O Vinho Verde é único no panorama mundial, caracterizado pela sua frescura, leveza e teor alcoólico moderado.
Produzido maioritariamente no noroeste de Portugal, na Região dos Vinhos Verdes, este vinho pode ser branco, tinto ou rosé.
A designação “verde” não se refere à cor, mas sim à juventude do vinho, à frescura e ao terroir verdejante da região demarcada.
Este vinho representa 15% da área vitícola nacional.
História e Origem
O Vinho Verde é um dos vinhos mais antigos e emblemáticos de Portugal, com registos de produção que remontam à época romana.
Há registo de uma adega doada ao convento de Alpendurada em 870 d.C., e esta vinha foi crescendo durante os séculos seguintes, impulsionada por ordens religiosas e benefícios fiscais.
O Vinho Verde era sobretudo para consumo local, mas é possível que tenha sido exportado no século XII. As primeiras exportações conhecidas foram para Inglaterra em 1788.
Região Demarcada
A Região dos Vinhos Verdes é uma das maiores regiões demarcadas de Portugal, composta por nove sub-regiões: Monção e Melgaço, Lima, Basto, Cávado, Ave, Sousa, Amarante, Baião e Paiva.
Cada sub-região tem micro-climas e características distintas, o que torna os vinhos verdes bastante diversificados.
A região dos Vinhos Verdes é marcada por uma forte influência Atlântica, resultado da disposição dos vales dos seus principais rios, que se estendem de nascente a poente e promovem a entrada dos ventos vindos do mar.
O clima distingue-se pela elevada precipitação, temperaturas suaves ao longo do ano, baixa variação térmica e predominância de solos graníticos, sendo que, em algumas zonas, o solo apresenta também características xistosas.
Frescura e Leveza: O Vinho Verde é geralmente baixo em álcool (9% a 12%), tem acidez vibrante e frequentemente apresenta ligeira efervescência (agulha).
Aromas: Notas cítricas, florais, minerais e, por vezes, nuances tropicais ou salinas.
Versatilidade: Vai desde brancos jovens e leves a estilos mais complexos e estruturados; há também rosés frescos e tintos robustos.
Harmonização: Perfeito para acompanhar mariscos, peixe grelhado, saladas, comida asiática, ou apenas para refrescar num final de tarde quente.
Tipos de Vinho Verde
Vinho Verde Branco Delicado, fresco e com baixo teor alcoólico, os vinhos brancos da região distinguem-se pelos aromas vibrantes de flores e frutas jovens. São leves, elegantes e, nos estilos mais clássicos, exibem um ligeiro frisante.
Destacam-se pela harmonia com a gastronomia local.
Vinho Verde Tinto Cor vermelha intensa, taninos marcantes e acidez elevada. Aromas de frutos vermelhos e silvestres.
São vinhos frescos e cheios de carácter, perfeitos para acompanhar pratos tradicionais.
Vinho Verde Rosé Muito aromático, com notas de frutos vermelhos e frescos que se prolongam na prova.
O perfil de cor vai do rosa intenso aos tons mais claros, tendência inspirada nos rosés de Provence.
Refrescante e versátil, é ideal para dias descontraídos e pratos leves.
Curiosidade Cultural
O Vinho Verde faz parte dos hábitos sociais e culturais do Norte de Portugal; é comum encontrá-lo em festas populares, romarias e convívios familiares.
Servido bem fresco, acompanha na perfeição as iguarias típicas da região, como sardinhas assadas, caldo verde, rojões e o famoso arroz de lampreia (no Douro e Minho).
Conclusão
O Vinho Verde não é apenas um vinho jovem e leve; é um universo com história, inovação e grande expressão regional.
A cada ano, conquista novos apreciadores, mantendo-se fiel às suas raízes, mas sempre atento às tendências e exigências do consumidor moderno.
A nossa missão é dar a conhecer uma ampla variedade de conteúdos aprofundados e intrigantes que vão enriquecer o seu conhecimento e satisfazer a sua curiosidade.
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Baruch Spinoza, também conhecido como Bento de Espinosa e Benedictus de Spinoza, nasceu a 24 de Novembro de 1632, em Amesterdão, numa família Portuguesa de origem Judaica.
Spinoza foi excomungado da comunidade Judaica Portuguesa em 1656, o que contribuiu para a sua reputação de figura controversa.
Apesar disso, ganhou reconhecimento postumamente, e os estudiosos de hoje, continuam a examinar e a celebrar os seus pensamentos, integrando-os no discurso filosófico moderno.
A filosofia de Baruch Spinoza é rica e complexa, abrangendo várias ideias que desafiam as visões tradicionais sobre Deus, a natureza e a humanidade.
Neste artigo iremos explorar alguns dos seus principais conceitos filosóficos.
Principais conceitos filosóficos
Panteísmo
Spinoza está frequentemente associado ao panteísmo, a crença de que Deus e a Natureza são uma só coisa.
Determinismo
Spinoza acreditava que tudo no universo segue leis naturais. Os seres humanos, tal como todos os outros aspectos da natureza, são determinados por causas e condições, levando à rejeição do livre-arbítrio no sentido tradicional.
Ética e Emoções
Na sua obra, Spinoza explorou a natureza das emoções humanas e sugeriu que compreender estas emoções através da razão leva à liberdade e felicidade. Baruch enfatizou a importância do conhecimento racional na dominação das paixões.
Tipos de Conhecimento
Spinoza classificou o conhecimento em três tipos:
Conhecimento Imaginativo: Derivado da experiência sensorial e frequentemente enganoso.
Conhecimento Racional: Conhecimento obtido através do uso da razão e da dedução lógica.
Conhecimento Intuitivo: A compreensão direta da essência das coisas.
Natureza de Deus
O Filósofo Português rejeitou a concepção antropomórfica de Deus.
Para Spinoza, Deus não possui qualidades humanas, como vontade ou emoção. Na teoria de Baruch, tudo o que acontece é resultado das leis naturais inerentes ao universo.
Filosofia Política
No seu livro “Tractatus Theologico-Politicus”, Spinoza discutiu a relação entre a religião e o estado, defendendo a liberdade de pensamento e a separação da igreja do estado.
Ele argumentou que uma sociedade bem governada deveria garantir a liberdade e a segurança dos seus cidadãos, independentemente das suas crenças.
Liberdade Humana
Embora tenha rejeitado o livre-arbítrio no sentido tradicional, Spinoza defendeu que a verdadeira liberdade é compreender a necessidade das nossas emoções e desejos.
Viver de acordo com a razão permite que os indivíduos alcancem um tipo de liberdade e paz.
Unidade da Existência
Spinoza enfatizou a unidade de toda a existência, propondo que tudo está interconectado e faz parte da mesma substância divina, o que oferece uma visão holística da realidade.
Principais Obras
“Tractatus Theologico-Politicus”: Explora a relação entre a religião e o estado, argumentando a favor da separação da filosofia e da teologia.
“Ethices”: A sua obra mais famosa, escrita em estilo geométrico, apresenta as suas visões sobre Deus, a natureza e a emoção humana, enfatizando a importância da compreensão racional.
Baruch Spinoza foi influenciado por vários filósofos e tradições filosóficas, mas muitos argumentariam que a influência mais significativa nos seus pensamentos foi René Descartes.
A ênfase de Descartes no racionalismo e lógica influenciou profundamente Spinoza.
Spinoza envolveu-se profundamente com a filosofia cartesiana, particularmente no que diz respeito ao dualismo e à natureza da substância.
Embora tenha adotado o método de Descartes de usar a geometria para expressar argumentos filosóficos, Spinoza rejeitou a ideia de duas substâncias distintas (mente e corpo) e propôs uma visão em que a mente e o corpo estão interconectados.
O filósofo foi também fortemente influenciado pelos avanços em Matemática e pela revolução científica do seu tempo.
Legado
Spinoza foi um precursor do Iluminismo e influenciou uma ampla gama de pensadores, incluindo Idealistas alemães e filósofos posteriores, como Nietzsche e Kant.
As suas ideias sobre liberdade, democracia e a natureza tiveram um impacto duradouro na filosofia e na política.
Recentemente, as ideias de Spinoza ganharam um novo interesse em várias áreas, incluindo teoria política, ética ambiental e metafísica.
A sua ênfase na interconexão e na unidade da existência ressoa com discussões contemporâneas sobre filosofia ecológica e pensamento sistémico.
Em conclusão, o legado de Baruch Spinoza é caracterizado pela sua ousada reinterpretação de conceitos fundamentais relativos a Deus, à natureza, à ética e à sociedade.
Spinoza continua a ser uma figura fundamental na história do pensamento, inspirando discussões sobre liberdade, conhecimento e a natureza da realidade no nosso mundo contemporâneo.
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Portugal é um país repleto de história, tradições e mistérios.
Entre as belezas naturais e as cidades históricas, as lendas portuguesas emergem como verdadeiros tesouros culturais, transmitindo valores, lições e a rica herança de um povo.
Hoje, vamos embarcar numa viagem fascinante pelo mundo das lendas que habitam as nossas terras, cada uma delas repleta de ensinamentos e encanto.
Lenda da Moura Encantada
As moiras, ou mouras encantadas, são seres fantásticos do folclore português e galego que possuem poderes sobrenaturais.
As Mouras encantadas são descritas como espíritos que são obrigados, por uma força oculta, a viverem num estado de entorpecimento ou adormecimento, até que uma determinada acção quebre o encanto.
Antigos relatos populares afirmam que estas moiras são almas de donzelas que foram deixadas a guardar os tesouros escondidos pelos mouros.
Lenda do Pulo do Lobo
Segundo a tradição popular, o nome «Pulo do Lobo» deve-se ao estreito do rio Guadiana, que era tão afunilado que permitia que os lobos o atravessassem a salto.
Numa das margens do rio vivia uma princesa, enquanto na margem oposta morava um rapaz camponês que se apaixonou por ela.
Eles encontraram-se várias vezes, até que o pai da princesa descobriu a relação e, após uma ameaça inicial sem efeito, recorreu a uma bruxa que lançou um feitiço sobre o rapaz: se ele saltasse o rio novamente, transformaria-se num lobo.
Apesar do aviso, o rapaz saltou e a sua transformação aconteceu.
O casal continuou a encontrar-se, mas o rei, percebendo que o feitiço não funcionou, reuniu a aldeia para persegui-los.
Para escapar, decidiram atravessar o rio em busca de liberdade, mas a princesa não conseguiu chegar à outra margem e afundou-se nas águas turbulentas.
Desolado pela perda, o rapaz-lobo atirou-se ao precipício e também foi levado pelas correntes do rio.
Rainha Santa Isabel
Isabel de Aragão, esposa do rei D. Dinis, é uma figura histórica envolta em lendas.Diz a lenda que D. Dinis desaprovava a sua política social de proximidade.
Num certo dia, o marido surpreendeu-a durante uma de suas ações de solidariedade, perguntando-lhe o que ela tinha no colo.
Isabel levava pão para dar aos mendigos, mas, sabendo que isso desagradara ao rei, disse que eram rosas. Seria uma resposta perfeita se não fosse Janeiro, mês em que as rosas não florescem.
A rainha percebeu que havia sido descoberta e abriu o seu manto. Em vez de pão, rosas caíram-lhe do colo. Estava feito o primeiro milagre
Lenda da Espada de D. Sebastião
Diz a lenda, que Dom Sebastião em terras da Madeira, onde o monarca esteve de passagem a caminho da Ilha Encoberta, decidiu que já não precisava do seu equipamento de guerreiro.
Assim, após descansar alguns minutos nesta ilha, pegou na sua espada e atirou-a para longe — uns dizem que foi em direção à Penha d’Águia, outros afirmam que a lançou para a Ponta do Garajau.
Em ambos os casos, os locais são de difícil acesso, tornando praticamente impossível que alguém conseguisse recuperar a espada do rei.
Tal como a Excalibur do Rei Artur, a espada perdurou apenas na imaginação dos habitantes da ilha, onde esta narrativa nos chegou já sob a forma escrita, no início do século XX.
Lenda de S. Martinho
Conta a lenda que, num dia frio e tempestuoso de outono, um soldado romano chamado Martinho cavalgava pelo seu caminho quando se deparou com um mendigo com muita fome e frio.
Reconhecido pela sua generosidade, Martinho retirou a capa que usava e, com a espada, cortou-a ao meio, oferecendo uma das metades ao mendigo.
Mais à frente, encontrou outro homem necessitado e decidiu dar-lhe a outra metade da capa.
Sem a sua capa, Martinho prosseguiu a sua jornada, enfrentando o frio e o vento, quando, de repente, como por milagre, o céu se abriu e a tempestade desapareceu.
Os raios de sol começaram a aquecer a terra e o bom tempo prolongou-se por cerca de três dias.
Desde então, todos os anos, por volta do dia 11 de novembro, surgem esses dias de calor, que ficaram conhecidos como o “verão de S. Martinho”.
O Legado das Lendas
À medida que chegamos ao fim da nossa exploração pelas lendas portuguesas, é impossível não sentir o fascínio que estas histórias exercem sobre nós.
Cada narrativa carrega consigo não apenas um pedaço da história, mas também os sentimentos, valores e sabedoria de gerações passadas.
Estas lendas, enraizadas na cultura e tradições do nosso povo, são um convite para olharmos com mais atenção para o nosso património e para a rica tapeçaria de histórias que nos une
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Os Caretos de Podence são originários da aldeia portuguesa de Podence, no concelho de Macedo de Cavaleiros. Foram declarados Património Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO a 12 de Dezembro de 2019.
Origem
No coração do Nordeste Transmontano, celebra-se na semana carnavalesca o tão aclamado Carnaval de Podence – Entrudo Chocalheiro, onde os Caretos de Podence (encenação pagã) dão cor com os seus trajes à aldeia e aos muitos turistas que por ali passam.
Este evento ritual tendo origem no chamado “tempo longo”, de organização da vida em função dos ritmos do ciclo agrário, reporta às festas de celebração do final do ciclo de inverno e início do ciclo produtivo da primavera.
Singular e diferente, relativamente a outras festividades de Carnaval realizadas noutros pontos do país e adaptando-se a um contexto socio económico pós-rural, a festa de Carnaval dos Caretos de Podence assume hoje particularidades próprias.
A máscara e o fato, os comportamentos que caracterizam o ritual e os protagonistas da festa, os mascarados, conhecidos como “caretos”, na sua função social atual, assumem um formato distinto e único.
Tradição
A participação inicia-se na infância, quando as crianças começam a vestir fatos semelhantes aos dos caretos (facanitos) e a imitar o seu comportamento, cumprindo também elas um processo de iniciação e garantindo ao mesmo tempo a continuidade da tradição, criando uma vertente identitária profunda desta comunidade.
Os Caretos de Podence constituem uma marca diferenciadora do território de Trás os Montes, o evento Entrudo Chocalheiro Carnaval dos Caretos, constitui um polo atrativo a nível nacional e Internacional.
A tradição perde-se no tempo e esteve em vias de desaparecer nos anos de 1960/70 devido à emigração e à guerra Colonial.
Ritual
Os Caretos de Podence são conhecidos pelo seu comportamento performativo, “as chocalhadas” de que são alvo principal as mulheres, um ato simbólico que remete para uma origem remota e uma possível ligação a antigos rituais agrários e de fertilidade.
Hoje, estes mascarados, que visitam as casas de vizinhos e familiares, num ritual de convívio e amizade, fazem do Entrudo Chocalheiro um momento essencial da vida dos descendentes de Podence, muitos deles, emigrantes que deixaram a aldeia e regressam no Carnaval para dar continuidade à prática que herdaram dos pais e avós.
Atualmente, a festa é participada por “caretos” de idade e estado civil “variado” e já não apenas pelos rapazes solteiros, havendo também participação dos mais pequenos, a que chamam “facanitos” e de raparigas envergando fatos de “careto” dos pais, tios ou irmãos.
A participação das raparigas é relativamente tolerada e permitida pela também relativa espontaneidade da organização das saídas dos “caretos” pelas ruas da aldeia.
O objeto principal das investidas chocalheiras dos caretos é também mais amplo, abrange tanto as mulheres solteiras como as casadas, residentes, turistas ou visitantes da aldeia.
Na noite de Domingo Gordorealizam-se casamentos fictícios entre os rapazes e raparigas solteiros, numa cerimónia trocista. É um momento de humor, sem hipótese de reclamação por parte dos escolhidos.
Na manhã do dia seguinte, a tradição manda que o rapaz vá visitar a rapariga que lhe calhou por sorteio, recebendo doces e vinho fino em gesto de agradecimento.
Herança simbólica
Os mascarados, não são apenas os residentes na aldeia, e sim os seus descendentes com ligações familiares e atuais à localidade, que habitando em localidades e cidades próximas ou não, ou ainda estando emigrados noutros países, regressam por altura da festa para participar no Carnaval.
Os “caretos” são personagens com fatos preenchidos com franjas de lã, máscaras de lata ou couro e chocalhos à cintura que saindo à rua, no Domingo Gordo e na Terça-Feira de Carnaval, chocalham, gritam e amedrontam, saltando e correndo desenfreadamente pelas ruas da aldeia, empoleiram-se ainda nas varandas e entram nalgumas casas da aldeia, onde muitas vezes são convidados a comer e beber, exibindo, no entanto, um comportamento mais moderado do que em décadas anteriores, e que se revela mais adequado ao cenário atual da festa, mantendo bem viva a manifestação.
Associação cultural
Em 1985, os Caretos de Podence organizaram-se e transformaram o grupo numa associação cultural, com o objetivo principal de preservar estes eventos tradicionais.
Como símbolo da cultura do nordeste transmontano, estes mascarados têm sido convidados a participar em vários acontecimentos culturais e recreativos ao longo do país, sobretudo quando é possível integrar a animação de rua.
Os Caretos de Podence caraterizam assim, uma nova forma de olhar para a tradição de uma região tendenciosa para o despovoamento, mas que consegue mover milhares quando, através do esforço e do empenho alcança feitos que são assim, reconhecidos em todo o mundo.
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Sintra é uma linda e romântica vila portuguesa situada no distrito e área metropolitana de Lisboa. É Património Mundial da Humanidade e Paisagem Cultural classificada pela UNESCO.
Sintra é um verdadeiro Tesouro Histórico, onde se encontram vestígios desde a idade do Bronze às diversas épocas da História de Portugal, sem descurar a época romana e a ocupação muçulmana.
Apesar de ser um dos centros urbanos mais populosos de Portugal, tem recusado ser elevada ao estatuto de Cidade.
Sintra é um testemunho de quase todas as épocas da história portuguesa e, no âmbito contextual de natureza, arquitetura e ocupação humana, Sintra evidencia o que hoje se considera uma paisagem cultural única no panorama da história portuguesa.
Sintra é seguramente um dos destinos mais belos e românticos de Portugal, onde reis e rainhas se apaixonaram e que escritores e poetas, como Eça de Queiroz e Lord Byron, registaram para sempre nas suas obras.
Lazer
Descobrir Sintra:
Um passeio pelas praias, os jardins exóticos, os parques exuberantes com caminhos entre árvores centenárias, os palácios de decoração fantástica, os pequenos lagos com recantos e as ruínas fingidas no meio da natureza, são decerto inspiradores para os maravilhosos lugares que pode visitar:
Monte da Lua
O Monte da Lua é um daqueles lugares cheios de magia e mistério onde a natureza e o Homem se conjugaram numa simbiose tão perfeita, classificado pela UNESCO como Património da Humanidade.
Na praça principal, vemos o Palácio da Vila com as suas duas chaminés cónicas, tão caraterísticas, que servem de bússola para voltar a este ponto de encontro.
Datado de finais do século XIV, foi lugar de passeio de muitos reis ao longo da História de Portugal.
Cada sala é decorada de forma diferente e tem uma história a conhecer, para além de o interior ser uma surpresa, pois é um verdadeiro museu do azulejo, com aplicações desde o séc. XVI, do início da sua utilização em Portugal.
É um palácio do séc. XIX, embora pareça ser mais antigo, com uma decoração que impressiona, rica em simbologia maçónica.
Muito perto da entrada da Regaleira, fica Seteais, um palácio do séc. XVIII atualmente transformado em hotel. Vale a pena entrar nos jardins e ir até ao miradouro, de onde se vê o Palácio da Pena, o Castelo dos Mouros e o mar ao longe.
Antes de entrar no refúgio botânico do Parque da Pena, visite o Chalet da Condessa D’Edla e suba ao Palácio que Richard Strauss apelidou de “Castelo do Santo Graal”. Pelo caminho, é imperativo passar pelo Castelo dos Mouros. É um testemunho da presença islâmica na região, construído entre os séculos VIII e IX e ampliado depois da Reconquista.
Um dos palácios mais românticos de Portugal, uma reconstituição fantasiosa e revivalista, ao gosto do romantismo oitocentista, que se ficou a dever à paixão e imaginação do rei artista D. Fernando de Saxe-Coburgo Gotha, consorte de D. Maria II.
Para além de outros museus de interesse, merecem grande destaque o Parque de Monserrate, com o seu exótico palácio neogótico, e o Convento dos Capuchos, construído no séc. XVI utilizando cortiça como revestimento dos pequenos espaços, seguindo os preceitos de pobreza da Ordem de São Francisco de Assis, contrastando com os outros palácios.
Perto de Lisboa, as praias da costa de Sintra, de areia dourada e fina, são das mais procuradas.
Praia das Maçãs
Enquanto a Praia das Maçãs, é mais apreciada para banhos de sol e mar, os desportistas preferem a Praia Grande, onde se realizam diversas competições nacionais e internacionais ligadas ao surf, bodyboard e ao skimming. No entanto, há uma piscina de água salgada para quem gostar de um “mar” mais tranquilo.
As Azenhas do Mar, com o casario na falésia, também com a sua piscina de água salgada e uma pequena praia que desaparece na maré cheia, é uma das mais cénicas e vale bem o passeio, Assim como a Praia da Adraga, entre as arribas.
Cabo da Roca
Para completar o percurso pela costa de Sintra, há que ir ao ponto mais ocidental do continente Europeu, o Cabo da Roca, «onde a terra acaba e o mar começa», e deslumbrarmo-nos com a vista e a força do mar.
Para superar limites, existem locais com boas condições para praticar escalada. A Pedra Amarela e o Penedo da Amizade são conhecidos pela dificuldade, mas a sensação de liberdade ao atingir o topo é indescritível, ao ter a melhor vista sobre a Vila de Sintra.
Num dia bonito, e sem nuvens, a serra é também um lugar de excelência para a prática de parapente e asa delta.
Trilhos
Existem também muitos trilhos para passeios pedestres e rotas de orientação para conhecer os mistérios desta paisagem.
De duração variável e dedicados a várias temáticas, desde a natureza à cultura, adaptam-se a todos os graus de dificuldade.
Um dos mais bonitos vai da Praia Grande, onde é possível ver uma jazida de onze trilhos de dinossauros e pegadas isoladas gravada na falésia, até ao Cabo da Roca, a 100 m acima do oceano.
Gastronomia
Dos pratos de carne, destacam-se o leitão de Negrais, a carne de porco às Mercês, o cabrito e a vitela assada.
O litoral da região de Sintra é abundante em peixe fino, mariscos e moluscos. Assim, é possível comer um apetitoso robalo ou sargo, deleitar-se com um polvo, ou saborear mexilhões e percebes.
Na doçaria, o destaque vai, inevitavelmente, para as queijadas de Sintra, doce ancestral que vem, pelo menos, da Idade Média.
Mas há outros que merecem ser provados: os travesseiros, os pastéis da Pena, as nozes de Galamares, os fofos de Belas, a par de um conjunto de compotas tradicionais fabricadas segundo métodos tradicionais.
A acompanhar qualquer refeição, é indispensável o vinho de Colares, com a famosa casta Ramisco, um dos primeiros da carta de vinhos de Portugal.
Atividades económicas
O turismo é uma das principais atividades económicas no concelho, devido ao vastíssimo património arquitetónico existente e também devido aos seus recursos naturais.
História
Do Paleolítico e Neolítico à Idade do Bronze e do Ferro, passando pelo Período Romano, depois pelo domínio muçulmano, da fundação de Portugal (a 9 de Janeiro de 1154, D. Afonso Henriques outorga Carta de Foral à Vila de Sintra) aos Descobrimentos, Sintra que sobreviveu ao Terramoto de 1755, tem o seu período áureo situado entre o final do séc. XVIII e todo o séc. XIX.
Aqui chega, no Verão de 1787, William Beckford, hóspede do 5° marquês de Marialva, estribeiro-mor do reino, residente na sua propriedade de Seteais e é aqui que a ainda princesa D. Carlota Joaquina, mulher do regente D. João, compra, no princípio do século XIX, a Quinta e o Palácio do Ramalhão.
Entre 1791 e 1793 Gerard Devisme constrói na sua extensa Quinta de Monserrate o palacete neo-gótico.
O apogeu deste desenvolvimento extraordinário da paisagem de Sintra foi atingido com o reinado de D. Fernando II da dinastia de Saxe-Coburgo-Gotha (1836-1885).
Muito ligado a Sintra e à sua paisagem, pela qual nutria um grande afecto, este rei-artista implantaria aqui o Romantismo de uma forma esplêndida e única para as regiões mediterrânicas.
O rei adquiriu o Convento da Pena situado sobre uma montanha escarpada e transformou-o num palácio fabuloso e mágico, dando-lhe a dimensão máxima que apenas um romântico de uma grande visão artística e de uma grande sensibilidade estética podia sonhar.
Além disso, D. Fernando II rodeou o palácio de um vasto parque romântico plantado com árvores raras e exóticas, decorado com fontes, de cursos de água e de cadeias de lagos, de chalets, capelas, falsas ruínas, e percorrido de caminhos mágicos sem paralelo em nenhum outro lugar.
O rei tomou também o cuidado de restaurar as florestas da Serra onde milhares de árvores foram plantadas, principalmente carvalhos e pinheiros mansos indígenas, ciprestes mexicanos, acácias da Austrália, e tantas outras espécies que contribuem perfeitamente para o carácter romântico da Serra.
Sintra: Inspiração
Entre a segunda metade do século XIX e os primeiros decénios do século XX, Sintra tornou-se um lugar privilegiado para artistas.
Músicos como Viana da Motta; músicos-pintores como Alfredo Keil; pintores como Cristino da Silva (o autor de uma das mais célebres telas do romantismo português, Cinco Artistas em Sintra); escritores como Eça de Queiróz ou Ramalho Ortigão, todos eles aqui residiram, trabalharam ou procuraram inspiração.
Muitos outros artistas foram seduzidos por Sintra. Sintra foi transformada em arte escrita, pintada, cantada e recordada por Byron, Christian Andersen, Richard Strauss e William Burnett, entre outros.
Sintra é a verdadeira e única capital do Romantismo.
“Sintra é o único lugar do país em que a História se fez jardim, porque toda a sua legenda converge para aí e os seus próprios monumentos falam menos do passado do que de um eterno presente de verdura.
E a memória do que foi mesmo em tragédia desvanece-se no ar ou reverdece numa hera de um muro antigo, em Sintra não se morre – passa-se vivo para o outro lado.
Porque a morte é impossivel no vigor da beleza. E a memória do que passou fica nela para colaborar.” “Louvar Amar”, Vergilio Ferreira.
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Nazaré, é uma bela e graciosa Vila portuguesa, sede de município, da região Oeste, situada na província histórica da Estremadura e no distrito de Leiria, sendo considerada uma das maiores pérolas do centro de Portugal.
Considerada por muitos como a mais típica praia de Portugal, com antigas tradições ligadas à arte da pesca, encanta os visitantes pela sua beleza natural.
A sua praia espetacular com o extenso areal em forma de meia-lua, que é também a frente do mar da cidade, é conhecido pela sua grandeza e pelos toldos de cores vivas que decoram a praia de areia branca em contraste com o azul da água.
Vila da Nazaré // partiupelomundo.com
O casario branco dos pescadores e enormes penhascos sobre o mar de um azul intenso, fazem desta Vila piscatória, um destino turístico de eleição, devido às suas características tradicionais.
Percorrer as ruas estreitas, perpendiculares ao mar, onde a vida decorre ao ritmo de ventos e marés, é descobrir a essência destas gentes.
Expansivas e alegres, escondem tristezas num sorriso aberto, falam a cantar e encantam pelo seu modo de ser e de vestir.
Praia do Norte // travel-in-portugal.com
O clima ameno, as gentes simpáticas e hospitaleiras, uma luz magnífica, as tradições e artes de pesca fizeram da Nazaré musa de pintores e artistas, celebrada em todo o mundo.
Tradições
Esta é a praia de Portugal onde as tradições de pesca são mais coloridas. Ainda se podem ver pescadores vestidos com camisas de xadrez e calças pretas, e as suas mulheres com as sete saias, como manda a tradição, a remendar as redes de pesca ou a secar o peixe sobre o areal, perto dos seus barcos coloridos.
Pescadores Nazarenos // gegn.blogspot.com
Aos sábados no fim da tarde nos meses de Verão, é imprescindível assistir ao interessante espetáculo da “Arte Xávega” em que chegam do mar as redes carregadas de peixe e as mulheres gritam os seus pregões de venda, muitas vezes utilizando códigos que só elas entendem.
Zonas Populacionais da Nazaré
Zona balnear de excelência, a Nazaré é constituida por três zonas populacionais distintas: o Sítio, a Praia e a Pederneira.
A formosa enseada nazarena é protegida e abrigada pelo seu majestoso promontório, no cimo do qual se encontra o Sítio da Nazaré.
Parte integrante da Vila, o Sítio é alcançado por um elevador que sobe 110 metros e proporciona uma vista memorável dos horizontes da praia, sendo direcionado ao pequeno santuário da Ermida da Memória.
No alto do Sítio, do Miradouro do Suberco, o olhar perde-se num dos mais belos panoramas marítimos do país. Aqui, lenda e religiosidade encontram-se no culto de Nossa Senhora da Nazaré.
Miradouro do Suberco // lpsphoto.top
A Pederneira, núcleo primitivo da comunidade piscatória, é a guardiã tranquila das memórias de outras eras.
Outrora porto de mar dos Coutos de Alcobaça e activo estaleiro naval, hoje contempla o desenvolvimento da praia que se estende a seus pés.
O Porto de Pesca e Recreio, a sul da praia, faz a síntese da história da Vila, onde passado e presente se aliam para melhorar o futuro dos nazarenos.
Lazer
Atualmente, a grande atração desta cidade são as ondas e o surf, graças ao “Canhão da Nazaré”, um fenómeno geomorfológico submarino que permite a formação de ondas gigantes e perfeitas.
Trata-se do maior desfiladeiro submerso da Europa, com cerca de 170 quilómetros ao longo da costa, que chega a ter 5000 metros de profundidade.
O surfista havaiano Garrett McNamara deu-lhe a visibilidade mundial quando, em 2011, fez a maior onda do mundo em fundo de areia, com cerca de 30 metros, na Praia do Norte, vencendo o prémio Billabong XXL Global BigWave Awards e batendo um record do Guiness Book. À sua semelhança, surfistas de todo o mundo visitam a Nazaré todos os anos para se aventurarem no mar, sobretudo durante o Inverno.
Canhão da Nazaré // empresashoje.pt
Entre Novembro e Março, aguarda-se pacientemente que as maiores ondas se revelem, durante uma longa etapa do campeonato mundial de ondas gigantes, o Nazaré Tow Surfing Challenge. Na praia, os banhos de sol também são apreciados numa excelente plateia para apreciar as proezas destes jovens.
Gastronomia
Envolta em cheiros de sal e maresia e para aqueles, que apreciam peixe e marisco, a Nazaré é quase um paraíso gastronómico: peixe fresquíssimo cozinhado de diferentes maneiras, desde a suculenta Caldeirada à Nazarena (com diferentes variedades de peixe) às sardinhas, cherne e robalo grelhados e aos deliciosos lavagantes, lagosta e santola, entre outras iguarias típicas da beira-mar.
Caldeirada à Nazarena // Teleculinária.pt
Atividades Económicas
O turismo é, a atividade com maior peso no concelho. Anualmente, milhares de turistas nacionais e estrangeiros procuram não só a época balnear, mas o Carnaval e a passagem de ano, que também têm características específicas.
O artesanato da Nazaré é a continuidade dos seus costumes e recria de forma exemplar as tradições e o modo de vida da sua população. Destaque para as miniaturas em madeira dos barcos típicos e as bonecas trajadas com as camisolas de flanela dos pescadores e sete saias das peixeiras.
As Sete Saias da Nazaré
Uma das mais pitorescas tradições de Portugal são as sete saias da Nazaré.
A mulher nazarena é conhecida por utilizar sete saias, um gesto que, apesar de levantar muitas teorias, ninguém sabe ao certo como surgiu.
A verdade é que o número sete tem um alto significado místico, espiritual e bíblico: são sete as virtudes, os pecados mortais, os dias da semana ou mesmo as cores do arco-íris.
Sete Saias da Nazaré // portugaldeantigamente.blogs.sapo.pt
Contudo, como em tudo na Nazaré, a explicação das sete saias parece estar conectada ao mar. Afinal de contas, a Vila e o oceano são quase um só e a identidade de um está intrinsecamente ligada ao outro.
A explicação mais óbvia tem então a ver com o frio que se fazia sentir junto à água, quando as mulheres nazarenas se encontravam na praia, fosse para trabalhar fosse para se despedirem dos maridos que iam para a faina. Para se protegerem do frio vento do Norte, as mulheres vestiam várias saias (que podiam ser bem mais que sete), e utilizavam para se tapar e cobrir os braços ou mesmo a cabeça.
Lenda
A lenda da imagem de Nossa Senhora da Nazaré remonta a tempos antigos.
Segundo a lenda da Nazaré, em pleno século IV, um monge grego de nome Ciríaco terá trazido ao Mosteiro de Cauliniana, localizado em Espanha, perto da cidade de Mérida, a dita imagem da Virgem.
Quatro séculos mais tarde, o último rei visigodo da Península Ibérica – D. Rodrigo – chegava ao mosteiro fugido dos Mouros, após estrondosa derrota na batalha de Guadalete.
D. Rodrigo juntou-se a Frei Romano, um dos monges do mosteiro, que levou a imagem da Virgem na sua fuga, juntamente com as relíquias de São Bartolomeu e de São Brás.
De acordo com a lenda da Nazaré, a imagem da Virgem foi guardada numa lapa durante cerca de 400 anos, até ser descoberta por um grupo de pastores locais.
Dom Fuas Roupinho // 7maravilhas.pt
Segundo a lenda da Nazaré, o alcaide-mor do Castelo de Porto de Mós, Dom Fuas Roupinho, que tinha por hábito caçar naquela região, terá também descoberto a imagem da Virgem, passando a venerá-la com devoção.
A 14 de Setembro de 1182, D. Fuas Roupinho terá sido salvo pela Virgem. Reza a lenda que, nessa manhã de nevoeiro, D. Fuas Roupinho caçava um veado, que, toldado pela neblina, caiu por um precipício abaixo.
Ao ver a morte diante dos seus olhos, D. Fuas invocou a Virgem, que terá parado o cavalo antes do equídeo resvalar pela escarpa.
Ermida da Memória // atickettotakeoff.com
Para agradecer o milagre, D. Fuas Roupinho ordenou a construção da Ermida da Memória, venerada desde essa época.
Origem do nome
Segundo a lenda da Nazaré, a imagem deu assim nome ao local onde foi encontrada: Sítio de Nossa Senhora de Nazareth, que deu origem ao nome final Nazaré.
Nazaré, é uma Vila muito especial e singular, onde a tradição e a modernidade se aliam e apaixonam quem a visita.
A nossa missão é dar a conhecer uma ampla variedade de conteúdos aprofundados e intrigantes que vão enriquecer o seu conhecimento e satisfazer a sua curiosidade.
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Na mesa de doces de Natal esta iguaria em forma de coroa, é o rei da festa, em todo o seu esplendor. Uma delicia ao olhar e ao paladar.
Tornou-se uma tradição de Natal e está enraizada na cultura portuguesa há mais de um século.
Lenda e tradição
De acordo com a lenda, o bolo-rei foi criado para homenagear os Reis Magos. Por isso possui uma forma redonda com um grande buraco no meio, enfeitado de frutos secos e cristalizados, de cores variadas. Desse modo assemelha-se a uma coroa incrustada de pedras preciosas.
Esta doce iguaria representa ainda os presentes que os três Reis Magos deram ao Menino Jesus aquando do seu nascimento: assim, a côdea simboliza o ouro. As frutas, cristalizadas e secas, representam a mirra. Por fim, o aroma intenso do bolo assinala o incenso.
Durante muito tempo, o bolo-rei escondia a fava ou brinde. Quem recebia a fatia com a fava tinha que comprar o bolo do próximo ano e muitos dentes se partiam no brinde de metal. Esta tradição que se perdeu no tempo, vinha de rituais pagãos: o brinde uma descendência da ideia de encontro com Caronte (o mítico barqueiro de Hades que transporta as almas mortas ao seu destino e exige um pagamento) e a fava da tradição romana de eleger o rei da festa com o sorteio desta planta.
História e Origens
Apesar dos antigos registos históricos, os primeiros grandes vestígios deste doce de massa lêveda adornado com frutas cristalizadas, surgiram em França, no século XVI, durante o reinado de D. Luís XIV, para as festas do Ano Novo e do Dia de Reis.
Em Portugal
O gâteau des rois (bolo dos reis) popularizado em Portugal no século XIX segue uma receita originária do sul de Loire, um bolo em forma de coroa feito de massa lêveda.
Numa visita a França, o filho do fundador da icónica Confeitaria Nacional, na Baixa Lisboeta, ficou maravilhado com este bolo e contratou Gregoire (ou Gregório, como ficou conhecido pelos portugueses), um confeiteiro francês, para adaptar a receita do gâteau des rois (bolo dos reis).
Confeitaria Nacional
Em 1869, a Confeitaria Nacional tornou-se a primeira “casa” em Portugal a vender o bolo-rei que hoje conhecemos. Mais tarde, foram várias as pastelarias que adotaram a receita e passaram a comercializá-la.
Variantes do bolo
Por sua vez, o gâteau des rois remonta a tempos romanos, mais precisamente aos festivais de celebração de Saturno (o deus romano da abundância) que decorriam por volta do solstício de inverno. Acredita-se que esta seja também a origem do bolo-rei espanhol, o roscón de reyes, consumido no Dia de Reis. Ao longo dos anos, as diferentes versões deste bolo passaram a ser atribuídas à lenda cristã dos Três Reis Magos (Baltasar, Gaspar e Melchior). Esta associação espalhou-se a países de tradição cristã como Alemanha e Suíça, onde é conhecido como dreikönigskuchen (bolo dos três reis).
Roscón de Reyes
Proibição
Curiosamente, devido ao nome e à conotação com a realeza, o bolo dos reis foi proibido após a Revolução Francesa, em 1789, tendo os pasteleiros mudado o nome do bolo para Gâteau des Sans-culottes para o poderem continuar a confeccionar. Em Portugal, depois da proclamação da República em 1910, a proibição do bolo-rei esteve também prestes a acontecer e muitos tentaram mudar o seu nome, mas sem sucesso.
Variações
O Bolo-Rei continua a ser o símbolo máximo da gastronomia na quadra natalícia e apesar de terem aparecido entretanto variações da receita (bolo rainha, bolo rei de chocolate, bolo rei com ovos moles, bolo rei entrançado ou trança de natal, bolo rei escangalhado) o tradicional continua a ter o seu trono assegurado.
Bolo Rainha
Há outro elemento comum, e que se mantém até aos dias de hoje: seja no Natal, no Ano Novo ou no Dia de Reis, em França, Portugal ou qualquer outro país, o bolo-rei simboliza momentos de partilha, convívio e celebração.
Receita do Bolo-Rei tradicional
Primeira massa
• 500gr farinha de trigo tipo 55 • 50gr fermento padeiro • 2,5dl água
Segunda massa
• 1kg farinha • 350gr açúcar • 350gr margarina • 20gr sal • 6 ovos • Raspa de 2 laranjas • Raspa de 2 limões
Para perfumar a massa Q.B.
• 2,0dl Cerveja preta artesanal • 2,0dl Licor Beirão • 2,0dl Licor Anis • 2,0dl Aguardente • 2,0dl Vinho do Porto • 2,0dl Triplesec • 600 gr frutos cristalizados (em pequenos pedaços) • 500 gr frutos secos
Decoração
• 1 Ovo • 1 Gema • Q.b. Abóbora cristalizada de várias cores • Figos cristalizados • Tangerinas cristalizadas • Cerejas cristalizadas • Amêndoa Palitada
Torrão de Açúcar
• 100 Açúcar • 100 Açúcar em Pó • q.b. Água
Preparação
Comece por amassar a primeira massa, que servirá de fermento. Reserve-a à parte.
Amasse todos os outros ingredientes da segunda massa (exceto os frutos secos e as frutas cristalizadas), por 5 minutos.
Adicione a primeira massa e deixe amassar até que a massa descole da cuba da batedeira.
Estique a massa numa bancada, adicione os frutos secos e os cristalizados. Amasse à mão até que todos estejam bem envolvidos.
Deixe a massa descansar durante a noite no frio.
De manhã, divida em porções e faça um buraco no meio de cada uma para que fiquem com um formato semelhante a um donut e deixe levedar (como se tratasse de um brioche). Uma vez levedados, pincele com a mistura de ovos e gemas.
Decoração
Decore com abóbora cristalizada de várias cores, figos cristalizados, tangerinas cristalizadas, cerejas cristalizadas. Misture os açúcares (decoração) e adicione água o suficiente para criar um bloco de açúcar ao pressionar. Disponha três deles em cima do bolo. Ponha as amêndoas palitadas à volta do bolo onde não houver decoração.
Leve a cozer a 180ºC
(Receita cedida pela Escola de Turismo e Hotelaria de Lisboa, baseada na cozinha tradicional de Maria de Lourdes Modesto)
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A Filigrana é uma arte manual de grande beleza, que exige extrema perícia para trabalhar os finíssimos fios de prata ou ouro entrelaçados e soldados que compõem cada peça, sendo por isso reconhecida internacionalmente pela sua qualidade.
Nas oficinas resistentes, onde ainda se entrelaça a filigrana portuguesa, existe um orgulho, ou como os minhotos dizem, uma “Chieira” de fazer tudo à mão e com muita paciência. As máquinas bem tentam rivalizar na produção da filigrana, mas esta arte mantém um laço forte com a manualidade.
Hoje, esta arte, assume diversas formas, desde peças delicadas, decoradas com motivos religiosos, até criações com um design polido e contemporâneo.
A filigrana, ao longo do tempo, transcende as suas origens festivas, tornando-se numa expressão artística que combina tradição e modernidade.
A filigrana ganhou uma nova vida nas mãos de designers de joalharia, que recriam a sua essência e libertam-na do conceito religioso.
As marcas portuguesas de joias, que criam peças em filigrana também se lançaram no caminho da contemporaneidade, sem esquecer as raizes da tradição, apostando numa fusão harmoniosa entre ambos os conceitos.
Estas marcas, reconheceram o potencial desta tradição portuguesa e têm contribuído para dar a conhecer este recanto da Europa a outros países.
Assim, a filigrana, outrora ligada a significados religiosos, floresce agora como expressão artística moderna, mostrando ao mundo a beleza e a habilidade dos mestres filigraneiros portugueses.
A história da filigrana continua a desdobrar-se, entre tradição e inovação, como uma narrativa que transcende fronteiras e encanta admiradores por todo o mundo.
História da Filigrana
A origem da filigrana remonta ao terceiro milénio antes de Cristo, na Mesopotâmia. As peças mais antigas datam de 2500 a.C. e foram descobertas nas sepulturas do Ur, no atual Iraque. Outras peças, descobertas na Síria, são de aproximadamente 2100 a.C..
Dos factos existentes, podemos afirmar que é uma técnica milenar conhecida em muitas das civilizações do mundo antigo.
Em Portugal foram encontrados exemplos desta técnica que datam de cerca de 2000 a.C., com origem fenícia, mas joias em filigrana produzidas em território nacional surgem durante o domínio muçulmano da Península, por volta do século VIII d.C.
Mas foi na gloriosa época dos Descobrimentos, no século XV, quando os nossos navegadores alcançaram feitos incomparáveis e sem precedente, que a coroa Portuguesa trouxe pedras preciosas e metais das suas provincias ultramarinas. Foi então que os nossos ancestrais começaram a trabalhar o ouro e a prata. Foi este o despertar da filigrana.
Nas peças de filigrana, os nossos ancestrais reproduziam o que viam à sua volta: a natureza, o amor, a religião e das suas mãos saíram peças de incrível delicadeza e beleza.
A técnica é transmitida de geração em geração. As peças são feitas num trabalho de produção manual, entre as “filigraneiras”, e as oficinas. A arte milenar da filigrana, de formas predominantemente barrocas, desenvolveu-se no século XIX, particularmente no Minho (norte de Portugal) e foi levada a uma rara perfeição pelos artesãos portugueses.
Em Portugal, os artesãos usaram e continuam a usar a filigrana como forma de expressão artística na joalharia tradicional, mas também da cultura portuguesa através dos seus desenhos em forma de flores, ondas ou escamas de peixe.
Coração de Viana
Este coração, utilizado como símbolo da cidade de Viana do Castelo, surgiu no Norte de Portugal nos finais do séc.XVIII, e tem uma forte ligação com a religião católica. Terá sido a rainha D. Maria I que, grata pela “bênção” de lhe ter sido concedido um filho varão, mandou executar um coração em ouro. O coração de Viana representa o Sagrado Coração de Jesus em chamas. A parte superior do coração simboliza as chamas da terra e o calor do amor.
A tradição de ostentar este símbolo ao peito teve início em Viana do Castelo. Contudo, a filigrana é, meticulosamente moldada em terras vizinhas, nomeadamente na Póvoa de Lanhoso e Gondomar.
O coração de Viana tornou-se um símbolo icónico da Filigrana Portuguesa, e património emocional de Portugal
Brincos Rainha
Os brincos rainha apareceram em Portugal durante o reinado da Rainha D. Maria I (1734 – 1816). A origem do nome, parece remontar ao reinado de D. Maria II (1819 – 1853), que usou um par destes brincos numa visita a Viana do Castelo em 1952. Depois desta visita, popularizaram-se como símbolo de riqueza e de status e ganharam o nome “brincos rainha”.
Tradições
É na romaria D’Agonia em Viana do Castelo, que as mordomas e as Noivas de Viana do Castelo desfilam as suas peças de filigrana dourada, numa tentativa de atrair a atenção dos rapazes. Pendentes imponentes em forma de coração de Viana, ou pequenos com o formato de relicário, brincos à rainha, ou os tradicionais brincos de fuso, colares compridos de contas e outros mais curtos — vale tudo para exibir a riqueza da filigrana portuguesa.
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Óbidos, é uma bela e encantadora Vila portuguesa, de origem romana e circundada por fortes muralhas, sede do município da região Oeste, situada na província histórica da Estremadura e no distrito de Leiria.
É uma verdadeira e encantadora “joia portuguesa”, com edifícios históricos e casas brancas pitorescas com janelas coloridas e floridas, que dão ainda mais encanto e charme ao local.
Com uma atmosfera muito simpática e pacata que transporta quem a visita para o período da Idade Média, época que esta vila viveu com todo o seu esplendor.
Com ruas de pedra e as lojas que as preenchem repletas de artesanato e um grandioso castelo que fica na parte mais alta da vila, a região é o destino perfeito para quem gosta de explorar as histórias e tradições locais e poder participar nas maravilhosas festas medievais, comemorações natalícias e nos deliciosos festivais de chocolate.
Dos recantos e jardins fechados da zona da antiga medina à presença do Gótico, passando pelo renascimento e Barroco, a Vila é uma extensa obra de arte talhada, reconstruída ao longo de vários séculos.
Cultura
Também conhecida como Vila literária e Vila Natal recebe estas denominações fruto da criatividade e graças aos prolongados eventos que aqui têm palco ao longo de todo o ano, aliados ao facto de ser uma vila repleta de história e de cultura, Óbidos renova-se a cada dia.
A vida cultural é intensa e única. Grandes eventos temáticos marcam os dias do ano e a Literatura veio dar novo fôlego com um encanto e ambiente propícios a momentos especiais em família.
Lazer
A Lagoa de Óbidos, que divide os concelhos de Caldas da Rainha e Óbidos, é local de prática de desportos aquáticos ao longo de todo o ano. Aqui poderá desfrutar de momentos relaxantes e de lazer enquanto pratica vela, windsurf, canoagem, remo, kiteboard, jet ski náutico, stand up e paddleboarding.
Um extenso areal, a perder de vista, traça o caminho natural para belos passeios ao longo das margens da lagoa, que se constitui como o sistema lagunar mais extenso da costa portuguesa.
Lagoa de Óbidos
Terá cenários deslumbrantes e um profundo encontro com a Natureza ao observar a vida selvagem de várias espécies no local.
Gastronomia
No que diz respeito à gastronomia, o grande destaque vai para a Ginja de Óbidos, bebida em copo de chocolate. Mas também para a caldeirada de peixe da Lagoa de Óbidos, as enguias fritas e o ensopado. Na doçaria imperam os doces conventuais como a lampreia das Gaeiras, os alcaides ou os pastéis de Moura.
Festival do Chocolate de Óbidos
Atividades Económicas
As principais atividades económicas que aqui se praticam são o turismo, a agricultura e o comércio. Na agricultura, destacam-se a produção de fruta, produtos hostículas e vinha. No concelho, as indústrias dominantes são as alimentares, de bebibas, proteção civil, têxtil (vestuário e calçado), imobiliário e a extrativa. Dependentes da lagoa, existem ainda a pesca e a apanha de moluscos bivalves.
Artesanato
A cerâmica é um produto tradicional da região, e neste campo, destaca-se a artista Josefa de Óbidos que, para além da pintura, dirigiu ainda uma oficina de cerâmica artística que influenciou em grande escala as tipologias de cerâmica que na vila se produziam.
Sobressaem também os trabalhos em verga, os cestos em vime, verga de cerâmica, olaria tradicional, miniaturas, mantas de retalhos e trapos, azulejaria e bordados.
História da Vila de Óbidos
Habitada desde a época do Paleolítico Inferior, a zona de Óbidos sempre se mostrou apelativa ao homem.
Os primeiros sinais de uma ocupação mais organizada correspondem ao povo Celta, num castro voltado a poente, cuja fundação terá ocorrido por volta de 308 a.C..
Sabe-se que houve tentativa de conquista por parte dos Fenícios que, ao fracassar, travaram comércio com o povo que dominava a região. No século I d.C., no entanto, as defesas celtas falharam perante os Romanos, que tomaram a vila através da água da lagoa que banhava o castelo nessa altura.
A Origem do Nome
Daqui surge, segundo alguns autores, o nome que viria a denominar a Vila, pois, na formalização da conquista, o chefe do exércitos romano terá reportado a Júlio César a sua vitória indicando que tal só teria sido possível pelo braço de mar, portanto devido a “Ob id os” (“por causa desta boca”), embora se defenda também que o nome Óbidos descenda da denominação mais apropriada de “Oppidum”, que significa Vila fortificada.
Com o declínio do Império Romano, vários povos tomaram conta da Lusitânia ou Portugal, entre eles os Alanos, os Suevos e os Godos, e aos quais se sucederam as invasões Árabes, que permaneceram nesta terra entre 711 e 1148, tendo, entre outras coisas, desenvolvidos as ciências.
A Porta da Traição
Em Novembro de 1147, e após conquista de Lisboa aos mouros, D. Afonso Henriques decide-se pela conquista de Óbidos por saber que esta era uma praça muito mais forte que outras como Torres Vedras ou Alenquer.
Assim, liderados por Gonçalo Mendes da Maia, “O Lidador”, um grupo de cavaleiros investiu durante a noite pela parte nascente da terra enquanto os restantes militares portugueses chamavam a atenção dos Árabes na porta do Castelo a poente, hoje chamada “Porta da Vila”.
Porta da Vila
A Reconquista
Desta forma, puderam os cavaleiros deslocar-se na parte nascente do Castelo, cobertos de arbustos e moitas, tendo apenas sido descobertos pela filha de Ismael, o Alcaide moiro, que suspeitou das moitas andantes. O Alcaide ao ver que estava a ser invadido, julgando que para ali conseguirem os portugueses chegar só poderia ter sido traído por algum dos seus, gritou como sinal de alarme as palavras “traição, traição”, pelo que esta porta, que se encontra na base da torre D. Diniz, ficou conhecida como a “Porta da Traição”.
De acordo com a história, foi valente a batalha, quer pelos cavaleiros quer pelos restantes militares que, sabendo da entrada dos cavaleiros por norte, se dispuseram a entrar pela porta da frente, permitindo a conquista do Castelo de Óbidos aos Mouros em 10 de Janeiro de 1148.
Graças ao modo relativamente fácil em como o Castelo tinha sido tomado pelos Cavaleiros de D. Afonso Henriques, foi fundada uma memória a Jesus crucificado e à Virgem da Piedade. Intitulado o Cruzeiro da Memória, podemos encontrar uma Cruz de Pedra onde permanecem de um lado Cristo Crucificado e do outro Nossa Senhora da Piedade.
Santuário do Senhor Jesus da Pedra
Levou a cabo também a concretização de um pequeno nicho à Porta da Vila onde mandou colocar uma imagem de nossa Senhora da Piedade.
A vila fez ainda parte do pentágono defensivo estratégico idealizado pelos Templários.
Óbidos – A casa das Rainhas de Portugal
Foram muitas as rainhas que por Óbidos passaram e contribuíram para o desenvolvimento da vila. D. Catarina, por exemplo, mandou edificar o aqueduto e chafarizes pela vila.
O terramoto de 1755 fez-se sentir com grande intensidade, tendo várias partes da muralha, alguns templos e edifícios cedido.
Uma vila de grandes batalhas
A região de Óbidos foi ainda palco de várias batalhas da guerra peninsular contra os franceses.
Já em 1973, num contexto diferente, Óbidos foi palco de uma das reuniões que levaram ao Movimento dos Capitães, na Sede da Sociedade Musical Recreativa Obidense, que desencadeou a revolução de 25 de Abril de 1974.
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Fernando Pessoa nasceu em Lisboa a 13 de Junho de 1888. Foi um Poeta, ficcionista, dramaturgo, filósofo e prosador.
É, inequivocamente, a mais complexa personalidade literária portuguesa e europeia do século XX.
O falecimento precoce do pai, quando Fernando Pessoa tinha apenas 5 anos, fez dele uma personalidade tímida, refugiada na sua imaginação e genialidade. Com 7 anos viajou para Durban, na África do Sul, acompanhando a sua mãe que tinha casado segunda vez com um cônsul Português, onde viveu 9 anos com a família e regressou a Portugal em 1905.
Pouco depois de completar 17 anos e de regresso a Lisboa para entrar no Curso Superior de Letras, que abandonou depois de dois anos, sem ter feito um único exame. Preferiu estudar por si próprio na Biblioteca Nacional, onde leu livros de filosofia, de religião, de sociologia e de literatura (portuguesa em particular) a fim de completar e expandir a educação tradicional inglesa que recebera na África do Sul.
Vivendo por vezes com parentes, outras vezes em quartos alugados. Embora solitário por natureza, com uma vida social limitada e quase sem vida amorosa, sobrevive como correspondente comercial de inglês e dedica-se a uma vida literária intensa.
A sua produção de poesia e de prosa em inglês foi intensa durante este período, e por volta de 1910, já escrevia também muito em português. Publicou o seu primeiro ensaio de crítica literária em 1912, o primeiro texto de prosa criativa (um trecho do Livro do Desassossego) em 1913, e os primeiros poemas de adulto em 1914. Desenvolve colaboração com publicações (algumas delas dirigidas por si) como A República, Teatro, A Águia, A Renascença, Eh Real, O Jornal, A Capital, Exílio, Centauro, Portugal Futurista, Athena, Contemporânea, Revista Portuguesa, Presença, O Imparcial, O Mundo Português, Sudoeste, Momento.
Foi um dos mais importantes poetas da língua portuguesa e figura central do Modernismo português.
Poeta lírico e nacionalista cultivou uma poesia voltada aos temas tradicionais de Portugal e ao seu lirismo saudosista, que expressa reflexões sobre seu “eu profundo”, suas inquietações, sua solidão e seu tédio.
Fernando Pessoa foi vários poetas ao mesmo tempo, criou heterônimos – poetas com personalidades próprias – Ricardo Reis, Alvaro de Campos e Alberto Caeiro- cada um deles portador de uma identidade própria, de uma arte poética distinta, de uma evolução literária pessoal e ainda capazes de comentar as relações literárias que estabelecem entre si. Com eles procurou detectar, sob vários ângulos, os dramas do homem de seu tempo. Ao longo da sua vida transfigurou-se em múltiplas identidades, escapando através delas da vida quotidiana. Na sua poesia o génio, que era muitos, desdobrou-se em mais de uma centena de pseudónimos e alter-egos com ocupações tão distintas quanto um tradutor, um escritor, um ensaísta, um filósofo, um médico, um astrólogo e até um frade, cada um deles com uma visão ideológica própria e muito distinta. Apesar de se ter fragmentado em muitas personalidades literárias pautadas pela ficção – que viriam a enriquecer o seu legado literário, a heteronímia é o grande marco da sua obra. Dotados de biografia, o poeta justificava os seus três heterónimos como “um traço de histeria que existe em mim. (…) A origem mental dos meus heterónimos está na minha tendência orgânica e constante para a despersonalização e para a simulação”. É importante destacar que Fernando Pessoa foi um explorador no campo da astrologia, sendo um exímio astrólogo e apreciador do ocultismo.
Com Mário de Sá-Carneiro e Almada Negreiros, entre outros, leva a cabo, em 1915, o projeto de Orpheu, revista que assinala a afirmação do modernismo português e cujo impacto cultural e literário só pôde cabalmente ser avaliado por gerações posteriores.
Tendo publicado em vida, em volume, apenas os seus poemas ingleses e o poema épico Mensagem, a bibliografia que legou à contemporaneidade é de tal forma extensa que o conhecimento da sua obra se encontra em curso, sendo alargado ou aprofundado à medida que vão saindo para o prelo os textos que integram um vastíssimo espólio. Mais do que a dimensão dessa obra, cujos contornos ainda não são completamente conhecidos, profícua em projetos literários, em esboços de planos, em versões de textos, em interpretações e reflexões sobre si mesma, impõe-se, porém, a complexidade filosófica e literária de que se reveste.
Fernando Pessoa, que tinha o desejo de ser extraordinário, morreu a 30 de Novembro de 1935, aos 47 anos, na mesma cidade onde nasceu. Grande parte da sua obra só foi conhecida depois da sua morte, quando se abriu a famosa arca de madeira, brindando o mundo com tesouros literários de riqueza incalculável.
Primeira edição de “Mensagem”
Mensagem, é um livro de 44 poemas de Fernando Pessoa cuja primeira edição foi em 1934 e a única obra que o poeta publicou em português, em vida. Este tesouro literário retrata o glorioso passado de Portugal, tentando encontrar um sentido para a grandiosidade dos feitos portugueses da época dos Descobrimentos, glorificando o seu valor simbólico e acreditando que o revivalismo das suas palavras traria à nação o esplendor de outrora
Publicado pela primeira vez em 1982, quase meio século após a morte de Fernando Pessoa, o Livro do Desassossego é uma obra-prima pouco convencional, resistente às habituais classificações literárias. A palavra desassossego refere-se à angústia existencial do narrador, sim, mas também à sua recusa em ficar quieto, parado. Sem sair de Lisboa, este viaja constantemente na sua maneira de ver, sentir e dizer. Ler este livro, repleto de emoção e observações penetrantes, é uma experiência estranhamente libertadora.
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