Tag: Cultura

  • A Música no Coração – Um amor que dura gerações

    A Música no Coração – Um amor que dura gerações

    “The Sound of Music” (A Música no Coração) é um filme musical norte-americano de 1965, dirigido por Robert Wise e protagonizado por Julie Andrews e Christopher Plummer. A produção é uma adaptação do musical da Broadway de 1959, que, por sua vez, foi inspirado no livro “The Story of the Trapp Family Singers”, escrito por Maria von Trapp.

    É uma adaptação ficcional das experiências de Maria como ama de sete crianças, o seu eventual casamento com o pai delas, o Capitão Georg von Trapp, e a sua fuga durante o Anschluss – a anexação do Estado Federal da Áustria pelo Reich Alemão em 12 de Março de 1938.

    As filmagens decorreram entre Março e Setembro de 1964 em Los Angeles e Salzburgo.

    Enredo Principal

    Maria é uma jovem austríaca de espírito livre que estuda para se tornar freira na Abadia de Nonnberg. No entanto, o seu entusiasmo juvenil e falta de disciplina causam preocupação.

    A Madre Superiora envia Maria para a vila do Capitão Georg von Trapp, um oficial naval reformado, para ser a nova ama dos seus sete filhos

    Com a sua personalidade calorosa e paixão pela música, Maria transforma a relação entre as crianças e o pai, ensina-os a cantar e traz alegria à casa.

    Com o passar do tempo e depois de várias peripécias, Maria e Georg apaixonam-se e casam-se. No entanto, a crescente ameaça nazi obriga a família a tomar decisões difíceis – incluindo uma fuga dramática através dos Alpes.

    O filme é amplamente reconhecido pelas suas canções famosas tais como:

    •⁠ ⁠“Edelweiss”

    Cantada pelo Capitão (mais tarde com a família) como uma homenagem à Áustria.

    Edelweiss é o nome de uma flor alpina branca, um símbolo do amor pelo país natal. É uma música simples, mas profundamente emocional com uma letra lindíssima e uma melodia cheia de significado.

    É um tributo patriótico que reflete o amor do Capitão pela Áustria, ao mesmo tempo que mostra o seu desgosto pela ocupação nazi que esmagava a liberdade da nação.

    •⁠ ⁠“Do-Re-Mi”

    Cantada por Maria enquanto ensina as crianças von Trapp a cantar pela primeira vez, esta música é como uma lição de iniciação musical. Maria usa esta melodia divertida para ensinar os conceitos básicos das notas musicais.

    Foto: Century Fox

    A sua principal mensagem é sobre começar algo novo de forma simples. É educativa, mas cheia de energia e diversão.

    •⁠ ⁠“My Favorite Things”

    Maria canta esta música para acalmar as crianças durante uma tempestade. Enumera pequenas coisas que a fazem feliz, como “pingas da chuva em pétalas de rosas”. É um convite para a pessoa se focar no que é positivo, mesmo em momentos difíceis.

    Esta canção transmite conforto ao lembrar que as coisas simples e belas podem afastar os medos. Celebra a habilidade de encontrar alegria nas coisas pequenas da vida.

    •⁠ ⁠“The Sound of Music”

    Esta é a música principal do filme, cantada por Maria no início, enquanto explora os vastos campos das montanhas austríacas. É uma celebração da liberdade, da alegria e da harmonia com a natureza. Reflete a personalidade de Maria – vibrante, apaixonada pela música e pela vida.

    Elenco Principal

    Maria:
    •⁠ ⁠Julie Andrews foi a primeira e única escolha para o papel.
    •⁠ ⁠A lista inicial incluía também Grace Kelly e Shirley Jones
    •⁠ ⁠Wise e Lehman escolheram Julie Andrews depois de visitarem os Estúdios Disney para ver excertos de “Mary Poppins”, ainda não estreado na época.
    •⁠ ⁠Após alguns minutos de visualização, Wise disse a Lehman: “Vamos contratar esta rapariga antes que alguém veja este filme e a roubem!”

    Julie Andrews em “Mary Poppins” // Everett Collection

    Capitão:
    •⁠ ⁠Vários actores foram considerados, incluindo: Bing Crosby, Sean Connery e Richard Burton.
    •⁠ ⁠Christopher Plummer foi a escolha final, após uma recusa inicial por parte do actor.
    •⁠ ⁠Wise viajou até Londres para convencer Plummer, garantindo-lhe que poderia trabalhar com Lehman para melhorar a personagem.

    Christopher Plummer em “The Prisoner of Zenda”  // CBS via Getty Images

    Crianças:
    •⁠ ⁠O processo de seleção começou em Novembro de 1963.
    •⁠ ⁠Foram feitas mais de 200 entrevistas e audições no Reino Unido e Estados Unidos.
    •⁠ ⁠A maioria dos selecionados tinha experiência em representação, canto ou dança.

    Receção e Legado

    “Música no Coração” foi um enorme sucesso de bilheteira, tornando-se num dos filmes mais rentáveis da história. Também ganhou vários prémios, incluindo cinco Óscares em 1966, entre eles o de Melhor Filme e Melhor Realizador.

    Foi filmado em lugares reais na Áustria, destacando-se as paisagens de Salzburg.

    É considerado um clássico do cinema, amado por gerações pela sua mensagem de esperança, coragem e o poder unificador da música.

    Em Portugal, o filme é amplamente conhecido, especialmente entre as gerações mais velhas, sendo também um sucesso entre os mais novos e continua a ser um símbolo da Era de Ouro de Hollywood.

    Curiosidades

    A verdadeira família von Trapp existiu, embora o filme romanceie vários elementos da história. Por exemplo, na vida real, a fuga da Áustria foi feita de comboio, e não a pé pelos Alpes.

    Família Von Trapp // BETTMANN/ GETTY

    A história toca em temas sérios, como o impacto da Segunda Guerra Mundial, mas inclui um toque optimista graças às suas canções maravilhosas e vibrantes.

    “A Música no Coração” é muito mais do que apenas um musical; é uma celebração da música, da família e da liberdade, com uma forte ligação a eventos históricos marcantes.

    Foto de capa: 20th Century Fox/Allstar

    *Artigo dedicado a uma pessoa muito especial cujo o filme preferido sempre foi “A Música no Coração”.


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  • Música pelas décadas – Rock na década de 90

    Música pelas décadas – Rock na década de 90

    O início da década de 90 representou um ponto de viragem significativo no panorama musical, caracterizado pelo ressurgimento explosivo do rock em toda a sua glória multifacetada. 

    Quando o véu se levantou sobre uma nova década, uma revolução cultural ecoou através dos ritmos e riffs de uma geração ávida por autenticidade e autoexpressão.

    Nesta era, subgêneros diversos como grunge, rock alternativo e post-hardcore não só dominaram as ondas sonoras, como também ressoaram entre os jovens, refletindo as suas lutas e aspirações.

    Foto: https://thehardtimes.net

    Desde os sons crus e sem filtros, até as actuações electrizantes em festivais icônicos, a música rock tornou-se uma poderosa voz para uma geração que lidava com mudanças politicas e econômicas.

    A proliferação de canais como a MTV teve um papel crucial na promoção das bandas de rock. As actuações e vídeos captaram a atenção de um público global, tornando a música acessível de maneiras nunca antes possíveis.

    Junte-se a nós numa viagem por esta vibrante paisagem musical, enquanto revisitamos os hinos que definiram uma geração e os fenómenos culturais que solidificaram o lugar do rock na história.

    U2

    Os U2, formados em 1976 em Dublin, Irlanda, é uma das bandas de rock mais influentes da história, conhecida pelo seus hinos e letras com consciência social. 

    Os anos 90 mostraram-se uma década transformadora para a banda, marcada por uma mudança de estilo musical e um compromisso em abordar problemas globais através da sua música.

    Foto: Lex van Rossen/MAI/Redferns

    U2 tornaram-se conhecidos pela incorporação de tecnologia no seu som e nas suas actuações ao vivo, utilizando a arte visual como um aspecto proeminente nas suas actuações ao vivo. 

    As suas mensagens sociais ressoaram com um público global, frequentemente abordando questões como pobreza, direitos humanos e paz.

    Músicas de maior sucesso dos U2 lançadas nos anos 90

    “One” (1991)
    Uma poderosa balada que se tornou uma das canções mais conhecidas da banda, abordando temas de unidade e divisão.

    “Mysterious Ways” (1991)
    Do álbum “Achtung Baby”, possui um ritmo cativante e explora temas de amor e espiritualidade.

    “Numb” (1993)
    Do album “Zooropa”, esta canção destaca um estilo único e aborda temas de alienação e tédio na vida moderna.

    “Staring at the Sun” (1997)
    Uma canção contemplativa do album “Pop”, que reflete sobre temas de desilusão e esperança.

    Nirvana

    Os Nirvana foram fundamentais na popularização do movimento grunge, caracterizado pelo uso intenso de distorção de guitarra, estruturas de canções não convencionais e uma mistura de influências de punk rock e metal. 

    A sua música representou uma mudança enorme em relação ao glam rock e ao hair metal do final dos anos 80.

    As letras de Nirvana frequentemente exploravam temas de angústia, isolamento e problemas sociais, oferecendo uma voz autêntica aos jovens.  

    Foto: Variety

    Isto representou um afastamento da natureza polida e frequentemente superficial de grande parte da música mainstream da época.

    Esta abordagem da banda, influenciou inúmeros músicos e géneros, levando uma nova onda de artistas a abraçar a autenticidade e a expressão pessoal na sua música. O seu impacto ainda se faz sentir hoje em vários estilos, desde punk até ao indie rock.

    Músicas de maior sucesso dos Nirvana lançadas nos anos 90

    “Smells Like Teen Spirit” (1991)
    O single principal do album “Nevermind”, é frequentemente considerado o hino definidor dos anos 90. O seu riff cativante e espírito rebelde capturaram a angústia de uma geração.

    “Come As You Are” (1991)
    Outro sucesso de “Nevermind”, esta faixa apresenta uma melodia arrepiante e letras que exploram temas de identidade e aceitação.

    “Lithium” (1992)
    Esta canção combina versos melódicos com um refrão poderoso, reflectindo os contrastes emocionais da banda e as lutas de Cobain com a sua saúde mental.

    “Heart-Shaped Box” (1993)
    Do seu terceiro álbum de estúdio, “In Utero”, esta canção apresenta um som mais escuro e complexo.

    “Heart-Shaped Box” dos Nirvana é frequentemente interpretada como uma exploração de temas como o amor, isolamento e aprisionamento.
    As letras expressam sentimentos de vulnerabilidade e luta emocional.

    Kurt Cobain, o vocalista da banda, mencionou que “Heart-Shaped Box” foi inspirada pelos seus sentimentos em relação à atenção da imprensa e às suas próprias experiências pessoais. 

    A canção capta desejo e desespero, refletindo frequentemente o estado mental turbulento de Cobain e os seus pensamentos sobre relacionamentos.

    The Smashing Pumpkins

    Os Smashing Pumpkins destacaram-se pela sua mistura de géneros musicais, combinando riffs de guitarra pesados, orquestração de luxo e letras emocionais.

    As suas letras frequentemente abordam temas de amor, perda e reflexão existencial, ressoando profundamente com uma geração em busca de autenticidade.

    Foto: Abc

    Músicas de maior sucesso dos The Smashing Pumpkins lançadas nos anos 90

    “Today” (1993)
    Um single inovador do álbum “Siamese Dream”, que apresenta uma melodia edificante com letras introspectivas sobre como encontrar esperança no meio do desespero.

    “Disarm” (1993)
    Uma balada sincera com elementos orquestrais, “Disarm” examina temas de trauma infantil e vulnerabilidade emocional.

    “Bullet with Butterfly Wings” (1995)
    Do icônico “Mellon Collie and the Infinite Sadness”, esta canção inclui o famoso refrão “Despite all my rage, I am still just a rat in a cage,” capturando sentimentos de frustração e isolamento.

    “Zero” (1995)
    A canção apresenta um riff de guitarra pulsante, fundindo elementos de rock alternativo e heavy metal. 

    Em “Zero”, Billy Corgan explora sentimentos de vazio e angústia existencial. As letras refletem uma luta com a identidade e o conceito de falta de valor, ressoando profundamente com os ouvintes que se sentem marginalizados ou perdidos.

    Xutos & Pontapés

    Como uma das primeiras bandas a ganhar popularidade na cena rock portuguesa, os Xutos & Pontapés desempenharam um papel crucial na popularização da música rock entre o público português no final do século XX.

    As suas letras frequentemente abordam temas de amor, questões sociais e identidade nacional, ressoando fortemente com a juventude e refletindo o panorama cultural e político de Portugal da altura.

    Foto: osamarra

    Músicas de maior sucesso dos Xutos & Pontapés lançadas nos anos 90

    “À Minha Maneira” (1990)
    Esta canção é uma das suas faixas mais conhecidas, fundindo rock com letras profundas sobre viver a vida de forma autêntica e nos seus próprios termos.

    “O Mundo é Um Moinho” (1991)
    Uma canção reflectiva que captura sentimentos de esperança e melancolia, ressoando com os ouvintes através da sua profundidade emocional.

    “D.D.L.” (1992)
    Um favorito entre os fãs, esta música apresenta ritmos energéticos e letras envolventes que incorporam a sua essência de rock da banda.

    “A Minha Cidade” (1994)
    Esta canção reflete um sentido de pertencimento e nostalgia, capturando o espírito da cidade e da vida em ambientes urbanos.

    Pearl Jam

    Impulsionados por uma filosofia de “faz tu mesmo”, os Pearl Jam rejeitaram o estilo de vida de rock stars. 

    Enfatizando a autenticidade na sua música e actuações, ressoaram com uma geração que valorizava a sinceridade em detrimento das personas fabricadas prevalentes na indústria musical da época.

    As suas letras frequentemente abordam questões pessoais e sociais, incluindo saúde mental, abuso, conformidade social e ativismo. 

    Foto: billboard.com

    Esta abordagem introspectiva e socialmente consciente estabeleceu um novo padrão para a lírica na música rock, compelindo bandas a abordar temas mais profundos.

    “Alive” (1991)
    Do seu álbum de estreia “Ten”, esta canção é um poderoso hino sobre sobrevivência e autodescoberta, apresentando um solo de guitarra memorável.

    “Evenflow” (1991)
    Outro sucesso de “Ten”, esta faixa aborda questões como a falta de habitação e as lutas da vida quotidiana, caracterizada pelo seu riff cativante e vocais enérgicos.

    “Black” (1991)
    Uma balada profundamente emocional, “Black” é adorada pelas suas letras melancólicas e interpretação tocante, muitas vezes considerada uma das melhores canções da banda.

    “Better Man” (1994)
    Uma poderosa balada que explora relações e o desafio em certas decisões e escolhas pessoais. Esta canção é amada pelos fãs e destaca a profundidade lírica do vocalista da banda.

    Tem alguma banda desta Era que lhe toque no fundo do coração? Compartilhe connosco!


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  • Mini-Saia – Uma revolução feminina nos anos 60

    Mini-Saia – Uma revolução feminina nos anos 60

    Criada há mais de 60 anos, a mini-saia foi a peça que marcou a Liberdade e a Emancipação da mulher.

    História e Contexto político e social

    Após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), houve uma explosão de nascimentos de bebés, os famosos “baby boomers”.
    Na década de 60, o mundo estava cheio de jovens a “gritar” por mudanças e a viverem o movimento da contracultura, que foi o responsável por contestar padrões conservadores da época.

    Protestos nos anos 60 // americanarchive.org

    Ainda nesse período, outros acontecimentos foram fundamentais para o espírito revolucionário desses jovens: a ida do homem à Lua, a segunda onda do feminismo e a comercialização da pílula anticoncepcional nos Estados Unidos.

    A moda e as tendências sempre foram um reflexo do comportamento das épocas, ao longo de toda a história da humanidade. Ou seja, as roupas mudam conforme surgem novos valores da sociedade e, neste caso concreto, existia um contexto jovem de insatisfação política.

    Contexto económico

    Foi também em meados de 1960 que a alta-costura, caracterizada por peças luxuosas feitas sob medida, entrou em declínio e o prêt-à-porter caracterizado pela produção em larga escala, teve a sua ascensão. Por consequência, a saia longa precisava de perder pano para se tornar mais funcional e mais barata para um grupo de mulheres jovens e feministas.

    Origem da mini-saia

    No entanto, a origem da mini-saia ainda é incerta. Os historiadores não têm certeza sobre quem realmente criou ou começou a produzir as mini-saias. Porém, dois estilistas considerados precursores desta peça ficaram em destaque: a britânica Mary Quant (1930-2023) e o francês André Courrèges (1923-2016).

    Mary Quant // http://nytimes.com

    Foi entre 1965 e 1970 que a mini-saia ficou mais popular.

    Carnaby Street, nos anos 60 era o Centro da cultura pop emergente, esta rua londrina fervilhava de ideias inovadoras. Jovens com roupas coloridas percorriam esta rua, para cima e para baixo, não deixando ninguém indiferente. Foi precisamente aqui que a jovem Mary Quant, estilista britânica e fundadora da Bazaar (loja de moda que criava peças que refletiam o espírito jovem da cidade), deu a conhecer ao mundo uma peça de roupa que, rapidamente, se tornou famosa – a mini-saia.
    E livremente as pernas saíram para a rua…

    Mary Quant era fã do carro “Mini” e por isso a saia, tem esse nome.

    Para esta estilista, a moda era tudo menos aborrecida. Os jovens deviam vestir roupa adequada à sua própria personalidade e espírito. Nada de imitar os mais velhos – o que se queria era um vestuário divertido, irreverente e, também, barato.

    Mary Quant sempre afirmou que foram as próprias jovens de King’s Road que inventaram a peça, que esta era fácil de vestir, simples e juvenil. Que se poderiam mover livremente, saltar e correr atrás dos autocarros. Proferiu ainda, que apenas começou a fazer a barra da altura que as jovens queriam: bem curtas!

    André Courrèges // ledevoir.com

    Nesse período, o francês André Courrèges, que também é considerado um pioneiro da mini-saia, inventou o vestido trapézio e em 1965, lançou a “Mod Collection”.
    Yves Saint Laurent e Pierre Cardin também fizeram coleções com a mini-saia.

    A Revolução

    Naquela época, o desejo de liberdade era enorme. Foi o auge dos Beatles e da queima de sutiãs. E sim, a famosa mini-saia estava presente entre as 400 ativistas do grupo Women’s Liberation Movement que se reuniram durante o Miss América de 1968 para queimar sutiãs e outros objetos que simbolizavam a beleza feminina. Sem dúvidas, um marco histórico!

    Imagem: http://modahistorica.blogspot.com

    Antes da mini-saia, a roupa era usada para esconder as mulheres de “apetites” masculinos, só que tais roupas não eram práticas e dificultavam os movimentos. A mini vinha como uma opção rápida e prática de se vestir, tornando a moda mais divertida e decretando a morte da austeridade convencional.

    A mini-saia desde logo foi motivo das mais diversas opiniões. Se havia quem a considerasse como uma grave ofensa aos bons costumes, outros havia que a idolatravam.

    O que é certo é que uma mini-saia e umas botas pelo joelho foram, rapidamente, adotadas pelas raparigas mais jovens, sedentas de algo que quebrasse com todas as tradições. Depois de séculos com as pernas cobertas, elas eram agora mostradas sem pudor, tal como são.

    Imagem: Salão Virtual

    Lulu e Twiggy foram apenas algumas das modelos que ajudaram a espalhar a invenção de Mary Quant um pouco por todo o mundo. Sob a influência da pop art, motivos dos mais diversos serviam de inspiração para criar as mais irreverentes mini-saias. Meias e collants divertidos completavam o figurino.

    Símbolo do feminismo da época, a mini-saia, era uma forma de se manifestar, de reivindicar a sensualidade e a sexualidade. Isto, desagradava aos pais das jovens, que as proibiam de as usar. Mas não resultava, porque elas simplesmente cortavam os seus vestidos!

    A mini-saia era algo tão novo que quando a peça chegou aos Estados Unidos não havia um mercado preparado para a receber, mesmo assim, a juventude americana estava igualmente fascinada e ansiosa pela liberdade, procurando roupas menos rigorosas e uma elegância ousada.

    Twiggy // Miniskirt Revolution

    Proibição e protestos

    A mini-saia chegou a ser proibida em países como a Holanda, houveram protestos contra ela na França. Mas também houve protestos de mulheres a exigir o direito de as usar! Uma peça que alcançou impacto popular porque mostrava um pouco mais do corpo feminino, sempre considerado um “objeto” a ser resguardado, já que os velhos hábitos diziam para as mulheres se vestirem de modo “decente”, afinal elas passavam de ser propriedade dos pais para logo a seguir serem dos maridos. Demoraram muitos anos para os tabus caírem, a revolução de Maio de 1968 ajudou nesse processo.

    Manifestação em Paris – Maio de 1968 // MST

    Naquela época, existia este espírito de liberdade no ar, as mulheres revelaram os seus joelhos e coxas pela primeira vez, o que foi visto como um sinal de rebeldia e emancipação.

    Retrocesso

    O ano de 1969 marcou o auge da mini-saia. Mas o encurtamento da peça atingiu o seu ponto de saturação fashion e o retorno das saias e vestidos mais longos tornou-se a melhor alternativa na época. Contribuiram para o efeito o factor cíclico da moda, mas também, as variações dos valores sociais. Aos poucos, a obsessão jovem e a revolução sexual, iniciada na década de 1960, começou a pluralizar-se e a distanciar-se do culto do corpo quase sempre magro e exposto.

    Regresso rebelde

    Então, a partir da década de 70, a mini-saia foi incorporada novamente à moda, só que desta vez associada ao estilo punk. Eram combinadas com meias-arrastão, jaquetas de couro, blusas rasgadas e penteados rebeldes.

    Na primavera de 1985, Vivienne Westwood revisitou a peça na sua coleção Mini-Crini, com uma versão supercurta das saias vitorianas, estruturadas por crinolinas (por esse motivo o nome).

    Mini-Crini // LACMA

    Portanto, desde o seu surgimento e no decorrer dos anos, a mini-saia sempre se manteve na moda.

    Por alguns, ela ainda é considerada vulgar, indecente e deselegante. Mas a realidade é que se tornou numa peça clássica, cheia de história, carisma e empoderamento feminino.

    Uma peça de roupa que incomoda tanto, só poderia ter nascido e se ter firmado entre os livres e rebeldes: a mini-saia!

    Fontes: styleitup.com, modahistorica.blogspot, mulherportuguesa.com, jornalcruzeiro

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