Tag: Ciência

  • Tinta Electrónica: Como os Ecrãs de Leitura Parecem Papel

    Tinta Electrónica: Como os Ecrãs de Leitura Parecem Papel

    O papel electrónico reflecte a luz ambiente em vez de emitir luz própria, criando um aspecto mais próximo da tinta comum sobre papel. Esta abordagem pode proporcionar uma leitura confortável, amplos ângulos de visão e legibilidade sob luz solar directa.

    Um Ecrã que Reflecte a Luz

    Os ecrãs planos convencionais consomem energia para emitir luz. O papel electrónico funciona de forma diferente: reflecte a luz já existente à sua volta.

    Esta diferença altera a relação visual entre um ecrã e uma página.

    Um ecrã ideal de papel electrónico mantém-se legível sob luz solar directa, sem que a imagem pareça esbater-se. Por reflectir a luz ambiente, o papel electrónico pode imitar o aspecto da tinta sobre papel, em vez de apresentar uma superfície iluminada.

    Muitas tecnologias de papel electrónico conseguem conservar texto e imagens estáticos indefinidamente sem electricidade.

    Electroforese: Mover Pigmento com Electricidade

    Aparelho laboratorial de electroforese com cuba e fonte de alimentação
    Aparelho laboratorial de electroforese com cuba e fonte de alimentação. Foto: Giac83 / CC BY-SA 2.5

    Uma das principais vias para o papel electrónico é o ecrã electroforético, ou EPD. Este forma imagens ao reorganizar partículas de pigmento carregadas através de um campo eléctrico aplicado.

    Num EPD simples, partículas de dióxido de titânio, com cerca de um micrómetro de diâmetro, encontram-se dispersas em óleo de hidrocarbonetos. O óleo contém também um corante escuro, surfactantes e agentes de carregamento que conferem carga eléctrica às partículas. Esta mistura fica entre duas placas condutoras paralelas, separadas por um intervalo de 10 a 100 micrómetros.

    Quando é aplicada tensão entre as placas, as partículas carregadas deslocam-se para a placa com carga oposta. Se se deslocarem para a face frontal do ecrã, voltada para o leitor, o ecrã parece branco, porque as partículas de titânia dispersam a luz de volta para o leitor. Se se deslocarem para a parte posterior, o ecrã parece escuro, porque o corante absorve a luz. 

    Um ecrã torna-se uma imagem quando o eléctrodo traseiro é dividido em pequenos elementos de imagem, ou píxeis. A aplicação da tensão adequada a cada área cria um padrão de regiões que reflectem e absorvem luz.

    Das Partículas às Páginas

    Um ecrã de papel eletrónico em processo de fabrico
    Um ecrã de papel eletrónico em processo de fabrico. Foto: Nikita Mikheev / CC BY 4.0

    Os ecrãs electroforéticos são considerados exemplos de excelência de papel electrónico devido ao seu aspecto semelhante ao do papel e ao baixo consumo energético. São normalmente controlados com tecnologia de transístores de película fina baseados em MOSFET, frequentemente utilizada para criar imagens de elevada densidade.

    A tecnologia também tornou possível uma característica prática associada ao papel: a persistência. Muitas tecnologias de papel electrónico conseguem manter texto e imagens estáticos indefinidamente sem electricidade. Assim, a página não é apenas uma projecção temporária. Depois de formada, a imagem pode permanecer no lugar.

    O papel electrónico tem aplicações para além dos livros. Entre elas contam-se etiquetas electrónicas de prateleira, sinalização digital, horários em paragens de autocarro, painéis publicitários electrónicos, ecrãs de smartphones e leitores electrónicos de livros e revistas digitais. A tecnologia E Ink está disponível em escala de cinzentos e a cores, sendo utilizada em leitores electrónicos, sinalização digital, relógios inteligentes, telemóveis, etiquetas electrónicas de prateleira e painéis arquitectónicos.

    Microcápsulas e a Ascensão da E Ink

    A história inicial do papel electrónico inclui o Gyricon, desenvolvido na década de 1970 por Nick Sheridon, no Centro de Investigação de Palo Alto da Xerox. O Gyricon utilizava pequenas esferas de polietileno, cada uma com um lado preto carregado negativamente e um lado branco carregado positivamente, suspensas em óleo dentro de uma folha transparente de silicone. A tensão determinava qual dos lados coloridos ficava voltado para cima, fazendo cada ponto parecer branco ou preto.

    Na década de 1990, uma equipa de estudantes de licenciatura do MIT concebeu e desenvolveu protótipos de outra forma de tinta electrónica: o ecrã electroforético microencapsulado. O trabalho envolveu Barrett Comiskey, J.D. Albert, Joseph Jacobson, Jeremy Rubin e Russ Wilcox.

    A ideia inicial consistia em pequenas esferas metade brancas e metade pretas, que rodavam para tornar visível o lado pretendido. Durante as experiências, Albert criou esferas inteiramente brancas, e Comiskey explorou o carregamento e o encapsulamento destas partículas em microcápsulas misturadas com corante escuro. O resultado foi um sistema de microcápsulas que podia ser aplicado a uma superfície e carregado de forma independente para criar imagens a preto e branco.

    O MIT apresentou uma primeira patente para o ecrã electroforético microencapsulado em Outubro de 1996, seguida de uma segunda patente em Março de 1997. Albert, Comiskey, Jacobson, Wilcox e Rubin fundaram a E Ink Corporation em 1997.

    A microencapsulação resolveu desafios práticos identificados em anteriores ecrãs baseados em partículas. Segundo o resumo do artigo da Nature citado, a microencapsulação resolveu problemas de durabilidade e permitiu fabricar um ecrã electrónico biestável apenas por impressão.

    Dispositivos de Leitura e uma Superfície Digital Diferente

    Pessoa lê num Kindle sentada na relva ao ar livre
    Pessoa lê num Kindle sentada na relva ao ar livre. Foto: Andrew Lih (User:Fuzheado) / CC BY-SA 3.0

    Os ecrãs electroforéticos baseados em TFT tornaram-se comuns nos leitores electrónicos. Entre os exemplos comerciais incluem-se os ecrãs utilizados no Amazon Kindle, Barnes & Noble Nook, Sony Reader, Kobo eReader e iRex iLiad. O Motorola Fone também utilizava esta tecnologia, enquanto o Motorola F3 usava E Ink no ecrã para beneficiar do consumo energético extremamente reduzido.

    A E Ink é uma marca de tecnologia de ecrãs de papel electrónico comercializada pela E Ink Corporation. A sua tecnologia é produzida sob a forma de película e integrada em ecrãs, permitindo aplicações em telemóveis, relógios, revistas, dispositivos vestíveis e leitores electrónicos.

    O resultado não é apenas um livro digital colocado num ecrã. É um sistema de visualização baseado na reflexão, em partículas de pigmento carregadas e em imagens que podem permanecer visíveis depois de a tensão deixar de ser aplicada. Isto faz da tinta electrónica um ponto de encontro distinto entre o controlo digital e a experiência visual familiar da tinta sobre papel.

    Conclusão

    Através da electroforese, os campos eléctricos reorganizam partículas carregadas para produzir áreas claras e escuras que reflectem ou absorvem a luz ambiente. Com os ecrãs electroforéticos microencapsulados, este princípio tornou-se uma base prática para ecrãs de baixo consumo, semelhantes ao papel, utilizados em leitores electrónicos e em muitas outras aplicações de visualização.


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  • O tear Jacquard: quando um cartão perfurado começou a programar máquinas

    O tear Jacquard: quando um cartão perfurado começou a programar máquinas

    O tear Jacquard era uma máquina têxtil assente numa ideia poderosa: um padrão podia ser codificado numa sequência de cartões perfurados e executado automaticamente. Patenteado pelo tecelão e comerciante francês Joseph Marie Jacquard, em 1804, tornou mais fácil produzir desenhos tecidos complexos e constituiu um passo importante na história das máquinas programáveis.

    Da criação manual de padrões ao controlo mecânico

    Tecelão a operar manualmente um tear com tecido padronizado
    Tecelão a operar manualmente um tear com tecido padronizado. Foto: Learningleaders / CC BY-SA 4.0

    Antes do sistema Jacquard, os têxteis figurados eram habitualmente produzidos num tear de liços. Um segundo trabalhador, conhecido como ajudante de liços, seleccionava manualmente os liços que elevavam determinados fios da urdidura. O processo era lento e exigia muita mão-de-obra, e os limites práticos restringiam a complexidade do padrão.

    A máquina Jacquard alterou esta relação entre o trabalhador, o desenho e o tear. Era instalada num tear, e o conjunto passou a ser conhecido como tear Jacquard. O seu objectivo era simplificar o fabrico de têxteis com padrões complexos, incluindo brocados, damascos e matelassé.

    A invenção não surgiu do nada. Inventores franceses anteriores tinham desenvolvido abordagens fundamentais: Basile Bouchon introduziu, em 1725, o controlo do tear por meio de furos numa fita de papel; Jean-Baptiste Falcon aperfeiçoou o desenho em 1728; e Jacques Vaucanson contribuiu com novos desenvolvimentos em 1740. Estes sistemas anteriores continuavam a exigir um assistente para operar o mecanismo, mas estabeleceram o princípio de que os furos podiam orientar um processo de tecelagem.

    Jacquard desenvolveu esta linha de trabalho num sistema que automatizava o funcionamento do tear através de cartões ligados entre si.

    Um desenho guardado em cartões

    Cartões perfurados de um tear Jacquard numa máquina têxtil
    Cartões perfurados de um tear Jacquard numa máquina têxtil. Foto: GeorgeOnline / CC BY-SA 3.0

    A máquina Jacquard era controlada por uma cadeia de cartões perfurados, atados numa sequência contínua. Cada cartão continha várias filas de furos, correspondendo um cartão completo a uma fila do desenho têxtil.

    Tratava-se de uma forma prática de instruções armazenadas. No sistema Jacquard, os cartões avançavam pela máquina, um após outro. A cada quarto de rotação, um novo cartão chegava à cabeça Jacquard e representava uma fila, ou uma passagem, da lançadeira que transportava a trama.

    A presença ou ausência de um furo determinava o que acontecia em seguida. Quando havia um furo, uma haste de controlo atravessava-o e permanecia imóvel. Quando não havia furo, a haste era empurrada para a esquerda. As hastes actuavam sobre ganchos, e uma barra ascendente elevava os ganchos que se mantinham em posição. Cordões ligavam esses ganchos aos liços, que elevavam os fios da urdidura e criavam a abertura por onde passava a lançadeira.

    Deste modo, os cartões perfurados não se limitavam a decorar o tear ou a documentar um desenho concluído. Dirigiam a sua sequência de operações. Cada cartão continha instruções para a formação da cala, isto é, a elevação e descida da urdidura, e para a selecção da lançadeira numa única passagem.

    A cadeia podia ter qualquer comprimento, permitindo exprimir desenhos complexos através de uma série contínua de instruções físicas.

    Maior detalhe e um tipo diferente de automatização

    Vestido de seda brocada com padrão jacquard dourado
    Vestido de seda brocada com padrão jacquard dourado. Foto: Staff photographer, Rhode Island School of Design Museum of… / CC0

    Uma das vantagens atribuídas ao mecanismo de Jacquard era a capacidade de formar a cala do padrão em cada passagem. As máquinas anteriores de tecelagem de damasco formavam-na geralmente uma vez em cada quatro passagens. Assim, a nova configuração podia produzir tecidos com contornos mais definidos.

    Jacquard também aumentou a capacidade da máquina para criar figuras. O seu desenho utilizava oito filas de agulhas e montantes, em comparação com a fila dupla de Vaucanson, e é-lhe atribuído o aperfeiçoamento da perfuração completa dos quatro lados do cilindro quadrado de cartões.

    O resultado não foi um único tipo específico de tear. «Jacquard» designava o mecanismo adicional de controlo que automatizava a criação de padrões, e não um modelo fixo de tear. O processo podia também ser utilizado em malhas com padrões e em têxteis de malha produzidos à máquina, como as camisolas.

    A sua importância residia na variedade de padrões que tornava possível. A formação de cala Jacquard permitia a produção automática de variedades ilimitadas de tecidos com padrões complexos. Numa oficina têxtil, tratava-se de automatização num sentido muito concreto: operações repetidas podiam ser organizadas por uma sequência preparada, em vez de serem novamente seleccionadas por um segundo trabalhador durante a tecelagem.

    Trabalho, resistência e adopção em França

    Revolta dos operários da seda em Lyon, 1834
    Revolta dos operários da seda em Lyon, 1834. Foto: Unknown authorUnknown author / domínio público

    O tear revelou também uma tensão recorrente na história da automatização. A invenção de Jacquard foi fortemente contestada pelos tecelões de seda, que receavam que a redução da necessidade de mão-de-obra lhes retirasse o sustento.

    A adopção da máquina não foi imediata. Jacquard apresentou uma invenção na Exposition des produits de l’industrie française, em Paris, em 1801, e recebeu uma medalha de bronze. Em 1803, foi chamado a Paris e integrado no Conservatoire des Arts et Métiers, onde um tear de Jacques de Vaucanson lhe sugeriu aperfeiçoamentos que desenvolveu gradualmente.

    O tear foi declarado propriedade pública em 1805, e Jacquard recebeu uma pensão e uma remuneração por cada máquina. Embora tenha sido contestada a alegação de que existiam 11 000 teares Jacquard em utilização em França em 1812, as fontes indicam que inicialmente foram vendidas poucas máquinas devido a problemas no mecanismo dos cartões perfurados. As vendas aumentaram depois de 1815, quando Jean Antoine Breton resolveu esses problemas.

    O próprio sistema podia continuar a exigir uma manutenção intensa. Enfiar uma máquina Jacquard exigia tanto trabalho que muitos teares eram enfiados apenas uma vez; as urdiduras posteriores podiam ser ligadas à urdidura existente com um robô de atar nós. Mesmo voltar a enfiar um tear pequeno, com apenas alguns milhares de pontas de urdidura, podia demorar dias.

    Dos padrões tecidos à informática

    Cartão perfurado de Babbage com números e padrões de furos
    Cartão perfurado de Babbage com números e padrões de furos. Foto: Charles Babbage / domínio público

    O legado mais duradouro do tear Jacquard poderá ser a ideia geral subjacente aos seus cartões. Cartões perfurados substituíveis controlavam uma sequência de operações, uma abordagem considerada um passo importante na história do equipamento informático.

    O tear inspirou a Máquina Analítica de Charles Babbage. Babbage propôs «cartões numéricos» perfurados como parte da sua descrição da memória da Máquina de Calcular, embora não haja provas de que tenha construído um exemplar funcional.

    Mais tarde, os cartões perfurados passaram a ser amplamente utilizados no processamento de dados, no controlo de máquinas automatizadas e na informática. As primeiras aplicações incluíam o controlo de teares e o registo de dados censitários. No final do século XIX, Herman Hollerith desenvolveu tecnologia de processamento de dados por cartões perfurados para o censo dos Estados Unidos de 1890, inspirado em parte pela tecnologia de tecelagem dos teares Jacquard.

    As máquinas Jacquard modernas são controladas por computadores, em vez dos cartões perfurados originais, e podem ter milhares de ganchos. A antiga cadeia de cartões foi substituída, mas a ligação entre instruções armazenadas e acção mecânica continua visível.

    O tear Jacquard pertence à história dos têxteis, mas a sua lição vai além do tecido. Mostrou que uma máquina podia seguir uma sequência de instruções preparada, transformando trabalho complexo num processo organizado e repetível. Muito antes da era digital, um padrão tecido tinha-se tornado um programa.


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  • Alice Ball: A Química que Transformou o Tratamento da Lepra

    Alice Ball: A Química que Transformou o Tratamento da Lepra

    Alice Augusta Ball foi uma química afro-americana cujo trabalho produziu o primeiro tratamento eficaz para a doença de Hansen, também conhecida como lepra.

    Uma Cientista com uma Formação Excepcional

    Edifício histórico no campus da Universidade de Washington
    Edifício histórico no campus da Universidade de Washington. Foto: Sammi Brie / CC0

    Ball nasceu em Seattle, Washington, a 24 de Julho de 1892, filha de James Presley Ball e Laura Louise Ball. O pai era editor de um jornal, fotógrafo e advogado, enquanto a mãe tinha trabalhado como fotógrafa. Destacou-se em ciências na Seattle High School e concluiu os estudos em 1910.

    Na Universidade de Washington, Ball obteve uma licenciatura em química farmacêutica em 1912 e uma licenciatura em farmácia em 1914. Durante os estudos, publicou, com o professor de farmácia Williams Dehn, um artigo de 10 páginas, «Benzoylations in Ether Solution», no *Journal of the American Chemical Society*. A publicação fez dela uma das primeiras mulheres afro-americanas a publicar numa importante revista científica.

    Depois de se formar, Ball recebeu ofertas de bolsas de estudo em várias Universidades. Escolheu a Universidade do Hawai, onde concluiu um mestrado em química em 1915 e tornou-se a primeira mulher e a primeira afro-americana a receber esse grau na instituição. Mais tarde, foi nomeada a primeira docente de química do sexo feminino da escola.

    Óleo de Chaulmoogra e um Problema Médico Urgente

    No Hawai, a investigação de pós-graduação de Ball examinou os constituintes químicos e o princípio activo da kava, *Piper methysticum*. Os seus conhecimentos de química levaram-na a contactar Harry T. Hollmann, ligado à Estação de Investigação da Lepra e ao Hospital de Kalihi, no Hawai.

    Hollmann procurava ajuda para melhorar o uso terapêutico do óleo de chaulmoogra, há muito utilizado contra a lepra, mas com resultados inconsistentes. O óleo podia ser difícil de tolerar devido ao sabor amargo e às dores de estômago. Tomado por via oral, podia causar náuseas e vómitos. Injectado na sua forma original, podia provocar lesões dolorosas sob a pele.

    O desafio terapêutico era extremamente importante porque a doença de Hansen era alvo de forte estigma. Os doentes eram frequentemente isolados à força em povoações remotas, onde as condições podiam ser terríveis. Por isso, um tratamento eficaz poderia significar mais do que o alívio da doença: poderia oferecer uma saída do isolamento para toda a vida.

    O Método Ball

    Balanças e instrumentos científicos antigos numa vitrina de laboratório
    Balanças e instrumentos científicos antigos numa vitrina de laboratório. Foto: LukaszKatlewa / CC BY 4.0

    Ball desenvolveu um processo químico que isolava e modificava os ácidos gordos do óleo de chaulmoogra. O o resultado era um composto solúvel em água que poderia ser injectado.

    Este foi o avanço essencial. Os ésteres etílicos que Ball utilizou permitiram que o tratamento fosse absorvido pela corrente sanguínea de forma segura e eficiente, ultrapassando os problemas de viscosidade e fraca absorção que tinham limitado a utilização anterior do óleo de chaulmoogra. O seu trabalho criou uma forma injectável do óleo que se tornou o tratamento mais eficaz para a lepra até à década de 1940.

    O processo viria a ser conhecido como o «Método Ball». Em 1918, um médico do Hawai relatou no *Journal of the American Medical Association* que 78 doentes tinham tido alta do Hospital de Kalihi depois de serem tratados com as injecções. Em 1920, as autoridades de saúde havaianas referiram que muitas pessoas tratadas com o Método Ball podiam regressar a casa, em vez de permanecerem em quarentena toda a vida.

    Uma Descoberta Perdida de Vista

    Alice Ball / Foto: See page for author, Public domain, via Wikimedia Commons

    Ball morreu em Seattle a 31 de Dezembro de 1916, aos 24 anos, antes de publicar as suas conclusões. A certidão de óbito original não identificava a causa da morte.

    Após a sua morte, Arthur L. Dean, químico e presidente da Universidade do Hawai, deu continuidade ao trabalho e publicou os resultados sem atribuir crédito a Ball. Chamou à técnica o «Método Dean», até que Hollmann identificou o papel de Ball no trabalho.

    Estudos posteriores e o reconhecimento institucional restauraram o legado de Ball. A Universidade do Hawai só reconheceu o seu trabalho na década de 1990. Em 2000, a universidade homenageou-a com uma placa junto de uma árvore de chaulmoogra atrás do Bachman Hall. Em 2007, o conselho da universidade atribuiu-lhe uma Medalha de Honra.

    Um Lugar Duradouro na História da Medicina

    O Método Ball acabou por se tornar obsoleto do ponto de vista médico após o desenvolvimento da monoterapia com dapsona, em 1946. Ainda assim, a sua importância histórica permanece clara. O trabalho de Ball marcou um ponto de viragem entre a medicina botânica inicial e a química farmacêutica moderna.

    O seu método melhorou os resultados clínicos de milhares de doentes em todo o mundo. É também o feito de uma jovem química cujo contributo científico demorou a receber reconhecimento, mas cujo trabalho ajudou a transformar o tratamento da doença de Hansen.

    A história de Alice Ball liga a química, a saúde pública e o reconhecimento. Com apenas 24 anos, deixou um método que deu a muitas pessoas a oportunidade de sair do isolamento e regressar a casa.


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  • As 5 Invenções Mais Importantes da História

    As 5 Invenções Mais Importantes da História

    A história da humanidade está marcada por momentos de descoberta que mudaram radicalmente a forma como vivemos, trabalhamos e nos relacionamos com o mundo.

    Aqui, vamos destacar cinco invenções que, cada uma à sua maneira, revolucionaram a vida das pessoas e o desenvolvimento das sociedades.

    1. Eletricidade

    A descoberta e domesticação da eletricidade permitiu avanços incomparáveis em todos os campos do saber e da tecnologia.

    Antes da eletricidade, as pessoas dependiam de velas e lamparinas para iluminação e caldeiras ou lareiras para aquecimento.

    Com a eletricidade, inventada por Thomas Edison em 1879, surgiram electrodomésticos, iluminação pública, fábricas mais eficientes e, mais recentemente, a revolução digital.

    Sem eletricidade, simplesmente não existiria o mundo moderno como o conhecemos.

    Thomas Edison // Britannica.com

    2. Máquina de imprensa

    Inventada por Johannes Gutenberg, a máquina de imprensa permitiu pela primeira vez a impressão em massa de livros e documentos.

    Esta tecnologia democratizou o conhecimento, tornou a leitura mais acessível e acelerou a disseminação de ideias.

    A imprensa foi crucial para a Revolução Científica, fomentando sociedades mais informadas e críticas.

    Johannes Gutenberg // worldhistory.org

    3. Penicilina

    A descoberta da penicilina por Alexander Fleming em 1928 marca um ponto de viragem na medicina.

    Até então, infecções bacterianas eram extremamente fatais.

    A penicilina foi o primeiro antibiótico eficaz, e rapidamente salvou milhões de vidas por todo o mundo, tornando procedimentos médicos mais seguros e aumentando significativamente a esperança média de vida.

    Alexander Fleming // smithsonianmag.com

    4. Telefone

    O telefone, criado por Alexander Graham Bell em 1876, tornou possível comunicar em tempo real a longas distâncias.

    Esta invenção revolucionou relações pessoais e profissionais, permitindo a proximidade entre pessoas geograficamente distantes.

    O telefone foi também um catalisador para a globalização dos negócios e o inicio das telecomunicações modernas.

    Alexander Graham Bell // Britannica.com

    5. Refrigeração

    A invenção da refrigeração artificial transformou profundamente a vida quotidiana.

    Antes do frigorífico, conservar alimentos durante longos períodos era um desafio.

    A refrigeração não só permitiu melhorar significativamente a segurança alimentar e a dieta da população, como também facilitou o transporte de alimentos perecíveis entre continentes.

    Além disso, tornou possível conservar medicamentos e vacinas, contribuindo de forma decisiva para a saúde pública e a longevidade.

    A refrigeração artificial não teve um único inventor, mas sim vários cientistas e engenheiros que contribuíram para o seu desenvolvimento ao longo do tempo. No entanto, normalmente destacam-se:

    • William Cullen, médico e químico Escocês, que demonstrou o primeiro sistema de refrigeração artificial em 1748, em Edimburgo, utilizando evaporação de éter.
    • Jacob Perkins, engenheiro Americano, que em 1834 patenteou a primeira máquina de refrigeração por compressão de vapor. Jacob é considerado o “pai da refrigeração”.
    • Carl von Linde, engenheiro Alemão, desenvolveu em 1876 um sistema eficiente de compressão de amoníaco para refrigeração industrial, popularizando o uso do frigorífico.
    Carl von Linde // sciencehistory.org

    Conclusão

    Estas cinco invenções ilustram o poder do engenho humano para resolver problemas práticos e transformar sociedades inteiras.

    Vivemos hoje num mundo que é resultado direto de inovações que surgiram muitas vezes como resposta a desafios aparentemente insuperáveis.

    Ao olharmos para trás, percebemos que a criatividade e a persistência continuam a ser as nossas maiores ferramentas para construir um futuro melhor, mais seguro e mais sustentável para todos.


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  • A Invenção do Telefone – Alexander Graham Bell

    A Invenção do Telefone – Alexander Graham Bell

    Oficialmente, a invenção do telefone é atribuída ao cientista de origem Escocesa Alexander Graham Bell nascido em 3 de Março de 1847 em Edimburgo, Escócia, Reino Unido.

    Interessou-se desde a juventude pela fala. O interesse por esse campo de pesquisa foi resultado de circunstâncias familiares. O seu pai estava envolvido com a educação de pessoas surdas e a sua mãe começou a perder a audição quando ele tinha 12 anos, o que motivou o seu interesse pela fala e pelo som.

    Dedicou parte de sua vida a ensinar dicção e terapia da fala em instituições na Escócia e posteriormente em Londres.

    Em 1870, Alexander Graham Bell, emigra com a familia para o Canadá. Mais tarde, ao conseguir uma vaga de fisiologia vocal e elocução na Universidade de Boston, mudou-se para os Estados Unidos da América e foi nessa altura, que conheceu Mabel Hubbard, sendo esta também surda, tendo casado no dia 11 Julho de 1877, tornado-se cidadão natural dos Estados Unidos.

    Alexander Graham Bell era um fonoaudiólogo que pesquisava formas de aperfeiçoar os seus estudos com as pessoas surdas.

    A ideia era recolher as vibrações dos sons e transformá-las em vibrações elétricas.
    Ele procurava um meio de transmitir palavras por ondas elétricas aos seus pacientes. Foi assim que iniciou os projetos que levaram à invenção do telefone.

    A invenção do telefone ocorreu de forma acidental para aperfeiçoar as transmissões do telégrafo que possuia conceitos estruturais muito semelhantes.

    Ao telégrafo, contudo, era possivel a transmissão de apenas uma mensagem de cada vez. Tendo bons conhecimentos de música, Graham Bell, percebeu a possibilidade de transmitir mais de uma mensagem ao longo do mesmo fio de uma só vez na concepção de “telégrafo múltiplo”

    Este era um conceito novo. Outros tentaram, mas Graham Bell foi quem conseguiu esse progresso e utilizou a electricidade para conduzir a voz humana.

    No início de Junho de 1875, Graham Bell e o seu assistente Thomas Watson (1854-1934) fizeram muitas experiências com dispositivos sonoros e elétricos.
    A ideia era recolher as vibrações dos sons e transformá-las em vibrações elétricas.
    Nesse mesmo mês e devido a essas experiências, o seu assistente Thomas Watson foi o primeiro a ouvir uma voz humana pelo dispositivo denominado telefone.


    As pesquisas posteriores, tiveram como objetivo o desenvolvimento de uma membrana para transformar o som em corrente e reproduzi-lo novamente no outro lado.

    Assim, foi criado o primeiro telefone, um aparelho rudimentar feito em madeira chamado telefone de forca.

    No ano seguinte e com o financiamento do seu sogro americano, em 7 de Março de 1876, o Escritório de Patentes dos Estados Unidos concedeu a Alexander Graham Bell a patente número 174 465 que cobre “o método de, e o instrumento para, transmitir sons vocais ou outros telegraficamente, causando ondulações eléctricas, similares às vibrações do ar que acompanham o som vocal”, ou seja o telefone, que revolucionaria a comunicação em todo mundo.

    Mas foi 3 dias depois, em 10 de Março daquele ano, que a primeira transmissão completa foi realizada. Por esse motivo o dia 10 de Março ficou marcado posteriormente como o dia do telefone.

    Segundo consta, a primeira frase transmitida foi dita por Graham Bell a Thomas Watson que escutou:
    “Senhor Watson venha cá. Preciso de falar com você “

    Um dos primeiros telefones utilizados com a patente de Bell (1977)

    No ano seguinte, Graham Bell, fundou a companhia Telefónica Bell que se tornou posteriormente a American Telephone & Telegraph, a maior companhia telefónica do mundo.

    Outro nome que também é apontado como o responsável pela criação do aparelho, é o do italiano António Meucci (1808-1889) reconhecido como o autor de um dispositivo semelhante em 1860. Esse dispositivo foi apelidado de “telégrafo falante”.
    Ele infelizmente, não tinha recursos suficientes para patentiar a sua invenção e o seu trabalho só foi reconhecido muitos anos após a sua morte.

    Existe ainda outro autor que disputou a patente do telefone, o engenheiro electricista Elisha Gray (1835-1901).

    O registo da patente de invenção do telefone em Março de 1876, deu início a uma das mais longas batalhas judiciais por patentes da história.

    Embora Alexander Graham Bell seja apontado como o inventor do telefone, é importante reconhecer que a invenção do telefone surgiu da contribuição de vários inventores em vários Países ao longo do tempo: na Alemanha, Johann-Philipp Reis; na França, Charles Bourseul, além dos já supracitados.

    No tribunal dos EUA foram movidas por Gray cerca de 600 ações reivindicando a invenção. No entanto Bell ganhou todas.

    Em 11 de Junho de 2002, o Congresso Americano reconheceu o Italiano Antonio Meucci como o verdadeiro inventor do telefone, através da resolução N°. 269.[3] Meucci vendeu o protótipo do aparelho a Bell na década de 1870. Porém, 10 dias depois, o Congresso Canadense reconheceu Bell.

    Este conflito de patentes acontece há décadas, sem uma definição.

    Além do telefone Alexander Graham Bell, foi responsável por outras invenções relacionadas ao som e também à aeronáutica.

    Em 1888, Alexander Graham Bell foi um dos fundadores da National Geographic Society e em 7 de janeiro de 1898 assumiu a presidência da instituição.

    Além do trabalho como cientista e inventor, Bell era favorável à esterilização compulsiva, tendo liderado algumas organizações favoráveis à eugenia. Um facto muito controverso na sua biografia é a sua forte identificação com o pensamento eugenista, que, em linhas gerais, prega que determinados grupos humanos não se deveriam reproduzir ou se misturar com outras etnias para não comprometer uma ideia de raça pura.

    Morreu em 2 de agosto de 1922 com 75 anos, em Beinn Bhreagh, Nova Escócia, Canadá, onde se encontra sepultado.

    “O inventor é um homem que olha ao redor do mundo e não se contenta com as coisas como elas são. Ele quer melhorar o que vê, quer beneficiar o mundo; ele é assombrado por uma ideia. O espírito de invenção o possui, buscando a materialização.”

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    Fontes Fotográficas/Conteúdo: eBiografia, todamateria, DW, Wikipedia, Britannica, Science Museum Group

  • Thomas Edison – O criador da lâmpada elétrica

    Thomas Edison – O criador da lâmpada elétrica

    Thomas Alvas Edison, nasceu no dia 11 de Fevereiro de 1847 em Ohio, e é o cientista norte-americano que deu vida à lâmpada elétrica.

    Foi Inventor, cientista e empresário. Durante toda a sua vida, Thomas Edison registou 2.332 patentes de diversas criações e inovações, como a lâmpada incandescente, o fonógrafo e a primeira câmera cinematográfica.

    Antes das suas invenções, Thomas Edison teve diversas funções, como jornaleiro e telégrafo, contribuindo muito com as suas invenções, para o avanço científico. A lâmpada elétrica é sem dúvida uma das grandes criações da humanidade, responsável por uma revolução na vida em sociedade.

    Ainda na adolescência ele teve interesse por por telégrafos. Foi nessa época, aos 14 anos, que sofreu um acidente de comboio que prejudicou seriamente a sua audição.
    Durante a sua juventude, Thomas Edison enfrentou desafios educacionais devido aos seus problemas auditivos e um estilo de aprendizagem não convencional, o que levou a sua mãe, uma ex-professora, a educá-lo em casa. Este período de formação foi fundamental, pois incutiu nele uma paixão pelas experiências e uma aprendizagem autodidata.

    Desde jovem, Thomas Edison mostrou um fascínio pela ciência e mecânica. Ele passava horas a ler livros de ciências e a realizar experiências. A sua curiosidade levou-o a montar um laboratório de química no porão da sua casa e mais tarde, um laboratório improvisado num vagão de comboio, enquanto trabalhava como telégrafo itinerante. Essas experiências iniciais moldaram o seu caminho para se tornar um grande inventor.
    Aos 22 anos, mudou-se para Nova York, onde as suas habilidades e inovações começaram a ganhar reconhecimento. As suas primeiras invenções, incluindo um contador elétrico para empresas de telegrafia, abriram caminho para as suas realizações futuras.

    A invenção da lâmpada foi fruto do esforço de diversos cientistas ao longo do tempo. Foram muitas as experiências e tentativas até se chegar a um dispositivo prático que pudesse ser amplamente difundido.
    O grande desafio estava em conseguir encontrar um filamento que não queimasse ao passar eletricidade.


    Thomas Edison alcançou o seu objetivo, resultado e êxito definitivo em 1879 quando patentiou o que seria a sua maior criação, uma lâmpada feita a partir de um filamento de carbono e uma cápsula de vidro em vácuo. Foi possível manter a lâmpada incandescente por 48h, sendo esta a primeira lâmpada bem sucedida o suficiente para ser comercializada.

    Segundo a história, foram feitas mais de 1.000 tentativas e testados cerca de 6.000 materiais diferentes até se chegar a um resultado de sucesso, e foi a partir daí que Thomas Edison inspirou diversas pessoas a persistirem sempre nos seus objetivos, já que para ele as tentativas não tinham sido falhas e sim descobertas de fazer uma lâmpada de mil maneiras.

    Thomas Edison não foi apenas um inventor prolífico, mas também um empreendedor visionário, que soube transformar as suas invenções em bem-sucedidos empreendimentos comerciais. A sua capacidade de ver além do laboratório e compreender o potencial industrial e comercial das suas inovações foi fundamental para a modernização da produção e do consumo.

    Um exemplo marcante dessa visão empreendedora foi a fundação da Edison Electric Light Company em 1878, que mais tarde se tornou a General Electric, uma das maiores e mais diversificadas empresas industriais do mundo.

    A General Electric foi pioneira na industrialização da produção de energia elétrica e equipamentos, desempenhando um papel crucial na eletrificação dos Estados Unidos e posteriormente de outras partes do mundo.
    Além disso, as suas realizações abrangem uma variedade de campos, incluindo telecomunicações, gravação de som e produção cinematográfica. A sua abordagem empresarial para a inovação estabeleceu um modelo para a pesquisa e desenvolvimento modernos, combinando criatividade técnica com visão comercial.

    Thomas Edison no seu laboratório em West Orange, New Jersey em 1901

    A sua contribuição mais notável, a lâmpada incandescente, transformou para sempre a forma como a humanidade usa a energia, inaugurando uma nova era na iluminação e no consumo de energia, pois permitiu uma renovação nas indústrias, na tecnologia, na iluminação de casas, cidades e indústrias e na forma como as pessoas passaram a encarar trabalho e momentos de lazer. A persistência, determinação e vontade de criar, fizeram de Thomas Edison um dos maiores inventores da história.

    Thomas Edison morreu aos 84 anos, no dia 18 de Outubro de 1931 em West Orange, nos EUA e ao longo da sua vida, expressou uma série de frases memoráveis e inspiradoras. Levando em consideração o seu trabalho de inventor, autodidata e empreendedor, talvez a mais famosa delas seja : “A nossa maior fraqueza está em desistir. A maneira mais certa de ter sucesso é sempre tentar mais uma vez.”

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    Fontes Fotográficas/Conteúdo: Biblioteca do congresso
    dos EUA
    , britannica.com, Instituto Liberal, Glight, Quero Bolsa, eBiografia