Tag: Cultura Portuguesa

  • A Evolução da Música Portuguesa: Influências e Artistas pelo Mundo

    A Evolução da Música Portuguesa: Influências e Artistas pelo Mundo

    A música portuguesa tem criado uma influência distintiva no panorama musical global, com géneros variados e uma rica herança cultural a contribuir significativamente para as tendências musicais internacionais.

    Intercâmbio Cultural Através da Música

    A música portuguesa reflete frequentemente uma fusão de culturas devido às interações históricas de Portugal com África, Brasil e outras regiões.

    Esta fusão deu origem a sons únicos que ressoam universalmente, enriquecendo o tecido musical global.

    Por exemplo, o género de morna de Cabo Verde combina elementos musicais portugueses com ritmos africanos, influenciando artistas de vários géneros em todo o mundo.

    Músicos cabo-verdianos, como Cesária Évora, influenciaram significativamente as percepções globais da música em língua portuguesa.

    A voz cheia de alma e as letras sentidas de Évora trouxeram a música cabo-verdiana para os principais festivais internacionais.

    Alcance Global do Fado

    A profundidade temática do Fado, que aborda anseios, amores e o mar, tem um apelo universal.

    Artistas como Amália, Mariza e Ana Moura popularizaram o Fado internacionalmente através de digressões e colaborações, levando o género a um público mais amplo.

    A influência do Fado pode ser vista em várias formas musicais globais, onde a narrativa emocional pela canção é central.

    A sua essência ecoa em artistas de países como o Brasil, que incorporaram as qualidades emotivas do Fado nos seus próprios estilos.

    Mistura de Géneros

    Artistas contemporâneos portugueses são conhecidos por misturar estilos tradicionais com géneros como hip-hop, eletrónica e jazz.

    Um bom exemplo são os Buraka Som Sistema, que fundiram de maneira inovadora o kuduro, um género angolano, com música eletrónica.

    Esta hibridização não só mostra a diversidade musical de Portugal, mas também incentiva o intercâmbio cultural e a globalização da música.

    Divulgação Educativa

    O interesse académico na música portuguesa está a crescer, com universidades e organizações culturais a conduzirem pesquisas sobre o seu impacto global.

    Esta atenção académica contribui para uma compreensão mais profunda de como a música molda e reflete identidades culturais em todo o mundo.

    Oficinas e programas de intercâmbio cultural focados na música portuguesa também desempenham um papel vital na educação de públicos internacionais sobre a sua importância e beleza

    Conclusão

    Desde a profundidade emotiva do Fado até à brincadeira rítmica de géneros contemporâneos, a música portuguesa continua a inspirar e a conectar-se com diversos públicos em todo o mundo, reforçando a ideia de que a música é uma linguagem universal que transcende fronteiras e divisões culturais.

    Esta evolução contínua da nossa música destaca a sua natureza dinâmica como um artefacto cultural e uma ponte entre comunidades.


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  • 10 Clássicos do Cinema Português

    10 Clássicos do Cinema Português

    O cinema português é um verdadeiro tesouro por descobrir, repleto de obras-primas que capturam a essência da cultura, da história e das emoções nacionais.

    Dos becos de Lisboa às paisagens rústicas do interior, os clássicos do nosso cinema revelam narrativas poéticas, personagens únicas e uma identidade tão rica quanto diversificada.

    Neste artigo, convidamos-te a explorar alguns dos filmes essenciais que marcaram várias gerações e continuam a inspirar realizadores e cinéfilos em Portugal e além-fronteiras.

    Aniki-Bóbó (1942)

    Realizador: Manoel de Oliveira

    Este filme revolucionou o panorama cinematográfico nacional, ao dar voz e protagonismo às crianças comuns do Porto, sem grandes artifícios, captando de forma autêntica as suas emoções, brincadeiras, medos e sonhos.

    Realizado em plena época do Estado Novo, Aniki-Bóbó utiliza a cidade como pano de fundo, mas o grande foco está na pureza do olhar infantil e nas pequenas grandes aventuras do quotidiano.

    A estreia de Oliveira permanece como um retrato intemporal e delicado da inocência e traquinice, profundamente enraizado na cultura urbana portuguesa.

    Os Verdes Anos (1963)

    Realizador: Paulo Rocha

    Considerado o marco inicial do Novo Cinema Português, movimento semelhante à Nouvelle Vague francesa, “Os Verdes Anos” retrata a chegada de Júlio, um jovem da província, à capital, Lisboa, em busca de melhores condições de vida.

    O impacto do ambiente urbano, a diferença de mentalidades, os desafios da adaptação e uma relação amorosa inesperada são explorados num tom lírico, mas também crítico e desencantado.

    O filme utiliza a cidade quase como personagem, refletindo as mudanças sociais da década de 60 e o nascimento de uma juventude inquieta e cheia de dúvidas existenciais.

    A estética inovadora, a sensibilidade no tratamento das personagens e a utilização da música de Carlos Paredes são elementos centrais deste clássico.

    Imagem: mubi.com

    Ossos (1997)

    Realizador: Pedro Costa

    Passado no bairro pobre das Fontainhas em Lisboa, este filme visualmente austero mergulha o espectador nas lutas das comunidades marginalizadas.

    “Ossos” apresenta-nos um retrato cru e poético da vida de quem vive à margem da sociedade.

    A câmara de Pedro Costa penetra nos becos, nos silêncios e nos olhares dos seus protagonistas — jovens marcados pela solidão, pobreza e desespero.

    O filme é feito com atores não-profissionais, muitos deles habitantes do próprio bairro, e distingue-se pelo estilo visual deliberadamente austero e pelas longas tomadas, que convidam à reflexão e à contemplação.

    “Ossos” é reconhecido internacionalmente como um dos grandes exemplos do cinema independente, humanista e autoral, e consolidou Pedro Costa como um dos mais influentes cineastas Europeus da atualidade.

    Pedro Costa – Ossos, 1997

    O Sangue (1989)

    Realizador: Pedro Costa

    Obra de estreia de Pedro Costa, “O Sangue” é um filme misterioso e visualmente marcante.

    A preto e branco, evoca a atmosfera dos clássicos do cinema noir, misturando sombras, silêncios e gestos subtis para contar a história de dois irmãos órfãos que tentam sobreviver numa sociedade indiferente.

    O drama familiar desenrola-se num ambiente tenso, quase onírico, onde a ausência dos adultos pesa tanto quanto a própria solidão dos protagonistas.

    “O Sangue” revela, desde o início, a sensibilidade poética e a precisão formal que caracterizariam toda a carreira do cineasta, antecipando a sua abordagem social nas obras futuras.

    Pedro Costa – O Sangue, 1989

    Tabu (2012)

    Realizador: Miguel Gomes

    Embora mais atual, a sua narrativa e o preto-e-branco, homenageiam as tradições do cinema clássico.

    “Tabu” destaca-se pela sua estrutura original: dividido em duas partes — “Paraíso Perdido” e “Paraíso”.

    Esta separação transporta o espectador de uma Lisboa atual para a África colonial.

    O filme oscila entre o realismo do quotidiano e uma dimensão quase de fábula, recorrendo ao preto e branco e a técnicas de narração clássica, evocando o cinema mudo nas suas sequências mais líricas.

    Premiado em vários festivais internacionais, “Tabu” seduz pelo seu tom nostálgico, criatividade formal e capacidade de reinventar as convenções cinematográficas, tornando-se um símbolo do cinema português contemporâneo.

    Muito elogiado internacionalmente, ganhou vários prémios em festivais e cimentou Miguel Gomes como força criativa.

    Miguel Gomes – Tabu, 2012 // Adopt Films

    A Canção de Lisboa (1933)

    Realizador: Cottinelli Telmo

    “A Canção de Lisboa” é a primeira longa-metragem sonora do cinema português e uma das comédias mais icónicas do país.

    Acompanhamos as peripécias de Vasco, um estudante de medicina preguiçoso e despistado, cujas mentiras e esquemas geram uma série de situações cómicas e desenlaces inesperados.

    O filme tornou-se rapidamente um fenómeno popular, graças ao humor simples, às canções memoráveis e à interpretação carismática de Vasco Santana.

    Ainda hoje, as suas frases e músicas fazem parte do imaginário coletivo português.

    Cottinelli Telmo – A Canção de Lisboa, 1933

    Trás-os-Montes (1976)

    Realizadores: António Reis e Margarida Cordeiro

    Um autêntico poema visual, “Trás-os-Montes” mistura elementos documentais e ficcionais para retratar a vida numa das regiões mais isoladas e autênticas de Portugal.

    Através de uma câmara atenta ao detalhe, o filme mostra rituais, paisagens e rostos, captando a dureza e a beleza de um modo de vida ancestral.

    Esta obra inovadora dispensa grandes enredos, preferindo uma proximidade sensorial e emocional ao universo rural, influenciando gerações de cineastas nacionais e internacionais.

    Um olhar poético e semi-documental sobre a remota região de Trás-os-Montes, fundindo etnografia e ficção.

    Inovador no estilo e conteúdo, celebra visualmente um modo de vida rural em vias de desaparecimento.

    António Reis e Margarida Cordeiro – Trás-os-Montes, 1976

    Vale Abraão (1993)

    Realizador Manoel de Oliveira

    Inspirado no romance “Madame Bovary” de Flaubert, “Vale Abraão” transporta a história para o interior de Portugal, fazendo um retrato luxuoso de Ema, uma mulher insatisfeita em busca de paixão e sentido para a vida.

    Com ritmo pausado e imagens belíssimas, o filme explora as inquietações existenciais da protagonista, apresentando a paisagem e a luz portuguesa como parte integrante da narrativa.

    É uma das obras mais celebradas de Oliveira, elogiada pelo rigor estético e pela direção de actores.

    Manoel de Oliveira – Vale Abraão, 1993

    Recordações da Casa Amarela (1989)

    Realizador: João César Monteiro

    Neste filme desconcertante e mordaz, Monteiro apresenta-nos João de Deus, o seu alter-ego, deambulando por uma Lisboa decadente, marcada pela ironia, pela marginalidade e pelo absurdo.

    Misturando crítica social, humor negro e um certo surrealismo, o realizador desafia convenções narrativas e oferece um olhar muito próprio sobre a solidão, o desalento e a condição humana.

    É uma das obras de culto do cinema independente português, apreciada pelos cinéfilos pela sua originalidade e irreverência.

    Um retrato cómico e negro do alter-ego do realizador, situado na Lisboa dos anos 80, misturando humor absurdo com crítica social mordaz.

    João César Monteiro, Recordações da Casa Amarela, 1989

    Capitães de Abril (2000)

    Realizadora: Maria de Medeiros

    Dramatização da Revolução dos Cravos (1974), que pôs fim pacificamente à ditadura em Portugal.

    Este filme reconstitui de forma emocionante e certeira o dia 25 de Abril de 1974, quando a ditadura foi derrubada por um movimento militar pacífico.

    Com um elenco de luxo e um apurado sentido de rigor histórico, “Capitães de Abril” apresenta tanto a perspetiva dos militares como a das pessoas comuns apanhadas na torrente revolucionária.

    Mais do que um documento histórico, é uma homenagem à liberdade e à coragem de um povo determinado a mudar o seu destino.

    Maria de Medeiros – Capitães de Abril, 2000

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  • Caretos de Podence – Rituais de Tradição

    Caretos de Podence – Rituais de Tradição

    Os Caretos de Podence são originários da aldeia portuguesa de Podence, no concelho de Macedo de Cavaleiros. Foram declarados Património Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO a 12 de Dezembro de 2019.

    Origem

    No coração do Nordeste Transmontano, celebra-se na semana carnavalesca o tão aclamado Carnaval de PodenceEntrudo Chocalheiro, onde os Caretos de Podence (encenação pagã) dão cor com os seus trajes à aldeia e aos muitos turistas que por ali passam.

    Este evento ritual tendo origem no chamado “tempo longo”, de organização da vida em função dos ritmos do ciclo agrário, reporta às festas de celebração do final do ciclo de inverno e início do ciclo produtivo da primavera.

    Pinturas nas casas de Podence // Aldeias de Portugal

    Singular e diferente, relativamente a outras festividades de Carnaval realizadas noutros pontos do país e adaptando-se a um contexto socio económico pós-rural, a festa de Carnaval dos Caretos de Podence assume hoje particularidades próprias.

    A máscara e o fato, os comportamentos que caracterizam o ritual e os protagonistas da festa, os mascarados, conhecidos como “caretos”, na sua função social atual, assumem um formato distinto e único.

    Tradição

    A participação inicia-se na infância, quando as crianças começam a vestir fatos semelhantes aos dos caretos (facanitos) e a imitar o seu comportamento, cumprindo também elas um processo de iniciação e garantindo ao mesmo tempo a continuidade da tradição, criando uma vertente identitária profunda desta comunidade.

    Facanitos à solta // Caretos de Podence

    Os Caretos de Podence constituem uma marca diferenciadora do território de Trás os Montes, o evento Entrudo Chocalheiro Carnaval dos Caretos, constitui um polo atrativo a nível nacional e Internacional.

    A tradição perde-se no tempo e esteve em vias de desaparecer nos anos de 1960/70 devido à emigração e à guerra Colonial.

    Ritual

    Os Caretos de Podence são conhecidos pelo seu comportamento performativo, “as chocalhadas” de que são alvo principal as mulheres, um ato simbólico que remete para uma origem remota e uma possível ligação a antigos rituais agrários e de fertilidade.

    Hoje, estes mascarados, que visitam as casas de vizinhos e familiares, num ritual de convívio e amizade, fazem do Entrudo Chocalheiro um momento essencial da vida dos descendentes de Podence, muitos deles, emigrantes que deixaram a aldeia e regressam no Carnaval para dar continuidade à prática que herdaram dos pais e avós.

    Entrudo Chocalheiro 2019 // Viralagenda

    Atualmente, a festa é participada por “caretos” de idade e estado civil “variado” e já não apenas pelos rapazes solteiros, havendo também participação dos mais pequenos, a que chamam “facanitos” e de raparigas envergando fatos de “careto” dos pais, tios ou irmãos.

    A participação das raparigas é relativamente tolerada e permitida pela também relativa espontaneidade da organização das saídas dos “caretos” pelas ruas da aldeia.

    O objeto principal das investidas chocalheiras dos caretos é também mais amplo, abrange tanto as mulheres solteiras como as casadas, residentes, turistas ou visitantes da aldeia.

    Na noite de Domingo Gordo realizam-se casamentos fictícios entre os rapazes e raparigas solteiros, numa cerimónia trocista. É um momento de humor, sem hipótese de reclamação por parte dos escolhidos.

    Na manhã do dia seguinte, a tradição manda que o rapaz vá visitar a rapariga que lhe calhou por sorteio, recebendo doces e vinho fino em gesto de agradecimento.

    Herança simbólica

    Os mascarados, não são apenas os residentes na aldeia, e sim os seus descendentes com ligações familiares e atuais à localidade, que habitando em localidades e cidades próximas ou não, ou ainda estando emigrados noutros países, regressam por altura da festa para participar no Carnaval.

    O ritual // caretosdepodence.pt

    Os “caretos” são personagens com fatos preenchidos com franjas de lã, máscaras de lata ou couro e chocalhos à cintura que saindo à rua, no Domingo Gordo e na Terça-Feira de Carnaval, chocalham, gritam e amedrontam, saltando e correndo desenfreadamente pelas ruas da aldeia, empoleiram-se ainda nas varandas e entram nalgumas casas da aldeia, onde muitas vezes são convidados a comer e beber, exibindo, no entanto, um comportamento mais moderado do que em décadas anteriores, e que se revela mais adequado ao cenário atual da festa, mantendo bem viva a manifestação.

    Associação cultural

    Em 1985, os Caretos de Podence organizaram-se e transformaram o grupo numa associação cultural, com o objetivo principal de preservar estes eventos tradicionais.

    Como símbolo da cultura do nordeste transmontano, estes mascarados têm sido convidados a participar em vários acontecimentos culturais e recreativos ao longo do país, sobretudo quando é possível integrar a animação de rua.

    Os Caretos de Podence caraterizam assim, uma nova forma de olhar para a tradição de uma região tendenciosa para o despovoamento, mas que consegue mover milhares quando, através do esforço e do empenho alcança feitos que são assim, reconhecidos em todo o mundo.

    Fontes: wikipédia, caretosdepodence.pt, nationalgeographic.pt, visitportugal.com
    Crédito de capa: By Rosino – [1], CC BY-SA 2.0


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  • Bola de Berlim: Receita, tradição e doçura

    Bola de Berlim: Receita, tradição e doçura

    Bola de Berlim é um bolo tradicional português. Sendo um dos mais deliciosos e vendidos nas pastelarias, o que significa que é um dos preferidos dos portugueses.

    História e Origens

    A Bola de Berlim tem origem, como o próprio nome indica, no norte da Alemanha e foi trazida para terras lusas durante a 2.ª Guerra Mundial.

    Nesta época e sob o dominio ditatorial de António Oliveira Salazar, entre 1939 e 1945, Portugal manteve a neutralidade, atraindo às cidades de Lisboa e Porto um grande número de refugiados judeus que fugiam da Alemanha nazi, muitos deles com o objetivo de atravessar o Atlântico rumo à América.

    Foi nesta época que uma família judia fugiu da Alemanha para Portugal: a família Davisohn.

    A mãe desta família começou a reproduzir uma receita que aprendera na Alemanha: um frito de massa de farinha doce com açúcar no exterior e doce no interior. Era a Bola de Berlim, Berliner Pfannkuchen no original (Bolo de Berlim de frigideira).

    Berliner Pfannkuchen // familienkost.de

    Esta é uma história que é relatada no livro Judeus em Portugal durante a II Guerra Mundial da historiadora Irene Flunser Pimentel, que conta o que se passou a seguir: com o calor, as praias de Lisboa enchiam-se de refugiados judeus que aí comiam esta iguaria.

    Com a guerra, os refugiados necessitaram de trabalhar para sustentar a família e muitos dos judeus tornaram-se funcionários de empresas nacionais, como pastelarias e cafés. Por este mesmo motivo, Lisboa e Porto começaram a vender este doce típico.

    Com o passar do tempo, os pasteleiros nacionais desenvolveram a própria versão, passando a rechear com doce de ovos ou sem creme, ao invés de creme ou marmelada.

    Variantes da Bola de Berlim

    Com o tempo e a sua popularidade, a receita foi alterada. A Bola de Berlim é tradicionalmente recheada com creme amarelo de pasteleiro (feito de ovos), embora, ao longo dos anos, tenham surgido mais variações: chocolate, avelã, doce de leite, caramelo, frutos vermelhos, coco, limão…

    Bola de Berlim de Kinder Bueno // Bridor

    No entanto, a versão original, importada da Alemanha, seria com recheio de compota de fruta, de morango ou de frutos vermelhos, tal como a senhora Davisohn fazia.

    Sucesso da Bola de Berlim nas praias

    Tendo em conta o tamanho e a forma redonda (ideal para agarrar só com uma mão), as Bolas de Berlim começaram a ser vendidas na rua. Mais tarde, chegaram às praias, onde foram um sucesso tão grande que se transformaram num ritual típico do Verão.

    Depois de uma ida ao mar, o nosso corpo fica com uma camada de sal e sentimos um travo salgado na boca. O doce da Bola de Berlim contrasta na perfeição com o salgado do mar, ficando este sabor mais intensificado.

    Bola de Berlim numa praia Portuguesa // adn-agenciadenoticias

    Por ser um bolo frito, de massa fofa e arejada, torna-se muito usual o seu consumo na praia, pois os alimentos secos provocam sede e este bolo além de não ser seco é extremamente delicioso.

    A Bola de Berlim é um prazeroso e delicioso bolo que consola os sentidos e deleita o espirito.

    Receita da Bola de Berlim

    Ingredientes:

    •⁠ ⁠Óleo
    •⁠ ⁠Açúcar

    Massa:
    •⁠ ⁠25g de fermento de padeiro fresco
    •⁠ ⁠100ml de água morna
    •⁠ ⁠500g de farinha de trigo sem fermento
    •⁠ ⁠100g de manteiga
    •⁠ ⁠6 ovos
    •⁠ ⁠100g de açúcar

    Recheio:
    •⁠ ⁠2 c. de sopa de amido de milho
    •⁠ ⁠250ml de leite
    •⁠ ⁠1 casca de limão
    •⁠ ⁠1 vagem de baunilha
    •⁠ ⁠300g de açúcar
    •⁠ ⁠3 gemas

    Preparação:

    1.⁠ ⁠Massa: Comece por diluir 25g de fermento de padeiro fresco em 100ml de água morna;

    2.⁠ ⁠Numa taça, coloque 500g de farinha de trigo sem fermento, 100g de manteiga, o fermento diluído e 6 ovos inteiros. Se quiser, junte 100g de açúcar. Mexa e deixe repousar num local seco e quente, se preferir, pré-aqueça o forno, desligue e deixe repousar no seu interior;

    3.⁠ ⁠Assim que a massa levedar, divida-a em vários pedaços. Polvilhe uma superfície com farinha e molde a massa em pequenas bolas. Coloque num tabuleiro e deixe levedar mais um pouco no forno com uma temperatura de 50ºC;

    4.⁠ ⁠Recheio: Numa taça coloque 2 c. de sopa de amido de milho e 3c. de sopa de leite, de 250ml. Dissolva e reserve;

    5.⁠ ⁠Num tacho aromatize o restante leite com 1 casca de limão e um pouco de polpa de 1 vagem de baunilha. Coe este leite para um copo e, no mesmo tacho, adicione 300g de açúcar, novamente o leite aromatizado, 3 gemas batidas e o amido de milho dissolvido anteriormente. Mexa até engrossar;

    6.⁠ ⁠Leve as bolas já levedadas a um tacho com óleo quente. Frite e, de seguida, assim que arrefecerem um pouco, passe por açúcar. Faça um buraco e recheie com o creme.

    Receita de Joana Barrios 24kitchen.pt

    Fontes: foodlab.cascais.pt, visitlisboa.com, http://portal.uab.pt, 24kitchen.pt
    Fonte de capa: City Guide Lisbon


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  • Nazaré – A Pérola de Portugal

    Nazaré – A Pérola de Portugal

    Nazaré, é uma bela e graciosa Vila portuguesa, sede de município, da região Oeste, situada na província histórica da Estremadura e no distrito de Leiria, sendo considerada uma das maiores pérolas do centro de Portugal.

    Considerada por muitos como a mais típica praia de Portugal, com antigas tradições ligadas à arte da pesca, encanta os visitantes pela sua beleza natural.

    A sua praia espetacular com o extenso areal em forma de meia-lua, que é também a frente do mar da cidade, é conhecido pela sua grandeza e pelos toldos de cores vivas que decoram a praia de areia branca em contraste com o azul da água.

    Vila da Nazaré // partiupelomundo.com

    O casario branco dos pescadores e enormes penhascos sobre o mar de um azul intenso, fazem desta Vila piscatória, um destino turístico de eleição, devido às suas características tradicionais.

    Percorrer as ruas estreitas, perpendiculares ao mar, onde a vida decorre ao ritmo de ventos e marés, é descobrir a essência destas gentes.

    Expansivas e alegres, escondem tristezas num sorriso aberto, falam a cantar e encantam pelo seu modo de ser e de vestir.

    Praia do Norte // travel-in-portugal.com

    O clima ameno, as gentes simpáticas e hospitaleiras, uma luz magnífica, as tradições e artes de pesca fizeram da Nazaré musa de pintores e artistas, celebrada em todo o mundo.

    Tradições

    Esta é a praia de Portugal onde as tradições de pesca são mais coloridas. Ainda se podem ver pescadores vestidos com camisas de xadrez e calças pretas, e as suas mulheres com as sete saias, como manda a tradição, a remendar as redes de pesca ou a secar o peixe sobre o areal, perto dos seus barcos coloridos.

    Pescadores Nazarenos // gegn.blogspot.com

    Aos sábados no fim da tarde nos meses de Verão, é imprescindível assistir ao interessante espetáculo da “Arte Xávega” em que chegam do mar as redes carregadas de peixe e as mulheres gritam os seus pregões de venda, muitas vezes utilizando códigos que só elas entendem.

    Zonas Populacionais da Nazaré

    Zona balnear de excelência, a Nazaré é constituida por três zonas populacionais distintas: o Sítio, a Praia e a Pederneira.

    A formosa enseada nazarena é protegida e abrigada pelo seu majestoso promontório, no cimo do qual se encontra o Sítio da Nazaré.

    Parte integrante da Vila, o Sítio é alcançado por um elevador que sobe 110 metros e proporciona uma vista memorável dos horizontes da praia, sendo direcionado ao pequeno santuário da Ermida da Memória.

    No alto do Sítio, do Miradouro do Suberco, o olhar perde-se num dos mais belos panoramas marítimos do país. Aqui, lenda e religiosidade encontram-se no culto de Nossa Senhora da Nazaré.

    Miradouro do Suberco // lpsphoto.top

    A Pederneira, núcleo primitivo da comunidade piscatória, é a guardiã tranquila das memórias de outras eras.

    Outrora porto de mar dos Coutos de Alcobaça e activo estaleiro naval, hoje contempla o desenvolvimento da praia que se estende a seus pés.

    O Porto de Pesca e Recreio, a sul da praia, faz a síntese da história da Vila, onde passado e presente se aliam para melhorar o futuro dos nazarenos.

    Lazer

    Atualmente, a grande atração desta cidade são as ondas e o surf, graças ao “Canhão da Nazaré”, um fenómeno geomorfológico submarino que permite a formação de ondas gigantes e perfeitas.

    Trata-se do maior desfiladeiro submerso da Europa, com cerca de 170 quilómetros ao longo da costa, que chega a ter 5000 metros de profundidade.

    O surfista havaiano Garrett McNamara deu-lhe a visibilidade mundial quando, em 2011, fez a maior onda do mundo em fundo de areia, com cerca de 30 metros, na Praia do Norte, vencendo o prémio Billabong XXL Global BigWave Awards e batendo um record do Guiness Book. À sua semelhança, surfistas de todo o mundo visitam a Nazaré todos os anos para se aventurarem no mar, sobretudo durante o Inverno.

    Canhão da Nazaré // empresashoje.pt

    Entre Novembro e Março, aguarda-se pacientemente que as maiores ondas se revelem, durante uma longa etapa do campeonato mundial de ondas gigantes, o Nazaré Tow Surfing Challenge. Na praia, os banhos de sol também são apreciados numa excelente plateia para apreciar as proezas destes jovens.

    Gastronomia

    Envolta em cheiros de sal e maresia e para aqueles, que apreciam peixe e marisco, a Nazaré é quase um paraíso gastronómico: peixe fresquíssimo cozinhado de diferentes maneiras, desde a suculenta Caldeirada à Nazarena (com diferentes variedades de peixe) às sardinhas, cherne e robalo grelhados e aos deliciosos lavagantes, lagosta e santola, entre outras iguarias típicas da beira-mar.

    Caldeirada à Nazarena // Teleculinária.pt

    Atividades Económicas

    O turismo é, a atividade com maior peso no concelho. Anualmente, milhares de turistas nacionais e estrangeiros procuram não só a época balnear, mas o Carnaval e a passagem de ano, que também têm características específicas.

    O artesanato da Nazaré é a continuidade dos seus costumes e recria de forma exemplar as tradições e o modo de vida da sua população. Destaque para as miniaturas em madeira dos barcos típicos e as bonecas trajadas com as camisolas de flanela dos pescadores e sete saias das peixeiras.

    As Sete Saias da Nazaré

    Uma das mais pitorescas tradições de Portugal são as sete saias da Nazaré.

    A mulher nazarena é conhecida por utilizar sete saias, um gesto que, apesar de levantar muitas teorias, ninguém sabe ao certo como surgiu.

    A verdade é que o número sete tem um alto significado místico, espiritual e bíblico: são sete as virtudes, os pecados mortais, os dias da semana ou mesmo as cores do arco-íris.

    Sete Saias da Nazaré // portugaldeantigamente.blogs.sapo.pt

    Contudo, como em tudo na Nazaré, a explicação das sete saias parece estar conectada ao mar. Afinal de contas, a Vila e o oceano são quase um só e a identidade de um está intrinsecamente ligada ao outro.

    A explicação mais óbvia tem então a ver com o frio que se fazia sentir junto à água, quando as mulheres nazarenas se encontravam na praia, fosse para trabalhar fosse para se despedirem dos maridos que iam para a faina. Para se protegerem do frio vento do Norte, as mulheres vestiam várias saias (que podiam ser bem mais que sete), e utilizavam para se tapar e cobrir os braços ou mesmo a cabeça.

    Lenda

    A lenda da imagem de Nossa Senhora da Nazaré remonta a tempos antigos.

    Segundo a lenda da Nazaré, em pleno século IV, um monge grego de nome Ciríaco terá trazido ao Mosteiro de Cauliniana, localizado em Espanha, perto da cidade de Mérida, a dita imagem da Virgem.

    Quatro séculos mais tarde, o último rei visigodo da Península Ibérica – D. Rodrigo – chegava ao mosteiro fugido dos Mouros, após estrondosa derrota na batalha de Guadalete.

    D. Rodrigo juntou-se a Frei Romano, um dos monges do mosteiro, que levou a imagem da Virgem na sua fuga, juntamente com as relíquias de São Bartolomeu e de São Brás.

    De acordo com a lenda da Nazaré, a imagem da Virgem foi guardada numa lapa durante cerca de 400 anos, até ser descoberta por um grupo de pastores locais.

    Dom Fuas Roupinho // 7maravilhas.pt

    Segundo a lenda da Nazaré, o alcaide-mor do Castelo de Porto de Mós, Dom Fuas Roupinho, que tinha por hábito caçar naquela região, terá também descoberto a imagem da Virgem, passando a venerá-la com devoção.

    A 14 de Setembro de 1182, D. Fuas Roupinho terá sido salvo pela Virgem. Reza a lenda que, nessa manhã de nevoeiro, D. Fuas Roupinho caçava um veado, que, toldado pela neblina, caiu por um precipício abaixo.

    Ao ver a morte diante dos seus olhos, D. Fuas invocou a Virgem, que terá parado o cavalo antes do equídeo resvalar pela escarpa.

    Ermida da Memória // atickettotakeoff.com

    Para agradecer o milagre, D. Fuas Roupinho ordenou a construção da Ermida da Memória, venerada desde essa época.

    Origem do nome

    Segundo a lenda da Nazaré, a imagem deu assim nome ao local onde foi encontrada: Sítio de Nossa Senhora de Nazareth, que deu origem ao nome final Nazaré.

    Nazaré, é uma Vila muito especial e singular, onde a tradição e a modernidade se aliam e apaixonam quem a visita.

    Fontes: visitportugal, turismodocentro.pt, findoutnazare.pt, cm.nazare.pt, airo.pt, tempo.pt

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  • Filigrana Portuguesa – Uma arte com séculos

    Filigrana Portuguesa – Uma arte com séculos

    A Filigrana é uma arte manual de grande beleza, que exige extrema perícia para trabalhar os finíssimos fios de prata ou ouro entrelaçados e soldados que compõem cada peça, sendo por isso reconhecida internacionalmente pela sua qualidade.

    Nas oficinas resistentes, onde ainda se entrelaça a filigrana portuguesa, existe um orgulho, ou como os minhotos dizem, uma “Chieira” de fazer tudo à mão e com muita paciência. As máquinas bem tentam rivalizar na produção da filigrana, mas esta arte mantém um laço forte com a manualidade.

    Hoje, esta arte, assume diversas formas, desde peças delicadas, decoradas com motivos religiosos, até criações com um design polido e contemporâneo.

    A filigrana, ao longo do tempo, transcende as suas origens festivas, tornando-se numa expressão artística que combina tradição e modernidade.

    A filigrana ganhou uma nova vida nas mãos de designers de joalharia, que recriam a sua essência e libertam-na do conceito religioso.

    As marcas portuguesas de joias, que criam peças em filigrana também se lançaram no caminho da contemporaneidade, sem esquecer as raizes da tradição, apostando numa fusão harmoniosa entre ambos os conceitos.

    Estas marcas, reconheceram o potencial desta tradição portuguesa e têm contribuído para dar a conhecer este recanto da Europa a outros países.

    Assim, a filigrana, outrora ligada a significados religiosos, floresce agora como expressão artística moderna, mostrando ao mundo a beleza e a habilidade dos mestres filigraneiros portugueses.

    A história da filigrana continua a desdobrar-se, entre tradição e inovação, como uma narrativa que transcende fronteiras e encanta admiradores por todo o mundo.

    História da Filigrana

    A origem da filigrana remonta ao terceiro milénio antes de Cristo, na Mesopotâmia. As peças mais antigas datam de 2500 a.C. e foram descobertas nas sepulturas do Ur, no atual Iraque. Outras peças, descobertas na Síria, são de aproximadamente 2100 a.C..

    Dos factos existentes, podemos afirmar que é uma técnica milenar conhecida em muitas das civilizações do mundo antigo.

    Em Portugal foram encontrados exemplos desta técnica que datam de cerca de 2000 a.C., com origem fenícia, mas joias em filigrana produzidas em território nacional surgem durante o domínio muçulmano da Península, por volta do século VIII d.C.

    Mas foi na gloriosa época dos Descobrimentos, no século XV, quando os nossos navegadores alcançaram feitos incomparáveis e sem precedente, que a coroa Portuguesa trouxe pedras preciosas e metais das suas provincias ultramarinas. Foi então que os nossos ancestrais começaram a trabalhar o ouro e a prata. Foi este o despertar da filigrana.

    Nas peças de filigrana, os nossos ancestrais reproduziam o que viam à sua volta: a natureza, o amor, a religião e das suas mãos saíram peças de incrível delicadeza e beleza.

    A técnica é transmitida de geração em geração. As peças são feitas num trabalho de produção manual, entre as “filigraneiras”, e as oficinas. A arte milenar da filigrana, de formas predominantemente barrocas, desenvolveu-se no século XIX, particularmente no Minho (norte de Portugal) e foi levada a uma rara perfeição pelos artesãos portugueses.

    Em Portugal, os artesãos usaram e continuam a usar a filigrana como forma de expressão artística na joalharia tradicional, mas também da cultura portuguesa através dos seus desenhos em forma de flores, ondas ou escamas de peixe.

    Coração de Viana

    Este coração, utilizado como símbolo da cidade de Viana do Castelo, surgiu no Norte de Portugal nos finais do séc.XVIII, e tem uma forte ligação com a religião católica. Terá sido a rainha D. Maria I que, grata pela “bênção” de lhe ter sido concedido um filho varão, mandou executar um coração em ouro. O coração de Viana representa o Sagrado Coração de Jesus em chamas. A parte superior do coração simboliza as chamas da terra e o calor do amor.

    A tradição de ostentar este símbolo ao peito teve início em Viana do Castelo. Contudo, a filigrana é, meticulosamente moldada em terras vizinhas, nomeadamente na Póvoa de Lanhoso e Gondomar.

    O coração de Viana tornou-se um símbolo icónico da Filigrana Portuguesa, e património emocional de Portugal

    Brincos Rainha

    Os brincos rainha apareceram em Portugal durante o reinado da Rainha D. Maria I (1734 – 1816). A origem do nome, parece remontar ao reinado de D. Maria II (1819 – 1853), que usou um par destes brincos numa visita a Viana do Castelo em 1952. Depois desta visita, popularizaram-se como símbolo de riqueza e de status e ganharam o nome “brincos rainha”.

    Tradições

    É na romaria D’Agonia em Viana do Castelo, que as mordomas e as Noivas de Viana do Castelo desfilam as suas peças de filigrana dourada, numa tentativa de atrair a atenção dos rapazes. Pendentes imponentes em forma de coração de Viana, ou pequenos com o formato de relicário, brincos à rainha, ou os tradicionais brincos de fuso, colares compridos de contas e outros mais curtos — vale tudo para exibir a riqueza da filigrana portuguesa.

    Fontes: filigranaportuguesa.pt, imart.pt, portugaljewels.pt, mardestorias.com, caminhosdeportugal, oportunityleiloes, Nit, lojadeartigosreligiosos.com, bloguedominho

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  • Óbidos – Cultura, Beleza, Arquitetura e Conquista!

    Óbidos – Cultura, Beleza, Arquitetura e Conquista!

    Óbidos, é uma bela e encantadora Vila portuguesa, de origem romana e circundada por fortes muralhas, sede do município da região Oeste, situada na província histórica da Estremadura e no distrito de Leiria.

    É uma verdadeira e encantadora “joia portuguesa”, com edifícios históricos e casas brancas pitorescas com janelas coloridas e floridas, que dão ainda mais encanto e charme ao local.

    Com uma atmosfera muito simpática e pacata que transporta quem a visita para o período da Idade Média, época que esta vila viveu com todo o seu esplendor.

    Com ruas de pedra e as lojas que as preenchem repletas de artesanato e um grandioso castelo que fica na parte mais alta da vila, a região é o destino perfeito para quem gosta de explorar as histórias e tradições locais e poder participar nas maravilhosas festas medievais, comemorações natalícias e nos deliciosos festivais de chocolate.

    Dos recantos e jardins fechados da zona da antiga medina à presença do Gótico, passando pelo renascimento e Barroco, a Vila é uma extensa obra de arte talhada, reconstruída ao longo de vários séculos.

    Cultura

    Também conhecida como Vila literária e Vila Natal recebe estas denominações fruto da criatividade e graças aos prolongados eventos que aqui têm palco ao longo de todo o ano, aliados ao facto de ser uma vila repleta de história e de cultura, Óbidos renova-se a cada dia.

    A vida cultural é intensa e única. Grandes eventos temáticos marcam os dias do ano e a Literatura veio dar novo fôlego com um encanto e ambiente propícios a momentos especiais em família.

    Lazer

    A Lagoa de Óbidos, que divide os concelhos de Caldas da Rainha e Óbidos, é local de prática de desportos aquáticos ao longo de todo o ano. Aqui poderá desfrutar de momentos relaxantes e de lazer enquanto pratica vela, windsurf, canoagem, remo, kiteboard, jet ski náutico, stand up e paddleboarding.

    Um extenso areal, a perder de vista, traça o caminho natural para belos passeios ao longo das margens da lagoa, que se constitui como o sistema lagunar mais extenso da costa portuguesa.

    Lagoa de Óbidos

    Terá cenários deslumbrantes e um profundo encontro com a Natureza ao observar a vida selvagem de várias espécies no local.

    Gastronomia

    No que diz respeito à gastronomia, o grande destaque vai para a Ginja de Óbidos, bebida em copo de chocolate. Mas também para a caldeirada de peixe da Lagoa de Óbidos, as enguias fritas e o ensopado. Na doçaria imperam os doces conventuais como a lampreia das Gaeiras, os alcaides ou os pastéis de Moura.

    Festival do Chocolate de Óbidos

    Atividades Económicas

    As principais atividades económicas que aqui se praticam são o turismo, a agricultura e o comércio. Na agricultura, destacam-se a produção de fruta, produtos hostículas e vinha. No concelho, as indústrias dominantes são as alimentares, de bebibas, proteção civil, têxtil (vestuário e calçado), imobiliário e a extrativa. Dependentes da lagoa, existem ainda a pesca e a apanha de moluscos bivalves.

    Artesanato

    A cerâmica é um produto tradicional da região, e neste campo, destaca-se a artista Josefa de Óbidos que, para além da pintura, dirigiu ainda uma oficina de cerâmica artística que influenciou em grande escala as tipologias de cerâmica que na vila se produziam.

    Sobressaem também os trabalhos em verga, os cestos em vime, verga de cerâmica, olaria tradicional, miniaturas, mantas de retalhos e trapos, azulejaria e bordados.

    História da Vila de Óbidos

    Habitada desde a época do Paleolítico Inferior, a zona de Óbidos sempre se mostrou apelativa ao homem.

    Os primeiros sinais de uma ocupação mais organizada correspondem ao povo Celta, num castro voltado a poente, cuja fundação terá ocorrido por volta de 308 a.C..

    Sabe-se que houve tentativa de conquista por parte dos Fenícios que, ao fracassar, travaram comércio com o povo que dominava a região. No século I d.C., no entanto, as defesas celtas falharam perante os Romanos, que tomaram a vila através da água da lagoa que banhava o castelo nessa altura.

    A Origem do Nome

    Daqui surge, segundo alguns autores, o nome que viria a denominar a Vila, pois, na formalização da conquista, o chefe do exércitos romano terá reportado a Júlio César a sua vitória indicando que tal só teria sido possível pelo braço de mar, portanto devido a “Ob id os” (“por causa desta boca”), embora se defenda também que o nome Óbidos descenda da denominação mais apropriada de “Oppidum”, que significa Vila fortificada.

    Com o declínio do Império Romano, vários povos tomaram conta da Lusitânia ou Portugal, entre eles os Alanos, os Suevos e os Godos, e aos quais se sucederam as invasões Árabes, que permaneceram nesta terra entre 711 e 1148, tendo, entre outras coisas, desenvolvidos as ciências.

    A Porta da Traição

    Em Novembro de 1147, e após conquista de Lisboa aos mouros, D. Afonso Henriques decide-se pela conquista de Óbidos por saber que esta era uma praça muito mais forte que outras como Torres Vedras ou Alenquer.

    Assim, liderados por Gonçalo Mendes da Maia, “O Lidador”, um grupo de cavaleiros investiu durante a noite pela parte nascente da terra enquanto os restantes militares portugueses chamavam a atenção dos Árabes na porta do Castelo a poente, hoje chamada “Porta da Vila”.

    Porta da Vila

    A Reconquista

    Desta forma, puderam os cavaleiros deslocar-se na parte nascente do Castelo, cobertos de arbustos e moitas, tendo apenas sido descobertos pela filha de Ismael, o Alcaide moiro, que suspeitou das moitas andantes. O Alcaide ao ver que estava a ser invadido, julgando que para ali conseguirem os portugueses chegar só poderia ter sido traído por algum dos seus, gritou como sinal de alarme as palavras “traição, traição”, pelo que esta porta, que se encontra na base da torre D. Diniz, ficou conhecida como a “Porta da Traição”.

    De acordo com a história, foi valente a batalha, quer pelos cavaleiros quer pelos restantes militares que, sabendo da entrada dos cavaleiros por norte, se dispuseram a entrar pela porta da frente, permitindo a conquista do Castelo de Óbidos aos Mouros em 10 de Janeiro de 1148.

    Graças ao modo relativamente fácil em como o Castelo tinha sido tomado pelos Cavaleiros de D. Afonso Henriques, foi fundada uma memória a Jesus crucificado e à Virgem da Piedade. Intitulado o Cruzeiro da Memória, podemos encontrar uma Cruz de Pedra onde permanecem de um lado Cristo Crucificado e do outro Nossa Senhora da Piedade.

    Santuário do Senhor Jesus da Pedra

    Levou a cabo também a concretização de um pequeno nicho à Porta da Vila onde mandou colocar uma imagem de nossa Senhora da Piedade.

    A vila fez ainda parte do pentágono defensivo estratégico idealizado pelos Templários.

    Óbidos – A casa das Rainhas de Portugal

    Foram muitas as rainhas que por Óbidos passaram e contribuíram para o desenvolvimento da vila. D. Catarina, por exemplo, mandou edificar o aqueduto e chafarizes pela vila.

    O terramoto de 1755 fez-se sentir com grande intensidade, tendo várias partes da muralha, alguns templos e edifícios cedido.

    Uma vila de grandes batalhas

    A região de Óbidos foi ainda palco de várias batalhas da guerra peninsular contra os franceses.

    Já em 1973, num contexto diferente, Óbidos foi palco de uma das reuniões que levaram ao Movimento dos Capitães, na Sede da Sociedade Musical Recreativa Obidense, que desencadeou a revolução de 25 de Abril de 1974.

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    Fontes de Conteúdo/Fotografias: cm-obidos.pt, turismodocentro.pt, vivernocentrodeportugal.com,segurospromo.com, Discover Portugal, Time Out, Artesanato Português, Travel in Portugal, PontoPt

  • Fernando Pessoa – O mais estudado escritor Nacional

    Fernando Pessoa – O mais estudado escritor Nacional


    Fernando Pessoa nasceu em Lisboa a 13 de Junho de 1888. Foi um Poeta, ficcionista, dramaturgo, filósofo e prosador.

    É, inequivocamente, a mais complexa personalidade literária portuguesa e europeia do século XX.

    O falecimento precoce do pai, quando Fernando Pessoa tinha apenas 5 anos, fez dele uma personalidade tímida, refugiada na sua imaginação e genialidade. Com 7 anos viajou para Durban, na África do Sul, acompanhando a sua mãe que tinha casado segunda vez com um cônsul Português, onde viveu 9 anos com a família e regressou a Portugal em 1905.

    Pouco depois de completar 17 anos e de regresso a Lisboa para entrar no Curso Superior de Letras, que abandonou depois de dois anos, sem ter feito um único exame. Preferiu estudar por si próprio na Biblioteca Nacional, onde leu livros de filosofia, de religião, de sociologia e de literatura (portuguesa em particular) a fim de completar e expandir a educação tradicional inglesa que recebera na África do Sul.

    Vivendo por vezes com parentes, outras vezes em quartos alugados. Embora solitário por natureza, com uma vida social limitada e quase sem vida amorosa, sobrevive como correspondente comercial de inglês e dedica-se a uma vida literária intensa.

    A sua produção de poesia e de prosa em inglês foi intensa durante este período, e por volta de 1910, já escrevia também muito em português. Publicou o seu primeiro ensaio de crítica literária em 1912, o primeiro texto de prosa criativa (um trecho do Livro do Desassossego) em 1913, e os primeiros poemas de adulto em 1914. Desenvolve colaboração com publicações (algumas delas dirigidas por si) como A República, Teatro, A Águia, A Renascença, Eh Real, O Jornal, A Capital, Exílio, Centauro, Portugal Futurista, Athena, Contemporânea, Revista Portuguesa, Presença, O Imparcial, O Mundo Português, Sudoeste, Momento.

    Foi um dos mais importantes poetas da língua portuguesa e figura central do Modernismo português.

    Poeta lírico e nacionalista cultivou uma poesia voltada aos temas tradicionais de Portugal e ao seu lirismo saudosista, que expressa reflexões sobre seu “eu profundo”, suas inquietações, sua solidão e seu tédio.

    Fernando Pessoa foi vários poetas ao mesmo tempo, criou heterônimos – poetas com personalidades próprias – Ricardo Reis, Alvaro de Campos e Alberto Caeiro- cada um deles portador de uma identidade própria, de uma arte poética distinta, de uma evolução literária pessoal e ainda capazes de comentar as relações literárias que estabelecem entre si. Com eles procurou detectar, sob vários ângulos, os dramas do homem de seu tempo.
    Ao longo da sua vida transfigurou-se em múltiplas identidades, escapando através delas da vida quotidiana. Na sua poesia o génio, que era muitos, desdobrou-se em mais de uma centena de pseudónimos e alter-egos com ocupações tão distintas quanto um tradutor, um escritor, um ensaísta, um filósofo, um médico, um astrólogo e até um frade, cada um deles com uma visão ideológica própria e muito distinta. Apesar de se ter fragmentado em muitas personalidades literárias pautadas pela ficção – que viriam a enriquecer o seu legado literário, a heteronímia é o grande marco da sua obra. Dotados de biografia, o poeta justificava os seus três heterónimos como “um traço de histeria que existe em mim. (…) A origem mental dos meus heterónimos está na minha tendência orgânica e constante para a despersonalização e para a simulação”.
    É importante destacar que Fernando Pessoa foi um explorador no campo da astrologia, sendo um exímio astrólogo e apreciador do ocultismo.

    Com Mário de Sá-Carneiro e Almada Negreiros, entre outros, leva a cabo, em 1915, o projeto de Orpheu, revista que assinala a afirmação do modernismo português e cujo impacto cultural e literário só pôde cabalmente ser avaliado por gerações posteriores.

    Tendo publicado em vida, em volume, apenas os seus poemas ingleses e o poema épico Mensagem, a bibliografia que legou à contemporaneidade é de tal forma extensa que o conhecimento da sua obra se encontra em curso, sendo alargado ou aprofundado à medida que vão saindo para o prelo os textos que integram um vastíssimo espólio. Mais do que a dimensão dessa obra, cujos contornos ainda não são completamente conhecidos, profícua em projetos literários, em esboços de planos, em versões de textos, em interpretações e reflexões sobre si mesma, impõe-se, porém, a complexidade filosófica e literária de que se reveste.

    Fernando Pessoa, que tinha o desejo de ser extraordinário, morreu a 30 de Novembro de 1935, aos 47 anos, na mesma cidade onde nasceu. Grande parte da sua obra só foi conhecida depois da sua morte, quando se abriu a famosa arca de madeira, brindando o mundo com tesouros literários de riqueza incalculável.

    Primeira edição de “Mensagem”

    Mensagem, é um livro de 44 poemas de Fernando Pessoa cuja primeira edição foi em 1934 e a única obra que o poeta publicou em português, em vida. Este tesouro literário retrata o glorioso passado de Portugal, tentando encontrar um sentido para a grandiosidade dos feitos portugueses da época dos Descobrimentos, glorificando o seu valor simbólico e acreditando que o revivalismo das suas palavras traria à nação o esplendor de outrora

    Publicado pela primeira vez em 1982, quase meio século após a morte de Fernando Pessoa, o Livro do Desassossego é uma obra-prima pouco convencional, resistente às habituais classificações literárias. A palavra desassossego refere-se à angústia existencial do narrador, sim, mas também à sua recusa em ficar quieto, parado. Sem sair de Lisboa, este viaja constantemente na sua maneira de ver, sentir e dizer. Ler este livro, repleto de emoção e observações penetrantes, é uma experiência estranhamente libertadora.

    Para mergulhar ainda mais no fascinante universo da história, cultura, gastronomia, lugares, negócios, curiosidades e diversos outros temas, explore outros artigos aqui na Tuguinha. A nossa missão é dar a conhecer uma ampla variedade de conteúdos aprofundados e intrigantes que vão enriquecer o seu conhecimento e satisfazer a sua curiosidade. Não perca a oportunidade de explorar tudo o que a Tuguinha tem para oferecer!

    Fontes Fotográficas/Conteúdo: Gulbenkian.pt casafernandopessoa.pt, ebiografia.com, todamateria.com, abrasileira.pt, Infopedia.pt, Assírio & Alvim