Category: Gastronomia

Gastronomia Mundial em Português

  • Vinho Verde – Terras Graníticas e Brisas Oceânicas

    Vinho Verde – Terras Graníticas e Brisas Oceânicas

    O Vinho Verde é único no panorama mundial, caracterizado pela sua frescura, leveza e teor alcoólico moderado.

    Produzido maioritariamente no noroeste de Portugal, na Região dos Vinhos Verdes, este vinho pode ser branco, tinto ou rosé.

    A designação “verde” não se refere à cor, mas sim à juventude do vinho, à frescura e ao terroir verdejante da região demarcada.

    Este vinho representa 15% da área vitícola nacional.

    História e Origem

    O Vinho Verde é um dos vinhos mais antigos e emblemáticos de Portugal, com registos de produção que remontam à época romana.

    Há registo de uma adega doada ao convento de Alpendurada em 870 d.C., e esta vinha foi crescendo durante os séculos seguintes, impulsionada por ordens religiosas e benefícios fiscais.

    O Vinho Verde era sobretudo para consumo local, mas é possível que tenha sido exportado no século XII. As primeiras exportações conhecidas foram para Inglaterra em 1788.

    Região Demarcada

    A Região dos Vinhos Verdes é uma das maiores regiões demarcadas de Portugal, composta por nove sub-regiões: Monção e Melgaço, Lima, Basto, Cávado, Ave, Sousa, Amarante, Baião e Paiva.

    Cada sub-região tem micro-climas e características distintas, o que torna os vinhos verdes bastante diversificados.

    A região dos Vinhos Verdes é marcada por uma forte influência Atlântica, resultado da disposição dos vales dos seus principais rios, que se estendem de nascente a poente e promovem a entrada dos ventos vindos do mar.

    O clima distingue-se pela elevada precipitação, temperaturas suaves ao longo do ano, baixa variação térmica e predominância de solos graníticos, sendo que, em algumas zonas, o solo apresenta também características xistosas.

    winetourism.com

    Características do Vinho

    • Frescura e Leveza: O Vinho Verde é geralmente baixo em álcool (9% a 12%), tem acidez vibrante e frequentemente apresenta ligeira efervescência (agulha).
    • Aromas: Notas cítricas, florais, minerais e, por vezes, nuances tropicais ou salinas.
    • Versatilidade: Vai desde brancos jovens e leves a estilos mais complexos e estruturados; há também rosés frescos e tintos robustos.
    • Harmonização: Perfeito para acompanhar mariscos, peixe grelhado, saladas, comida asiática, ou apenas para refrescar num final de tarde quente.

    Tipos de Vinho Verde

    Vinho Verde Branco
    Delicado, fresco e com baixo teor alcoólico, os vinhos brancos da região distinguem-se pelos aromas vibrantes de flores e frutas jovens. São leves, elegantes e, nos estilos mais clássicos, exibem um ligeiro frisante.

    Destacam-se pela harmonia com a gastronomia local.

    Vinho Verde Tinto
    Cor vermelha intensa, taninos marcantes e acidez elevada. Aromas de frutos vermelhos e silvestres.

    São vinhos frescos e cheios de carácter, perfeitos para acompanhar pratos tradicionais.

    Vinho Verde Rosé
    Muito aromático, com notas de frutos vermelhos e frescos que se prolongam na prova.

    O perfil de cor vai do rosa intenso aos tons mais claros, tendência inspirada nos rosés de Provence.

    Refrescante e versátil, é ideal para dias descontraídos e pratos leves.

    Curiosidade Cultural

    O Vinho Verde faz parte dos hábitos sociais e culturais do Norte de Portugal; é comum encontrá-lo em festas populares, romarias e convívios familiares.

    Servido bem fresco, acompanha na perfeição as iguarias típicas da região, como sardinhas assadas, caldo verde, rojões e o famoso arroz de lampreia (no Douro e Minho).

    Conclusão

    O Vinho Verde não é apenas um vinho jovem e leve; é um universo com história, inovação e grande expressão regional.

    A cada ano, conquista novos apreciadores, mantendo-se fiel às suas raízes, mas sempre atento às tendências e exigências do consumidor moderno.


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  • Explorando o Cozido à Portuguesa: Origens e Receita Tradicional

    Explorando o Cozido à Portuguesa: Origens e Receita Tradicional

    O Cozido à Portuguesa é um dos pratos mais icônicos da gastronomia portuguesa.

    Essa receita tradicional reúne uma variedade de vegetais, carnes e enchidos, tudo cozido de forma harmoniosa. Apesar de ter uma aparência simples, o cozido é um prato que exige cuidado e tradição, tendo sido aprimorado ao longo dos séculos.

    Origem e História

    A origem do Cozido à Portuguesa está diretamente ligada à necessidade económica e à gestão engenhosa de poucos recursos.

    Em tempos de escassez, a solução para muitas famílias era aproveitar as sobras de alimentos, juntando tudo numa panela para cozer até obter uma refeição robusta e nutritiva.

    Este prato, além de alimentar, cumpria a função de aquecer o corpo nos dias frios, sendo especialmente valorizado no inverno.

    Curiosamente, variações desse tipo de prato são encontradas por toda a Europa.

    França e Itália

    A variação francesa deste prato é conhecida como “Pot-au-feu” e, na Itália, a sua variação é conhecida como “Bollito Misto”.

    Pot-au-feu // mmbonappetit.com

    Em ambas as versões, os ingredientes-base são os mesmos: carnes e legumes cozidos em conjunto, criando um prato quente e saboroso.

    Portugal

    Em Portugal, no século XVII, Domingos Rodrigues, cozinheiro da Casa Real e autor do primeiro tratado de culinária em português, Arte de Cozinha (1680), descreveu um prato muito semelhante ao que hoje chamamos de Cozido à Portuguesa.

    Arte de Cozinha // purl.pt

    Rodrigues detalha neste tratado a preparação e os ingredientes utilizados:
    Vaca gorda, galinha, perdizes, coelho, pombos, lebre, chouriços, linguiça, lombos de porco, orelheira, nabos, cabeças de alho, grão-de-bico, castanhas e sal.

    No entanto, não o designava como “Cozido à Portuguesa”, mas pelo nome espanhol “Olla Prodrida”, adaptando-o para o português “Olha Podrida”.

    Este nome, embora peculiar, dava pistas da tradição partilhada entre as diferentes culturas culinárias da época.

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    Variantes do Cozido à Portuguesa

    O Cozido à Portuguesa é um prato que permite inúmeras adaptações, refletindo a riqueza gastronômica e cultural de cada região de Portugal. Embora possa variar bastante nos ingredientes, há um elemento indispensável: os enchidos, que são responsáveis pelo sabor único e acolhedor do prato.

    Principais variantes regionais:

    Minho

    No Minho, o cozido adquire um toque especial com galinha gorda, presunto, salpicão e focinho de porco. A couve utilizada é a tronchuda, e o arroz é cozinhado no forno, ficando carregado de sabor.

    Trás-os-Montes

    Nesta região, o cozido é reforçado com enchidos tradicionais como a alheira, o chouriço de sangue e a farinheira.

    Além disso, é frequente a mistura de diferentes tipos de couve, como a lombarda e coração. A variação de Trás-os-Montes inclui também toques de feijão-verde.

    Alentejo

    No Alentejo, o prato, conhecido como Cozido à Alentejana, dispensa a galinha, mas pode ser enriquecido com borrego.

    O porco é absolutamente central; aproveitam-se quase todas as partes do animal, como joelho, orelha, entrecosto, rabo e toucinho.

    Cozido à Alentejana // jvitorino.wordpress.com

    Os enchidos, incluindo morcela e a farinheira são essenciais, assim como a presença do grão-de-bico.

    Algarve

    No Algarve, o cozido ganha suavidade e um aroma especial com a inclusão de batata-doce e um raminho de hortelã, que perfuma o prato.

    Tal como no Alentejo, o grão-de-bico é um dos seus componentes tradicionais.

    Açores

    Nos Açores, destaca-se o famoso Cozido das Furnas, cozinhado no calor vulcânico, o que se torna numa experiência única.

    Furnas // en.azoresguide.net

    Nesta versão, juntam-se inhame, toucinho fumado, carne de vaca e galinha, além de legumes como batata, cenoura, batata-doce e couves. Os enchidos mais utilizados são o chouriço e a morcela.


    Madeira

    Na Madeira, a versão tradicional do cozido à portuguesa é servida com fatias de pão e hortelã.

    Há também uma variação mais típica da ilha, que combina cuscuz e tomilho, descartando os enchidos e utilizando apenas carne de porco magra e salgada.

    Ingredientes Base Tradicionais

    Apesar de cada região trazer as suas particularidades, pode-se afirmar que a receita-base do cozido tradicional é composta por:

    Carnes: Vaca, porco e frango.
    Enchidos: Chouriço de carne, chouriço de sangue, farinheira e morcela.
    Legumes e tubérculos: Couve-portuguesa, couve-lombarda, cenoura, batata e nabo.

    É esta versatilidade que torna o Cozido à Portuguesa um dos pratos mais representativos da alma gastronômica de Portugal!

    Receita do Cozido à Portuguesa

    Ingredientes

    •⁠ ⁠300 gramas de carne de vaca para estufar
    •⁠ ⁠⁠ ½ chispe 1 orelha de porco pequena
    •⁠ ⁠⁠300 gramas de toucinho entremeado
    •⁠ ⁠⁠300 gramas de entrecosto
    •⁠ ⁠⁠1 Chouriço de Carne
    •⁠ ⁠⁠1 Morcela
    •⁠ ⁠⁠1 Chouriço de Sangue
    •⁠ ⁠⁠1 Farinheira
    •⁠ ⁠⁠1 Couve portuguesa pequena
    •⁠ ⁠⁠1 Couve lombarda pequena
    •⁠ ⁠⁠2 Nabos médios
    •⁠ ⁠⁠2 Batatas Médias
    •⁠ ⁠⁠ 2 Cenouras
    •⁠ ⁠⁠1 medida de arroz (350ml)
    •⁠ ⁠⁠1 medida do caldo onde se cozeu as carnes
    •⁠ ⁠⁠1 medida de água
    •⁠ ⁠⁠2 latas de feijão branco 400gr

    Preparação

     1.⁠ ⁠Comece por cozer as carnes com os enchidos todos na mesma panela, com água, sal e pimenta. E conforme vão estando cozidos, vá reservando;

     2.⁠ ⁠Primeiro a farinheira e o chouriço de sangue, depois a morcela e o chouriço de carne. A seguir o entrecosto e o toucinho entremeado. Por fim o chispe, a orelha e a carne de vaca, que são os que demoram mais;

     3.⁠ ⁠Aproveite o caldo das carnes para preparar os restantes ingredientes do cozido;

     4.⁠ ⁠Comece por aquecer 1 fio de azeite num tacho, frite 1 caneca de arroz – cerca de 350ml – e junte 1 medida do caldo e outra de água.

    Tempere com pimenta e deixe cozinhar 18-20 minutos. Rectifique o sal, se achar que o caldo esta insosso;

     5.⁠ ⁠Noutra panela reserve caldo para aquecer 2 latas pequenas de feijão branco;

     6.⁠ ⁠A seguir trate dos legumes. Separe as folhas de uma couve portuguesa, lave bem, tire o talo e o veio central, parta em pedaços e junte à panela;

     7.⁠ ⁠Depois a 1 couve lombarda: retire as folhas mais rijas, corte em 4 sem o talo central e junte;

     8.⁠ ⁠Por fim batata, nabo e cenoura. Descasque, corte em pedaços e junte às couves. Tape e deixe cozer até estar tenrinho;

     9.⁠ ⁠Enquanto isso aproveite para cortar as carnes e os enchidos;

    10.⁠ ⁠Quando estiver tudo cozido e as carnes reaquecidas, é hora de empratar.

    Receita de Filipa Gomes – www.24kitchen.pt

    Fontes: revistacomunidades.pt, pingodoce.pt, 24kitchen.pt
    Foto de capa: pingodoce.pt


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  • Natal na Europa: Tradições, Delícias e Celebrações

    Natal na Europa: Tradições, Delícias e Celebrações

    O Natal é um momento de alegria, reflexão e celebração, com cada país europeu a adicionar o seu toque único à época festiva.

    Tão diversas quanto as culturas, essas tradições celebram tanto o significado religioso quanto os costumes locais.

    Aqui fica um vislumbre das tradições natalinas mais queridas em vários países europeus.

    Portugal: Presépio, árvore de Natal e ceia de Natal

    Seguindo a tradição, as famílias portuguesas reúnem-se no dia 24 de Dezembro para jantar e à mesa servem-se os pratos de bacalhau, polvo e por vezes o peru assado e outros pratos de carne que habitualmente são saboreados no dia seguinte.

    Bacalhau de Consoada // Pingo Doce

    Para sobremesa, não poderá faltar o Bolo-Rei, recheado com frutas cristalizadas ou com frutos secos, além de outros bolos característicos da época como as broas castelares, o pão de ló e os tradicionais fritos como as filhoses, os sonhos e as rabanadas.

    Bolo Rei // ecotoursportugal

    À meia-noite, celebra-se a Missa do Galo e nas igrejas, assim como em casa, há um lugar especial para o presépio, a recriação do estábulo onde nasceu Jesus que São Francisco de Assis idealizou, no séc. XIII, e que é bastante popular em Portugal.

    As prendas de Natal são colocadas junto da árvore de Natal e trocam-se depois da meia-noite ou na manhã seguinte, consoante o hábito de cada família.

    Em tempos idos, antes de ser o Pai Natal a animar o Natal português era o Menino Jesus quem as entregava.

    Ao deitar, as crianças deixavam o sapatinho na chaminé e de manhã ao acordar, iam ver qual a surpresa que lhes tinha deixado.. 

    Alemanha: Calendário do Advento e Weihnachtsmarkt

    A Alemanha é famosa pelos seus mercados de Natal (Weihnachtsmärkte), onde as cidades ganham vida com o aroma das castanhas assadas e vinho quente.

    A tradição do calendário do Advento, uma contagem decrescente até ao dia de Natal, teve origem aqui.

    As crianças abrem com entusiasmo uma porta a cada dia de Dezembro, revelando guloseimas ou pequenos presentes.

    Calendário do Advento // arcadiachocolates.com

    O jantar da véspera de Natal costuma incluir carpa ou ganso, e as famílias reúnem-se para trocar presentes, muitas vezes acompanhados pelo canto de canções natalinas.

    Itália: La Befana e a Ceia dos Sete Peixes

    Embora muitos italianos celebrem o Natal a 25 de dezembro, a festividade continua até ao dia 6 de Janeiro com a celebração da La Befana.

    Segundo a lenda, esta bruxa bondosa entrega presentes às crianças no Epifania.

    Uma refeição tradicional na véspera de Natal pode incluir a Ceia dos Sete Peixes, onde as famílias desfrutam de uma variedade de pratos de marisco.

    Ceia dos Sete Peixes // paesana.com

    O Dia de Natal costuma contar com um almoço farto, frequentemente centrado em pratos de carne assada.

    Suécia: O Dia de Santa Lúcia

    A celebração do Dia de Santa Lúcia a 13 de dezembro marca o início da época natalina na Suécia.

    Meninas jovens vestem-se de Lucia, usando vestidos brancos e grinaldas de velas, e lideram procissões cantando canções.

    Este dia simboliza a chegada da luz nos escuros meses de inverno.

    Alimentos tradicionais como pães de açafrão (lussekatter) e biscoitos de gengibre são muito apreciados durante este período.

    Lussekatter // joker.no

    França: Jantar de Natal e Réveillon

    Na França, a refeição festiva conhecida como Réveillon é um destaque das celebrações de final de ano.

    As famílias reúnem-se na véspera de Natal para desfrutar de jantares abundantes, frequentemente com pratos como foie gras, ostras e carnes assadas.

    No sul, uma tradição especial é a “13 sobremesas” servidas após a refeição, simbolizando Jesus e seus apóstolos.

    13 Sobremesas // Fotografia: frenchmadetheblog

    Em algumas regiões, o Père Noël representa o papel de repartidor de presentes, similar ao Pai Natal, enquanto em Provença, a tradição de expor figuras de natal (santons) adiciona um toque local.

    Santons // Fotografia: Gilles Bader

    Espanha: Os Três Reis e Turrón

    Na Espanha, as celebrações de Natal vão além do dia 25 de Dezembro, culminando na festa de Los Reyes (Três Reis) a 6 de Janeiro.

    Reis Magos // Fotografia: murciatoday

    As crianças esperam ansiosamente a chegada dos Reis Magos, que trazem presentes.

    Doces tradicionais como Turrón e Roscón de Reyes, são essenciais durante este período.

    Roscón de Reyes // Fotografia: mykaramelli

    A missa da meia-noite na véspera de Natal, conhecida como La Misa del Gallo (A Missa do Galo), também é uma tradição significativa.

    Reino Unido: Crackers de Natal e Pantomima

    No Reino Unido, o Natal é uma mistura de tradições pagãs e cristãs.

    A época festiva começa com o Advento, e o Dia de Natal é marcado por reuniões familiares, frequentemente com peru assado e pudim de Natal.

    Uma tradição única é a abertura de crackers de Natal durante o jantar, que contêm pequenos presentes e piadas.

    Crackers de Natal // ispotsanta

    As pantomimas, representações teatrais muitas vezes baseadas em contos de fadas, também são um entretenimento popular durante as festas.

    Pantomina // tvtropes.org

    Noruega: Nisse e a Cabra de Natal

    Na Noruega, a Cabra de Natal (julebukk) é o símbolo do espírito natalino.

    Enquanto a tradição do Nisse, que sempre foi descrito como uma pequena criatura semelhante a um humano, vestindo um chapéu vermelho e roupas cinzas, que realiza tarefas domésticas durante o ano e espera ser recompensado pelo seu trabalho, por volta do solstício de inverno, com o presente da sua comida favorita, as papas de aveia.

    Julebukk // landromantikk.no

    A véspera de Natal é quando as famílias se reúnem para celebrar com uma refeição festiva, e no Dia de Natal, muitos assistem às cerimónias religiosas.

    O tronco de Natal também é um símbolo de calor e união familiares durante esta época.

    Conclusão

    Ao longo da Europa, as tradições natalinas refletem o rico património cultural, combinando significados religiosos com as tradições locais.

    Quer sejam os mercados tradicionais da Alemanha, as procissões iluminadas da Suécia ou as refeições familiares em Portugal ou na Itália, cada celebração traz consigo memórias queridas, alegria, muito amor nos corações, partilha, carinho nas familias e nas comunidades.

    Mercado de Natal Alemão // mdr.de

    À medida que os países continuam a adoptar e a partilhar as suas tradições, o espírito do Natal permanece uma força unificadora entre os Povos, mostrando nesta época de partilha, de amor, de solidariedade, fraternidade e união a verdadeira essência e o que de melhor existe em cada um de nós.

    Crédito de Capa: Photo by Alessio Zaccaria on Unsplash
    Fontes: visitportugal.pt


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  • Sonhos de Natal – Variantes e Receita

    Sonhos de Natal – Variantes e Receita

    Os Sonhos de Natal são um doce típico da gastronomia portuguesa, muito apreciados na época natalícia.

    Origem e lenda

    Consta a lenda, que a sua origem é turca, sendo também muito popular em vários países tais como a Grécia, Chipre, Bulgária, Egipto etc.

    Este doce em forma de bola foi criado com o objetivo de representar o sol nascente, a luz e o amor.

    Variantes dos Sonhos de Natal

    Existem várias versões de receita dos Sonhos de Natal, variando sobretudo com a região do país ou, muitas vezes dependendo dos segredos de familia que são passados das mães para filhas/os.
    Sonhos de Abóbora, Sonhos de Cenoura, ou simplesmente Sonhos.

    A massa frita com o toque de canela são a combinação perfeita e deliciosa para o Natal.

    Sonhos de Abóbora // portrecipes.com

    Receita dos Sonhos de Natal

    Ingredientes:

    Para os Sonhos:
    •⁠ ⁠300 g farinha
    •⁠ ⁠6 ovos
    •⁠ ⁠80 g margarina
    •⁠ ⁠1 pitada de sal
    •⁠ ⁠1/2 l água
    •⁠ ⁠2 colheres de sopa de açúcar
    •⁠ ⁠1 laranja (casca)
    •⁠ ⁠qb açúcar em pó para polvilhar
    •⁠ ⁠qb canela para polvilhar

    Para a calda:
    •⁠ ⁠200 g açúcar
    •⁠ ⁠1 laranja (casca)
    •⁠ ⁠1 pau de canela
    •⁠ ⁠150 ml de água

    Preparação:

    Para os Sonhos:
    1.⁠ ⁠Leve ao lume um tacho com a água, o sal, a margarina, o açúcar e a casca da laranja, deixe ferver. Retire a casca da laranja com a ajuda de um garfo. Junte a farinha de uma só vez e mexa bem sem tirar do lume, até ficar uma massa macia;

    2.⁠ ⁠Retire então do lume, deite para uma tigela, deixe arrefecer um pouco e junte os ovos um a um, mexendo bem após cada adição. Leve ao lume um tacho com óleo e deixe-o aquecer;

    3.⁠ ⁠Deite no óleo colheradas da massa e deixe fritar lentamente, picando os sonhos com um garfo de vez em quando, até triplicarem o volume e ficarem duros e douradinhos. Retire-os, escorra-os, polvilhe com açúcar e canela;

    4.⁠ ⁠Se gostar faça uma calda para os acompanhar, pode também regá-los com esta, depois de fria.

    Para a calda:
    •⁠ ⁠Leve ao lume a água com o açúcar, a canela e a casca da laranja, deixe ferver durante 10 minutos. Retire do lume e deixe arrefecer. Acompanhe quando servir os sonhos.

    Receita do Chefe Silva encontrada em vortexmag.net

    Fontes: iberismos.com, vortexmag.net, vidaativa.pt
    Foto de Capa: aguasdoalgarve.pt


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  • Bola de Berlim: Receita, tradição e doçura

    Bola de Berlim: Receita, tradição e doçura

    Bola de Berlim é um bolo tradicional português. Sendo um dos mais deliciosos e vendidos nas pastelarias, o que significa que é um dos preferidos dos portugueses.

    História e Origens

    A Bola de Berlim tem origem, como o próprio nome indica, no norte da Alemanha e foi trazida para terras lusas durante a 2.ª Guerra Mundial.

    Nesta época e sob o dominio ditatorial de António Oliveira Salazar, entre 1939 e 1945, Portugal manteve a neutralidade, atraindo às cidades de Lisboa e Porto um grande número de refugiados judeus que fugiam da Alemanha nazi, muitos deles com o objetivo de atravessar o Atlântico rumo à América.

    Foi nesta época que uma família judia fugiu da Alemanha para Portugal: a família Davisohn.

    A mãe desta família começou a reproduzir uma receita que aprendera na Alemanha: um frito de massa de farinha doce com açúcar no exterior e doce no interior. Era a Bola de Berlim, Berliner Pfannkuchen no original (Bolo de Berlim de frigideira).

    Berliner Pfannkuchen // familienkost.de

    Esta é uma história que é relatada no livro Judeus em Portugal durante a II Guerra Mundial da historiadora Irene Flunser Pimentel, que conta o que se passou a seguir: com o calor, as praias de Lisboa enchiam-se de refugiados judeus que aí comiam esta iguaria.

    Com a guerra, os refugiados necessitaram de trabalhar para sustentar a família e muitos dos judeus tornaram-se funcionários de empresas nacionais, como pastelarias e cafés. Por este mesmo motivo, Lisboa e Porto começaram a vender este doce típico.

    Com o passar do tempo, os pasteleiros nacionais desenvolveram a própria versão, passando a rechear com doce de ovos ou sem creme, ao invés de creme ou marmelada.

    Variantes da Bola de Berlim

    Com o tempo e a sua popularidade, a receita foi alterada. A Bola de Berlim é tradicionalmente recheada com creme amarelo de pasteleiro (feito de ovos), embora, ao longo dos anos, tenham surgido mais variações: chocolate, avelã, doce de leite, caramelo, frutos vermelhos, coco, limão…

    Bola de Berlim de Kinder Bueno // Bridor

    No entanto, a versão original, importada da Alemanha, seria com recheio de compota de fruta, de morango ou de frutos vermelhos, tal como a senhora Davisohn fazia.

    Sucesso da Bola de Berlim nas praias

    Tendo em conta o tamanho e a forma redonda (ideal para agarrar só com uma mão), as Bolas de Berlim começaram a ser vendidas na rua. Mais tarde, chegaram às praias, onde foram um sucesso tão grande que se transformaram num ritual típico do Verão.

    Depois de uma ida ao mar, o nosso corpo fica com uma camada de sal e sentimos um travo salgado na boca. O doce da Bola de Berlim contrasta na perfeição com o salgado do mar, ficando este sabor mais intensificado.

    Bola de Berlim numa praia Portuguesa // adn-agenciadenoticias

    Por ser um bolo frito, de massa fofa e arejada, torna-se muito usual o seu consumo na praia, pois os alimentos secos provocam sede e este bolo além de não ser seco é extremamente delicioso.

    A Bola de Berlim é um prazeroso e delicioso bolo que consola os sentidos e deleita o espirito.

    Receita da Bola de Berlim

    Ingredientes:

    •⁠ ⁠Óleo
    •⁠ ⁠Açúcar

    Massa:
    •⁠ ⁠25g de fermento de padeiro fresco
    •⁠ ⁠100ml de água morna
    •⁠ ⁠500g de farinha de trigo sem fermento
    •⁠ ⁠100g de manteiga
    •⁠ ⁠6 ovos
    •⁠ ⁠100g de açúcar

    Recheio:
    •⁠ ⁠2 c. de sopa de amido de milho
    •⁠ ⁠250ml de leite
    •⁠ ⁠1 casca de limão
    •⁠ ⁠1 vagem de baunilha
    •⁠ ⁠300g de açúcar
    •⁠ ⁠3 gemas

    Preparação:

    1.⁠ ⁠Massa: Comece por diluir 25g de fermento de padeiro fresco em 100ml de água morna;

    2.⁠ ⁠Numa taça, coloque 500g de farinha de trigo sem fermento, 100g de manteiga, o fermento diluído e 6 ovos inteiros. Se quiser, junte 100g de açúcar. Mexa e deixe repousar num local seco e quente, se preferir, pré-aqueça o forno, desligue e deixe repousar no seu interior;

    3.⁠ ⁠Assim que a massa levedar, divida-a em vários pedaços. Polvilhe uma superfície com farinha e molde a massa em pequenas bolas. Coloque num tabuleiro e deixe levedar mais um pouco no forno com uma temperatura de 50ºC;

    4.⁠ ⁠Recheio: Numa taça coloque 2 c. de sopa de amido de milho e 3c. de sopa de leite, de 250ml. Dissolva e reserve;

    5.⁠ ⁠Num tacho aromatize o restante leite com 1 casca de limão e um pouco de polpa de 1 vagem de baunilha. Coe este leite para um copo e, no mesmo tacho, adicione 300g de açúcar, novamente o leite aromatizado, 3 gemas batidas e o amido de milho dissolvido anteriormente. Mexa até engrossar;

    6.⁠ ⁠Leve as bolas já levedadas a um tacho com óleo quente. Frite e, de seguida, assim que arrefecerem um pouco, passe por açúcar. Faça um buraco e recheie com o creme.

    Receita de Joana Barrios 24kitchen.pt

    Fontes: foodlab.cascais.pt, visitlisboa.com, http://portal.uab.pt, 24kitchen.pt
    Fonte de capa: City Guide Lisbon


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  • Pão-de-Ló – História, Variantes e Receita!

    Pão-de-Ló – História, Variantes e Receita!

    Pão-de-Ló, é talvez o bolo mais tradicional do nosso País, um clássico da confeitaria com massa fofinha e leve iminentemente ligado à época da Páscoa que serve também de base para muitas outras receitas deliciosas.

    História e Origens

    Estima-se que o Pão-de-Ló tenha sido criado na segunda metade do século XVIII, quando o cozinheiro genovês Giobatta Carbona, enviado a Espanha pelo marquês Domenico Pallavicino (nomeado embaixador em 1747 pelo rei da Espanha Fernando VI), presenteou o rei espanhol, por ocasião de um banquete, com um bolo extremamente leve que designou como Pan di Spagna, em homenagem à corte espanhola da época.

    Crédito Fotográfico: https://paodelodemargaride.pt/

    A inovação dessa receita é justamente o modo de preparação da massa a frio e rica em ovos, com todos os ingredientes adicionados num recipiente e depois cozinhados em banho-maria. Com os anos, essa técnica de preparação foi abandonada.

    Em Portugal

    Em Portugal, diz a tradição que o Pão-de-Ló teve a sua origem nos conventos.

    Dizem também que embora a origem do nome seja portuguesa, as suas raízes são espanholas descendentes de um biscoito similar ao Pão-de-Ló que era preparado nos mosteiros e conventos de Castela em Espanha.

    Naquela época, o Pão-de-Ló estava sempre presente nas mesas dos padres mais abastados sendo o doce indicado para as dietas dos convalescentes, era também, o bolo enviado como presente e conforto a famílias de luto e oferecido aos condenados à morte junto com um copo de vinho, quando subiam à forca.

    Variantes do Pão-de-Ló

    Em Portugal, cada convento efetuou alterações no Pão-de-Ló, consoante a criatividade e especificidade de cada região, por esse motivo existem nos dias de hoje, várias formas de fazer o bolo.

    Pão de ló de Vizela // pingodoce.pt

    Margaride, Ovar, Arouca, Alfeizerão (antigo Convento de Cós, perto de Alcobaça), de Vizela (bolinho, de formato retangular e regado com xarope de açúcar), Pão-de-Ló de Freitas (Amarante, feito com dois tipos de farinha – fécula e farinha de arroz), de Famalicão (Mosteiro de Landim que se bate por mais tempo), Pão-de-Ló de Mirandela, com limão, de Figueiró dos Vinhos, Alpiarça ou Rio Maior, são múltiplas as versões de um mesmo bolo batizado assim na Idade Média.

    Pão de Ló de Ovar // pingodoce.pt

    O Pão-de-Ló foi introduzido no Japão no século XVI, pelos primeiros portugueses que lá chegaram e levaram consigo a receita, que se converteu através dos tempos num dos doces mais típicos de Japão, o Kasutera, palavra derivada justamente de “Castela”.

    Kasutera // Minamoto Kitchoan

    Este bolo simples, mas com uma textura incomparável, na Itália é conhecido com o Pão-de-Ló genovês e pan di Spagna, na Inglaterra e nos Estados Unidos é o Sponge cake.

    Origem do nome

    A massa levíssima do bolo justifica o termo “ló”, que dá nome à receita. Com efeito, Ló, para quem não sabe, é um tecido finíssimo e delicado.

    O Pão-de-Ló, mesmo com algumas variações de regiões ou de países, é sempre um fofinho, delicado e delicioso bolo para se saborear em todas as estações do ano e também em épocas festivas e especiais como a Páscoa e o Natal.

    Pão-de-Ló de Margaride

    O Pão de ló de Margaride é uma referência na doçaria tradicional portuguesa, tendo a Câmara Municipal de Felgueiras apresentado, em 2011, a sua candidatura às 7 Maravilhas da Gastronomia, na categoria de doces.

    Fábrica de Margaride // https://paodelodemargaride.pt/

    A qualidade e excelência deste doce regional foram reconhecidas pela Casa Real Portuguesa, tendo sido atribuído à sua criadora, D. Leonor Rosa da Silva, o título de “Doceira da Casa Real”.

    O autêntico Pão-de-Ló de Margaride é cozido em forno de lenha, em formas de barro não vidrado. É considerado o melhor Pão-de-Ló seco de Portugal. A receita original, usada pela Casa Leonor Rosa da Silva, que o comercializa, está guardada a “sete chaves”.

    Receita do Pão-de-Ló de Margaride

    Ingredientes:

    •⁠ ⁠12 gemas
    •⁠ ⁠3 ovos inteiros
    •⁠ ⁠225 g açucar
    •⁠ ⁠1 colher de café sal grosso
    •⁠ ⁠100 g farinha fina ou extra fina sem fermento (Tipo 55)
    •⁠ ⁠2 folhas papel almaço para forrar

    Preparação:

    •⁠ ⁠Bata os ovos com o açúcar e o sal na batedeira, em velocidade média, durante 15 minutos. Aumente para a velocidade máxima e bata durante mais 5 minutos. A massa vai crescer imenso!
    •⁠ ⁠Peneire a farinha diretamente para a massa e envolva delicadamente à mão, em movimentos circulares de baixo para cima, garantindo que a farinha é bem absorvida.
    •⁠ ⁠Forre uma forma de barro para pão de ló (ou outra de buraco, grande) com folhas de papel almaço, inclinadas e ligeiramente sobrepostas.
    •⁠ ⁠Verta a massa na forma, coloque uma tampa e leve a forno pré-aquecido a 200º C, durante cerca de 1 hora ou até estar cozido. Faça o teste do palito.
    •⁠ ⁠Retire do forno, tire a tampa e deixe arrefecer. Depois de frio retire-o da forma e sirva, preferencialmente na companhia de um bom vinho de Felgueiras.

    Nota:

    Se não tiver a forma tradicional de barro, use outra, desde que seja grande (nº 30);

    Se não tiver papel almaço, use em alternativa, papel vegetal, papel A4 normal ou papel de cenário. Pode, em alternativa, fazer este Pão-de-Ló untando apenas a forma com manteiga e polvilhando com farinha;

    Na forma de barro, o tempo é entre 1 hora, 1 hora e um quarto. Na de alumínio serão cerca de 50 minutos;

    O pão de ló de Margaride não conhece a faca. É um bolo que se parte à mão.

    Adaptada de uma receita antiga de Maria de Lurdes Modesto, recolhida junto de habitantes de Felgueiras.

    Fontes: wikipedia, festivaldopaodelo, pantuccipanificadora, iberismos

    Crédito de Capa: Visit Portugal


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  • Arroz –  Um Mergulho na História e Cultura Global

    Arroz – Um Mergulho na História e Cultura Global

    Arroz, (Oryza sativa), é um grão de cereal comestível proveniente de uma planta herbácea da família Poaceae. Aproximadamente metade da população mundial, incluindo praticamente toda a Ásia Oriental e Sudeste Asiático, depende inteiramente do arroz como parte da sua alimentação.

    Oryza Sativa // Ouriques Farm

    Muitas culturas apontam terem sido as primeiras a cultivar o arroz, incluindo a China, a Índia e as civilizações do Sudeste Asiático.

    No entanto, as evidências arqueológicas mais antigas aparecem na China central e oriental e têm data de 7.000 a.C e 5.000 a.C.

    Mais de 90 por cento do arroz mundial é cultivado na Ásia, principalmente na China, na Índia, na Indonésia e no Bangladesh.

    Uma equipa de Arqueólogos ao escavar na Índia, descobriu que a data determinada do arroz poderia ser de 4.530 a.C.
    No entanto, a primeira referência registada tem origem na China em 2.800 a.C.

    O imperador chinês, Shennong, percebeu a importância do arroz para o seu povo e para homenagear o grão, estabeleceu cerimónias anuais do arroz a serem realizadas na época da sementeira, com o imperador a espalhar as primeiras sementes da época.

    Imperador Shennong // tulay.ph

    Actualmente, existem controvérsias sobre o inicio do cultivo do arroz e em que país aconteceu, sendo necessário considerar a diferença entre a domesticação e a colheita da planta em estado ainda selvagem.

    Por exemplo, recentemente na Índia, grãos de arroz e cerâmicas antigas, com data de 6.500 a.C, foram encontrados em Lahuradewa em Uttar Pradesh.

    Estes descobrimentos, indicam o cultivo muito precoce do arroz, cerca de 4.000 anos antes do que se supunha frequentemente nesta região.

    No entanto, outros estudiosos argumentam que estas primeiras descobertas do arroz, podem ter sido colhidas de populações selvagens e concluem que são necessárias mais evidências para provar o cultivo ou domesticação.

    Da mesma forma, na arqueologia chinesa, pressupõe-se que as primeiras descobertas do arroz cultivado foi por volta de de 7.000 a.C. mas, métodos anteriores de análise de amostras, não estabeleceram evidências de comportamentos de cultivo ou de traços físicos de domesticação no arroz.

    Yangtze // visitourchina.com

    Uma reavaliação recente indica que os grãos de arroz, especialmente do Baixo Yangtze, demonstram um aumento progressivo de tamanho, entre 6.000 a.C. e 3.500 a.C., e que esse aumento de tamanho sugere um processo de domesticação.

    Embora não se possa afirmar, que a origem da planta do arroz tenha sido na China, na Índia ou na Tailândia, pode-se certamente confirmar que teve a sua origem na Ásia.

    Existe no entanto, informação da forma como o arroz foi introduzido na Europa e na América. Os viajantes (exploradores, soldados, comerciantes, peregrinos) daquela época, tiveram um papel fundamental, ao levarem consigo para os mais variados destinos, as sementes das culturas que cresciam nas suas terras natais ou em terras estrangeiras.

    No Ocidente, em algumas zonas da América e em certas regiões da Europa, como por ex: Itália e Espanha, que têm um clima adequado e acesso à água, o cultivo do arroz prosperava. Alguns historiadores acreditam que o arroz chegou à América em 1694, num navio britânico com destino a Madagascar.

    Desviado do seu percurso para o porto de Charleston na Carolina do Sul, em vez de Madagascar onde era esperado, os colonos amigáveis, ajudaram a tripulação a reparar o navio. Para demostrar a sua gratidão, o capitão do navio, John Thurber, ofereceu a Henry Woodward algumas sementes de arroz.

    Plantação de Arroz na Carolina do Sul // bunkhistory.org

    Durante a Revolução Americana, toda a área de Charleston foi ocupada, tendo os invasores, enviado para casa todo o arroz colhido, sem deixar nenhuma semente para a colheita do ano seguinte!

    A indústria do arroz americana sobreviveu a este contratempo e o cultivo continuou, graças ao Presidente Thomas Jefferson, que rompeu com uma lei italiana ao fazer contrabando de sementes de arroz para fora da Itália durante uma missão diplomática no final do século XVIII. A indústria do arroz transplantou-se assim da Carolina do Sul para os estados do sul ao redor da bacia do Mississippi.

    O arroz é essencial e muito importante para várias culturas. Está diretamente associado à prosperidade, ao folclore e a lendas, que foram criadas por causa deste grão.

    Em muitas culturas e sociedades, o arroz está diretamente integrado nas crenças religiosas.

    O arroz também está ligado à fertilidade e, por essa razão, existe o costume de atirar arroz aos casais recém-casados. Na Índia, o arroz é sempre o primeiro alimento oferecido aos noivos, para garantir a fertilidade no casamento e o primeiro alimento sólido que as crianças comem.

    Desde os seus primórdios até aos dias de hoje, o arroz continua a desempenhar um papel fundamental em sustentar os apetites do mundo e as tradições culturais.

    D.Dinis O Lavrador // aejms.net

    Em Portugal, foi no reinado de D. Dinis, o Lavrador (1279-1325), que surgiram as primeiras referências escritas à cultura do arroz.

    Receita do Arroz branco seco

    Ingredientes

    •⁠ ⁠Arroz agulha – 1 chávena
    •⁠ ⁠Água quente – 1 chávena e meia
    •⁠ ⁠Cebola – 1 (picada)
    •⁠ ⁠Azeite – q.b.
    •⁠ ⁠Sal grosso – q.b.

    Preparação

    Aqueça um fio de azeite num tacho, junte a cebola e deixe cozinhar até ficar macia.

    Passe o arroz por água com a ajuda de um coador, escorra-o bem e junte-o à cebola. Mexa e deixe fritar um pouco até o arroz ficar translúcido.

    Tempere com sal e junte a água quente. Tape e mal comece a fervilhar reduza o lume e deixe cozinhar. Desligue o lume e deixe terminar de cozinhar no próprio vapor.

    Arroz branco é um excelente acompanhante de Tripas à moda do Porto. Quer saber mais sobre essa combinação perfeita? Não perca o nosso artigo especial sobre o assunto aqui!

    Fontes: UCL, Rice Association, Casa do Arroz

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  • Bolo Rei – receita, lenda e tradição!

    Bolo Rei – receita, lenda e tradição!

    Bolo-Rei, símbolo de Natal e de tradição.

    Na mesa de doces de Natal esta iguaria em forma de coroa, é o rei da festa, em todo o seu esplendor. Uma delicia ao olhar e ao paladar.

    Tornou-se uma tradição de Natal e está enraizada na cultura portuguesa há mais de um século.

    Lenda e tradição

    De acordo com a lenda, o bolo-rei foi criado para homenagear os Reis Magos. Por isso possui uma forma redonda com um grande buraco no meio, enfeitado de frutos secos e cristalizados, de cores variadas. Desse modo assemelha-se a uma coroa incrustada de pedras preciosas.

    Esta doce iguaria representa ainda os presentes que os três Reis Magos deram ao Menino Jesus aquando do seu nascimento: assim, a côdea simboliza o ouro. As frutas, cristalizadas e secas, representam a mirra. Por fim, o aroma intenso do bolo assinala o incenso.

    Durante muito tempo, o bolo-rei escondia a fava ou brinde. Quem recebia a fatia com a fava tinha que comprar o bolo do próximo ano e muitos dentes se partiam no brinde de metal. Esta tradição que se perdeu no tempo, vinha de rituais pagãos: o brinde uma descendência da ideia de encontro com Caronte (o mítico barqueiro de Hades que transporta as almas mortas ao seu destino e exige um pagamento) e a fava da tradição romana de eleger o rei da festa com o sorteio desta planta.

    História e Origens

    Apesar dos antigos registos históricos, os primeiros grandes vestígios deste doce de massa lêveda adornado com frutas cristalizadas, surgiram em França, no século XVI, durante o reinado de D. Luís XIV, para as festas do Ano Novo e do Dia de Reis.

    Em Portugal

    O gâteau des rois (bolo dos reis) popularizado em Portugal no século XIX segue uma receita originária do sul de Loire, um bolo em forma de coroa feito de massa lêveda.

    Numa visita a França, o filho do fundador da icónica Confeitaria Nacional, na Baixa Lisboeta, ficou maravilhado com este bolo e contratou Gregoire (ou Gregório, como ficou conhecido pelos portugueses), um confeiteiro francês, para adaptar a receita do gâteau des rois (bolo dos reis).

    Confeitaria Nacional

    Em 1869, a Confeitaria Nacional tornou-se a primeira “casa” em Portugal a vender o bolo-rei que hoje conhecemos.
    Mais tarde, foram várias as pastelarias que adotaram a receita e passaram a comercializá-la.

    Variantes do bolo

    Por sua vez, o gâteau des rois remonta a tempos romanos, mais precisamente aos festivais de celebração de Saturno (o deus romano da abundância) que decorriam por volta do solstício de inverno. Acredita-se que esta seja também a origem do bolo-rei espanhol, o roscón de reyes, consumido no Dia de Reis. Ao longo dos anos, as diferentes versões deste bolo passaram a ser atribuídas à lenda cristã dos Três Reis Magos (Baltasar, Gaspar e Melchior). Esta associação espalhou-se a países de tradição cristã como Alemanha e Suíça, onde é conhecido como dreikönigskuchen (bolo dos três reis).

    Roscón de Reyes

    Proibição

    Curiosamente, devido ao nome e à conotação com a realeza, o bolo dos reis foi proibido após a Revolução Francesa, em 1789, tendo os pasteleiros mudado o nome do bolo para Gâteau des Sans-culottes para o poderem continuar a confeccionar. Em Portugal, depois da proclamação da República em 1910, a proibição do bolo-rei esteve também prestes a acontecer e muitos tentaram mudar o seu nome, mas sem sucesso.

    Variações

    O Bolo-Rei continua a ser o símbolo máximo da gastronomia na quadra natalícia e apesar de terem aparecido entretanto variações da receita (bolo rainha, bolo rei de chocolate, bolo rei com ovos moles, bolo rei entrançado ou trança de natal, bolo rei escangalhado) o tradicional continua a ter o seu trono assegurado.

    Bolo Rainha

    Há outro elemento comum, e que se mantém até aos dias de hoje: seja no Natal, no Ano Novo ou no Dia de Reis, em França, Portugal ou qualquer outro país, o bolo-rei simboliza momentos de partilha, convívio e celebração.

    Receita do Bolo-Rei tradicional

    Primeira massa

    •⁠ ⁠500gr farinha de trigo tipo 55
    •⁠ ⁠50gr fermento padeiro
    •⁠ ⁠2,5dl água

    Segunda massa

    •⁠ ⁠1kg farinha
    •⁠ ⁠350gr açúcar
    •⁠ ⁠350gr margarina
    •⁠ ⁠20gr sal
    •⁠ ⁠6 ovos
    •⁠ ⁠Raspa de 2 laranjas
    •⁠ ⁠Raspa de 2 limões

    Para perfumar a massa Q.B.

    •⁠ ⁠2,0dl Cerveja preta artesanal
    •⁠ ⁠2,0dl Licor Beirão
    •⁠ ⁠2,0dl Licor Anis
    •⁠ ⁠2,0dl Aguardente
    •⁠ ⁠2,0dl Vinho do Porto
    •⁠ ⁠2,0dl Triplesec
    •⁠ ⁠600 gr frutos cristalizados (em pequenos pedaços)
    •⁠ ⁠500 gr frutos secos

    Decoração

    •⁠ ⁠1 Ovo
    •⁠ ⁠1 Gema
    •⁠ ⁠Q.b. Abóbora cristalizada de várias cores
    •⁠ ⁠Figos cristalizados
    •⁠ ⁠Tangerinas cristalizadas
    •⁠ ⁠Cerejas cristalizadas
    •⁠ ⁠Amêndoa Palitada

    Torrão de Açúcar

    •⁠ ⁠100 Açúcar
    •⁠ ⁠100 Açúcar em Pó
    •⁠ ⁠q.b. Água

    Preparação

    Comece por amassar a primeira massa, que servirá de fermento. Reserve-a à parte.

    Amasse todos os outros ingredientes da segunda massa (exceto os frutos secos e as frutas cristalizadas), por 5 minutos.

    Adicione a primeira massa e deixe amassar até que a massa descole da cuba da batedeira.

    Estique a massa numa bancada, adicione os frutos secos e os cristalizados. Amasse à mão até que todos estejam bem envolvidos.

    Deixe a massa descansar durante a noite no frio.

    De manhã, divida em porções e faça um buraco no meio de cada uma para que fiquem com um formato semelhante a um donut e deixe levedar (como se tratasse de um brioche). Uma vez levedados, pincele com a mistura de ovos e gemas.

    Decoração

    Decore com abóbora cristalizada de várias cores, figos cristalizados, tangerinas cristalizadas, cerejas cristalizadas. Misture os açúcares (decoração) e adicione água o suficiente para criar um bloco de açúcar ao pressionar. Disponha três deles em cima do bolo. Ponha as amêndoas palitadas à volta do bolo onde não houver decoração.

    Leve a cozer a 180ºC

    (Receita cedida pela Escola de Turismo e Hotelaria de Lisboa, baseada na cozinha tradicional de Maria de Lourdes Modesto)

    Fontes de Fotografias/Conteúdo: wikipedia, olissiphotels.com, tavi.pt, be-the-story.com, visitportugal.com, El Mundo, lojascomhistoria.pt, sinalAberto, Pingo Doce

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  • Pastel de Nata – História e Receita

    Pastel de Nata – História e Receita

    O Pastel de Nata é uma popular especialidade da doçaria Portuguesa, de inspiração conventual.
    Em 1837, em Belém, próximo ao Mosteiro dos Jerónimos, numa tentativa de subsistência, os clérigos do mosteiro puseram à venda uns pastéis de nata. Nessa época, Belém e Lisboa eram duas localidades distintas com acesso assegurado por barcos a vapor. A presença do Mosteiro dos Jerónimos e da Torre de Belém atraíam inúmeros turistas que contribuíram para difundir os pastéis de Belém.


    Na sequência da revolução liberal de 1820, em 1834 o mosteiro fechou. O pasteleiro do convento decidiu vender a receita ao empresário português vindo do Brasil, Domingos Rafael Alves, continuando até hoje, o segredo da receita na posse dos seus descendentes. No início, os pastéis foram postos à venda numa refinaria de açúcar situada próximo do Mosteiro dos Jerónimos. Em 1837 foram inauguradas as instalações num anexo, então transformado em pastelaria, a “A antiga confeitaria de Belém”. Tanto a receita original como o nome “Pastéis de Belém” estão patenteados.


    A receita ganhou diversas versões em Portugal em outros países, como Brasil, Macau, Hong Kong, Singapura e Taiwan, sendo difundida globalmente.


    Apenas os pastéis produzidos na Fábrica Pastéis de Belém podem ser chamados “Pastéis de Belém”. Os “outros” confeccionados noutros locais, são todos chamados de “Pastéis de Nata”, sendo estes o resultado da adaptação e reprodução dos “Pasteis de Belém”.


    Além disso, hoje em dia, podemos encontrar muitas versões de pasteis de nata, muitas variações, resultado do espírito criativo daqueles que gostam de pasteis de nata.
    A história do Pastel de Nata assemelha-se a um império construído sobre o poder do sentidos.

    Receita de Pastel de Nata

    Ingredientes:

    Massa Folhada
    •⁠ ⁠650 gr Água
    •⁠ ⁠1 kg Farinha
    •⁠ ⁠800 gr Margarina para folhados (textura maleável)

    Creme de Nata
    •⁠ ⁠1 L Leite
    •⁠ ⁠150 gr Farinha de trigo
    •⁠ ⁠40 gr Farinha Maizena
    •⁠ ⁠12 Gemas
    •⁠ ⁠1 Ovo

    Calda de Açúcar
    •⁠ ⁠1 kg Açúcar
    •⁠ ⁠500 gr Água
    •⁠ ⁠1 Pau de canela
    •⁠ ⁠1 Casca de limão

    Preparação:

    Amasse a farinha juntamente com a água até ter uma bola. Deixe repousar por 15 minutos. Estenda a massa num quadrado, sobreponha a margarina num losango e feche as pontas de forma a não sobrepor a massa (técnica igual à massa folhada). Dê duas voltas simples, com 15 minutos de descanso entre elas.

    Estique a massa de forma a que fique fina e pincele toda a superfície com água. Enrole a massa como se fosse uma torta. Corte discos e ponha-os nas formas. Deixe descansar 10 minutos. Com os dedos molhados, estique a massa até que saía ligeiramente do limite das formas. Reserve à parte.

    Para a calda, só precisa de ferver os ingredientes todos juntos durante 3 minutos.

    Reserve.

    Num tacho de cobre faça o seu creme de nata. Misture 200ml de leite com as farinhas e ferva os restantes 800ml noutro tacho. Aqueça ligeiramente o aparelho das farinhas com o leite fervido e depois misture todo o resto. Leve a cozer o aparelho (no tacho de cobre) até engrossar.

    Retire do lume e misture com a calda de açúcar. Adicione os ovos e as gemas. Encha as formas forradas com a massa folhada e leve a cozer a 300º/350º até a massa estar dourada e o creme bem caramelizado.

    Nota: não deixar ferver o aparelho do recheio

    (Receita cedida pela Escola de Turismo e Hotelaria de Lisboa, baseada na cozinha tradicional de Maria de Lourdes Modesto.)

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    Fontes: Visitportugal.com, pastel-de-nata.pt

  • Tripas à Moda do Porto – História e Receita

    Tripas à Moda do Porto – História e Receita

    As “Tripas à Moda do Porto” é um prato tradicional da região norte de Portugal, especialmente da cidade do Porto. Os habitantes da cidade do Porto são chamados de tripeiros, esta alcunha demonstra a sua tradição histórica de comer tripas e de fazer das tripas à moda do Porto um prato emblemático que orgulha a gastronomia nacional. 

    A lenda conta que este prato remonta à época em que se deu início à grande aventura portuguesa: os Descobrimentos. Dizem que foi no estaleiro de Lordelo do Ouro, no Porto, que se construíram grande parte das embarcações que partiram em direção a Ceuta.

    Infante D. Henrique

    Infante D. Henrique (o navegador) pediu todo o tipo de mantimentos, nomeadamente carne para abastecer as caravelas.

    A cidade do Porto, além de todo o trabalho na construção das caravelas, forneceu também tudo o que tinha para os mantimentos da frota. Os Portuenses deram toda a carne que possuiam, mantendo apenas as tripas como alimento, a partir das quais criaram um prato bastante humilde que ao longo dos tempos foi sendo aperfeiçoado.

    Devido a esse gesto, esse prato tornou-se parte da história da cidade do Porto e representa o sacrificio do povo do Porto em nome de Portugal.

    Receita

    Ingredientes das tripas à moda do Porto:

    • 1kg de tripas (também conhecido como folhos);
    • 1kg de feijão manteiga demolhado;
    • 1 mão de vitela;
    • 1 chouriço de carne;
    • 200gr de orelheira;
    • 200gr de toucinho ou presunto;
    • 200gr de carne de cabeça de porco;
    • 200gr de salpicão;
    • 1 frango;
    • 2 cenouras;
    • 2 cebolas;
    • Banha de porco;
    • Salsa;
    • Louro;
    • Sal;
    • Pimenta;
    • Cominhos.

    Confecção

    • Em primeiro lugar, começa por demolhar 1kg de feijão manteiga. Para isso precisas de colocá-lo numa bacia com o triplo da água (até ficar submerso e com espaço para poder crescer). Deixa a demolhar de um dia para o outro (24h);
    • No dia de preparares a feijoada, coa a água do feijão e reserva-o;
    • Lava bem as tripas e esfrega com sal e limão. Lava também a mão de vitela e leva tudo a cozer num tacho com água e sal;
    • Noutro tacho, coloca as restantes carnes e o frango em água e sal e leva a cozer. Vai retirando as carnes à medida que forem cozendo;
    • Num tacho coze o feijão com as cenouras às rodelas e com 1 cebola aos gomos;
    • Noutro tacho, adiciona a outra cebola picada, 1 colher de sopa de banha de porco e junta todas as carnes cortadas. Deixa-se apurar e de seguida adiciona-se o feijão; Tempera com sal, pimenta preta moída, louro, salsa e cominhos. Deixa apurar muito bem;
    • Assim que estiver tudo cozido, retira a salsa e serve numa terrina de barro, polvilhando com mais cominhos. Serve com arroz branco seco.

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    Fontes: agendaculturalportowalkinportosolteiros contra casados