minhotos dizem, uma “Chieira” de fazer tudo à mão e com muita paciência. As máquinas bem tentam rivalizar na produção da filigrana, mas esta arte mantém um laço forte com a manualidade.

    Hoje, esta arte, assume diversas formas, desde peças delicadas, decoradas com motivos religiosos, até criações com um design polido e contemporâneo.

    A filigrana, ao longo do tempo, transcende as suas origens festivas, tornando-se numa expressão artística que combina tradição e modernidade.

    A filigrana ganhou uma nova vida nas mãos de designers de joalharia, que recriam a sua essência e libertam-na do conceito religioso.

    As marcas portuguesas de joias, que criam peças em filigrana também se lançaram no caminho da contemporaneidade, sem esquecer as raizes da tradição, apostando numa fusão harmoniosa entre ambos os conceitos.

    Estas marcas, reconheceram o potencial desta tradição portuguesa e têm contribuído para dar a conhecer este recanto da Europa a outros países.

    Assim, a filigrana, outrora ligada a significados religiosos, floresce agora como expressão artística moderna, mostrando ao mundo a beleza e a habilidade dos mestres filigraneiros portugueses.

    A história da filigrana continua a desdobrar-se, entre tradição e inovação, como uma narrativa que transcende fronteiras e encanta admiradores por todo o mundo.

    História da Filigrana

    A origem da filigrana remonta ao terceiro milénio antes de Cristo, na Mesopotâmia. As peças mais antigas datam de 2500 a.C. e foram descobertas nas sepulturas do Ur, no atual Iraque. Outras peças, descobertas na Síria, são de aproximadamente 2100 a.C..

    Dos factos existentes, podemos afirmar que é uma técnica milenar conhecida em muitas das civilizações do mundo antigo.

    Em Portugal foram encontrados exemplos desta técnica que datam de cerca de 2000 a.C., com origem fenícia, mas joias em filigrana produzidas em território nacional surgem durante o domínio muçulmano da Península, por volta do século VIII d.C.

    Mas foi na gloriosa época dos Descobrimentos, no século XV, quando os nossos navegadores alcançaram feitos incomparáveis e sem precedente, que a coroa Portuguesa trouxe pedras preciosas e metais das suas provincias ultramarinas. Foi então que os nossos ancestrais começaram a trabalhar o ouro e a prata. Foi este o despertar da filigrana.

    Nas peças de filigrana, os nossos ancestrais reproduziam o que viam à sua volta: a natureza, o amor, a religião e das suas mãos saíram peças de incrível delicadeza e beleza.

    A técnica é transmitida de geração em geração. As peças são feitas num trabalho de produção manual, entre as “filigraneiras”, e as oficinas. A arte milenar da filigrana, de formas predominantemente barrocas, desenvolveu-se no século XIX, particularmente no Minho (norte de Portugal) e foi levada a uma rara perfeição pelos artesãos portugueses.

    Em Portugal, os artesãos usaram e continuam a usar a filigrana como forma de expressão artística na joalharia tradicional, mas também da cultura portuguesa através dos seus desenhos em forma de flores, ondas ou escamas de peixe.

    Coração de Viana

    Este coração, utilizado como símbolo da cidade de Viana do Castelo, surgiu no Norte de Portugal nos finais do séc.XVIII, e tem uma forte ligação com a religião católica. Terá sido a rainha D. Maria I que, grata pela “bênção” de lhe ter sido concedido um filho varão, mandou executar um coração em ouro. O coração de Viana representa o Sagrado Coração de Jesus em chamas. A parte superior do coração simboliza as chamas da terra e o calor do amor.

    A tradição de ostentar este símbolo ao peito teve início em Viana do Castelo. Contudo, a filigrana é, meticulosamente moldada em terras vizinhas, nomeadamente na Póvoa de Lanhoso e Gondomar.

    O coração de Viana tornou-se um símbolo icónico da Filigrana Portuguesa, e património emocional de Portugal

    Brincos Rainha

    Os brincos rainha apareceram em Portugal durante o reinado da Rainha D. Maria I (1734 – 1816). A origem do nome, parece remontar ao reinado de D. Maria II (1819 – 1853), que usou um par destes brincos numa visita a Viana do Castelo em 1952. Depois desta visita, popularizaram-se como símbolo de riqueza e de status e ganharam o nome “brincos rainha”.

    Tradições

    É na romaria D’Agonia em Viana do Castelo, que as mordomas e as Noivas de Viana do Castelo desfilam as suas peças de filigrana dourada, numa tentativa de atrair a atenção dos rapazes. Pendentes imponentes em forma de coração de Viana, ou pequenos com o formato de relicário, brincos à rainha, ou os tradicionais brincos de fuso, colares compridos de contas e outros mais curtos — vale tudo para exibir a riqueza da filigrana portuguesa.

    Fontes: filigranaportuguesa.pt, imart.pt, portugaljewels.pt, mardestorias.com, caminhosdeportugal, oportunityleiloes, Nit, lojadeartigosreligiosos.com, bloguedominho

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  • Fernando Pessoa – O mais estudado escritor Nacional

    Fernando Pessoa – O mais estudado escritor Nacional


    Fernando Pessoa nasceu em Lisboa a 13 de Junho de 1888. Foi um Poeta, ficcionista, dramaturgo, filósofo e prosador.

    É, inequivocamente, a mais complexa personalidade literária portuguesa e europeia do século XX.

    O falecimento precoce do pai, quando Fernando Pessoa tinha apenas 5 anos, fez dele uma personalidade tímida, refugiada na sua imaginação e genialidade. Com 7 anos viajou para Durban, na África do Sul, acompanhando a sua mãe que tinha casado segunda vez com um cônsul Português, onde viveu 9 anos com a família e regressou a Portugal em 1905.

    Pouco depois de completar 17 anos e de regresso a Lisboa para entrar no Curso Superior de Letras, que abandonou depois de dois anos, sem ter feito um único exame. Preferiu estudar por si próprio na Biblioteca Nacional, onde leu livros de filosofia, de religião, de sociologia e de literatura (portuguesa em particular) a fim de completar e expandir a educação tradicional inglesa que recebera na África do Sul.

    Vivendo por vezes com parentes, outras vezes em quartos alugados. Embora solitário por natureza, com uma vida social limitada e quase sem vida amorosa, sobrevive como correspondente comercial de inglês e dedica-se a uma vida literária intensa.

    A sua produção de poesia e de prosa em inglês foi intensa durante este período, e por volta de 1910, já escrevia também muito em português. Publicou o seu primeiro ensaio de crítica literária em 1912, o primeiro texto de prosa criativa (um trecho do Livro do Desassossego) em 1913, e os primeiros poemas de adulto em 1914. Desenvolve colaboração com publicações (algumas delas dirigidas por si) como A República, Teatro, A Águia, A Renascença, Eh Real, O Jornal, A Capital, Exílio, Centauro, Portugal Futurista, Athena, Contemporânea, Revista Portuguesa, Presença, O Imparcial, O Mundo Português, Sudoeste, Momento.

    Foi um dos mais importantes poetas da língua portuguesa e figura central do Modernismo português.

    Poeta lírico e nacionalista cultivou uma poesia voltada aos temas tradicionais de Portugal e ao seu lirismo saudosista, que expressa reflexões sobre seu “eu profundo”, suas inquietações, sua solidão e seu tédio.

    Fernando Pessoa foi vários poetas ao mesmo tempo, criou heterônimos – poetas com personalidades próprias – Ricardo Reis, Alvaro de Campos e Alberto Caeiro- cada um deles portador de uma identidade própria, de uma arte poética distinta, de uma evolução literária pessoal e ainda capazes de comentar as relações literárias que estabelecem entre si. Com eles procurou detectar, sob vários ângulos, os dramas do homem de seu tempo.
    Ao longo da sua vida transfigurou-se em múltiplas identidades, escapando através delas da vida quotidiana. Na sua poesia o génio, que era muitos, desdobrou-se em mais de uma centena de pseudónimos e alter-egos com ocupações tão distintas quanto um tradutor, um escritor, um ensaísta, um filósofo, um médico, um astrólogo e até um frade, cada um deles com uma visão ideológica própria e muito distinta. Apesar de se ter fragmentado em muitas personalidades literárias pautadas pela ficção – que viriam a enriquecer o seu legado literário, a heteronímia é o grande marco da sua obra. Dotados de biografia, o poeta justificava os seus três heterónimos como “um traço de histeria que existe em mim. (…) A origem mental dos meus heterónimos está na minha tendência orgânica e constante para a despersonalização e para a simulação”.
    É importante destacar que Fernando Pessoa foi um explorador no campo da astrologia, sendo um exímio astrólogo e apreciador do ocultismo.

    Com Mário de Sá-Carneiro e Almada Negreiros, entre outros, leva a cabo, em 1915, o projeto de Orpheu, revista que assinala a afirmação do modernismo português e cujo impacto cultural e literário só pôde cabalmente ser avaliado por gerações posteriores.

    Tendo publicado em vida, em volume, apenas os seus poemas ingleses e o poema épico Mensagem, a bibliografia que legou à contemporaneidade é de tal forma extensa que o conhecimento da sua obra se encontra em curso, sendo alargado ou aprofundado à medida que vão saindo para o prelo os textos que integram um vastíssimo espólio. Mais do que a dimensão dessa obra, cujos contornos ainda não são completamente conhecidos, profícua em projetos literários, em esboços de planos, em versões de textos, em interpretações e reflexões sobre si mesma, impõe-se, porém, a complexidade filosófica e literária de que se reveste.

    Fernando Pessoa, que tinha o desejo de ser extraordinário, morreu a 30 de Novembro de 1935, aos 47 anos, na mesma cidade onde nasceu. Grande parte da sua obra só foi conhecida depois da sua morte, quando se abriu a famosa arca de madeira, brindando o mundo com tesouros literários de riqueza incalculável.

    Primeira edição de “Mensagem”

    Mensagem, é um livro de 44 poemas de Fernando Pessoa cuja primeira edição foi em 1934 e a única obra que o poeta publicou em português, em vida. Este tesouro literário retrata o glorioso passado de Portugal, tentando encontrar um sentido para a grandiosidade dos feitos portugueses da época dos Descobrimentos, glorificando o seu valor simbólico e acreditando que o revivalismo das suas palavras traria à nação o esplendor de outrora

    Publicado pela primeira vez em 1982, quase meio século após a morte de Fernando Pessoa, o Livro do Desassossego é uma obra-prima pouco convencional, resistente às habituais classificações literárias. A palavra desassossego refere-se à angústia existencial do narrador, sim, mas também à sua recusa em ficar quieto, parado. Sem sair de Lisboa, este viaja constantemente na sua maneira de ver, sentir e dizer. Ler este livro, repleto de emoção e observações penetrantes, é uma experiência estranhamente libertadora.

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    Fontes Fotográficas/Conteúdo: Gulbenkian.pt casafernandopessoa.pt, ebiografia.com, todamateria.com, abrasileira.pt, Infopedia.pt, Assírio & Alvim

  • Jane Austen – A mais famosa romancista Inglesa

    Jane Austen – A mais famosa romancista Inglesa

    Jane Austen é uma importante escritora/romancista inglesa nascida em 16 de Dezembro de 1775, em Steventon, Inglaterra, cuja escrita marca a passagem do Neoclassicismo para o Romantismo.

    Seu pai, o clérigo George Austen (1731-1805), incentivava os oito filhos, inclusive as duas meninas, a estudarem. A mãe da escritora, Cassandra Austen (1739-1827), escrevia versos satíricos. Desta forma, Jane vivenciava um universo rural e clerical, mas rodeada também pela arte e pelo conhecimento.

    Quando ainda era criança, escreveu novelas para a familia, em parte publicadas em Love and Friendship and Other Early Works (1922). E com a idade de 20 anos, já tinha atingido uma certa maturidade artística.

    Da sua vida sentimental apenas se sabe e não existem provas, de um breve amor juvenil com Thomas Lefroy (parente irlandês de uma amiga de Austen), aos 20 anos. Em janeiro do ano seguinte, 1796, escreveu à sua irmã dizendo que tudo havia terminado, pois ele não podia casar por motivos económicos. Anos mais tarde aceitou o pedido de casamento do jovem Harris Bigg-Wither, porém no dia seguinte mudou de ideias. Ao que consta a sua irmã Cassandra (1773-1845) após a sua morte, destruiu algumas das suas cartas e eliminou trechos de outras, com o intuito, ao que parece de preservar a privacidade de Jane Austen.

    Na produção literária desta autora são considerados dois periodos: de 1796 a 1798 em que escreveu Sense and Sensibility (Sensibilidade e Bom Senso), o seu pai enviou a obra para uma editora que a recusou. Com a morte do pai, em 1805, a escritora, juntamente com a mãe e a irmã, foi morar em Southampton. Quatro anos depois mudaram-se para a vila de Chawton.

    Página de título da 1ª edição de “Orgulho e Preconceito”


    Foi nessa época que o seu irmão Henry (1771-1850) entrou em contacto com editores na tentativa de publicar as obras da irmã. Sense and Sensibility (Sensibilidade e Bom Senso) em 1811, foi publicado pela primeira vez, de forma anónima, sem o nome da autora. Em 1813 o livro Pride and Prejudice (Orgulho e Preconceito) foi publicado com bastante sucesso.


    Com a escrita de Mansfield Park em 1814, Emma em 1816 e Pesuasion (Persuasão) em 1818, todas as obras da autora eram um sucesso e bem vistas pela critica e, tiveram inclusive elogios de George IV, o Principe regente; no entanto continuavam a ser publicadas de forma anónima, pois naquela época, as mulheres não eram respeitadas, na sociedade pelas suas capacidades intelectuais.


    Assim o nome Jane Austen era desconhecido do grande público, quando, em 1816, a escritora teve os primeiros sintomas da doença de Addison que foi a causa da sua morte em 18 de Julho de 1817, em Winchester. Só depois da sua morte, a autoria dos seus romances foi divulgada.

    Os romances de Jane Austen, oferecem o privilégio através da sua leitura, da imaginária visualização pelo detalhe nas descrições das narrativas esplendorosas dos locais e momentos vivenciados, onde o amor, o casamento e a dependência financeira das mulheres na época estão evidenciadas.

    A história Pride and Prejudice (Orgulho e Preconceito) mostra a maneira com que a personagem Elizabeth Bennet lida com os problemas relacionados à educação, cultura, moral e casamento na sociedade aristocrática do início do século XIX, na Inglaterra. Elizabeth é a segunda de 5 filhas de um proprietário rural na cidade fictícia de Meryton, em Hertfordshire, não muito longe de Londres.

    Apesar de a história se ambientar no século XIX, tem exercido fascínio mesmo nos leitores modernos, continuando no topo da lista dos livros preferidos e sob a consideração da crítica literária. O interesse atual é resultado de um grande número de adaptações e até de pretensas imitações dos temas e personagens abordados por Jane Austen.

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    Fontes fotográficas/conteúdo: Bertrand.pt, Mundo Educação, Britannica, The Guardian

  • A roda de madeira mais antiga do mundo

    A roda de madeira mais antiga do mundo

    A roda mais antiga do mundo, foi encontrada por arqueólogos Eslovenos, pertencentes ao instituto de Arqueologia da Ljubljana a 29 de Março de 2002.

    A agora chamada roda da Ljublana foi encontrada a sul de Ljubljana, na Eslovênia, num local chamado Stare Gmajne.

    Rodas semelhantes foram encontradas nas regiões montanhosas da Suíça e do sudoeste da Alemanha, mas esta roda de Ljubljana, é maior e mais antiga encontrada até aos dias de hoje.

    Com cerca de 5.170 anos, esta roda foi executada entre os anos 3030 e 3360 a.c, na época da Idade do Cobre.

    Feita de madeira de freixo, a roda Ljublana Marshes (nome em Inglês), tem 5 cm de espessura e um diâmetro de 72 cm. O eixo de carvalho, de 124 cm de comprimento, foi fixado à roda com cunhas de carvalho. Suspeita-se que fazia parte de um carrinho de mão com duas rodas.

    Mais da metade da sua estrutura foi preservada, e na fotografia, encontrada no site do museu da cidade de Ljublana, podemos ver o orifício de formato quadrado que funcionava como encaixe do eixo de carvalho.

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    Créditos de Fotografias e Informaçãohttps://slovenia.si/https://3seaseurope.com/

  • Projecto Hail Mary – Um livro cheio de personalidade e emoção!

    Projecto Hail Mary – Um livro cheio de personalidade e emoção!

    Project Hail Mary é um livro cativante de ficção científica que transporta os leitores para uma extraordinária caminhada de sobrevivência, descoberta e engenhosidade humana.

    A história segue Ryland Grace, um professor de ciências, que acorda sozinho numa nave espacial sem se lembrar de como lá chegou.

    À medida que recupera as suas funcões cognitivas e motoras, ele apercebe-se que foi encarregado de uma missão impossível – salvar a humanidade de uma ameaça cósmica que irá dizimar toda a vida na Terra.

    O que torna este livro tão cativante é a maneira como Andy Weir (mais conhecido pelo seu trabalho em “O Marciano”) mistura habilmente Sci-Fi complicado com temas profundamente humanos.

    Andy Weir

    Os detalhes técnicos e os conceitos científicos são meticulosamente pesquisados e explicados de uma forma acessível e envolvente, sem sobrecarregar a narrativa. Ao mesmo tempo, a história explora o crescimento pessoal de Ryland e os relacionamentos que ele imagina, o que dá à aventura de alto risco uma profunda ressonância emocional.

    Ryland é um protagonista cativante, com defeitos e feitios. A maneira como Ryland Grace resolve problemas diante da adversidade é infinitamente fascinante, mostrando a notável engenhosidade da mente humana.

    Os personagens coadjuvantes, embora em menor número, são igualmente bem desenvolvidos e essenciais para a história.

    Sejas fã árduo de ficção científica ou estejas simplesmente à procura duma leitura cativante e intrigante, este livro é de leitura obrigatória.

    Infelizmente este livro de Andy Weir ainda não está disponível em Português, mas se te quiseres aventurar a le-lo, podes encontra-lo em vários pontos de venda em todo o mundo, tanto em Inglês como em Espanhol.

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