Category: Moda

  • Sutiã –  Uma Jornada de Estilo e Inovação

    Sutiã – Uma Jornada de Estilo e Inovação

    O Sutiã é uma lingerie que revolucionou a forma de nos vestirmos e nos relacionarmos com o nosso corpo.

    O sutiã, por muito tempo, foi usado apenas por baixo da roupa e para sustentar os seios. Hoje, transporta uma nova proposta: a de que a mulher se sinta ainda mais confiante, segura e poderosa.

    História do Sutiã

    A história do sutiã é repleta de curiosidades, procura de libertação feminina e muita evolução até chegarmos à lingerie que conhecemos hoje.

    Era Pré-sutiãs

    Embora não se saiba ao certo quando foi inventado o primeiro dos diversos precursores do sutiã, os historiadores encontraram referências a peças semelhantes a sutiãs em obras gregas antigas.

    Ilíada de Homero, descreve a deusa Afrodite a remover uma “faixa curiosamente bordada” do peito e na Lisístrata, de Aristófanes, onde uma mulher, que está a castigar o marido não fazendo sexo com ele, o provoca dizendo-lhe que vai despir o strophion.

    A historiadora Mireille Lee escreveu que, embora o strophion tivesse conotações sexuais e de género, é difícil determinar o que as mulheres dessa época vestiam sob as suas roupas – se é que vestiam alguma coisa – pois existe apenas uma reprodução artística da época que mostra uma mulher com um strophion sob a roupa.

    Fotografia: Sara M. Harvey, Patreon

    Outro dos exemplos, são os arqueólogos que escavavam na Villa del Casale, na Sicília.

    Estes arqueólogos descobriram um mosaico do século IV d.C. que mostrava mulheres romanas atléticas cujos seios estavam envoltos numa vestimenta que os estudiosos pensam poder ser um amictorium.

    Outra cobertura para o peito romana, a mamillare, era feita a partir de um cabedal mais resistente.

    Ilustração de um Mamillare // thelingerieformula.com

    No entanto, como o classicista Jan Radicke escreveu, embora as mulheres romanas parecessem ter “diversas opções para cobrirem e darem forma aos seus seios… não existem provas suficientes para chegar a uma conclusão” quanto ao aspecto da vestimenta ou se seria uma peça decorativa, sexual ou simplesmente para dar suporte ao peito.

    Sacos Medievais

    Em 2008, arqueólogos descobriram quatro sutiãs de pano num baú com artigos do século XV no Castelo de Lengberg, na Áustria.

    As vestimentas, que se assemelhavam bastante a sutiãs contemporâneos, podem ser a prova dos primeiros “sacos para o peito” referidos por alguns autores medievais.

    Sutiã encontrada em Lengberg // © Institute for Archaeologies

    Na altura, explicam-nos as historiadoras especialistas em têxteis Rachel Case, Marion McNealy e Beatrix Nutz, os seios grandes não estavam na moda e as mulheres utilizavam vestimentas de suporte para reduzirem o seu tamanho e o falatório sobre os seus corpos.

    Os “sacos para o peito” com 600 anos descobertos no Castelo de Lengberg tinham copas como os sutiãs contemporâneos e, nas palavras das historiadoras, “são obras-primas que usam o fio do tecido” para moldar e proporcionar suporte ao peito.

    A descoberta fez furor entre os historiadores do vestuário, sendo uma prova de que os sutiãs com copas – que se pensava terem surgido no século XIX – foram inventados mais cedo do que se pensava.

    A criação do Sutiã contemporâneo

    O sutiã tal como o conhecemos, surgiu quando os criadores do vestuário propuseram novas formas de moldar e suportar o peito.

    No entanto, as opiniões sobre o inventor do sutiã contemporâneo variam.

    Uns acreditam ter sido Herminie Cadolle, a retalhista francesa da década de 1880 que cortou um espartilho ao meio e o vendeu como um “sutiã-gorge” (suporte para a garganta); outros afirmam ter sido Olivia Flynt, a modista cujo substituto de espartilho “cintura Flynt” foi registado como patente nos EUA em 1873.

    Herminie Cadolle, 1898 // runwaymagazines.com

    O primeiro sutiã patenteado

    No final, quem ficou com os créditos desta invenção foi a socialite norte-americana chamada Mary Phelps Jacob ou Caresse Crosby, como era conhecida.

    Em 1914, Mary foi convidada para um baile, tendo percebido que o espartilho tradicional não combinava com o vestido que queria usar, num momento de criatividade, usou dois lenços de seda e uniu-os com fitas, criando assim o primeiro protótipo do sutiã moderno.

    Este design proporcionou uma liberdade e um conforto que as mulheres da época nunca tinham vivenciado antes.

    Mary patenteou a sua invenção, tendo-a chamado de “Brassiere”, e pouco depois começou a vender às as suas amigas e outras mulheres.

    Sutiã de Caresse Crosky // allthatsinteresting.com

    O seu design foi revolucionário porque se afastava do desconfortável espartilho, oferecendo uma alternativa mais prática e confortável.

    A criação de Mary marcou o início de uma nova era na moda íntima feminina.

    Como não teve muito sucesso na venda da peça para as indústrias têxteis, vendeu a patente para os irmãos Warner, anos mais tarde.

    A evolução do Sutiã

    Apesar de Mary Phelps Jacob ser considerada a inventora do sutiã, a popularização desta lingerie só se deu algum tempo depois, com a produção em alta escala.

    Década de 1920

    Na década de 1920, a popularização do estilo “garçonne” trouxe mudanças significativas no design dos sutiãs. As mulheres procuravam um visual mais reto e andrógino o que levou à criação de novos tipos de sutiãs que achatavam o busto.

    Sutiã estilo Garçonne // simons.ca

    A estilista Coco Chanel, foi uma grande influência para o uso da peça.

    Década de 1930

    Já nos anos 1930, o foco voltou-se para a valorização das curvas femininas e começaram a ser desenhados para realçar e moldar o busto, introduzindo enchimentos e novas técnicas de costura.

    Entre 1930 e 1940, surgiu o primeiro sutiã com com aro, para ressaltar o busto.

    Década de 1940

    A partir dos anos 1940, a indústria de lingerie começou a inovar rapidamente. A introdução do nylon revolucionou a produção de sutiãs, tornando-os mais acessíveis e duradouros.

    Em 1945, um dos modelos mais conhecidos foi criado: o meia-copa. A história em torno dele é bastante curiosa, pois quem inventou o sutiã não foi um estilista, e sim um engenheiro de aviação!

    O bilionário Howard Hughes desenhou o sutiã para a atriz Jane Russell, porque achava que os modelos de sutiã antigo não valorizavam o busto da musa.

    Howard Hughes // thevintagenews.com

    Década de 1950

    Nos anos 1950, o sutiã ganhou ainda mais popularidade com o glamour de Hollywood, onde estrelas como Marilyn Monroe exibiam as suas curvas acentuadas com sutiãs pontudos e estruturados.

    Marilyn Monroe // goldennugs.tumblr.com

    Este estilo continua muito popular nos dias de hoje. Este sutiã tem a característica de deixar o seio um pouco mais à mostra.

    Décadas de 1960 e 1970

    Entre 1960 e 1970, o movimento feminista influenciou a moda íntima e muitas mulheres começaram a ver o sutiã como um símbolo de opressão. Apesar disso, o sutiã continuou a evoluir, com designs que ofereciam mais liberdade e menos estrutura.

    Nesta altura, são criados os sutiãs de desporto, que antes da sua criação, escreve a historiadora especialista em roupa desportiva Jaime Schultz, muitas mulheres usavam sutiãs normais ou atavam o peito com faixas semelhantes às das “Mulheres de Biquíni” da Roma Antiga.

    Na década de 1970, duas corredoras inspiraram-se na protecção para os testículos utilizada pelos homens para fazer o Jockbra, que é actualmente considerado o primeiro sutiã desportivo da época contemporânea.

    Jockbra // http://nypost.com

    O Sutiã e o movimento feminista

    Em 1968, os sutiãs modeladores eram tão omnipresentes e estavam de tal forma associados às normas de sexualidade e beleza feminina que as feministas efectuaram um protesto contra o machismo no dia 7 de setembro em Atlantic City, nos Estados Unidos.

    Este protesto, teve como objetivo criticar o concurso de Miss America e tudo o que o evento representava.

    A manifestação ficou conhecida como “Bra-Burning” que, traduzido do inglês, significa “Queima de Sutiãs”.

    Manifestação “Bra-Burning” // awolau.org

    Além da lingerie, as mulheres colocaram no chão e no lixo: sapatos, cílios postiços, maquilhagem, revistas femininas e outros objetos relacionados com o universo feminino.

    O episódio ainda é lembrado nos dias hoje e é um marco sobre a relação das mulheres com a lingerie.

    Embora estigmatizadas como “queimadoras de sutiãs” pela cultura popular, as manifestantes nunca queimaram os seus sutiãs:
    “Pensamos em queimar (uma lata de lixo de sutiãs no passeio de Atlantic City) disse Carol Hanisch, a organizadora da manifestação, à NPR em 2008, “mas a polícia… não nos deixou queimar nada.”

    Década de 1990

    A introdução do sutiã sem costura nos anos 1990 e a popularização do sutiã desportivo mostraram como essa peça se adaptou às necessidades das mulheres ao longo do tempo, oferecendo cada vez mais opções de conforto e estilo.

    Foi em 1999 que os sutiãs de desporto se tornaram verdadeiramente aceites como peças de vestuário por conta própria devido a Brandi Chastain, a famosa futebolista dos EUA que despiu a sua camisola quando venceu o campeonato do mundo, tendo celebrado no campo vestida apenas com o seu sutiã desportivo – algo a que Schultz chamou “a saída do armário” desta peça.

    Brandi Chastain // cllct.com

    A importância do sutiã nos dias de hoje

    O sutiã é uma peça fundamental não apenas pelo conforto e suporte que proporciona, mas também pelo seu impacto na moda e na auto expressão das mulheres.

    Esta peça, permite que as roupas se ajustem melhor ao corpo, ajudando a criar silhuetas elegantes e proporcionando confiança a quem os usa.

    A moda íntima evoluiu para incluir uma variedade de estilos e designs que atendem às diferentes preferências e necessidades, desde o sutiã básico ao sutiã luxuoso.

    Além disso, o sutiã desempenha um papel fundamental na saúde e bem-estar das mulheres. Ele oferece o suporte necessário para prevenir desconfortos e dores, especialmente para as mulheres com bustos maiores.

    Crédito Fotográfico: Jon Ly on Unsplash

    A diversidade de modelos disponíveis hoje, reflete a crescente conscientização sobre a importância de uma boa lingerie que combine funcionalidade com estética.

    O sutiã é muito mais do que apenas uma peça de roupa, ele é uma celebração da diversidade e da individualidade feminina.

    É tudo uma questão de livre escolha, pois o sutiã tem o poder de realçar e ilustrar no corpo da mulher a beleza, a sensualidade, o conforto, a ousadia, a confiança e a descontração.

    Fontes: www.hopelingerie.com, www.nationalgeographic.pt, blog.delrio.com.br
    Créditos de Capa: Adriana Lima // harpersbazaar.com


    Para mergulhar ainda mais no fascinante universo da história, cultura, gastronomia, lugares, negócios, curiosidades e diversos outros temas, explore outros artigos aqui na Tuguinha

    A nossa missão é dar a conhecer uma ampla variedade de conteúdos aprofundados e intrigantes que vão enriquecer o seu conhecimento e satisfazer a sua curiosidade. 

    Não perca a oportunidade de explorar tudo o que a Tuguinha tem para oferecer!

  • Calças de Ganga / Jeans: História, Legado e Revolução

    Calças de Ganga / Jeans: História, Legado e Revolução

    As calças de ganga / jeans, desde que foram criadas, são transversais a todas as pessoas, países, culturas, idades, géneros e classes sociais.

    Democráticas, cosmopolitas e com uma forma easy-to-wear inigualável, as calças de ganga / jeans têm uma longa história no cenário fashion.

    História e Origem

    A história conta-nos que o tecido das calças de ganga / jeans apareceu por volta do ano de 1792. Foi em Nîmes, França, que se fabricou, pela primeira vez, o tecido que veio a caracterizar as calças de ganga, que ficou conhecido como “tecido de Nîmes”.

    Com o tempo e com a popularidade que foi ganhando, a expressão começou a ser abreviada para “Denim”.

    Crédito Fotográfico: Textile Value Chain

    Numa primeira fase, o tecido “Denim” começou a ser utilizado essencialmente em roupas para trabalho no campo e pelos marinheiros italianos que trabalhavam no porto de Génova, por ser um tecido robusto e de grande durabilidade.

    Levi Strauss – o visionário

    Pouco tempo depois, já na era da Corrida do Ouro na Califórnia, o tecido – com toda a sua tecnologia resistente – chamou a atenção do alemão Levi Strauss.

    Visionário, que no ano de 1853 abriu uma loja em São Francisco, onde começou por vender produtos secos e lona para as carroças dos mineiros.

    Loeb “Levi” Strass // Crédito Fotográfico: Page North

    Nessa altura, Levi Strauss apercebeu-se de que as roupas dos mineiros não eram adequadas para os trabalhos que tinham de desempenhar e, por isso, decidiu fazer umas calças com o tecido que vendia normalmente para cobrir as carroças.

    Este novo produto, criado por Levi Strauss, tornou-se rapidamente um sucesso para os mineiros, mas havia um problema: a lona era pouco flexível para calças, o que dificultava os movimentos.

    Perante esta questão fundamental, Levi Strauss foi à procura de um tecido mais flexível, resistente e confortável tendo encontrado, na Europa, o tecido “Denim”, feito de algodão sarjado.

    A partir daí, o nome de Levi Strauss elevou-se para uma marca: a Levi Strauss & Co. E as primeiras calças fabricadas com o tecido “Denim”, na altura, de cor castanha, tornaram-se num modelo famoso e clássico.

    Crédito Fotográfico: Sean Gallup via Getty Images

    A primeira calça de ganga Levi’s 501

    Assim, em meados de 1860, nascia a primeira calça Levi’s, a 501. Na época bastante diferente da versão atual mas já patenteada e com a mesma potência convencional e de fácil absorção comercial.

    A mestria de Jacob Davis

    A par com Levi Strauss, também Jacob Davis, costureiro, se tornou famoso ao propor a ideia de reforçar as costuras das calças.

    Em 1860, foram acrescentados os botões de metal e rebites, anos depois, coseram a etiqueta de couro no cós das calças.

    Mais tarde, assistiu-se ao aparecimento da cor azul índigo, que se tornou popular em 1890 e assim continua até aos dias de hoje.

    Já com grande sucesso, Levi Strauss e Jacob David decidiram requerer a patente do produto, a 20 de maio de 1873.

    Patente de Rebites de Cobre // Crédito Fotográfico: Rope Dye

    Ao longo dos anos, melhorias no design foram efectuadas: Levi Strauss adicionou um arco duplo de costura laranja para reforço adicional e para as identificar como Levi’s; zíperes substituíram os botões em alguns modelos em 1954.

    Quando a patente de Levi Strauss e Jacob David venceu em 1890, outros fabricantes ficaram livres para reproduzir o estilo.

    OshKosh B’Gosh entrou no mercado em 1895, Blue Bell (mais tarde Wrangler) em 1904 e Lee Mercantile em 1911.

    Durante a Primeira Guerra Mundial, os jeans Lee Union-Alls eram o padrão para todos os trabalhadores de guerra.

    Sucesso mundial na década de 30

    As calças de ganga / jeans atingiram a sua popularidade mundial por volta de 1930, quando vários filmes de sucesso começaram a retratar os famosos cowboys americanos.

    Hollywood ajudou desta forma a romantizar as calças de ganga / jeans nas décadas de 1920 e 1930, vestindo as calças em cowboys interpretados por atores como John Wayne e Gary Cooper.

    Gary Cooper // Credito Fotográfico: Mattsko

    Esta nova imagem glamorosa chegou aos consumidores que procuravam roupas casuais e lúdicas para usar nos finais de semana e feriados.

    Fotos publicitárias de atrizes como Ginger Rogers e Carole Lombard vestindo estas calças, ajudaram a convencer as mulheres de que o estilo era para elas também.

    Ginger Rogers // thetimeriver

    Na década de 1930, a Vogue deu o seu selo de aprovação, ao chamar as calças de ganga de “western chic”.

    Década de 40

    Em 1942, a estilista americana Claire McCardell vendeu mais de 75.000 exemplares do seu vestido de denim Popover .

    Claire McCardell // Crédito Fotográfico: Irving Penn

    Também a Segunda Guerra Mundial popularizou a imagem das calças de ganga, uma vez que o tecido “Denim” era utilizado nas fardas do exército americano.

    Décadas de 50 e 60

    Já em 1950 vem o boom absoluto em que as calças de ganga passaram a ser associadas à juventude rebelde e anti-establishment.

    Mais uma vez, este boom foi protagonizado por celebridades de Hollywood como Marlon Brando e James Dean – o eterno bad boy que criou o look blue jeans & t-shirt, receita de estilo adorada e repetida incansavelmente por fashionistas até hoje.

    Na época, até estrelas do rock’n’roll ajudaram a consolidar o estilo como cool; os hippies e os manifestantes anti-guerra usavam jeans nos anos 1960.

    Marlon Brando // Levi’s

    Na década de 1960, as calças de ganga passaram a simbolizar a contracultura. Algumas escolas de ensino médio proibiram o seu uso, o que só serviu para aumentar ainda mais o seu sucesso.

    Marylin Monroe com o seu glamour sensual também entrou na onda do tecido na época, trazendo a proposta para um nível ainda mais comercial e de puro sucesso.

    Marilyn Monroe // Philippe Halsman, 1952

    Década de 70

    No início dos anos 1970 como forma de mostrar apoio à classe trabalhadora as mulheres feministas e lutadoras da liberdade feminina escolheram estas calças como forma de demonstrar a igualdade de gênero.

    Também nesta década entram em cena os hippies que tinham como indumentária o tie-dye e, claro, as calças de ganga / jeans estilo boca de sino.

    No final dos anos 70 e início dos anos 80, a moda high-end também se começou a interessar pela peça.

    Os jeans Buffalo 70 da Fiorucci eram justos, escuros, caros e difíceis de comprar – por outras palavras, o oposto exato da calça boca de sino desbotada preferida do público mais jovem. Estas calças tornaram-se um sucesso entre o jet set e o Studio 54.

    Em 1976, Calvin Klein exibiu calças de ganga / jeans na passarela – o primeiro estilista a fazê-lo.

    Calvin Klein, 1978 // Vogue

    Gloria Vanderbilt apresentou os seus jeans de sucesso em 1979. Estes jeans de marca não foram apenas um sucesso comercial, pois foram também comercializados com uma imagem mais ousada.

    Década de 80

    Nos anos 80, estrelas do rock, modelos, artistas e cineastas também levantaram a bandeira “denim”, disseminando-o internacionalmente e trazendo o material também para a cena high fashion.

    Foi nesta década que aconteceu a provocativa campanha Calvin Klein de Brooke Shields e os anúncios sensuais de Claudia Schiffer para a Guess que ajudaram a dar aos jeans um novo tipo de potencial sedutor.

    Claudia Schiffer // Guess

    Década de 90 até ao presente

    Dos anos 1990 até ao presente, as calças de ganga / jeans passaram por várias transformações e – entre as novidades mais ousadas e construções com apelo statement – voltou às suas origens importando as versões mais clássicas para o topo da lista de must-haves mais vendidas.

    Nesta década, casas de moda como Versace, Dolce & Gabbana e Dior também entraram no mercado das calças de ganga / jeans.

    Ao longo das décadas, os tipos e estilos de jeans tornaram-se estratificados entre grupos e subgrupos: os estilos hip-hop do início da década de 1990 eram caracterizados por jeans oversized; intelectuais e modernos optaram pelo jeans escuro como forma de voltar às raízes do estilo; as estrelas pop preferiam as peças assinadas pela Diesel; os aficionados pagavam preços altos por Levi’s vintage e índigo japonês tingido à mão.

    Hoje, quase todas as marcas de luxo e designers de alta costura já exibiram jeans nas passarelas; e eles estão disponíveis em ambas as extremidades do espectro de preços, com uma infinidade de estilos: largo, skinny, cintura alta, baixa, claro, escuro ou colorido.

    Diferentes estilos de Jeans // Levi’s

    “Eu sempre disse que gostaria de ter inventado o jeans”, disse Yves Saint Laurent ao New York Magazine em Novembro de 1983. “Eles têm expressão, modéstia, apelo sexual, simplicidade – tudo o que espero nas minhas roupas.”

    Levi Strauss – imortal

    Levi Strauss foi o pioneiro que se elevou com a forma como idealizou e produziu as calças de ganga como, atualmente, o mundo as conhece.

    Nasceu em Buttenheim na Alemanha, no dia 26 de fevereiro de 1829 e faleceu a 26 de Setembro de 1902 em São Francisco, Estados Unidos, país onde revolucionou, o “mundo” das calças de ganga / jeans, a peça de roupa que une o interesse de homens e mulheres, miúdos e graúdos e é um grande sucesso ao longo de 150 anos.

    O nome Levi Strauss & Co. estabeleceu-se como a assinatura das calças Levi’s, uma das marcas mais conhecidas do mundo.

    Levi Strauss & Co., 1853 // Levi’s


    Fontes de conteúdo: Schutz, RFM, Vogue Globo
    Fonte de capa: Wallpaper by jdbrands2009 on Wallpapers.com


    Para mergulhar ainda mais no fascinante universo da história, cultura, gastronomia, lugares, negócios, curiosidades e diversos outros temas, explore outros artigos aqui na Tuguinha

    A nossa missão é dar a conhecer uma ampla variedade de conteúdos aprofundados e intrigantes que vão enriquecer o seu conhecimento e satisfazer a sua curiosidade. 

    Não perca a oportunidade de explorar tudo o que a Tuguinha tem para oferecer!

  • Biquíni e Fato de Banho: Censura e Provocação

    Biquíni e Fato de Banho: Censura e Provocação

    A praia é um dos destinos favoritos quando chega o Verão. Corpos passeiam livremente e descontraídos de fato de banho ou biquini. Mas nem sempre foi assim.

    Nas zonas costeiras da Europa a moda de ir a banhos chegou, e Portugal, não foi excepção.

    O pudor dos tempos antigos

    Foi, com a burguesia e a aristocracia, ainda nos finais do século XIX que frequentavam as praias e usavam a água do mar para fins terapêuticos.

    Touca, meias pretas, sapatos de lona, calções pela barriga das pernas e uma blusa tipo túnica… Esta era a toilette para se ir à praia em 1880.

    Para garantir a boa decência, homens e mulheres tinham ainda zonas separadas.

    Mostrar a pele? Nem pensar… Isso seria um escândalo. Aliás, ia-se à praia por questões de saúde e não para se ficar bronzeado.

    Ir à praia, tornou-se um momento de socialização por toda a Europa e também uma questão de moda.

    Fato de Banho, 1890-95 // The Met Museum

    A realeza europeia, com pouco para fazer, descobria uma nova forma de passar o tempo e as outras classes sociais também não queriam ficar de parte.

    Entretanto, a sociedade e os seus valores foram mudando e a moda balnear também.

    Em 1891, os braços desnudam-se e causam um grande escândalo entre os mais puritanos.

    Todavia, na primeira metade do século XX assistiu-se a uma redução da quantidade de tecido necessário para ir à praia.

    Evolução do Design

    Uma redução que não foi pacífica: em 1907, a nadadora australiana Annette Kellerman foi presa em Boston por estar a usar um fato de banho justo, apesar deste a cobrir do pescoço aos pés.

    Annette Kellerman // wikipedia.com

    Anos depois, em 1913, o designer Carl Jantzen introduziu um conjunto de banho composto por um top e calções, peça que também foi totalmente bem recebida.

    De um traje completo, que cobria o corpo da cabeça aos pés, evolui-se para um traje mais simples, mais leve e de tecidos diferentes.

    Os fatos de banho em malha para as senhoras e o calção para os homens com ou sem peitilho, tornaram-se no último grito da moda nas praias.

    Fato de banho na década de 1920 em Portugal

    Da década de 1920 em diante, em Portugal, os fatos de banho, passam a ser vestidos com alça, que deixam ver os braços que caem sobre os pequenos calções.

    A exposição do corpo estava, aliás, bastante regulada.
    Existiam editais que saiam nas capitanias que regulamentavam as barracas, os toldos e a colocação de barcos dos pescadores.

    Fato de banho ao longo dos anos // noticiasmagazine.pt

    Haviam também prescrições relativamente à postura, nomeadamente quando à obrigatoriedade de usar fatos que resguardassem o corpo.
    As ordens eram acatadas sob o olhar vigilante dos cabos de mar.

    Fato de Banho No Mundo

    Na década de 1920, mostrar a pele era já menos atrevido, e na década de 1930 exibir as costas e um pouco do tronco era comum.

    Dos lindos fatos de banho cortados de Claire McCardell ao aparecimento de estrelas como Jayne Mansfield, Rita Hayworth e Ava Gardner — para não mencionar inúmeras pin-ups e bailarinas — em peças mais reveladoras e, cada vez mais, em duas peças, a natureza do traje de praia aceitável foi mudando continuamente.

    Ava Gardner // Daily Mail

    No entanto, nesta época, existia um problema: O Código Hays, um conjunto de regras impostas em Hollywood a partir de 1934, que proibia a exposição do umbigo em filmes, pelo que todas as partes inferiores da roupa de praia (mas não só) necessitavam de ser de cintura subida.

    O Fato de banho nas suas múltiplas variantes, tornou-se um objecto de moda e produto de consumo.

    História do Biquíni ou Bikíni

    Na antiguidade, existem registos anteriores do uso de algo semelhante a um biquíni.

    Mosaicos romanos do século IV, em que um deles, mostra duas mulheres a usar uma faixa para cobrir os seios e uma tanga na parte debaixo, usado nessa época, para praticar desporto.

    Curiosamente esses modelos eram muito mais ousados do que aqueles que vimos surgir algumas centenas de anos depois!

    Louis Réard // universityoffashion

    Com o passar do tempo, a partir da década de 1920, versões da peça começaram a surgir, mas nada se compara com a criação e design de Louis Réard: o biquíni que teve o efeito de uma bomba na sociedade da época.

    Biquíni = Bombástico

    O fim da II Guerra Mundial trouxe consigo uma revolução nos costumes.

    Depois de 5 anos de um conflito devastador, as pessoas queriam voltar a viver a sua vida, a divertirem-se.

    1946, é a data fatídica. Louis Réard, um engenheiro mecânico e designer de roupas francês, apresenta na piscina Molitor de Paris, um conjunto de duas peças, em algodão estampado, que cabiam num cubo de apenas 10 cm.

    Chamou-lhe biquíni em homenagem ao Atol de Bikini, no Pacífico, lugar onde foi testada a primeira bomba atómica.

    As reações não se fizeram esperar: considerado como imoral, foi proibido em piscinas públicas, em países como Portugal ou Espanha e nos filmes de Hollywood.

    Outro francês de nome Jacques Heim também não quis ficar atrás e desenhou o “Atome”, um modelo ainda mais pequeno.

    Atome // dsigno.es

    Louis Réard respondeu com um biquíni ainda mais reduzido.

    O biquíni do designer Louis Réard era composto por duas peças separadas, uma para a parte de cima e outra para a parte de baixo, que revelavam mais pele do que os trajes de banho tradicionais, o que foi um passo muito importante para a moda de praia que hoje conhecemos.

    Este primeiro biquíni de duas peças foi feito com o objetivo de ser ousado e provocativo, desafiando as normas sociais da época.

    Mentalidade da época

    Na época, modelos recusaram vestir a peça, tornando Micheline Bernardini, “stripper” e bailarina do Casino de Paris, a primeira mulher a posar com ela. Com uma piscina como pano de fundo, a jovem de 19 anos aparece nas fotos com um biquíni estampado com o desenho de uma página de jornal.

    Micheline Bernardini // welt.de

    Inicialmente, o biquíni enfrentou resistência e foi até mesmo banido em alguns países devido ao seu caráter considerado demasiado revelador.

    No entanto, ao longo dos anos, tornou-se cada vez mais aceite e popular, especialmente com o apoio de figuras famosas da moda e do entretenimento.

    Na década de 50, o biquíni é exibido no corpo de actrizes como Brigitte Bardot, mas ainda é rejeitado pela maior parte das mulheres. Pois as mulheres nesta época, eram muito contidas e recatadas.

    Demorou ainda algum tempo, para que o biquíni se tornasse numa peça comum, tanto que inicialmente foi proibido em muitas praias.

    Apogeu do Biquíni nos anos 60

    Só nos anos 60 é que realmente o biquíni alcançou o seu auge.

    Foi nesta década que Ursula Andress emergiu do mar com o conhecido e infame biquíni branco no filme da saga 007, Dr. No.

    Ursula Andress na saga 007 // CNN.com

    Foi também a década em que Raquel Welch usou um biquíni feito com peles de animais em One Million Years B.C e também quando Nancy Sinatra apareceu na capa do LP Sugar vestida com um biquíni rosa chiclete brilhante.

    Os anos 60 libertaram o corpo e a mente do tradicionalismo das gerações passadas.

    As praias foram invadidas por estes adolescentes com sede de diversão e nesta época nasceu o turismo de massa.

    Monokini

    A moda foi, entretanto, avançando. O monokini– apresentado por Rudi Gernreich – abriu caminho para o topless na década de 70… Modelos sem forro ou com a forma de triângulos fizeram furor…

    Monokini – Vogue

    Os próprios materiais evoluíram de uma forma extraordinária sendo a licra, em 1959, uma das maiores inovações: mantinha a sua forma, não desbotava e secava rapidamente.

    Popularidade do Biquíni

    A popularidade do biquíni continuou a aumentar na década de 1970, com tecidos como o crochê (veja-se Pam Grier em Coffy). De Pat Cleveland a Cheryl Tiegs, sem esquecer o trio original dos Anjos de Charlie, poucos foram aqueles que resistiram ao fascinio do biquíni.

    A democratização do biquíni em Portugal, aconteceu com a Revolução dos cravos no dia 25 de Abril de 1974, que permitiu posteriormente o uso livre desta peça.

    Na década de 1980, Phoebe Cates, do filme Fast Times in Ridgemont High, fez do biquíni vermelho uma peça cobiçada.

    Com a chegada dos anos 90, foram explorados muitos estilos, do modelo mais sporty ao mais minimalista que mal poderia ser chamado de biquíni (como o micro biquíni da Chanel, apresentado em 1996).

    Micro biquíni da Chanel // Alexis Duclos/Getty Images

    O que é imediatamente claro é que a história do biquíni é também a história do corpo: uma história de carne, censura, provocação e, cada vez mais de algumas expectativas frustradas.

    Ainda hoje, muitas das figuras que popularizaram o biquíni aos olhos do público foram aquelas cujo físico era considerado aspiracional, em conformidade com um conjunto culturalmente limitado de padrões de beleza.

    Talvez o biquíni seja algo que existe nos olhos de quem o vê. Esta peça, que para uns tem sido uma ousada afirmação das liberdadas e das indumentárias, tornou-se, para outros, um símbolo do olhar masculino omnipresente e das pressões depositadas nas mulheres.

    Seja pela discussão sobre a necessidade de uma maior inclusão aquando do casting das modelos que exibem na passerelle roupa de praia, seja pela hediondez de expressões como “bikini body”, seja pelas batalhas legais sobre o direito das mulheres muçulmanas em usar burkinis, o biquíni ainda não está totalmente em paz.

    Não existe uma peça do vestuário feminino tão pequena e com tanto para contar como o biquíni.

    Crédito Fotográfico: suburban men

    A história das roupas que usamos na praia e na piscina cruza-se com as conquistas de libertação das mulheres que percorreu todo o século XX e continua a surpreender.

    As restrições, as obrigações, os tabus e tantas interrogações a que as mulheres estão sujeitas, desde sempre, tiveram muita influência na evolução da roupa de banho feminina.

    Hoje, há de tudo um pouco. Mais reduzidos, mais discretos, estampados, lisos, em licra, algodão ou em tricot, com ou sem alças, a escolha é muito variada. As grandes marcas nunca se esquecem de oferecer nas suas coleções, em cada Verão, os últimos modelos.

    Fonte Fotográfica: Travel Caribou

    De fatos que cobriam quase totalmente o corpo ao monoquini, escolher o que vestir à beira-mar tem sido uma verdadeira saga para as mulheres com tentativas arriscadas, retrocessos, glamour e muita criatividade.

    Por isso o fato de banho e o biquíni estão intrinsecamente ligados à história da libertação e das conquistas femininas.

    Hoje, tudo é permitido e uma simples ida à praia prova-nos que a liberdade flui ao sabor das tendências de moda e das preferências pessoais.

    Fontes: artsandculture, mulherportuguesa, gizmodo, useamazona, Gralery

  • Mini-Saia – Uma revolução feminina nos anos 60

    Mini-Saia – Uma revolução feminina nos anos 60

    Criada há mais de 60 anos, a mini-saia foi a peça que marcou a Liberdade e a Emancipação da mulher.

    História e Contexto político e social

    Após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), houve uma explosão de nascimentos de bebés, os famosos “baby boomers”.
    Na década de 60, o mundo estava cheio de jovens a “gritar” por mudanças e a viverem o movimento da contracultura, que foi o responsável por contestar padrões conservadores da época.

    Protestos nos anos 60 // americanarchive.org

    Ainda nesse período, outros acontecimentos foram fundamentais para o espírito revolucionário desses jovens: a ida do homem à Lua, a segunda onda do feminismo e a comercialização da pílula anticoncepcional nos Estados Unidos.

    A moda e as tendências sempre foram um reflexo do comportamento das épocas, ao longo de toda a história da humanidade. Ou seja, as roupas mudam conforme surgem novos valores da sociedade e, neste caso concreto, existia um contexto jovem de insatisfação política.

    Contexto económico

    Foi também em meados de 1960 que a alta-costura, caracterizada por peças luxuosas feitas sob medida, entrou em declínio e o prêt-à-porter caracterizado pela produção em larga escala, teve a sua ascensão. Por consequência, a saia longa precisava de perder pano para se tornar mais funcional e mais barata para um grupo de mulheres jovens e feministas.

    Origem da mini-saia

    No entanto, a origem da mini-saia ainda é incerta. Os historiadores não têm certeza sobre quem realmente criou ou começou a produzir as mini-saias. Porém, dois estilistas considerados precursores desta peça ficaram em destaque: a britânica Mary Quant (1930-2023) e o francês André Courrèges (1923-2016).

    Mary Quant // http://nytimes.com

    Foi entre 1965 e 1970 que a mini-saia ficou mais popular.

    Carnaby Street, nos anos 60 era o Centro da cultura pop emergente, esta rua londrina fervilhava de ideias inovadoras. Jovens com roupas coloridas percorriam esta rua, para cima e para baixo, não deixando ninguém indiferente. Foi precisamente aqui que a jovem Mary Quant, estilista britânica e fundadora da Bazaar (loja de moda que criava peças que refletiam o espírito jovem da cidade), deu a conhecer ao mundo uma peça de roupa que, rapidamente, se tornou famosa – a mini-saia.
    E livremente as pernas saíram para a rua…

    Mary Quant era fã do carro “Mini” e por isso a saia, tem esse nome.

    Para esta estilista, a moda era tudo menos aborrecida. Os jovens deviam vestir roupa adequada à sua própria personalidade e espírito. Nada de imitar os mais velhos – o que se queria era um vestuário divertido, irreverente e, também, barato.

    Mary Quant sempre afirmou que foram as próprias jovens de King’s Road que inventaram a peça, que esta era fácil de vestir, simples e juvenil. Que se poderiam mover livremente, saltar e correr atrás dos autocarros. Proferiu ainda, que apenas começou a fazer a barra da altura que as jovens queriam: bem curtas!

    André Courrèges // ledevoir.com

    Nesse período, o francês André Courrèges, que também é considerado um pioneiro da mini-saia, inventou o vestido trapézio e em 1965, lançou a “Mod Collection”.
    Yves Saint Laurent e Pierre Cardin também fizeram coleções com a mini-saia.

    A Revolução

    Naquela época, o desejo de liberdade era enorme. Foi o auge dos Beatles e da queima de sutiãs. E sim, a famosa mini-saia estava presente entre as 400 ativistas do grupo Women’s Liberation Movement que se reuniram durante o Miss América de 1968 para queimar sutiãs e outros objetos que simbolizavam a beleza feminina. Sem dúvidas, um marco histórico!

    Imagem: http://modahistorica.blogspot.com

    Antes da mini-saia, a roupa era usada para esconder as mulheres de “apetites” masculinos, só que tais roupas não eram práticas e dificultavam os movimentos. A mini vinha como uma opção rápida e prática de se vestir, tornando a moda mais divertida e decretando a morte da austeridade convencional.

    A mini-saia desde logo foi motivo das mais diversas opiniões. Se havia quem a considerasse como uma grave ofensa aos bons costumes, outros havia que a idolatravam.

    O que é certo é que uma mini-saia e umas botas pelo joelho foram, rapidamente, adotadas pelas raparigas mais jovens, sedentas de algo que quebrasse com todas as tradições. Depois de séculos com as pernas cobertas, elas eram agora mostradas sem pudor, tal como são.

    Imagem: Salão Virtual

    Lulu e Twiggy foram apenas algumas das modelos que ajudaram a espalhar a invenção de Mary Quant um pouco por todo o mundo. Sob a influência da pop art, motivos dos mais diversos serviam de inspiração para criar as mais irreverentes mini-saias. Meias e collants divertidos completavam o figurino.

    Símbolo do feminismo da época, a mini-saia, era uma forma de se manifestar, de reivindicar a sensualidade e a sexualidade. Isto, desagradava aos pais das jovens, que as proibiam de as usar. Mas não resultava, porque elas simplesmente cortavam os seus vestidos!

    A mini-saia era algo tão novo que quando a peça chegou aos Estados Unidos não havia um mercado preparado para a receber, mesmo assim, a juventude americana estava igualmente fascinada e ansiosa pela liberdade, procurando roupas menos rigorosas e uma elegância ousada.

    Twiggy // Miniskirt Revolution

    Proibição e protestos

    A mini-saia chegou a ser proibida em países como a Holanda, houveram protestos contra ela na França. Mas também houve protestos de mulheres a exigir o direito de as usar! Uma peça que alcançou impacto popular porque mostrava um pouco mais do corpo feminino, sempre considerado um “objeto” a ser resguardado, já que os velhos hábitos diziam para as mulheres se vestirem de modo “decente”, afinal elas passavam de ser propriedade dos pais para logo a seguir serem dos maridos. Demoraram muitos anos para os tabus caírem, a revolução de Maio de 1968 ajudou nesse processo.

    Manifestação em Paris – Maio de 1968 // MST

    Naquela época, existia este espírito de liberdade no ar, as mulheres revelaram os seus joelhos e coxas pela primeira vez, o que foi visto como um sinal de rebeldia e emancipação.

    Retrocesso

    O ano de 1969 marcou o auge da mini-saia. Mas o encurtamento da peça atingiu o seu ponto de saturação fashion e o retorno das saias e vestidos mais longos tornou-se a melhor alternativa na época. Contribuiram para o efeito o factor cíclico da moda, mas também, as variações dos valores sociais. Aos poucos, a obsessão jovem e a revolução sexual, iniciada na década de 1960, começou a pluralizar-se e a distanciar-se do culto do corpo quase sempre magro e exposto.

    Regresso rebelde

    Então, a partir da década de 70, a mini-saia foi incorporada novamente à moda, só que desta vez associada ao estilo punk. Eram combinadas com meias-arrastão, jaquetas de couro, blusas rasgadas e penteados rebeldes.

    Na primavera de 1985, Vivienne Westwood revisitou a peça na sua coleção Mini-Crini, com uma versão supercurta das saias vitorianas, estruturadas por crinolinas (por esse motivo o nome).

    Mini-Crini // LACMA

    Portanto, desde o seu surgimento e no decorrer dos anos, a mini-saia sempre se manteve na moda.

    Por alguns, ela ainda é considerada vulgar, indecente e deselegante. Mas a realidade é que se tornou numa peça clássica, cheia de história, carisma e empoderamento feminino.

    Uma peça de roupa que incomoda tanto, só poderia ter nascido e se ter firmado entre os livres e rebeldes: a mini-saia!

    Fontes: styleitup.com, modahistorica.blogspot, mulherportuguesa.com, jornalcruzeiro

    Para mergulhar ainda mais no fascinante universo da história, cultura, gastronomia, lugares, negócios, curiosidades e diversos outros temas, explore outros artigos aqui na Tuguinha. A nossa missão é dar a conhecer uma ampla variedade de conteúdos aprofundados e intrigantes que vão enriquecer o seu conhecimento e satisfazer a sua curiosidade. Não perca a oportunidade de explorar tudo o que a Tuguinha tem para oferecer!

  • Filigrana Portuguesa – Uma arte com séculos

    Filigrana Portuguesa – Uma arte com séculos

    A Filigrana é uma arte manual de grande beleza, que exige extrema perícia para trabalhar os finíssimos fios de prata ou ouro entrelaçados e soldados que compõem cada peça, sendo por isso reconhecida internacionalmente pela sua qualidade.

    Nas oficinas resistentes, onde ainda se entrelaça a filigrana portuguesa, existe um orgulho, ou como os minhotos dizem, uma “Chieira” de fazer tudo à mão e com muita paciência. As máquinas bem tentam rivalizar na produção da filigrana, mas esta arte mantém um laço forte com a manualidade.

    Hoje, esta arte, assume diversas formas, desde peças delicadas, decoradas com motivos religiosos, até criações com um design polido e contemporâneo.

    A filigrana, ao longo do tempo, transcende as suas origens festivas, tornando-se numa expressão artística que combina tradição e modernidade.

    A filigrana ganhou uma nova vida nas mãos de designers de joalharia, que recriam a sua essência e libertam-na do conceito religioso.

    As marcas portuguesas de joias, que criam peças em filigrana também se lançaram no caminho da contemporaneidade, sem esquecer as raizes da tradição, apostando numa fusão harmoniosa entre ambos os conceitos.

    Estas marcas, reconheceram o potencial desta tradição portuguesa e têm contribuído para dar a conhecer este recanto da Europa a outros países.

    Assim, a filigrana, outrora ligada a significados religiosos, floresce agora como expressão artística moderna, mostrando ao mundo a beleza e a habilidade dos mestres filigraneiros portugueses.

    A história da filigrana continua a desdobrar-se, entre tradição e inovação, como uma narrativa que transcende fronteiras e encanta admiradores por todo o mundo.

    História da Filigrana

    A origem da filigrana remonta ao terceiro milénio antes de Cristo, na Mesopotâmia. As peças mais antigas datam de 2500 a.C. e foram descobertas nas sepulturas do Ur, no atual Iraque. Outras peças, descobertas na Síria, são de aproximadamente 2100 a.C..

    Dos factos existentes, podemos afirmar que é uma técnica milenar conhecida em muitas das civilizações do mundo antigo.

    Em Portugal foram encontrados exemplos desta técnica que datam de cerca de 2000 a.C., com origem fenícia, mas joias em filigrana produzidas em território nacional surgem durante o domínio muçulmano da Península, por volta do século VIII d.C.

    Mas foi na gloriosa época dos Descobrimentos, no século XV, quando os nossos navegadores alcançaram feitos incomparáveis e sem precedente, que a coroa Portuguesa trouxe pedras preciosas e metais das suas provincias ultramarinas. Foi então que os nossos ancestrais começaram a trabalhar o ouro e a prata. Foi este o despertar da filigrana.

    Nas peças de filigrana, os nossos ancestrais reproduziam o que viam à sua volta: a natureza, o amor, a religião e das suas mãos saíram peças de incrível delicadeza e beleza.

    A técnica é transmitida de geração em geração. As peças são feitas num trabalho de produção manual, entre as “filigraneiras”, e as oficinas. A arte milenar da filigrana, de formas predominantemente barrocas, desenvolveu-se no século XIX, particularmente no Minho (norte de Portugal) e foi levada a uma rara perfeição pelos artesãos portugueses.

    Em Portugal, os artesãos usaram e continuam a usar a filigrana como forma de expressão artística na joalharia tradicional, mas também da cultura portuguesa através dos seus desenhos em forma de flores, ondas ou escamas de peixe.

    Coração de Viana

    Este coração, utilizado como símbolo da cidade de Viana do Castelo, surgiu no Norte de Portugal nos finais do séc.XVIII, e tem uma forte ligação com a religião católica. Terá sido a rainha D. Maria I que, grata pela “bênção” de lhe ter sido concedido um filho varão, mandou executar um coração em ouro. O coração de Viana representa o Sagrado Coração de Jesus em chamas. A parte superior do coração simboliza as chamas da terra e o calor do amor.

    A tradição de ostentar este símbolo ao peito teve início em Viana do Castelo. Contudo, a filigrana é, meticulosamente moldada em terras vizinhas, nomeadamente na Póvoa de Lanhoso e Gondomar.

    O coração de Viana tornou-se um símbolo icónico da Filigrana Portuguesa, e património emocional de Portugal

    Brincos Rainha

    Os brincos rainha apareceram em Portugal durante o reinado da Rainha D. Maria I (1734 – 1816). A origem do nome, parece remontar ao reinado de D. Maria II (1819 – 1853), que usou um par destes brincos numa visita a Viana do Castelo em 1952. Depois desta visita, popularizaram-se como símbolo de riqueza e de status e ganharam o nome “brincos rainha”.

    Tradições

    É na romaria D’Agonia em Viana do Castelo, que as mordomas e as Noivas de Viana do Castelo desfilam as suas peças de filigrana dourada, numa tentativa de atrair a atenção dos rapazes. Pendentes imponentes em forma de coração de Viana, ou pequenos com o formato de relicário, brincos à rainha, ou os tradicionais brincos de fuso, colares compridos de contas e outros mais curtos — vale tudo para exibir a riqueza da filigrana portuguesa.

    Fontes: filigranaportuguesa.pt, imart.pt, portugaljewels.pt, mardestorias.com, caminhosdeportugal, oportunityleiloes, Nit, lojadeartigosreligiosos.com, bloguedominho

    Para mergulhar ainda mais no fascinante universo da história, cultura, gastronomia, lugares, negócios, curiosidades e diversos outros temas, explore outros artigos aqui na Tuguinha. A nossa missão é dar a conhecer uma ampla variedade de conteúdos aprofundados e intrigantes que vão enriquecer o seu conhecimento e satisfazer a sua curiosidade. Não perca a oportunidade de explorar tudo o que a Tuguinha tem para oferecer!