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  • Ludwig van Beethoven – Um génio musical

    Ludwig van Beethoven – Um génio musical

    Ludwig van Beethoven foi um compositor, maestro, pianista e professor de piano alemão, nascido em Bonn, Alemanha, no dia 17 de Dezembro de 1770.

    Beethoven produziu cerca de 200 obras entre as quais sonatas, sinfonias, concertos, quartetos para cordas. No entanto, escreveu apenas uma ópera, “Fidélio”. As principais criações do compositor foram a “Nona Sinfonia” e a “Quinta Sinfonia”.

    Retrato de Beethoven pintado por Christian Horneman em 1803

    É uma das figuras mais veneradas na história da música ocidental e as suas obras estão entre as mais executadas do reportório da música clássica que abrangem a transição do período clássico para a era romântica neste gênero musical, tendo o seu legado influenciado decisivamente a evolução posterior desta arte.

    O compositor alemão captou as características do romantismo e escreveu obras que expressam ideias e sentimentos. Para além disso, foi um inovador ao aumentar o número de músicos de uma orquestra para executar as suas obras e ao usar um coro na sua última sinfonia.

    Infância de Beethoven

    Museu the Beethoven, casa onde nasceu

    Neto e filho de músicos, o seu pai decidiu alcançar, através do filho, o prestígio que não tinha conseguido obter. Com apenas cinco anos de idade começou a estudar cravo, violino e viola e era severamente castigado à mais pequena pequena distração.

    Com sete anos de idade, frequentou uma escola pública e tinha um comportamento triste e rebelde devido ao desentendimento com o pai, que era alcoólatra. Com oito anos participou num recital na Academia de Sternengassee onde foi apresentado pelo pai como um gênio.

    A partir de 1781, passou a ter aulas com Christian Gottlob Neefe, principal tocador de orgãos da corte, que lhe abriu novos horizontes ao tocar a música de compositores famosos como Haydn e Mozart. Nessa época começou a aprender piano, instrumento no qual se destacaria mais tarde.

    Christian Gottlob Neefe

    Com apenas onze anos, foi nomeado tocador de orgão suplente da corte. Ao mesmo tempo que se aperfeiçoava no violino com o mestre Rovantini.

    Adolescência

    Revelando-se notável e extraordinário em vários instrumentos, Beethoven tinha apenas 13 anos quando foi nomeado solista de cravo na corte de Bonn.

    Beethoven começou a ter a proteção do Príncipe-Eleitor Maximilian Franz, governante de um dos trezentos pequenos Estados que formavam o Império da Alemanha.

    Maximilian Franz

    A primeira obra divulgada

    Nessa época, surgiu a sua primeira obra divulgada: “Nove Variações para Piano Sobre uma Marcha de Ernest Christoph Dressler”. Em 1784 escreveu “Três Sonatinas para Piano”.

    Em 1787 foi para Viena para estudar com Mozart levando uma carta de apresentação do Príncipe. Mozart ao ouvi-lo tocar ficou maravilhado e achou-o assombroso.

    Dois meses depois, a doença e morte da sua mãe fê-lo regressar a Bonn. Pouco depois morreu a sua irmã. A trabalhar como cravista da corte, ele sustentava a casa.

    Com 21 anos de idade, Beethoven já desfrutava de grande prestígio junto à nobreza de Bonn. As famílias mais influentes faziam questão da companhia do músico nas suas festas.

    Mudança para Viena

    Mesmo com um temperamento imprevisível, Beethoven conquistou sólidas amizades. Em 1788, conheceu o conde Ferdinand Ernest von Waldstein, que o protegeu e lhe encomendou várias obras. Uma das mais belas sonatas escritas para piano por Beethoven, chama-se justamente “Waldestein”, obra dedicada ao seu mecenas.

    Ferdinand Ernest von Waldstein

    Graças aos esforços de Waldstein, em 1792, Beethoven deixou a sua terra natal. Levava na bagagem uma obra volumosa que permanecia em manuscritos, pois não existiam editores em Bonn.

    Quando chegou à capital da Áustria, Mozart falecera há um ano. Passou a ter aulas com Haydn, com quem não se entendeu e também com Johann Schenk, sem que Haydn soubesse. Após um ano, entrou em rutura com os dois.

    Instalado no palácio de Karl Lichnowsky, Beethoven recebia uma pensão e o príncipe queria que ele se dedicasse inteiramente à música. Todas as sextas-feiras eram dias de recitais.

    Primeira apresentação pública

    Só em 1795, com 25 anos, Beethoven fez a sua primeira apresentação pública, onde executou um concerto para piano, pelo qual foi aplaudido em delírio. Pouco tempo depois deste concerto, uma prestigiada editora publicou “Três Trios para Piano, Violino e violoncelo, Opus 1″, dedicado ao príncipe Lichnowsky.

    Em 1797, depois de publicar as “Três Sonatas para Piano, Opus 2”, conseguiu a edição de mais um trabalho, “Trio em Bi Bemol, para Violino, Viola e Violoncelo, Opus 3”.

    O seu crescente prestígio atraía alunos e convites para recitais, o que lhe proporcionava estabilidade financeira e lhe permitia vestir-se com elegância tornando-se mais sociável. Beethoven era forte, baixo, circunspecto e tinha o rosto marcado pela varíola.

    A surdez de Beethoven

    Por volta de 1800, o compositor começa a sofrer de problemas auditivos, porém ele escondeu o problema de praticamente todos. O violonista Karl Amenda foi a primeira pessoa a quem Beethoven confessou o que lhe estava a acontecer. Numa carta escrita em 1798, dizia: “Tenho piorado da minha surdez e pergunto-me o que será dos meus ouvidos”.

    Nessa época, apaixonou-se pela sua aluna Therese von Brunswick, mas não foi correspondido. Atirou-se com fúria ao trabalho e compôs “Sonata em Dó Menor, para Piano, Opus 13 (1799)”, que se tornou conhecida como “Patética”.

    Therese von Brunswick

    Na composição dessa obra prima musical Beethoven aplicara o profundo conhecimento que alcançara na infatigável pesquisa da técnica para piano, após ter abandonado o instrumento musical: cravo.

    Em 1801, Beethoven escreveu para o seu médico relatando que estava há alguns anos a perder a audição. Essa perda progressiva do sentido, que mais usava, arrastou-se durante praticamente três décadas, aos 48 anos já estava surdo.

    Alguns investigadores suspeitam, que a surdez do compositor teria sido consequência da varíola, do tifo ou de uma gripe quase constante que o atacou durante anos.

    Porém, esse foi o início do período mais brilhante da carreira de Beethoven, quando produziu as grandes sinfonias que lhe dariam a imortalidade. O gênio tinha memória auditiva e era capaz de criar composições na sua cabeça transformando-as, posteriormente, em partitura.

    Últimos anos de Beethoven

    Em 1815, a sua surdez ficou mais grave e ele mantinha “cadernos de conversa” para conseguir dialogar com os amigos.

    Em 1824, envelhecido e doente, o compositor já não se empolgava com o êxito e a repercussão da sua música. De Inglaterra, editores encomendavam-lhe composições.

    Luís XVIII, rei da França, enviou-lhe uma medalha de ouro cunhada com o seu nome, como tributo pela beleza da “Missa Solene em Ré Maior, Opus 123”.

    Missa Solene em Ré Maior, Opus 123

    Morte de Beethoven

    Depois de várias crises de depressão, Beethoven é atingido por uma pneumonia, cirrose e infecção intestinal.

    Ludwig van Beethoven faleceu na cidade de Viena, Áustria, com 56 anos, no dia 26 de Março de 1827.

    A causa da morte do compositor ainda é um mistério, as principais suspeitas recaem sobre a tese de um envenenamento (intoxicação por chumbo) e um desgaste natural do corpo pela cirrose.

    Beethoven foi considerado uma celebridade em vida. O seu cortejo fúnebre foi uma das provas desse reconhecimento, pois contou com a presença de cerca de 200 mil pessoas.

    Características e obras primas de Beethoven

    O compositor acreditava que a música não servia apenas para o lazer e sim para expressar ideias, por esse motivo, as suas obras são marcadas por um forte teor emocional seguindo as características do Romantismo, que dominava a arte europeia naquela época.

    “Quinta Sinfonia”

    Beethoven começou a trabalhar na “Quinta Sinfonia”, em 1804, mas só se dedicou profundamente a ela em 1807, tendo concluído o projeto no ano seguinte.

    A primeira vez que a “Quinta Sinfonia” foi tocada, foi no dia 22 de Dezembro de 1808, no Theater an der Wien, em Viena, tendo sido dirigida pelo próprio Beethoven, que também executou a “Sexta Sinfonia” entre outras peças suas. Naquela noite de inverno, o público assistiu, durante quatro horas às composições exclusivamente produzidas por Beethoven e praticamente desconhecidas.

    A “Quinta Sinfonia” era dedicada ao conde Razumovsky e ao príncipe Lobkowitz. Uma composição fora do seu tempo, a Sinfonia que era muito moderna para a ocasião em que foi apresentada, e se tornou no século XX, a composição mais famosa do mundo ocidental.

    Os seus quatro acordes iniciais a tornaram extremamente conhecida do grande público, sobretudo após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Afinal, os três tempos curtos somados ao longo, significavam, no código Morse, o “V” de “vitória” (••• –).

    Estas quatro notas repetem-se ao longo do primeiro movimento em várias seções da orquestra. O ouvinte precisa de estar atento, pois alterna-se a tensão e o descanso, não deixando ninguém indiferente.

    A sua duração é de cerca de meia hora e esta obra possui quatro movimentos:

    Allegro con brio
    Andante con moto
    Scherzo
    Allegro

    Quinta Sinfonia de Beethoven

    “Nona Sinfonia”

    Quando criou a “Nona Sinfonia”, entre 1822 e 1824, Beethoven já estava surdo. No dia 7 de Maio de 1824 fez a primeira apresentação da “Sinfonia n.º 9”, Opus 125, famosa como “Coral”, por incluir o coro no seu quarto movimento, sugerido pela Ode à Alegria de Schiller.

    No fim da apresentação, uma tempestade de aplausos saudou o compositor, que completamente distraído olhava fixamente para a partitura e continuava de costas para a plateia, como era habitual. Foi Karoline Unger, contralto solista, que virou o compositor de modo a que ele pudesse ver a reação do público.

    Beethoven estava muito à frente do seu tempo, pois até então as composições desse tipo eram apenas instrumentais.

    Os quatro solistas, além do coro, participam na parte final da Nona Sinfonia inspirada nos versos de “Ode à Alegria”, escrita por Friedrich Schiller em 1785. A “Nona Sinfonia”, que foi a última das suas sinfonias, também é especialmente lembrada porque é nela que o compositor se aproxima do povo, provocando um sentimento de união e unidade.

    Com cerca de 65 minutos de duração, a “Nona Sinfonia” é dividida em quatro movimentos:

    Allegro ma non troppo, un poco maestoso
    Molto vivace
    Adagio molto cantabile, andante moderato
    Finale: Presto

    O manuscrito original da “Nona Sinfonia”, praticamente integral, que contém mais de 200 páginas, faz parte do acervo do Departamento de Música da Biblioteca Estatal de Berlin, ao lado de outras obras-primas de Mozart e Bach. No manuscrito faltam apenas duas partes: uma delas (duas páginas) está em Bonn, na Casa de Beethoven, e outra parte (três páginas) se encontra na Biblioteca Nacional em Paris.

    Nona Sinfonia de Beethoven

    “Ode à Alegria”

    A “Ode à Alegria”, também conhecida como “Hino à Alegria” (no original Ode An die Freude), encontra-se na parte final da Nona Sinfonia de Beethoven e louva a humanidade, que se passa a encontrar novamente reunida e em estado de felicidade.

    O desejo de celebrar a fraternidade e a igualdade entre os homens já acompanhava Beethoven há bastante tempo, desde que o compositor teve um maior contacto com os valores pregados durante a Revolução Francesa.

    A parte instrumental da “Ode à Alegria” – apenas a melodia criada por Beethoven a partir dos versos do poema An die Freude, do alemão Friedrich Schiller (1759-1805), transformou-se em 1985, no hino oficial da União Europeia. Com o passar do tempo, a composição tornou-se um símbolo de paz e comunhão entre os povos. A criação possui um célebre verso que anuncia que “todos os homens se tornam irmãos”.

    Ode à Alegria de Beethoven

    Outras composições de Beethoven:

    •⁠ ⁠Três Sonatas para Piano, Opus 2 (1797)
    •⁠ ⁠Trio em Mi Bemol, para Violino,Viola e Violoncelo, Opus 3 (1797)
    •⁠ ⁠Serenata em Ré, para Violino, Viola e Violoncelo, Opus 8 (1798)
    •⁠ ⁠Três Sonatas para Piano e Violino, Opus 12 (1799)
    •⁠ ⁠Sonata em Dó Menor para Piano, Opus 13 (1799) (Sonata Patética)
    •⁠ ⁠Duas Sonatas para Piano, Opus 14
    •⁠ ⁠Septeto em Mi Bemol, Opus 20 (1800) (Dedicado à Imperatriz Maria Teresa da Áustria)
    •⁠ ⁠Sinfonia n.º 1 em Dó Maior, Opus 21 (1800)
    •⁠ ⁠Concerto n.º 3, em Dó Menor, para Piano e Orquestra, Opus 37 (1800) (Dedicado ao Rei Luís Fernando da Prússia)
    •⁠ ⁠Sonata Quase uma Fantasia, Opus 27 n.º 2 (Sonata ao Luar)
    •⁠ ⁠Sinfonia n.º 2 em Ré Maior, Opus 36
    •⁠ ⁠Sinfonia n.º 3 em Mi Bemol Maior, Opus 55 (1805) (Heroica) (Título original “Sinfonia Grande – Titolata Bonaparte” (Ao saber que Napoleão se fizera imperador dos franceses, trocou o título para “Sinfonia Heróica”)
    •⁠ ⁠Ópera Fidelio (1805)
    •⁠ ⁠Sonata em Fá Menor para Piano, Opus 57 (1808) (Appassionata) (Representou o rompimento dos últimos elos que o ligavam ao classicismo e a adoção da linguagem emotiva que caracterizou a época romântica)
    •⁠ ⁠Concerto n.º 5, para Piano e Orquestra, Opus 73 (1809) (Imperador)
    •⁠ ⁠Bagatela para piano (Für Elise) (1810)
    •⁠ ⁠Sinfonias n.º 7 e n.º 8 (1812)
    •⁠ ⁠Sonatas para Piano, Opus 106, 109, 110 e 111 (1822)
    •⁠ ⁠Missa Solene em Ré Maior, Opus 123 (1823)
    •⁠ ⁠Quartetos para Cordas, Opus 127, 130, 131, 132 e 135 (1825) (suas últimas composições)

    Fontes: wikipedia, ebiografia. todamateria


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  • Biquíni e Fato de Banho: Censura e Provocação

    Biquíni e Fato de Banho: Censura e Provocação

    A praia é um dos destinos favoritos quando chega o Verão. Corpos passeiam livremente e descontraídos de fato de banho ou biquini. Mas nem sempre foi assim.

    Nas zonas costeiras da Europa a moda de ir a banhos chegou, e Portugal, não foi excepção.

    O pudor dos tempos antigos

    Foi, com a burguesia e a aristocracia, ainda nos finais do século XIX que frequentavam as praias e usavam a água do mar para fins terapêuticos.

    Touca, meias pretas, sapatos de lona, calções pela barriga das pernas e uma blusa tipo túnica… Esta era a toilette para se ir à praia em 1880.

    Para garantir a boa decência, homens e mulheres tinham ainda zonas separadas.

    Mostrar a pele? Nem pensar… Isso seria um escândalo. Aliás, ia-se à praia por questões de saúde e não para se ficar bronzeado.

    Ir à praia, tornou-se um momento de socialização por toda a Europa e também uma questão de moda.

    Fato de Banho, 1890-95 // The Met Museum

    A realeza europeia, com pouco para fazer, descobria uma nova forma de passar o tempo e as outras classes sociais também não queriam ficar de parte.

    Entretanto, a sociedade e os seus valores foram mudando e a moda balnear também.

    Em 1891, os braços desnudam-se e causam um grande escândalo entre os mais puritanos.

    Todavia, na primeira metade do século XX assistiu-se a uma redução da quantidade de tecido necessário para ir à praia.

    Evolução do Design

    Uma redução que não foi pacífica: em 1907, a nadadora australiana Annette Kellerman foi presa em Boston por estar a usar um fato de banho justo, apesar deste a cobrir do pescoço aos pés.

    Annette Kellerman // wikipedia.com

    Anos depois, em 1913, o designer Carl Jantzen introduziu um conjunto de banho composto por um top e calções, peça que também foi totalmente bem recebida.

    De um traje completo, que cobria o corpo da cabeça aos pés, evolui-se para um traje mais simples, mais leve e de tecidos diferentes.

    Os fatos de banho em malha para as senhoras e o calção para os homens com ou sem peitilho, tornaram-se no último grito da moda nas praias.

    Fato de banho na década de 1920 em Portugal

    Da década de 1920 em diante, em Portugal, os fatos de banho, passam a ser vestidos com alça, que deixam ver os braços que caem sobre os pequenos calções.

    A exposição do corpo estava, aliás, bastante regulada.
    Existiam editais que saiam nas capitanias que regulamentavam as barracas, os toldos e a colocação de barcos dos pescadores.

    Fato de banho ao longo dos anos // noticiasmagazine.pt

    Haviam também prescrições relativamente à postura, nomeadamente quando à obrigatoriedade de usar fatos que resguardassem o corpo.
    As ordens eram acatadas sob o olhar vigilante dos cabos de mar.

    Fato de Banho No Mundo

    Na década de 1920, mostrar a pele era já menos atrevido, e na década de 1930 exibir as costas e um pouco do tronco era comum.

    Dos lindos fatos de banho cortados de Claire McCardell ao aparecimento de estrelas como Jayne Mansfield, Rita Hayworth e Ava Gardner — para não mencionar inúmeras pin-ups e bailarinas — em peças mais reveladoras e, cada vez mais, em duas peças, a natureza do traje de praia aceitável foi mudando continuamente.

    Ava Gardner // Daily Mail

    No entanto, nesta época, existia um problema: O Código Hays, um conjunto de regras impostas em Hollywood a partir de 1934, que proibia a exposição do umbigo em filmes, pelo que todas as partes inferiores da roupa de praia (mas não só) necessitavam de ser de cintura subida.

    O Fato de banho nas suas múltiplas variantes, tornou-se um objecto de moda e produto de consumo.

    História do Biquíni ou Bikíni

    Na antiguidade, existem registos anteriores do uso de algo semelhante a um biquíni.

    Mosaicos romanos do século IV, em que um deles, mostra duas mulheres a usar uma faixa para cobrir os seios e uma tanga na parte debaixo, usado nessa época, para praticar desporto.

    Curiosamente esses modelos eram muito mais ousados do que aqueles que vimos surgir algumas centenas de anos depois!

    Louis Réard // universityoffashion

    Com o passar do tempo, a partir da década de 1920, versões da peça começaram a surgir, mas nada se compara com a criação e design de Louis Réard: o biquíni que teve o efeito de uma bomba na sociedade da época.

    Biquíni = Bombástico

    O fim da II Guerra Mundial trouxe consigo uma revolução nos costumes.

    Depois de 5 anos de um conflito devastador, as pessoas queriam voltar a viver a sua vida, a divertirem-se.

    1946, é a data fatídica. Louis Réard, um engenheiro mecânico e designer de roupas francês, apresenta na piscina Molitor de Paris, um conjunto de duas peças, em algodão estampado, que cabiam num cubo de apenas 10 cm.

    Chamou-lhe biquíni em homenagem ao Atol de Bikini, no Pacífico, lugar onde foi testada a primeira bomba atómica.

    As reações não se fizeram esperar: considerado como imoral, foi proibido em piscinas públicas, em países como Portugal ou Espanha e nos filmes de Hollywood.

    Outro francês de nome Jacques Heim também não quis ficar atrás e desenhou o “Atome”, um modelo ainda mais pequeno.

    Atome // dsigno.es

    Louis Réard respondeu com um biquíni ainda mais reduzido.

    O biquíni do designer Louis Réard era composto por duas peças separadas, uma para a parte de cima e outra para a parte de baixo, que revelavam mais pele do que os trajes de banho tradicionais, o que foi um passo muito importante para a moda de praia que hoje conhecemos.

    Este primeiro biquíni de duas peças foi feito com o objetivo de ser ousado e provocativo, desafiando as normas sociais da época.

    Mentalidade da época

    Na época, modelos recusaram vestir a peça, tornando Micheline Bernardini, “stripper” e bailarina do Casino de Paris, a primeira mulher a posar com ela. Com uma piscina como pano de fundo, a jovem de 19 anos aparece nas fotos com um biquíni estampado com o desenho de uma página de jornal.

    Micheline Bernardini // welt.de

    Inicialmente, o biquíni enfrentou resistência e foi até mesmo banido em alguns países devido ao seu caráter considerado demasiado revelador.

    No entanto, ao longo dos anos, tornou-se cada vez mais aceite e popular, especialmente com o apoio de figuras famosas da moda e do entretenimento.

    Na década de 50, o biquíni é exibido no corpo de actrizes como Brigitte Bardot, mas ainda é rejeitado pela maior parte das mulheres. Pois as mulheres nesta época, eram muito contidas e recatadas.

    Demorou ainda algum tempo, para que o biquíni se tornasse numa peça comum, tanto que inicialmente foi proibido em muitas praias.

    Apogeu do Biquíni nos anos 60

    Só nos anos 60 é que realmente o biquíni alcançou o seu auge.

    Foi nesta década que Ursula Andress emergiu do mar com o conhecido e infame biquíni branco no filme da saga 007, Dr. No.

    Ursula Andress na saga 007 // CNN.com

    Foi também a década em que Raquel Welch usou um biquíni feito com peles de animais em One Million Years B.C e também quando Nancy Sinatra apareceu na capa do LP Sugar vestida com um biquíni rosa chiclete brilhante.

    Os anos 60 libertaram o corpo e a mente do tradicionalismo das gerações passadas.

    As praias foram invadidas por estes adolescentes com sede de diversão e nesta época nasceu o turismo de massa.

    Monokini

    A moda foi, entretanto, avançando. O monokini– apresentado por Rudi Gernreich – abriu caminho para o topless na década de 70… Modelos sem forro ou com a forma de triângulos fizeram furor…

    Monokini – Vogue

    Os próprios materiais evoluíram de uma forma extraordinária sendo a licra, em 1959, uma das maiores inovações: mantinha a sua forma, não desbotava e secava rapidamente.

    Popularidade do Biquíni

    A popularidade do biquíni continuou a aumentar na década de 1970, com tecidos como o crochê (veja-se Pam Grier em Coffy). De Pat Cleveland a Cheryl Tiegs, sem esquecer o trio original dos Anjos de Charlie, poucos foram aqueles que resistiram ao fascinio do biquíni.

    A democratização do biquíni em Portugal, aconteceu com a Revolução dos cravos no dia 25 de Abril de 1974, que permitiu posteriormente o uso livre desta peça.

    Na década de 1980, Phoebe Cates, do filme Fast Times in Ridgemont High, fez do biquíni vermelho uma peça cobiçada.

    Com a chegada dos anos 90, foram explorados muitos estilos, do modelo mais sporty ao mais minimalista que mal poderia ser chamado de biquíni (como o micro biquíni da Chanel, apresentado em 1996).

    Micro biquíni da Chanel // Alexis Duclos/Getty Images

    O que é imediatamente claro é que a história do biquíni é também a história do corpo: uma história de carne, censura, provocação e, cada vez mais de algumas expectativas frustradas.

    Ainda hoje, muitas das figuras que popularizaram o biquíni aos olhos do público foram aquelas cujo físico era considerado aspiracional, em conformidade com um conjunto culturalmente limitado de padrões de beleza.

    Talvez o biquíni seja algo que existe nos olhos de quem o vê. Esta peça, que para uns tem sido uma ousada afirmação das liberdadas e das indumentárias, tornou-se, para outros, um símbolo do olhar masculino omnipresente e das pressões depositadas nas mulheres.

    Seja pela discussão sobre a necessidade de uma maior inclusão aquando do casting das modelos que exibem na passerelle roupa de praia, seja pela hediondez de expressões como “bikini body”, seja pelas batalhas legais sobre o direito das mulheres muçulmanas em usar burkinis, o biquíni ainda não está totalmente em paz.

    Não existe uma peça do vestuário feminino tão pequena e com tanto para contar como o biquíni.

    Crédito Fotográfico: suburban men

    A história das roupas que usamos na praia e na piscina cruza-se com as conquistas de libertação das mulheres que percorreu todo o século XX e continua a surpreender.

    As restrições, as obrigações, os tabus e tantas interrogações a que as mulheres estão sujeitas, desde sempre, tiveram muita influência na evolução da roupa de banho feminina.

    Hoje, há de tudo um pouco. Mais reduzidos, mais discretos, estampados, lisos, em licra, algodão ou em tricot, com ou sem alças, a escolha é muito variada. As grandes marcas nunca se esquecem de oferecer nas suas coleções, em cada Verão, os últimos modelos.

    Fonte Fotográfica: Travel Caribou

    De fatos que cobriam quase totalmente o corpo ao monoquini, escolher o que vestir à beira-mar tem sido uma verdadeira saga para as mulheres com tentativas arriscadas, retrocessos, glamour e muita criatividade.

    Por isso o fato de banho e o biquíni estão intrinsecamente ligados à história da libertação e das conquistas femininas.

    Hoje, tudo é permitido e uma simples ida à praia prova-nos que a liberdade flui ao sabor das tendências de moda e das preferências pessoais.

    Fontes: artsandculture, mulherportuguesa, gizmodo, useamazona, Gralery

  • Vincent van Gogh: Percurso de Vida, Morte e Legado Artístico

    Vincent van Gogh: Percurso de Vida, Morte e Legado Artístico

    Vincent Van Gogh, é considerado um dos maiores pintores de todos os tempos, um superior e grandioso representante do pós-impressionismo, tendo produzido mais de 2 mil obras durante os seus 37 anos de vida.

    O seu legado é tão extraordinário que, em 1973, em Amsterdão, na Holanda, seu país-natal, foi criado um museu para expor as suas obras.

    Com um percurso difícil, cheio de problemas emocionais, Van Gogh deixou uma obra comovente e vigorosa que constitui um dos maiores legados artísticos da humanidade.

    O artista foi caracterizado por alguns, como um homem incompreendido, atormentado, intempestivo e com distúrbios comportamentais. Por isso, não só as suas obras como a sua vida provocam muita curiosidade até aos dias de hoje. Van Gogh foi tema de diversos livros, filmes e documentários.

    Vida de Van Gogh

    Vincent Willen Van Gogh, nasceu em 30 de Março de 1853, na vila Brabante de Zundert, no sul da Holanda.
    Filho de um pastor calvinista, era o primogénito de 6 filhos, sendo três raparigas e dois rapazes. Um deles chamava-se Theo, quatro anos mais novo, que foi o seu melhor amigo durante toda a sua vida.

    Vicent Van Gogh em Janeiro de 1886 // arteref.com

    Infância

    O seu interesse pela arte teve início ainda na infância, a qual a mãe encorajava. O futuro artista gostava de pintar com aguarelas. Teve uma infância melancolica e solitária.

    Ainda na Holanda, aos 11 anos, Van Gogh foi estudar para um colégio interno em Zevenbergen, o que, segundo a sua biografia: Van Gogh, A Vida, de Steven Naifeh e Gregory White Smith, deixou-o infeliz. Quando tinha 13 anos, frequentou o ensino médio em Tilburg.

    Desintegrado no internato e insatisfeito com a estrutura da sociedade à qual pertencia, com 16 anos aceitou a sugestão do pai e foi para Haia trabalhar com o tio, que abriu a filial da Galeria Goupil, importante empresa francesa que comercializava livros e obras de arte.

    Passados três anos, foi para Bruxelas e posteriormente para Londres, sempre ao serviço da galeria, onde permaneceu dois anos e meio.

    Em 1875, Van Gogh conseguiu realizar o seu desejo de conhecer Paris, onde julgava poder libertar-se de todas as suas frustrações. Mas não gostou do emprego. Dedicou-se à leitura de livros sobre arte, formou a sua opinião e discutia com os clentes. Em Abril de 1876 foi demitido do grupo Goupil.

    Galeria Goupil – Paris // Wikipedia

    Van Gogh tinha 22 anos e muitas ilusões, muitas frustrações e nenhum plano para o futuro. Voltou para a casa da sua família, em Etten, mas as suas relações familiares eram muito difíceis, particularmente com o seu pai e só se sentia compreendido por Theo, o seu irmão mais novo.

    Van Gogh teve uma relação intensa com a religião, uma forma de fugir da sociedade, da familia e da realidade que o cercava.

    Resolveu partir para Inglaterra, onde aceitou o cargo de professor de francês e alemão, mas rapidamente foi dispensado pela escola.

    Van Gogh voltou para a Holanda, tornou-se depressivo, com muitas crises nervosas, passando longos periodos de solidão.

    Em 1877 foi trabalhar para uma livraria em Dordrecht, até que decidiu entrar no Seminário Teológico da Universidade de Amsterdão, donde saiu sem completar o curso, frequentando a seguir um curso trimestral da Escola Evangélica, em Bruxelas.

    A pedido do pai, conseguiu o lugar de pregador missionário nas minas de carvão de Borinage, na Bélgica.
    Van Gogh, em vez de pregar e orientar os mineiros, envolveu-se intensamente com o trabalho desta comunidade e trabalhava nas mesmas condições deles.

    Preocupava-se com os doentes e pregava pouco, o que incomodou os seus superiores. Assim foi afastado do cargo em 1879.

    Na sua vida sentimental, não foi feliz, teve romances mal sucedidos, destacando-se paixões por uma prima e por uma prostituta.

    O início da carreira como pintor

    O seu irmão Theo, que foi o seu principal amigo e apoio durante toda a sua vida, ao ver os seus desenhos, estimulou o irmão a seguir a carreira artística.

    Theo Van Gogh // mymodernmet.com

    Em 1880 apoiou Van Gogh financeiramente, para estudar anatomia e perspectiva em Bruxelas onde este finalmente descobriu a sua vocação: ser pintor. Passava os dias a desenhar.

    Em 1881 mudou-se para Haia, onde foi acolhido pelo pintor Mauve.
    Pintava aguarelas, nas quais aparecem marinheiros, pescadores e camponeses. Pintava gente viva e ativa.

    Escreveu para o irmão: “Eu não quero pintar quadros, eu quero pintar a vida”. Realizou numerosos desenhos e pinturas a óleo. No ano seguinte voltou para a casa dos pais, onde passava os dias a ler e a pintar.

    A primeira obra de destaque

    Em março de 1885 o seu pai morre repentinamente.
    E foi em Abril de 1885, que Van Gogh pintou a sua primeira obra de relevo, “Os comedores de batatas”. É um quadro sombrio e escuro, que retrata camponeses durante uma refeição noturna.

    Segundo a sua biografia, foi nessa pintura que se fez notar o interesse do artista na teoria das cores, luz, sombra, contrastes e pinceladas carregadas de tinta.

    “Os Comedores de Batata” (1885) – Museu Van Gogh, Holanda

    No final de 1885, Van Gogh viajou para Antuérpia, onde estudou na Escola local e se apaixonou pela cor, descobrindo a pintura japonesa.

    Influências

    Em Fevereiro, foi viver para Paris com seu irmão Theo.
    Esta foi a época mais sociável do pintor. Familiarizou-se com os impressionistas Claude Monet, Auguste Renoir e Camille Pissarro. Mais tarde, ficou amigo de Paul Gauguin.

    A influência dos artistas impressionistas e a crescente admiração pela arte oriental levaram Van Gogh a desenvolver o seu estilo próprio.

    Em 1888, Van Gogh estava mal de saúde e foi viver para o campo, em Arles, onde pintava muito ao ar livre.

    Obras importantes

    Nesta fase, Van Gogh pintou as suas obras mais importantes, pintou mais de 100 quadros entre eles: “Vista de Arles com Lírios”(1888), “Girassóis”(1888) e “Quarto em Arles” (1888)

    Personalidade instável e perturbada

    Durante a sua vida, Van Gogh teve episódios psicóticos e delírios, temia pela sua estabilidade mental e negligenciava frequentemente a sua saúde física, por um lado, ao não manter uma alimentação regular e, por outro lado, bebendo muito.

    Na mesma época, a pedido de Theo, Gauguin vai morar com Van Gogh, com a condição de este continuar a vender as suas telas. Mas a personalidade autocentrada de Gauguin não era compatível com a sensibilidade de Van Gogh.

    Esta diferença de personalidades desenvolveu grandes discussões entre eles, crises de humor e agressões a Gauguin que numa das crises Van Gogh tentou magoar com uma navalha. Foi nessa altura, que mutilou a sua própria orelha.

    “Com a Orelha Cortada” (1888) // BBC

    Van Gogh foi internado no hospital Saint-Paul para doentes mentais. Depois de dez dias, foi para casa e pintou o autorretrato “Com a Orelha Cortada”(1888)

    A obra mais aclamada

    Em Maio de 1889 voltou a ser internado e fê-lo voluntariamente no Hospital Saint-Rémy-de-Provance.

    O seu quarto foi transformado num ateliê. Nesse período pintou mais de duzentos quadros e centenas de desenhos, entre eles, uma das suas obras mais aclamadas: “A Noite Estrelada”( 1889).

    “A Noite Estrelada” (1889) – Metropolitan Museum, Nova York

    O artista deixou Saint-Rémy em Maio de 1890. Foi para Auvers, sob os cuidados do Dr. Gachet, que o examinou e disse que a situação era grave.

    De acordo com a sua biografia, apesar do seu temperamento muitas vezes intempestivo, melancólico e com acessos de raiva, Van Gogh pintava em momentos de clareza mental, não durante surtos.

    Autorretratos

    Os autorretratos de Van Gogh tiveram muito destaque no legado do pintor. Foram registadas mais de 40 pinturas. A maioria apresentava a sua figura com olhares expressivos.

    “Autorretrato com chapéu de feltro cinza” (1887) — Museu Van Gogh, Holanda

    A única obra vendida em vida

    Van Gogh, teve pouco reconhecimento como artista durante a sua vida. “A Vinha Encarnada”, produzida em 1888, foi a sua única obra vendida em vida.

    O artista gostava de pintar ao ar livre, hábito que conservou até morrer.

    Segundo a sua biografia, a técnica de pinceladas firmes e carregadas que criou para o seu próprio uso, aplicadas sem hesitação, permitiu-lhe pintar rapidamente e produzir um vasto número de obras nos últimos dois anos e meio da sua vida.

    “A Vinha Encarnada” (1888) – Museu Pushkin, Moscovo

    Morte de Van Gogh

    Van Gogh faleceu aos 37 anos no dia 29 de Julho de 1890, em Auvers-sur-Oise, dois dias após receber um tiro no peito. A versão mais conhecida sobre o trágico acontecimento aponta para o suicídio.

    No dia de sua morte, no sótão da Galeria Goupil, em Paris, 700 quadros amontoavam-se sem comprador.

    A fama só veio após a sua morte. Grande parte de sua história está descrita nas 750 cartas que escreveu para seu irmão Theo e que evidenciavam a forte ligação entre os dois.

    Seis meses depois da sua morte, o irmão Theo também faleceu, sendo sepultado ao lado de Van Gogh, em Auvers-Sur-Oise, França.

    Com um estilo ousado, Van Gogh inovou as técnicas dos impressionistas, trazendo dinamicidade e drama, contribuindo para o surgimento de diversos movimentos artísticos no início do século 20, sobretudo o expressionismo.

    Van Gogh, teve uma carreira relativamente curta, mas sua obsessão pela pintura fez com que deixasse uma quantidade impressionante de telas e obras-primas e um dos maiores legados da arte ocidental.

    Obras de Vincent Van Gogh

    A produção de Van Gogh foi intensa, onde se destacam algumas obras importantes:

    “A Igreja de Auvers” (1890) – Museu de Orsay, Paris

    •⁠ ⁠A Igreja em Nuenen, 1884
    •⁠ ⁠Os Comedores de Batata, 1885
    •⁠ ⁠A Casa Paroquial de Nuenen, 1885
    •⁠ ⁠Caveira com Cigarro Aceso, 1886
    •⁠ ⁠Guinguette de Montmartre, 1886
    •⁠ ⁠A Italiana, 1887
    •⁠ ⁠A Ponte Debaixo da Chuva, 1887
    •⁠ ⁠Natureza Morta com Absinto, 1887
    •⁠ ⁠Dois Girassóis Cortados, 1887
    •⁠ ⁠Autorretrato com Chapéu de Palha, 1887
    •⁠ ⁠Pai Tanguy, 1887-1888
    •⁠ ⁠Autorretrato Dedicado a Gauguin, 1888
    •⁠ ⁠Terraço do Café na Praça do Fórum, 1888
    •⁠ ⁠A Casa Amarela, 1888
    •⁠ ⁠Barcos de Saintes-Maries, 1888
    •⁠ ⁠⁠Vista de Arles com Lírios, 1888
    •⁠ ⁠O Velho Moinho, 1888
    •⁠ ⁠La Mousmé, 1888
    •⁠ ⁠A Vinha Encarnada, 1888
    •⁠ ⁠Os Girassóis, 1888
    •⁠ ⁠O Quarto em Arles, 1889
    •⁠ ⁠A Noite Estrelada, 1889
    •⁠ ⁠Autorretrato com Orelha Cortada, 1888
    •⁠ ⁠Oliveiras, 1889
    •⁠ ⁠Os Ciprestes, 1889
    •⁠ ⁠A Sesta, 1890
    •⁠ ⁠A Ronda dos Prisioneiros, 1890
    •⁠ ⁠Amendoeiras, 1890
    •⁠ ⁠A Igreja de Auvers, 1890
    •⁠ ⁠Campo de Trigo com Corvos, 1890
    •⁠ ⁠Retrato de Dr. Gachet, 1890

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    Créditos Fotográficos/Conteúdo: ebiografia.com, wikipedia, http://arteref.com, http://brasilescola.uol.com, bbc.com

  • Arroz –  Um Mergulho na História e Cultura Global

    Arroz – Um Mergulho na História e Cultura Global

    Arroz, (Oryza sativa), é um grão de cereal comestível proveniente de uma planta herbácea da família Poaceae. Aproximadamente metade da população mundial, incluindo praticamente toda a Ásia Oriental e Sudeste Asiático, depende inteiramente do arroz como parte da sua alimentação.

    Oryza Sativa // Ouriques Farm

    Muitas culturas apontam terem sido as primeiras a cultivar o arroz, incluindo a China, a Índia e as civilizações do Sudeste Asiático.

    No entanto, as evidências arqueológicas mais antigas aparecem na China central e oriental e têm data de 7.000 a.C e 5.000 a.C.

    Mais de 90 por cento do arroz mundial é cultivado na Ásia, principalmente na China, na Índia, na Indonésia e no Bangladesh.

    Uma equipa de Arqueólogos ao escavar na Índia, descobriu que a data determinada do arroz poderia ser de 4.530 a.C.
    No entanto, a primeira referência registada tem origem na China em 2.800 a.C.

    O imperador chinês, Shennong, percebeu a importância do arroz para o seu povo e para homenagear o grão, estabeleceu cerimónias anuais do arroz a serem realizadas na época da sementeira, com o imperador a espalhar as primeiras sementes da época.

    Imperador Shennong // tulay.ph

    Actualmente, existem controvérsias sobre o inicio do cultivo do arroz e em que país aconteceu, sendo necessário considerar a diferença entre a domesticação e a colheita da planta em estado ainda selvagem.

    Por exemplo, recentemente na Índia, grãos de arroz e cerâmicas antigas, com data de 6.500 a.C, foram encontrados em Lahuradewa em Uttar Pradesh.

    Estes descobrimentos, indicam o cultivo muito precoce do arroz, cerca de 4.000 anos antes do que se supunha frequentemente nesta região.

    No entanto, outros estudiosos argumentam que estas primeiras descobertas do arroz, podem ter sido colhidas de populações selvagens e concluem que são necessárias mais evidências para provar o cultivo ou domesticação.

    Da mesma forma, na arqueologia chinesa, pressupõe-se que as primeiras descobertas do arroz cultivado foi por volta de de 7.000 a.C. mas, métodos anteriores de análise de amostras, não estabeleceram evidências de comportamentos de cultivo ou de traços físicos de domesticação no arroz.

    Yangtze // visitourchina.com

    Uma reavaliação recente indica que os grãos de arroz, especialmente do Baixo Yangtze, demonstram um aumento progressivo de tamanho, entre 6.000 a.C. e 3.500 a.C., e que esse aumento de tamanho sugere um processo de domesticação.

    Embora não se possa afirmar, que a origem da planta do arroz tenha sido na China, na Índia ou na Tailândia, pode-se certamente confirmar que teve a sua origem na Ásia.

    Existe no entanto, informação da forma como o arroz foi introduzido na Europa e na América. Os viajantes (exploradores, soldados, comerciantes, peregrinos) daquela época, tiveram um papel fundamental, ao levarem consigo para os mais variados destinos, as sementes das culturas que cresciam nas suas terras natais ou em terras estrangeiras.

    No Ocidente, em algumas zonas da América e em certas regiões da Europa, como por ex: Itália e Espanha, que têm um clima adequado e acesso à água, o cultivo do arroz prosperava. Alguns historiadores acreditam que o arroz chegou à América em 1694, num navio britânico com destino a Madagascar.

    Desviado do seu percurso para o porto de Charleston na Carolina do Sul, em vez de Madagascar onde era esperado, os colonos amigáveis, ajudaram a tripulação a reparar o navio. Para demostrar a sua gratidão, o capitão do navio, John Thurber, ofereceu a Henry Woodward algumas sementes de arroz.

    Plantação de Arroz na Carolina do Sul // bunkhistory.org

    Durante a Revolução Americana, toda a área de Charleston foi ocupada, tendo os invasores, enviado para casa todo o arroz colhido, sem deixar nenhuma semente para a colheita do ano seguinte!

    A indústria do arroz americana sobreviveu a este contratempo e o cultivo continuou, graças ao Presidente Thomas Jefferson, que rompeu com uma lei italiana ao fazer contrabando de sementes de arroz para fora da Itália durante uma missão diplomática no final do século XVIII. A indústria do arroz transplantou-se assim da Carolina do Sul para os estados do sul ao redor da bacia do Mississippi.

    O arroz é essencial e muito importante para várias culturas. Está diretamente associado à prosperidade, ao folclore e a lendas, que foram criadas por causa deste grão.

    Em muitas culturas e sociedades, o arroz está diretamente integrado nas crenças religiosas.

    O arroz também está ligado à fertilidade e, por essa razão, existe o costume de atirar arroz aos casais recém-casados. Na Índia, o arroz é sempre o primeiro alimento oferecido aos noivos, para garantir a fertilidade no casamento e o primeiro alimento sólido que as crianças comem.

    Desde os seus primórdios até aos dias de hoje, o arroz continua a desempenhar um papel fundamental em sustentar os apetites do mundo e as tradições culturais.

    D.Dinis O Lavrador // aejms.net

    Em Portugal, foi no reinado de D. Dinis, o Lavrador (1279-1325), que surgiram as primeiras referências escritas à cultura do arroz.

    Receita do Arroz branco seco

    Ingredientes

    •⁠ ⁠Arroz agulha – 1 chávena
    •⁠ ⁠Água quente – 1 chávena e meia
    •⁠ ⁠Cebola – 1 (picada)
    •⁠ ⁠Azeite – q.b.
    •⁠ ⁠Sal grosso – q.b.

    Preparação

    Aqueça um fio de azeite num tacho, junte a cebola e deixe cozinhar até ficar macia.

    Passe o arroz por água com a ajuda de um coador, escorra-o bem e junte-o à cebola. Mexa e deixe fritar um pouco até o arroz ficar translúcido.

    Tempere com sal e junte a água quente. Tape e mal comece a fervilhar reduza o lume e deixe cozinhar. Desligue o lume e deixe terminar de cozinhar no próprio vapor.

    Arroz branco é um excelente acompanhante de Tripas à moda do Porto. Quer saber mais sobre essa combinação perfeita? Não perca o nosso artigo especial sobre o assunto aqui!

    Fontes: UCL, Rice Association, Casa do Arroz

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  • Mini-Saia – Uma revolução feminina nos anos 60

    Mini-Saia – Uma revolução feminina nos anos 60

    Criada há mais de 60 anos, a mini-saia foi a peça que marcou a Liberdade e a Emancipação da mulher.

    História e Contexto político e social

    Após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), houve uma explosão de nascimentos de bebés, os famosos “baby boomers”.
    Na década de 60, o mundo estava cheio de jovens a “gritar” por mudanças e a viverem o movimento da contracultura, que foi o responsável por contestar padrões conservadores da época.

    Protestos nos anos 60 // americanarchive.org

    Ainda nesse período, outros acontecimentos foram fundamentais para o espírito revolucionário desses jovens: a ida do homem à Lua, a segunda onda do feminismo e a comercialização da pílula anticoncepcional nos Estados Unidos.

    A moda e as tendências sempre foram um reflexo do comportamento das épocas, ao longo de toda a história da humanidade. Ou seja, as roupas mudam conforme surgem novos valores da sociedade e, neste caso concreto, existia um contexto jovem de insatisfação política.

    Contexto económico

    Foi também em meados de 1960 que a alta-costura, caracterizada por peças luxuosas feitas sob medida, entrou em declínio e o prêt-à-porter caracterizado pela produção em larga escala, teve a sua ascensão. Por consequência, a saia longa precisava de perder pano para se tornar mais funcional e mais barata para um grupo de mulheres jovens e feministas.

    Origem da mini-saia

    No entanto, a origem da mini-saia ainda é incerta. Os historiadores não têm certeza sobre quem realmente criou ou começou a produzir as mini-saias. Porém, dois estilistas considerados precursores desta peça ficaram em destaque: a britânica Mary Quant (1930-2023) e o francês André Courrèges (1923-2016).

    Mary Quant // http://nytimes.com

    Foi entre 1965 e 1970 que a mini-saia ficou mais popular.

    Carnaby Street, nos anos 60 era o Centro da cultura pop emergente, esta rua londrina fervilhava de ideias inovadoras. Jovens com roupas coloridas percorriam esta rua, para cima e para baixo, não deixando ninguém indiferente. Foi precisamente aqui que a jovem Mary Quant, estilista britânica e fundadora da Bazaar (loja de moda que criava peças que refletiam o espírito jovem da cidade), deu a conhecer ao mundo uma peça de roupa que, rapidamente, se tornou famosa – a mini-saia.
    E livremente as pernas saíram para a rua…

    Mary Quant era fã do carro “Mini” e por isso a saia, tem esse nome.

    Para esta estilista, a moda era tudo menos aborrecida. Os jovens deviam vestir roupa adequada à sua própria personalidade e espírito. Nada de imitar os mais velhos – o que se queria era um vestuário divertido, irreverente e, também, barato.

    Mary Quant sempre afirmou que foram as próprias jovens de King’s Road que inventaram a peça, que esta era fácil de vestir, simples e juvenil. Que se poderiam mover livremente, saltar e correr atrás dos autocarros. Proferiu ainda, que apenas começou a fazer a barra da altura que as jovens queriam: bem curtas!

    André Courrèges // ledevoir.com

    Nesse período, o francês André Courrèges, que também é considerado um pioneiro da mini-saia, inventou o vestido trapézio e em 1965, lançou a “Mod Collection”.
    Yves Saint Laurent e Pierre Cardin também fizeram coleções com a mini-saia.

    A Revolução

    Naquela época, o desejo de liberdade era enorme. Foi o auge dos Beatles e da queima de sutiãs. E sim, a famosa mini-saia estava presente entre as 400 ativistas do grupo Women’s Liberation Movement que se reuniram durante o Miss América de 1968 para queimar sutiãs e outros objetos que simbolizavam a beleza feminina. Sem dúvidas, um marco histórico!

    Imagem: http://modahistorica.blogspot.com

    Antes da mini-saia, a roupa era usada para esconder as mulheres de “apetites” masculinos, só que tais roupas não eram práticas e dificultavam os movimentos. A mini vinha como uma opção rápida e prática de se vestir, tornando a moda mais divertida e decretando a morte da austeridade convencional.

    A mini-saia desde logo foi motivo das mais diversas opiniões. Se havia quem a considerasse como uma grave ofensa aos bons costumes, outros havia que a idolatravam.

    O que é certo é que uma mini-saia e umas botas pelo joelho foram, rapidamente, adotadas pelas raparigas mais jovens, sedentas de algo que quebrasse com todas as tradições. Depois de séculos com as pernas cobertas, elas eram agora mostradas sem pudor, tal como são.

    Imagem: Salão Virtual

    Lulu e Twiggy foram apenas algumas das modelos que ajudaram a espalhar a invenção de Mary Quant um pouco por todo o mundo. Sob a influência da pop art, motivos dos mais diversos serviam de inspiração para criar as mais irreverentes mini-saias. Meias e collants divertidos completavam o figurino.

    Símbolo do feminismo da época, a mini-saia, era uma forma de se manifestar, de reivindicar a sensualidade e a sexualidade. Isto, desagradava aos pais das jovens, que as proibiam de as usar. Mas não resultava, porque elas simplesmente cortavam os seus vestidos!

    A mini-saia era algo tão novo que quando a peça chegou aos Estados Unidos não havia um mercado preparado para a receber, mesmo assim, a juventude americana estava igualmente fascinada e ansiosa pela liberdade, procurando roupas menos rigorosas e uma elegância ousada.

    Twiggy // Miniskirt Revolution

    Proibição e protestos

    A mini-saia chegou a ser proibida em países como a Holanda, houveram protestos contra ela na França. Mas também houve protestos de mulheres a exigir o direito de as usar! Uma peça que alcançou impacto popular porque mostrava um pouco mais do corpo feminino, sempre considerado um “objeto” a ser resguardado, já que os velhos hábitos diziam para as mulheres se vestirem de modo “decente”, afinal elas passavam de ser propriedade dos pais para logo a seguir serem dos maridos. Demoraram muitos anos para os tabus caírem, a revolução de Maio de 1968 ajudou nesse processo.

    Manifestação em Paris – Maio de 1968 // MST

    Naquela época, existia este espírito de liberdade no ar, as mulheres revelaram os seus joelhos e coxas pela primeira vez, o que foi visto como um sinal de rebeldia e emancipação.

    Retrocesso

    O ano de 1969 marcou o auge da mini-saia. Mas o encurtamento da peça atingiu o seu ponto de saturação fashion e o retorno das saias e vestidos mais longos tornou-se a melhor alternativa na época. Contribuiram para o efeito o factor cíclico da moda, mas também, as variações dos valores sociais. Aos poucos, a obsessão jovem e a revolução sexual, iniciada na década de 1960, começou a pluralizar-se e a distanciar-se do culto do corpo quase sempre magro e exposto.

    Regresso rebelde

    Então, a partir da década de 70, a mini-saia foi incorporada novamente à moda, só que desta vez associada ao estilo punk. Eram combinadas com meias-arrastão, jaquetas de couro, blusas rasgadas e penteados rebeldes.

    Na primavera de 1985, Vivienne Westwood revisitou a peça na sua coleção Mini-Crini, com uma versão supercurta das saias vitorianas, estruturadas por crinolinas (por esse motivo o nome).

    Mini-Crini // LACMA

    Portanto, desde o seu surgimento e no decorrer dos anos, a mini-saia sempre se manteve na moda.

    Por alguns, ela ainda é considerada vulgar, indecente e deselegante. Mas a realidade é que se tornou numa peça clássica, cheia de história, carisma e empoderamento feminino.

    Uma peça de roupa que incomoda tanto, só poderia ter nascido e se ter firmado entre os livres e rebeldes: a mini-saia!

    Fontes: styleitup.com, modahistorica.blogspot, mulherportuguesa.com, jornalcruzeiro

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  • A Invenção do Telefone – Alexander Graham Bell

    A Invenção do Telefone – Alexander Graham Bell

    Oficialmente, a invenção do telefone é atribuída ao cientista de origem Escocesa Alexander Graham Bell nascido em 3 de Março de 1847 em Edimburgo, Escócia, Reino Unido.

    Interessou-se desde a juventude pela fala. O interesse por esse campo de pesquisa foi resultado de circunstâncias familiares. O seu pai estava envolvido com a educação de pessoas surdas e a sua mãe começou a perder a audição quando ele tinha 12 anos, o que motivou o seu interesse pela fala e pelo som.

    Dedicou parte de sua vida a ensinar dicção e terapia da fala em instituições na Escócia e posteriormente em Londres.

    Em 1870, Alexander Graham Bell, emigra com a familia para o Canadá. Mais tarde, ao conseguir uma vaga de fisiologia vocal e elocução na Universidade de Boston, mudou-se para os Estados Unidos da América e foi nessa altura, que conheceu Mabel Hubbard, sendo esta também surda, tendo casado no dia 11 Julho de 1877, tornado-se cidadão natural dos Estados Unidos.

    Alexander Graham Bell era um fonoaudiólogo que pesquisava formas de aperfeiçoar os seus estudos com as pessoas surdas.

    A ideia era recolher as vibrações dos sons e transformá-las em vibrações elétricas.
    Ele procurava um meio de transmitir palavras por ondas elétricas aos seus pacientes. Foi assim que iniciou os projetos que levaram à invenção do telefone.

    A invenção do telefone ocorreu de forma acidental para aperfeiçoar as transmissões do telégrafo que possuia conceitos estruturais muito semelhantes.

    Ao telégrafo, contudo, era possivel a transmissão de apenas uma mensagem de cada vez. Tendo bons conhecimentos de música, Graham Bell, percebeu a possibilidade de transmitir mais de uma mensagem ao longo do mesmo fio de uma só vez na concepção de “telégrafo múltiplo”

    Este era um conceito novo. Outros tentaram, mas Graham Bell foi quem conseguiu esse progresso e utilizou a electricidade para conduzir a voz humana.

    No início de Junho de 1875, Graham Bell e o seu assistente Thomas Watson (1854-1934) fizeram muitas experiências com dispositivos sonoros e elétricos.
    A ideia era recolher as vibrações dos sons e transformá-las em vibrações elétricas.
    Nesse mesmo mês e devido a essas experiências, o seu assistente Thomas Watson foi o primeiro a ouvir uma voz humana pelo dispositivo denominado telefone.


    As pesquisas posteriores, tiveram como objetivo o desenvolvimento de uma membrana para transformar o som em corrente e reproduzi-lo novamente no outro lado.

    Assim, foi criado o primeiro telefone, um aparelho rudimentar feito em madeira chamado telefone de forca.

    No ano seguinte e com o financiamento do seu sogro americano, em 7 de Março de 1876, o Escritório de Patentes dos Estados Unidos concedeu a Alexander Graham Bell a patente número 174 465 que cobre “o método de, e o instrumento para, transmitir sons vocais ou outros telegraficamente, causando ondulações eléctricas, similares às vibrações do ar que acompanham o som vocal”, ou seja o telefone, que revolucionaria a comunicação em todo mundo.

    Mas foi 3 dias depois, em 10 de Março daquele ano, que a primeira transmissão completa foi realizada. Por esse motivo o dia 10 de Março ficou marcado posteriormente como o dia do telefone.

    Segundo consta, a primeira frase transmitida foi dita por Graham Bell a Thomas Watson que escutou:
    “Senhor Watson venha cá. Preciso de falar com você “

    Um dos primeiros telefones utilizados com a patente de Bell (1977)

    No ano seguinte, Graham Bell, fundou a companhia Telefónica Bell que se tornou posteriormente a American Telephone & Telegraph, a maior companhia telefónica do mundo.

    Outro nome que também é apontado como o responsável pela criação do aparelho, é o do italiano António Meucci (1808-1889) reconhecido como o autor de um dispositivo semelhante em 1860. Esse dispositivo foi apelidado de “telégrafo falante”.
    Ele infelizmente, não tinha recursos suficientes para patentiar a sua invenção e o seu trabalho só foi reconhecido muitos anos após a sua morte.

    Existe ainda outro autor que disputou a patente do telefone, o engenheiro electricista Elisha Gray (1835-1901).

    O registo da patente de invenção do telefone em Março de 1876, deu início a uma das mais longas batalhas judiciais por patentes da história.

    Embora Alexander Graham Bell seja apontado como o inventor do telefone, é importante reconhecer que a invenção do telefone surgiu da contribuição de vários inventores em vários Países ao longo do tempo: na Alemanha, Johann-Philipp Reis; na França, Charles Bourseul, além dos já supracitados.

    No tribunal dos EUA foram movidas por Gray cerca de 600 ações reivindicando a invenção. No entanto Bell ganhou todas.

    Em 11 de Junho de 2002, o Congresso Americano reconheceu o Italiano Antonio Meucci como o verdadeiro inventor do telefone, através da resolução N°. 269.[3] Meucci vendeu o protótipo do aparelho a Bell na década de 1870. Porém, 10 dias depois, o Congresso Canadense reconheceu Bell.

    Este conflito de patentes acontece há décadas, sem uma definição.

    Além do telefone Alexander Graham Bell, foi responsável por outras invenções relacionadas ao som e também à aeronáutica.

    Em 1888, Alexander Graham Bell foi um dos fundadores da National Geographic Society e em 7 de janeiro de 1898 assumiu a presidência da instituição.

    Além do trabalho como cientista e inventor, Bell era favorável à esterilização compulsiva, tendo liderado algumas organizações favoráveis à eugenia. Um facto muito controverso na sua biografia é a sua forte identificação com o pensamento eugenista, que, em linhas gerais, prega que determinados grupos humanos não se deveriam reproduzir ou se misturar com outras etnias para não comprometer uma ideia de raça pura.

    Morreu em 2 de agosto de 1922 com 75 anos, em Beinn Bhreagh, Nova Escócia, Canadá, onde se encontra sepultado.

    “O inventor é um homem que olha ao redor do mundo e não se contenta com as coisas como elas são. Ele quer melhorar o que vê, quer beneficiar o mundo; ele é assombrado por uma ideia. O espírito de invenção o possui, buscando a materialização.”

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    Fontes Fotográficas/Conteúdo: eBiografia, todamateria, DW, Wikipedia, Britannica, Science Museum Group

  • Thomas Edison – O criador da lâmpada elétrica

    Thomas Edison – O criador da lâmpada elétrica

    Thomas Alvas Edison, nasceu no dia 11 de Fevereiro de 1847 em Ohio, e é o cientista norte-americano que deu vida à lâmpada elétrica.

    Foi Inventor, cientista e empresário. Durante toda a sua vida, Thomas Edison registou 2.332 patentes de diversas criações e inovações, como a lâmpada incandescente, o fonógrafo e a primeira câmera cinematográfica.

    Antes das suas invenções, Thomas Edison teve diversas funções, como jornaleiro e telégrafo, contribuindo muito com as suas invenções, para o avanço científico. A lâmpada elétrica é sem dúvida uma das grandes criações da humanidade, responsável por uma revolução na vida em sociedade.

    Ainda na adolescência ele teve interesse por por telégrafos. Foi nessa época, aos 14 anos, que sofreu um acidente de comboio que prejudicou seriamente a sua audição.
    Durante a sua juventude, Thomas Edison enfrentou desafios educacionais devido aos seus problemas auditivos e um estilo de aprendizagem não convencional, o que levou a sua mãe, uma ex-professora, a educá-lo em casa. Este período de formação foi fundamental, pois incutiu nele uma paixão pelas experiências e uma aprendizagem autodidata.

    Desde jovem, Thomas Edison mostrou um fascínio pela ciência e mecânica. Ele passava horas a ler livros de ciências e a realizar experiências. A sua curiosidade levou-o a montar um laboratório de química no porão da sua casa e mais tarde, um laboratório improvisado num vagão de comboio, enquanto trabalhava como telégrafo itinerante. Essas experiências iniciais moldaram o seu caminho para se tornar um grande inventor.
    Aos 22 anos, mudou-se para Nova York, onde as suas habilidades e inovações começaram a ganhar reconhecimento. As suas primeiras invenções, incluindo um contador elétrico para empresas de telegrafia, abriram caminho para as suas realizações futuras.

    A invenção da lâmpada foi fruto do esforço de diversos cientistas ao longo do tempo. Foram muitas as experiências e tentativas até se chegar a um dispositivo prático que pudesse ser amplamente difundido.
    O grande desafio estava em conseguir encontrar um filamento que não queimasse ao passar eletricidade.


    Thomas Edison alcançou o seu objetivo, resultado e êxito definitivo em 1879 quando patentiou o que seria a sua maior criação, uma lâmpada feita a partir de um filamento de carbono e uma cápsula de vidro em vácuo. Foi possível manter a lâmpada incandescente por 48h, sendo esta a primeira lâmpada bem sucedida o suficiente para ser comercializada.

    Segundo a história, foram feitas mais de 1.000 tentativas e testados cerca de 6.000 materiais diferentes até se chegar a um resultado de sucesso, e foi a partir daí que Thomas Edison inspirou diversas pessoas a persistirem sempre nos seus objetivos, já que para ele as tentativas não tinham sido falhas e sim descobertas de fazer uma lâmpada de mil maneiras.

    Thomas Edison não foi apenas um inventor prolífico, mas também um empreendedor visionário, que soube transformar as suas invenções em bem-sucedidos empreendimentos comerciais. A sua capacidade de ver além do laboratório e compreender o potencial industrial e comercial das suas inovações foi fundamental para a modernização da produção e do consumo.

    Um exemplo marcante dessa visão empreendedora foi a fundação da Edison Electric Light Company em 1878, que mais tarde se tornou a General Electric, uma das maiores e mais diversificadas empresas industriais do mundo.

    A General Electric foi pioneira na industrialização da produção de energia elétrica e equipamentos, desempenhando um papel crucial na eletrificação dos Estados Unidos e posteriormente de outras partes do mundo.
    Além disso, as suas realizações abrangem uma variedade de campos, incluindo telecomunicações, gravação de som e produção cinematográfica. A sua abordagem empresarial para a inovação estabeleceu um modelo para a pesquisa e desenvolvimento modernos, combinando criatividade técnica com visão comercial.

    Thomas Edison no seu laboratório em West Orange, New Jersey em 1901

    A sua contribuição mais notável, a lâmpada incandescente, transformou para sempre a forma como a humanidade usa a energia, inaugurando uma nova era na iluminação e no consumo de energia, pois permitiu uma renovação nas indústrias, na tecnologia, na iluminação de casas, cidades e indústrias e na forma como as pessoas passaram a encarar trabalho e momentos de lazer. A persistência, determinação e vontade de criar, fizeram de Thomas Edison um dos maiores inventores da história.

    Thomas Edison morreu aos 84 anos, no dia 18 de Outubro de 1931 em West Orange, nos EUA e ao longo da sua vida, expressou uma série de frases memoráveis e inspiradoras. Levando em consideração o seu trabalho de inventor, autodidata e empreendedor, talvez a mais famosa delas seja : “A nossa maior fraqueza está em desistir. A maneira mais certa de ter sucesso é sempre tentar mais uma vez.”

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    Fontes Fotográficas/Conteúdo: Biblioteca do congresso
    dos EUA
    , britannica.com, Instituto Liberal, Glight, Quero Bolsa, eBiografia

  • A roda de madeira mais antiga do mundo

    A roda de madeira mais antiga do mundo

    A roda mais antiga do mundo, foi encontrada por arqueólogos Eslovenos, pertencentes ao instituto de Arqueologia da Ljubljana a 29 de Março de 2002.

    A agora chamada roda da Ljublana foi encontrada a sul de Ljubljana, na Eslovênia, num local chamado Stare Gmajne.

    Rodas semelhantes foram encontradas nas regiões montanhosas da Suíça e do sudoeste da Alemanha, mas esta roda de Ljubljana, é maior e mais antiga encontrada até aos dias de hoje.

    Com cerca de 5.170 anos, esta roda foi executada entre os anos 3030 e 3360 a.c, na época da Idade do Cobre.

    Feita de madeira de freixo, a roda Ljublana Marshes (nome em Inglês), tem 5 cm de espessura e um diâmetro de 72 cm. O eixo de carvalho, de 124 cm de comprimento, foi fixado à roda com cunhas de carvalho. Suspeita-se que fazia parte de um carrinho de mão com duas rodas.

    Mais da metade da sua estrutura foi preservada, e na fotografia, encontrada no site do museu da cidade de Ljublana, podemos ver o orifício de formato quadrado que funcionava como encaixe do eixo de carvalho.

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    Créditos de Fotografias e Informaçãohttps://slovenia.si/https://3seaseurope.com/