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  • 10 Clássicos do Cinema Português

    10 Clássicos do Cinema Português

    O cinema português é um verdadeiro tesouro por descobrir, repleto de obras-primas que capturam a essência da cultura, da história e das emoções nacionais.

    Dos becos de Lisboa às paisagens rústicas do interior, os clássicos do nosso cinema revelam narrativas poéticas, personagens únicas e uma identidade tão rica quanto diversificada.

    Neste artigo, convidamos-te a explorar alguns dos filmes essenciais que marcaram várias gerações e continuam a inspirar realizadores e cinéfilos em Portugal e além-fronteiras.

    Aniki-Bóbó (1942)

    Realizador: Manoel de Oliveira

    Este filme revolucionou o panorama cinematográfico nacional, ao dar voz e protagonismo às crianças comuns do Porto, sem grandes artifícios, captando de forma autêntica as suas emoções, brincadeiras, medos e sonhos.

    Realizado em plena época do Estado Novo, Aniki-Bóbó utiliza a cidade como pano de fundo, mas o grande foco está na pureza do olhar infantil e nas pequenas grandes aventuras do quotidiano.

    A estreia de Oliveira permanece como um retrato intemporal e delicado da inocência e traquinice, profundamente enraizado na cultura urbana portuguesa.

    Os Verdes Anos (1963)

    Realizador: Paulo Rocha

    Considerado o marco inicial do Novo Cinema Português, movimento semelhante à Nouvelle Vague francesa, “Os Verdes Anos” retrata a chegada de Júlio, um jovem da província, à capital, Lisboa, em busca de melhores condições de vida.

    O impacto do ambiente urbano, a diferença de mentalidades, os desafios da adaptação e uma relação amorosa inesperada são explorados num tom lírico, mas também crítico e desencantado.

    O filme utiliza a cidade quase como personagem, refletindo as mudanças sociais da década de 60 e o nascimento de uma juventude inquieta e cheia de dúvidas existenciais.

    A estética inovadora, a sensibilidade no tratamento das personagens e a utilização da música de Carlos Paredes são elementos centrais deste clássico.

    Imagem: mubi.com

    Ossos (1997)

    Realizador: Pedro Costa

    Passado no bairro pobre das Fontainhas em Lisboa, este filme visualmente austero mergulha o espectador nas lutas das comunidades marginalizadas.

    “Ossos” apresenta-nos um retrato cru e poético da vida de quem vive à margem da sociedade.

    A câmara de Pedro Costa penetra nos becos, nos silêncios e nos olhares dos seus protagonistas — jovens marcados pela solidão, pobreza e desespero.

    O filme é feito com atores não-profissionais, muitos deles habitantes do próprio bairro, e distingue-se pelo estilo visual deliberadamente austero e pelas longas tomadas, que convidam à reflexão e à contemplação.

    “Ossos” é reconhecido internacionalmente como um dos grandes exemplos do cinema independente, humanista e autoral, e consolidou Pedro Costa como um dos mais influentes cineastas Europeus da atualidade.

    Pedro Costa – Ossos, 1997

    O Sangue (1989)

    Realizador: Pedro Costa

    Obra de estreia de Pedro Costa, “O Sangue” é um filme misterioso e visualmente marcante.

    A preto e branco, evoca a atmosfera dos clássicos do cinema noir, misturando sombras, silêncios e gestos subtis para contar a história de dois irmãos órfãos que tentam sobreviver numa sociedade indiferente.

    O drama familiar desenrola-se num ambiente tenso, quase onírico, onde a ausência dos adultos pesa tanto quanto a própria solidão dos protagonistas.

    “O Sangue” revela, desde o início, a sensibilidade poética e a precisão formal que caracterizariam toda a carreira do cineasta, antecipando a sua abordagem social nas obras futuras.

    Pedro Costa – O Sangue, 1989

    Tabu (2012)

    Realizador: Miguel Gomes

    Embora mais atual, a sua narrativa e o preto-e-branco, homenageiam as tradições do cinema clássico.

    “Tabu” destaca-se pela sua estrutura original: dividido em duas partes — “Paraíso Perdido” e “Paraíso”.

    Esta separação transporta o espectador de uma Lisboa atual para a África colonial.

    O filme oscila entre o realismo do quotidiano e uma dimensão quase de fábula, recorrendo ao preto e branco e a técnicas de narração clássica, evocando o cinema mudo nas suas sequências mais líricas.

    Premiado em vários festivais internacionais, “Tabu” seduz pelo seu tom nostálgico, criatividade formal e capacidade de reinventar as convenções cinematográficas, tornando-se um símbolo do cinema português contemporâneo.

    Muito elogiado internacionalmente, ganhou vários prémios em festivais e cimentou Miguel Gomes como força criativa.

    Miguel Gomes – Tabu, 2012 // Adopt Films

    A Canção de Lisboa (1933)

    Realizador: Cottinelli Telmo

    “A Canção de Lisboa” é a primeira longa-metragem sonora do cinema português e uma das comédias mais icónicas do país.

    Acompanhamos as peripécias de Vasco, um estudante de medicina preguiçoso e despistado, cujas mentiras e esquemas geram uma série de situações cómicas e desenlaces inesperados.

    O filme tornou-se rapidamente um fenómeno popular, graças ao humor simples, às canções memoráveis e à interpretação carismática de Vasco Santana.

    Ainda hoje, as suas frases e músicas fazem parte do imaginário coletivo português.

    Cottinelli Telmo – A Canção de Lisboa, 1933

    Trás-os-Montes (1976)

    Realizadores: António Reis e Margarida Cordeiro

    Um autêntico poema visual, “Trás-os-Montes” mistura elementos documentais e ficcionais para retratar a vida numa das regiões mais isoladas e autênticas de Portugal.

    Através de uma câmara atenta ao detalhe, o filme mostra rituais, paisagens e rostos, captando a dureza e a beleza de um modo de vida ancestral.

    Esta obra inovadora dispensa grandes enredos, preferindo uma proximidade sensorial e emocional ao universo rural, influenciando gerações de cineastas nacionais e internacionais.

    Um olhar poético e semi-documental sobre a remota região de Trás-os-Montes, fundindo etnografia e ficção.

    Inovador no estilo e conteúdo, celebra visualmente um modo de vida rural em vias de desaparecimento.

    António Reis e Margarida Cordeiro – Trás-os-Montes, 1976

    Vale Abraão (1993)

    Realizador Manoel de Oliveira

    Inspirado no romance “Madame Bovary” de Flaubert, “Vale Abraão” transporta a história para o interior de Portugal, fazendo um retrato luxuoso de Ema, uma mulher insatisfeita em busca de paixão e sentido para a vida.

    Com ritmo pausado e imagens belíssimas, o filme explora as inquietações existenciais da protagonista, apresentando a paisagem e a luz portuguesa como parte integrante da narrativa.

    É uma das obras mais celebradas de Oliveira, elogiada pelo rigor estético e pela direção de actores.

    Manoel de Oliveira – Vale Abraão, 1993

    Recordações da Casa Amarela (1989)

    Realizador: João César Monteiro

    Neste filme desconcertante e mordaz, Monteiro apresenta-nos João de Deus, o seu alter-ego, deambulando por uma Lisboa decadente, marcada pela ironia, pela marginalidade e pelo absurdo.

    Misturando crítica social, humor negro e um certo surrealismo, o realizador desafia convenções narrativas e oferece um olhar muito próprio sobre a solidão, o desalento e a condição humana.

    É uma das obras de culto do cinema independente português, apreciada pelos cinéfilos pela sua originalidade e irreverência.

    Um retrato cómico e negro do alter-ego do realizador, situado na Lisboa dos anos 80, misturando humor absurdo com crítica social mordaz.

    João César Monteiro, Recordações da Casa Amarela, 1989

    Capitães de Abril (2000)

    Realizadora: Maria de Medeiros

    Dramatização da Revolução dos Cravos (1974), que pôs fim pacificamente à ditadura em Portugal.

    Este filme reconstitui de forma emocionante e certeira o dia 25 de Abril de 1974, quando a ditadura foi derrubada por um movimento militar pacífico.

    Com um elenco de luxo e um apurado sentido de rigor histórico, “Capitães de Abril” apresenta tanto a perspetiva dos militares como a das pessoas comuns apanhadas na torrente revolucionária.

    Mais do que um documento histórico, é uma homenagem à liberdade e à coragem de um povo determinado a mudar o seu destino.

    Maria de Medeiros – Capitães de Abril, 2000

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