Portugal é um país repleto de história, tradições e mistérios.
Entre as belezas naturais e as cidades históricas, as lendas portuguesas emergem como verdadeiros tesouros culturais, transmitindo valores, lições e a rica herança de um povo.
Hoje, vamos embarcar numa viagem fascinante pelo mundo das lendas que habitam as nossas terras, cada uma delas repleta de ensinamentos e encanto.
Lenda da Moura Encantada
As moiras, ou mouras encantadas, são seres fantásticos do folclore português e galego que possuem poderes sobrenaturais.
As Mouras encantadas são descritas como espíritos que são obrigados, por uma força oculta, a viverem num estado de entorpecimento ou adormecimento, até que uma determinada acção quebre o encanto.
Antigos relatos populares afirmam que estas moiras são almas de donzelas que foram deixadas a guardar os tesouros escondidos pelos mouros.
Lenda do Pulo do Lobo
Segundo a tradição popular, o nome «Pulo do Lobo» deve-se ao estreito do rio Guadiana, que era tão afunilado que permitia que os lobos o atravessassem a salto.
Numa das margens do rio vivia uma princesa, enquanto na margem oposta morava um rapaz camponês que se apaixonou por ela.
Eles encontraram-se várias vezes, até que o pai da princesa descobriu a relação e, após uma ameaça inicial sem efeito, recorreu a uma bruxa que lançou um feitiço sobre o rapaz: se ele saltasse o rio novamente, transformaria-se num lobo.
Apesar do aviso, o rapaz saltou e a sua transformação aconteceu.
O casal continuou a encontrar-se, mas o rei, percebendo que o feitiço não funcionou, reuniu a aldeia para persegui-los.
Para escapar, decidiram atravessar o rio em busca de liberdade, mas a princesa não conseguiu chegar à outra margem e afundou-se nas águas turbulentas.
Desolado pela perda, o rapaz-lobo atirou-se ao precipício e também foi levado pelas correntes do rio.
Rainha Santa Isabel
Isabel de Aragão, esposa do rei D. Dinis, é uma figura histórica envolta em lendas.Diz a lenda que D. Dinis desaprovava a sua política social de proximidade.
Num certo dia, o marido surpreendeu-a durante uma de suas ações de solidariedade, perguntando-lhe o que ela tinha no colo.
Isabel levava pão para dar aos mendigos, mas, sabendo que isso desagradara ao rei, disse que eram rosas. Seria uma resposta perfeita se não fosse Janeiro, mês em que as rosas não florescem.
A rainha percebeu que havia sido descoberta e abriu o seu manto. Em vez de pão, rosas caíram-lhe do colo. Estava feito o primeiro milagre
Lenda da Espada de D. Sebastião
Diz a lenda, que Dom Sebastião em terras da Madeira, onde o monarca esteve de passagem a caminho da Ilha Encoberta, decidiu que já não precisava do seu equipamento de guerreiro.
Assim, após descansar alguns minutos nesta ilha, pegou na sua espada e atirou-a para longe — uns dizem que foi em direção à Penha d’Águia, outros afirmam que a lançou para a Ponta do Garajau.
Em ambos os casos, os locais são de difícil acesso, tornando praticamente impossível que alguém conseguisse recuperar a espada do rei.
Tal como a Excalibur do Rei Artur, a espada perdurou apenas na imaginação dos habitantes da ilha, onde esta narrativa nos chegou já sob a forma escrita, no início do século XX.
Lenda de S. Martinho
Conta a lenda que, num dia frio e tempestuoso de outono, um soldado romano chamado Martinho cavalgava pelo seu caminho quando se deparou com um mendigo com muita fome e frio.
Reconhecido pela sua generosidade, Martinho retirou a capa que usava e, com a espada, cortou-a ao meio, oferecendo uma das metades ao mendigo.
Mais à frente, encontrou outro homem necessitado e decidiu dar-lhe a outra metade da capa.
Sem a sua capa, Martinho prosseguiu a sua jornada, enfrentando o frio e o vento, quando, de repente, como por milagre, o céu se abriu e a tempestade desapareceu.
Os raios de sol começaram a aquecer a terra e o bom tempo prolongou-se por cerca de três dias.
Desde então, todos os anos, por volta do dia 11 de novembro, surgem esses dias de calor, que ficaram conhecidos como o “verão de S. Martinho”.
O Legado das Lendas
À medida que chegamos ao fim da nossa exploração pelas lendas portuguesas, é impossível não sentir o fascínio que estas histórias exercem sobre nós.
Cada narrativa carrega consigo não apenas um pedaço da história, mas também os sentimentos, valores e sabedoria de gerações passadas.
Estas lendas, enraizadas na cultura e tradições do nosso povo, são um convite para olharmos com mais atenção para o nosso património e para a rica tapeçaria de histórias que nos une
A nossa missão é dar a conhecer uma ampla variedade de conteúdos aprofundados e intrigantes que vão enriquecer o seu conhecimento e satisfazer a sua curiosidade.
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Os Caretos de Podence são originários da aldeia portuguesa de Podence, no concelho de Macedo de Cavaleiros. Foram declarados Património Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO a 12 de Dezembro de 2019.
Origem
No coração do Nordeste Transmontano, celebra-se na semana carnavalesca o tão aclamado Carnaval de Podence – Entrudo Chocalheiro, onde os Caretos de Podence (encenação pagã) dão cor com os seus trajes à aldeia e aos muitos turistas que por ali passam.
Este evento ritual tendo origem no chamado “tempo longo”, de organização da vida em função dos ritmos do ciclo agrário, reporta às festas de celebração do final do ciclo de inverno e início do ciclo produtivo da primavera.
Singular e diferente, relativamente a outras festividades de Carnaval realizadas noutros pontos do país e adaptando-se a um contexto socio económico pós-rural, a festa de Carnaval dos Caretos de Podence assume hoje particularidades próprias.
A máscara e o fato, os comportamentos que caracterizam o ritual e os protagonistas da festa, os mascarados, conhecidos como “caretos”, na sua função social atual, assumem um formato distinto e único.
Tradição
A participação inicia-se na infância, quando as crianças começam a vestir fatos semelhantes aos dos caretos (facanitos) e a imitar o seu comportamento, cumprindo também elas um processo de iniciação e garantindo ao mesmo tempo a continuidade da tradição, criando uma vertente identitária profunda desta comunidade.
Os Caretos de Podence constituem uma marca diferenciadora do território de Trás os Montes, o evento Entrudo Chocalheiro Carnaval dos Caretos, constitui um polo atrativo a nível nacional e Internacional.
A tradição perde-se no tempo e esteve em vias de desaparecer nos anos de 1960/70 devido à emigração e à guerra Colonial.
Ritual
Os Caretos de Podence são conhecidos pelo seu comportamento performativo, “as chocalhadas” de que são alvo principal as mulheres, um ato simbólico que remete para uma origem remota e uma possível ligação a antigos rituais agrários e de fertilidade.
Hoje, estes mascarados, que visitam as casas de vizinhos e familiares, num ritual de convívio e amizade, fazem do Entrudo Chocalheiro um momento essencial da vida dos descendentes de Podence, muitos deles, emigrantes que deixaram a aldeia e regressam no Carnaval para dar continuidade à prática que herdaram dos pais e avós.
Atualmente, a festa é participada por “caretos” de idade e estado civil “variado” e já não apenas pelos rapazes solteiros, havendo também participação dos mais pequenos, a que chamam “facanitos” e de raparigas envergando fatos de “careto” dos pais, tios ou irmãos.
A participação das raparigas é relativamente tolerada e permitida pela também relativa espontaneidade da organização das saídas dos “caretos” pelas ruas da aldeia.
O objeto principal das investidas chocalheiras dos caretos é também mais amplo, abrange tanto as mulheres solteiras como as casadas, residentes, turistas ou visitantes da aldeia.
Na noite de Domingo Gordorealizam-se casamentos fictícios entre os rapazes e raparigas solteiros, numa cerimónia trocista. É um momento de humor, sem hipótese de reclamação por parte dos escolhidos.
Na manhã do dia seguinte, a tradição manda que o rapaz vá visitar a rapariga que lhe calhou por sorteio, recebendo doces e vinho fino em gesto de agradecimento.
Herança simbólica
Os mascarados, não são apenas os residentes na aldeia, e sim os seus descendentes com ligações familiares e atuais à localidade, que habitando em localidades e cidades próximas ou não, ou ainda estando emigrados noutros países, regressam por altura da festa para participar no Carnaval.
Os “caretos” são personagens com fatos preenchidos com franjas de lã, máscaras de lata ou couro e chocalhos à cintura que saindo à rua, no Domingo Gordo e na Terça-Feira de Carnaval, chocalham, gritam e amedrontam, saltando e correndo desenfreadamente pelas ruas da aldeia, empoleiram-se ainda nas varandas e entram nalgumas casas da aldeia, onde muitas vezes são convidados a comer e beber, exibindo, no entanto, um comportamento mais moderado do que em décadas anteriores, e que se revela mais adequado ao cenário atual da festa, mantendo bem viva a manifestação.
Associação cultural
Em 1985, os Caretos de Podence organizaram-se e transformaram o grupo numa associação cultural, com o objetivo principal de preservar estes eventos tradicionais.
Como símbolo da cultura do nordeste transmontano, estes mascarados têm sido convidados a participar em vários acontecimentos culturais e recreativos ao longo do país, sobretudo quando é possível integrar a animação de rua.
Os Caretos de Podence caraterizam assim, uma nova forma de olhar para a tradição de uma região tendenciosa para o despovoamento, mas que consegue mover milhares quando, através do esforço e do empenho alcança feitos que são assim, reconhecidos em todo o mundo.
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Existem livros que têm sido censurados e proscritos ao longo da história pelos mais variados motivos, muitas vezes devido a conteúdos políticos, religiosos ou sociais considerados controversos ou ameaçadores por governos, organizações ou a própria sociedade.
Muitos livros enfrentaram proibições ou censura, sendo proscritos por longos períodos de tempo, alguns enfrentaram supressão total durante décadas ou até séculos, dependendo dos factores políticos ou culturais das épocas.
Livros proscritos e censurados por longos periodos de tempos:
“A Bíblia”
A Bíblia foi proscrita em certos momentos da história, particularmente na Europa medieval, quando a Igreja Católica restringiu traduções para as línguas vernáculas.
Por exemplo, a tradução da Bíblia para inglês por William Tyndale (1526) foi proscrita, e o próprio Tyndale foi executado em 1536. Versões da Bíblia permaneceram restritas ou proibidas em certas regiões durante séculos.
Crédito: Lennon Caranzo | Unsplash.
O livro foi proibido como parte de esforços para controlar a doutrina religiosa ou evitar interpretações não autorizadas.
Além disso, a Bíblia foi proscrita em alguns regimes comunistas modernos (por exemplo: Coreia do Norte, União Soviética e China) durante décadas devido ao ateísmo imposto pelo Estado.
“O Manifesto Comunista” de Karl Marx e Friedrich Engels
“O Manifesto Comunista” foi proscrito em muitos países durante a Guerra Fria, especialmente em democracias ocidentais e colónias sob domínio imperialista europeu, onde o comunismo era visto como uma ameaça ao capitalismo e à ordem social.
Também foi proibido em regimes fascistas, como a Alemanha nazi. Embora algumas destas proibições tenham sido levantadas desde então, a sua circulação continua restrita em áreas politicamente sensíveis até aos dias de hoje.
“Os Versículos Satânicos” de Salman Rushdie
“Os Versículos Satânicos” foram proscritos desde a sua publicação em 1988, em muitos países, incluindo o Irão, Paquistão, Arábia Saudita e outros.
O livro permanece proibido em vários países de maioria muçulmana até hoje, tornando-se uma das proibições mais longas na história contemporânea.
As principais razões para a proibição são acusações de blasfémia e suposta zombaria do Islão.
“Ulisses” de James Joyce
O romance de James Joyce foi proscrito nos EUA, no Reino Unido e em outros países devido ao seu estilo experimental e à descrição aberta da sexualidade humana.
A proibição nos Estados Unidos durou 11 anos após a sua data de lançamento oficial e foi levantada somente após uma decisão judicial histórica em 1933, que considerou a obra de elevado mérito literário.
Razão para a proibição: Acusações de obscenidade devido ao conteúdo sexual explícito.
“Mein Kampf” de Adolf Hitler
“Mein Kampf” foi proscrito na Alemanha durante mais de 70 anos (1945–2016).
Após a Segunda Guerra Mundial, “Mein Kampf” foi proibido em vários países europeus, incluindo Alemanha, Áustria e Polónia, devido à sua ideologia de ódio e associação com o Holocausto.
Na Alemanha, a proibição da publicação terminou oficialmente em 2016, quando os direitos autorais passaram para o domínio público, embora a sua venda continue a ser rigorosamente monitorizada, sendo as edições anotadas as mais comuns.
“O Decamerão” de Giovanni Boccaccio
“O Decamerão” foi proibido durante vários séculos pela Igreja Católica, a partir de 1559.
A coleção de novelas de Boccaccio foi proscrita em vários países devido aos seus temas sexuais e às críticas ao clero. Foi incluída no Index Librorum Prohibitorum (Índice de Livros Proibidos) da Igreja Católica desde 1559 até à abolição do índice em 1966, o que faz com que a sua proibição tenha durado mais de quatro séculos.
Razões principais para a proibição: Conteúdo sexual explícito e perceção de imoralidade.
“Os Contos de Cantuária” de Geoffrey Chaucer
“Os Contos de Cantuária” foram efetivamente proibidos durante séculos em contextos religiosamente conservadores.
As histórias medievais de Chaucer enfrentaram censura e supressão devido às suas passagens lascivas e às críticas à Igreja. Embora hoje seja amplamente considerado um clássico, edições completas eram difíceis de obter em certos contextos religiosamente conservadores (desde o século XV em diante).
Razões principais para a proibição: Uso de conteúdo sexual, linguagem vulgar e sátiras sobre figuras religiosas.
“O Diário de Anne Frank” (1947)
O Diário de Anne Frank enfrentou censura devido a alegações de que desafiava certas crenças políticas ou sociais. Foi esporadicamente proibido ou questionado por alegações infundadas de que seria “pornográfico” ou “demasiado deprimente”.
“Admirável Mundo Novo“ foi proibido por ser considerado anti-religioso, anti-família e por conter temas sexuais.
O romance foi proscrito ou contestado em vários países, incluindo Irlanda e Austrália, devido ao seu comentário sobre um futuro distópico caracterizado pelo controlo reprodutivo, promiscuidade e controlo estatal.
A crítica alegórica de Orwell sobre a Revolução Russa e o totalitarismo foi proscrita em alguns países comunistas, como a União Soviética e a Coreia do Norte.
Razões principais para a proibição: Crítica política, desafio à autoridade e aos regimes autoritários e crítica à propaganda.
Tempos Atuais
Atualmente, as proibições de livros ainda ocorrem em várias partes do mundo.
Embora as proibições diretas por parte dos governos sejam menos comuns em algumas regiões, especialmente em nações democráticas, continuam a existir restrições em muitos países e comunidades por razões políticas, religiosas ou sociais.
Além disso, os desafios e as proibições ainda persistem em escolas, bibliotecas e instituições públicas, à medida que os debates sobre valores culturais, morais e educacionais continuam.
Lutar contra as proibições de livros é uma parte essencial para proteger a liberdade intelectual, a liberdade de expressão e o acesso a ideias diversificadas e inclusivas.
As proibições de livros sufocam a criatividade, limitam a educação e suprimem as vozes de comunidades marginalizadas.
Saia da sua zona de conforto e leia livros que desafiem as suas crenças. É confrontando novas perspetivas que crescemos, aprofundamos a nossa compreensão e descobrimos o verdadeiro poder da empatia e do pensamento crítico.
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Café Procope, é um café histórico localizado em Paris, França.
É conhecido como um dos cafés mais antigos do mundo, fundado em 1686 por Francesco Procopio dei Coltelli, um imigrante siciliano.
Ao longo dos séculos, o Café Procope tornou-se um ponto de encontro muito popular para intelectuais, escritores e revolucionários, desempenhando um papel significativo na vida social e cultural de Paris.
Origem
Francesco Procopio aprendeu a actividade sob a liderança de um imigrante arménio chamado Pascal, que tinha um espaço na rue de Tournon onde vendia refrescos, incluindo limonada e café.
A tentativa de Pascal de gerir este tipo de negócio em Paris não foi bem sucedida e foi para Londres em 1675, deixando o espaço para Procopio.
O Café Procope abriu durante a era em que os cafés se tornaram centros importantes para encontros sociais e discussões intelectuais na Europa.
Inicialmente, era referido como um “antre” (caverna ou gruta) porque era muito escuro no seu interior, mesmo quando o sol brilhava no exterior. Após várias renovações, Procopio instalou no seu novo café, peças que no presente são padrão nos cafés europeus modernos, tais como os candelabros de cristal, espelhos de parede e mesas de mármore.
Sorte
Em 1689, a Comédie-Française abriu as suas portas no teatro em frente ao Café Procope.
Desta forma, o café começou a ser frequentado por muitos atores, escritores, músicos, poetas, filósofos, revolucionários, estadistas, cientistas, dramaturgos, artistas de palco, autores e críticos literários.
Clientes Famosos
O café recebeu muitas figuras notáveis ao longo da sua história. Os filósofos do Iluminismo, Voltaire, Rousseau e Diderot eram visitas frequentes, assim como os líderes revolucionários posteriores, Marat, Danton, Robespierre e Paul Verlaine. No século XIX, atraiu escritores como Victor Hugo e Honoré de Balzac.
O Café Procope foi um centro de debate político durante a Revolução Francesa. Diz-se que as figuras revolucionárias da época usaram o café como local para trocar ideias e traçar estratégias.
O Club des Cordeliers costumava realizar as suas reuniões no Café Procope, juntamente com Danton e Marat, que praticamente viviam no seu pátio. O local impulsionava o movimento revolucionário, sendo muito frequentado por Robespierre e os Jacobinos.
O Café Procope além de ser um local de consumo de café em Paris, também introduziu o hábito dos gelados aos parisienses, numa época em que estas iguarias eram consideradas luxuosas.
O Café Procope, nos dias de hoje, mantém muito do seu charme histórico, com a decoração e mobiliário da época que evocam a sua longa história. É um lugar popular para turistas curiosos e interessados no seu enorme legado e vastíssima herança.
O restaurante tem dois pisos; com muitos salões decorados ao estilo francês do século XVIII.
O Café Procope continua a funcionar como café e restaurante, atraindo tanto cidadãos locais como turistas. Oferece um menu com cozinha tradicional francesa e mantém uma atmosfera que reflete o seu passado ilustre, com os preços a combinar.
O Café Procope permanece como um testemunho do legado cultural duradouro de Paris, combinando a sua rica história com experiências gastronómicas modernas.
Apesar da sua fama, fechou em 1872 devido a problemas financeiros, reabrindo na decada de 1920, como café, sob um formato diferente, mas mantendo o mesmo nome, em homenagem ao café original. Desde o seu renascimento, o café tem acolhido várias cerimônias de entrega de prémios literários, incluindo o Prix Procope des Lumières, dedicado a ensaios políticos, filosóficos e sociais.
O Café Procope adquiriu o status de maior café literário do mundo e, por mais de 200 anos, todos aqueles que tinham um nome ou aspiravam a fazer um, fosse no mundo das letras, das artes ou da política, frequentavam o local.
Café Procope, um património cultural com centenas de anos, sem fim à vista!
Aconchegado nos contrafortes dos majestosos Himalaias, o Nepal é um fascinante mosaico de culturas diversas, património antigo e paisagens deslumbrantes.
Conhecido principalmente por ser o lar do Monte Everest, o pico mais alto do mundo, este pequeno país do Sul da Ásia oferece uma riqueza de experiências para viajantes destemidos que vai desde a serenidade espiritual a aventuras repletas de adrenalina.
A Terra dos Himalaias
O Nepal ostenta oito das catorze montanhas mais altas do mundo, tornando-se um farol para alpinistas e caminhantes de todo o globo.
A caminhada até ao Campo Base do Everest é lendária e oferece um vislumbre inigualável da beleza tocante dos Himalaias.
Para aqueles que não apreciam as caminhadas de alta altitude, o Circuito Annapurna oferece uma rota mais acessível, mas ainda assim desafiadora, através de campos em socalcos, florestas de rododendros e aldeias tradicionais.
Uma Tapeçaria de Culturas
O Nepal é diversificado de culturas e etnias, onde se falam mais de 120 línguas.
Catmandu, a sua movimentada capital é Património Mundial da UNESCO.
Os templos e palácios antigos da cidade, como o icónico Swayambhunath (ou Templo dos Macacos) e o sagrado Pashupatinath, oferecem um mergulho profundo nas ricas tradições espirituais do Nepal.
A história do Nepal é tão rica como as suas paisagens. As cidades medievais de Patan e Bhaktapur ressoam com ecos do passado.
A Praça Durbar, constituída por diversas praças, todas ligadas por ruas e becos, apresentam intricadas esculturas em madeira, templos em estilo pagode e impressionantes palácios que exibem a destreza arquitetónica da civilização Newar.
Para além das suas montanhas, a beleza natural do Nepal estende-se aos seus vales luxuriantes, florestas subtropicais e lagos imaculados.
O Parque Nacional de Chitwan que é Património Mundial da UNESCO, oferece um contraste marcante com os picos nevados, com as suas densas selvas que abrigam uma grande variedade de vida selvagem, incluindo o tigre-de-bengala e o rinoceronte de um chifre.
Estas são apenas algumas das atividades emocionantes disponíveis.
Estas aventuras oferecem não só emoções fortes, mas também uma perspetiva única sobre as diversas paisagens do Nepal.
Gastronomia Nepalesa
A cozinha nepalesa reflete o seu património multicultural. Desde os deliciosos momos (pastéis) e o picante dal bhat (sopa de lentilhas com arroz) até aos doces sel roti e yomari, a comida do Nepal é uma fusão deliciosa de sabores.
O tradicional banquete Newari é imperdível, oferecendo uma variedade de experiências gustativas elaboradas com ingredientes locais.
O Nepal, com as suas paisagens inspiradoras e ricas tapeçarias culturais, é mais do que apenas um destino de viagem.
É uma caminhada de descoberta, que proporciona momentos de reflexão, conexão e êxtase.
Se a sua intenção é procurar a iluminação espiritual, uma aventura que bombeie adrenalina, ou simplesmente um sopro de ar fresco na sua vida, o Nepal convida-o calorosamente a explorar as suas inúmeras maravilhas nas mais deslumbrantes paisagens do mundo.
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As calças de ganga / jeans, desde que foram criadas, são transversais a todas as pessoas, países, culturas, idades, géneros e classes sociais.
Democráticas, cosmopolitas e com uma forma easy-to-wear inigualável, as calças de ganga / jeans têm uma longa história no cenário fashion.
História e Origem
A história conta-nos que o tecido das calças de ganga / jeans apareceu por volta do ano de 1792. Foi em Nîmes, França, que se fabricou, pela primeira vez, o tecido que veio a caracterizar as calças de ganga, que ficou conhecido como “tecido de Nîmes”.
Com o tempo e com a popularidade que foi ganhando, a expressão começou a ser abreviada para “Denim”.
Numa primeira fase, o tecido “Denim” começou a ser utilizado essencialmente em roupas para trabalho no campo e pelos marinheiros italianos que trabalhavam no porto de Génova, por ser um tecido robusto e de grande durabilidade.
Levi Strauss – o visionário
Pouco tempo depois, já na era da Corrida do Ouro na Califórnia, o tecido – com toda a sua tecnologia resistente – chamou a atenção do alemão Levi Strauss.
Visionário, que no ano de 1853 abriu uma loja em São Francisco, onde começou por vender produtos secos e lona para as carroças dos mineiros.
Loeb “Levi” Strass // Crédito Fotográfico: Page North
Nessa altura, Levi Strauss apercebeu-se de que as roupas dos mineiros não eram adequadas para os trabalhos que tinham de desempenhar e, por isso, decidiu fazer umas calças com o tecido que vendia normalmente para cobrir as carroças.
Este novo produto, criado por Levi Strauss, tornou-se rapidamente um sucesso para os mineiros, mas havia um problema: a lona era pouco flexível para calças, o que dificultava os movimentos.
Perante esta questão fundamental, Levi Strauss foi à procura de um tecido mais flexível, resistente e confortável tendo encontrado, na Europa, o tecido “Denim”, feito de algodão sarjado.
A partir daí, o nome de Levi Strauss elevou-se para uma marca: a Levi Strauss & Co. E as primeiras calças fabricadas com o tecido “Denim”, na altura, de cor castanha, tornaram-se num modelo famoso e clássico.
Assim, em meados de 1860, nascia a primeira calça Levi’s, a 501. Na época bastante diferente da versão atual mas já patenteada e com a mesma potência convencional e de fácil absorção comercial.
A mestria de Jacob Davis
A par com Levi Strauss, também Jacob Davis, costureiro, se tornou famoso ao propor a ideia de reforçar as costuras das calças.
Em 1860, foram acrescentados os botões de metal e rebites, anos depois, coseram a etiqueta de couro no cós das calças.
Mais tarde, assistiu-se ao aparecimento da cor azul índigo, que se tornou popular em 1890 e assim continua até aos dias de hoje.
Já com grande sucesso, Levi Strauss e Jacob David decidiram requerer a patente do produto, a 20 de maio de 1873.
Patente de Rebites de Cobre // Crédito Fotográfico: Rope Dye
Ao longo dos anos, melhorias no design foram efectuadas: Levi Strauss adicionou um arco duplo de costura laranja para reforço adicional e para as identificar como Levi’s; zíperes substituíram os botões em alguns modelos em 1954.
Quando a patente de Levi Strauss e Jacob David venceu em 1890, outros fabricantes ficaram livres para reproduzir o estilo.
OshKosh B’Gosh entrou no mercado em 1895, Blue Bell (mais tarde Wrangler) em 1904 e Lee Mercantile em 1911.
Durante a Primeira Guerra Mundial, os jeans Lee Union-Alls eram o padrão para todos os trabalhadores de guerra.
Sucesso mundial na década de 30
As calças de ganga / jeans atingiram a sua popularidade mundial por volta de 1930, quando vários filmes de sucesso começaram a retratar os famosos cowboys americanos.
Hollywood ajudou desta forma a romantizar as calças de ganga / jeans nas décadas de 1920 e 1930, vestindo as calças em cowboys interpretados por atores como John Wayne e Gary Cooper.
Esta nova imagem glamorosa chegou aos consumidores que procuravam roupas casuais e lúdicas para usar nos finais de semana e feriados.
Fotos publicitárias de atrizes como Ginger Rogers e Carole Lombard vestindo estas calças, ajudaram a convencer as mulheres de que o estilo era para elas também.
Na década de 1930, a Vogue deu o seu selo de aprovação, ao chamar as calças de ganga de “western chic”.
Década de 40
Em 1942, a estilista americana Claire McCardell vendeu mais de 75.000 exemplares do seu vestido de denim Popover .
Claire McCardell // Crédito Fotográfico: Irving Penn
Também a Segunda Guerra Mundial popularizou a imagem das calças de ganga, uma vez que o tecido “Denim” era utilizado nas fardas do exército americano.
Décadas de 50 e 60
Já em 1950 vem o boom absoluto em que as calças de ganga passaram a ser associadas à juventude rebelde e anti-establishment.
Mais uma vez, este boom foi protagonizado por celebridades de Hollywood como Marlon Brando e James Dean – o eterno bad boy que criou o look blue jeans & t-shirt, receita de estilo adorada e repetida incansavelmente por fashionistas até hoje.
Na época, até estrelas do rock’n’roll ajudaram a consolidar o estilo como cool; os hippies e os manifestantes anti-guerra usavam jeans nos anos 1960.
Na década de 1960, as calças de ganga passaram a simbolizar a contracultura. Algumas escolas de ensino médio proibiram o seu uso, o que só serviu para aumentar ainda mais o seu sucesso.
Marylin Monroe com o seu glamour sensual também entrou na onda do tecido na época, trazendo a proposta para um nível ainda mais comercial e de puro sucesso.
Marilyn Monroe // Philippe Halsman, 1952
Década de 70
No início dos anos 1970 como forma de mostrar apoio à classe trabalhadora as mulheres feministas e lutadoras da liberdade feminina escolheram estas calças como forma de demonstrar a igualdade de gênero.
Também nesta década entram em cena os hippies que tinham como indumentária o tie-dye e, claro, as calças de ganga / jeans estilo boca de sino.
No final dos anos 70 e início dos anos 80, a moda high-end também se começou a interessar pela peça.
Os jeans Buffalo 70 da Fiorucci eram justos, escuros, caros e difíceis de comprar – por outras palavras, o oposto exato da calça boca de sino desbotada preferida do público mais jovem. Estas calças tornaram-se um sucesso entre o jet set e o Studio 54.
Em 1976, Calvin Klein exibiu calças de ganga / jeans na passarela – o primeiro estilista a fazê-lo.
Gloria Vanderbilt apresentou os seus jeans de sucesso em 1979. Estes jeans de marca não foram apenas um sucesso comercial, pois foram também comercializados com uma imagem mais ousada.
Década de 80
Nos anos 80, estrelas do rock, modelos, artistas e cineastas também levantaram a bandeira “denim”, disseminando-o internacionalmente e trazendo o material também para a cena high fashion.
Foi nesta década que aconteceu a provocativa campanha Calvin Klein de Brooke Shields e os anúncios sensuais de Claudia Schiffer para a Guess que ajudaram a dar aos jeans um novo tipo de potencial sedutor.
Dos anos 1990 até ao presente, as calças de ganga / jeans passaram por várias transformações e – entre as novidades mais ousadas e construções com apelo statement – voltou às suas origens importando as versões mais clássicas para o topo da lista de must-haves mais vendidas.
Nesta década, casas de moda como Versace, Dolce & Gabbana e Dior também entraram no mercado das calças de ganga / jeans.
Ao longo das décadas, os tipos e estilos de jeans tornaram-se estratificados entre grupos e subgrupos: os estilos hip-hop do início da década de 1990 eram caracterizados por jeans oversized; intelectuais e modernos optaram pelo jeans escuro como forma de voltar às raízes do estilo; as estrelas pop preferiam as peças assinadas pela Diesel; os aficionados pagavam preços altos por Levi’s vintage e índigo japonês tingido à mão.
Hoje, quase todas as marcas de luxo e designers de alta costura já exibiram jeans nas passarelas; e eles estão disponíveis em ambas as extremidades do espectro de preços, com uma infinidade de estilos: largo, skinny, cintura alta, baixa, claro, escuro ou colorido.
“Eu sempre disse que gostaria de ter inventado o jeans”, disse Yves Saint Laurent ao New York Magazine em Novembro de 1983. “Eles têm expressão, modéstia, apelo sexual, simplicidade – tudo o que espero nas minhas roupas.”
Levi Strauss – imortal
Levi Strauss foi o pioneiro que se elevou com a forma como idealizou e produziu as calças de ganga como, atualmente, o mundo as conhece.
Nasceu em Buttenheim na Alemanha, no dia 26 de fevereiro de 1829 e faleceu a 26 de Setembro de 1902 em São Francisco, Estados Unidos, país onde revolucionou, o “mundo” das calças de ganga / jeans, a peça de roupa que une o interesse de homens e mulheres, miúdos e graúdos e é um grande sucesso ao longo de 150 anos.
O nome Levi Strauss & Co. estabeleceu-se como a assinatura das calças Levi’s, uma das marcas mais conhecidas do mundo.
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Ludwig van Beethoven foi um compositor, maestro, pianista e professor de piano alemão, nascido em Bonn, Alemanha, no dia 17 de Dezembro de 1770.
Beethoven produziu cerca de 200 obras entre as quais sonatas, sinfonias, concertos, quartetos para cordas. No entanto, escreveu apenas uma ópera, “Fidélio”. As principais criações do compositor foram a “Nona Sinfonia” e a “Quinta Sinfonia”.
É uma das figuras mais veneradas na história da música ocidental e as suas obras estão entre as mais executadas do reportório da música clássica que abrangem a transição do período clássico para a era romântica neste gênero musical, tendo o seu legado influenciado decisivamente a evolução posterior desta arte.
O compositor alemão captou as características do romantismo e escreveu obras que expressam ideias e sentimentos. Para além disso, foi um inovador ao aumentar o número de músicos de uma orquestra para executar as suas obras e ao usar um coro na sua última sinfonia.
Infância de Beethoven
Museu the Beethoven, casa onde nasceu
Neto e filho de músicos, o seu pai decidiu alcançar, através do filho, o prestígio que não tinha conseguido obter. Com apenas cinco anos de idade começou a estudar cravo, violino e viola e era severamente castigado à mais pequena pequena distração.
Com sete anos de idade, frequentou uma escola pública e tinha um comportamento triste e rebelde devido ao desentendimento com o pai, que era alcoólatra. Com oito anos participou num recital na Academia de Sternengassee onde foi apresentado pelo pai como um gênio.
A partir de 1781, passou a ter aulas com Christian Gottlob Neefe, principal tocador de orgãos da corte, que lhe abriu novos horizontes ao tocar a música de compositores famosos como Haydn e Mozart. Nessa época começou a aprender piano, instrumento no qual se destacaria mais tarde.
Christian Gottlob Neefe
Com apenas onze anos, foi nomeado tocador de orgão suplente da corte. Ao mesmo tempo que se aperfeiçoava no violino com o mestre Rovantini.
Adolescência
Revelando-se notável e extraordinário em vários instrumentos, Beethoven tinha apenas 13 anos quando foi nomeado solista de cravo na corte de Bonn.
Beethoven começou a ter a proteção do Príncipe-Eleitor Maximilian Franz, governante de um dos trezentos pequenos Estados que formavam o Império da Alemanha.
Maximilian Franz
A primeira obra divulgada
Nessa época, surgiu a sua primeira obra divulgada: “Nove Variações para Piano Sobre uma Marcha de Ernest Christoph Dressler”. Em 1784 escreveu “Três Sonatinas para Piano”.
Em 1787 foi para Viena para estudar com Mozart levando uma carta de apresentação do Príncipe. Mozart ao ouvi-lo tocar ficou maravilhado e achou-o assombroso.
Dois meses depois, a doença e morte da sua mãe fê-lo regressar a Bonn. Pouco depois morreu a sua irmã. A trabalhar como cravista da corte, ele sustentava a casa.
Com 21 anos de idade, Beethoven já desfrutava de grande prestígio junto à nobreza de Bonn. As famílias mais influentes faziam questão da companhia do músico nas suas festas.
Mudança para Viena
Mesmo com um temperamento imprevisível, Beethoven conquistou sólidas amizades. Em 1788, conheceu o conde Ferdinand Ernest von Waldstein, que o protegeu e lhe encomendou várias obras. Uma das mais belas sonatas escritas para piano por Beethoven, chama-se justamente “Waldestein”, obra dedicada ao seu mecenas.
Ferdinand Ernest von Waldstein
Graças aos esforços de Waldstein, em 1792, Beethoven deixou a sua terra natal. Levava na bagagem uma obra volumosa que permanecia em manuscritos, pois não existiam editores em Bonn.
Quando chegou à capital da Áustria, Mozart falecera há um ano. Passou a ter aulas com Haydn, com quem não se entendeu e também com Johann Schenk, sem que Haydn soubesse. Após um ano, entrou em rutura com os dois.
Instalado no palácio de Karl Lichnowsky, Beethoven recebia uma pensão e o príncipe queria que ele se dedicasse inteiramente à música. Todas as sextas-feiras eram dias de recitais.
Primeira apresentação pública
Só em 1795, com 25 anos, Beethoven fez a sua primeira apresentação pública, onde executou um concerto para piano, pelo qual foi aplaudido em delírio. Pouco tempo depois deste concerto, uma prestigiada editora publicou “Três Trios para Piano, Violino e violoncelo, Opus 1″, dedicado ao príncipe Lichnowsky.
Em 1797, depois de publicar as “Três Sonatas para Piano, Opus 2”, conseguiu a edição de mais um trabalho, “Trio em Bi Bemol, para Violino, Viola e Violoncelo, Opus 3”.
O seu crescente prestígio atraía alunos e convites para recitais, o que lhe proporcionava estabilidade financeira e lhe permitia vestir-se com elegância tornando-se mais sociável. Beethoven era forte, baixo, circunspecto e tinha o rosto marcado pela varíola.
A surdez de Beethoven
Por volta de 1800, o compositor começa a sofrer de problemas auditivos, porém ele escondeu o problema de praticamente todos. O violonista Karl Amenda foi a primeira pessoa a quem Beethoven confessou o que lhe estava a acontecer. Numa carta escrita em 1798, dizia: “Tenho piorado da minha surdez e pergunto-me o que será dos meus ouvidos”.
Nessa época, apaixonou-se pela sua aluna Therese von Brunswick, mas não foi correspondido. Atirou-se com fúria ao trabalho e compôs “Sonata em Dó Menor, para Piano, Opus 13 (1799)”, que se tornou conhecida como “Patética”.
Therese von Brunswick
Na composição dessa obra prima musical Beethoven aplicara o profundo conhecimento que alcançara na infatigável pesquisa da técnica para piano, após ter abandonado o instrumento musical: cravo.
Em 1801, Beethoven escreveu para o seu médico relatando que estava há alguns anos a perder a audição. Essa perda progressiva do sentido, que mais usava, arrastou-se durante praticamente três décadas, aos 48 anos já estava surdo.
Alguns investigadores suspeitam, que a surdez do compositor teria sido consequência da varíola, do tifo ou de uma gripe quase constante que o atacou durante anos.
Porém, esse foi o início do período mais brilhante da carreira de Beethoven, quando produziu as grandes sinfonias que lhe dariam a imortalidade. O gênio tinha memória auditiva e era capaz de criar composições na sua cabeça transformando-as, posteriormente, em partitura.
Últimos anos de Beethoven
Em 1815, a sua surdez ficou mais grave e ele mantinha “cadernos de conversa” para conseguir dialogar com os amigos.
Em 1824, envelhecido e doente, o compositor já não se empolgava com o êxito e a repercussão da sua música. De Inglaterra, editores encomendavam-lhe composições.
Luís XVIII, rei da França, enviou-lhe uma medalha de ouro cunhada com o seu nome, como tributo pela beleza da “Missa Solene em Ré Maior, Opus 123”.
Missa Solene em Ré Maior, Opus 123
Morte de Beethoven
Depois de várias crises de depressão, Beethoven é atingido por uma pneumonia, cirrose e infecção intestinal.
Ludwig van Beethoven faleceu na cidade de Viena, Áustria, com 56 anos, no dia 26 de Março de 1827.
A causa da morte do compositor ainda é um mistério, as principais suspeitas recaem sobre a tese de um envenenamento (intoxicação por chumbo) e um desgaste natural do corpo pela cirrose.
Beethoven foi considerado uma celebridade em vida. O seu cortejo fúnebre foi uma das provas desse reconhecimento, pois contou com a presença de cerca de 200 mil pessoas.
Características e obras primas de Beethoven
O compositor acreditava que a música não servia apenas para o lazer e sim para expressar ideias, por esse motivo, as suas obras são marcadas por um forte teor emocional seguindo as características do Romantismo, que dominava a arte europeia naquela época.
“Quinta Sinfonia”
Beethoven começou a trabalhar na “Quinta Sinfonia”, em 1804, mas só se dedicou profundamente a ela em 1807, tendo concluído o projeto no ano seguinte.
A primeira vez que a “Quinta Sinfonia” foi tocada, foi no dia 22 de Dezembro de 1808, no Theater an der Wien, em Viena, tendo sido dirigida pelo próprio Beethoven, que também executou a “Sexta Sinfonia” entre outras peças suas. Naquela noite de inverno, o público assistiu, durante quatro horas às composições exclusivamente produzidas por Beethoven e praticamente desconhecidas.
A “Quinta Sinfonia” era dedicada ao conde Razumovsky e ao príncipe Lobkowitz. Uma composição fora do seu tempo, a Sinfonia que era muito moderna para a ocasião em que foi apresentada, e se tornou no século XX, a composição mais famosa do mundo ocidental.
Os seus quatro acordes iniciais a tornaram extremamente conhecida do grande público, sobretudo após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Afinal, os três tempos curtos somados ao longo, significavam, no código Morse, o “V” de “vitória” (••• –).
Estas quatro notas repetem-se ao longo do primeiro movimento em várias seções da orquestra. O ouvinte precisa de estar atento, pois alterna-se a tensão e o descanso, não deixando ninguém indiferente.
A sua duração é de cerca de meia hora e esta obra possui quatro movimentos:
Allegro con brio Andante con moto Scherzo Allegro
Quinta Sinfonia de Beethoven
“Nona Sinfonia”
Quando criou a “Nona Sinfonia”, entre 1822 e 1824, Beethoven já estava surdo. No dia 7 de Maio de 1824 fez a primeira apresentação da “Sinfonia n.º 9”, Opus 125, famosa como “Coral”, por incluir o coro no seu quarto movimento, sugerido pela Ode à Alegria de Schiller.
No fim da apresentação, uma tempestade de aplausos saudou o compositor, que completamente distraído olhava fixamente para a partitura e continuava de costas para a plateia, como era habitual. Foi Karoline Unger, contralto solista, que virou o compositor de modo a que ele pudesse ver a reação do público.
Beethoven estava muito à frente do seu tempo, pois até então as composições desse tipo eram apenas instrumentais.
Os quatro solistas, além do coro, participam na parte final da Nona Sinfonia inspirada nos versos de “Ode à Alegria”, escrita por Friedrich Schiller em 1785. A “Nona Sinfonia”, que foi a última das suas sinfonias, também é especialmente lembrada porque é nela que o compositor se aproxima do povo, provocando um sentimento de união e unidade.
Com cerca de 65 minutos de duração, a “Nona Sinfonia” é dividida em quatro movimentos:
Allegro ma non troppo, un poco maestoso Molto vivace Adagio molto cantabile, andante moderato Finale: Presto
O manuscrito original da “Nona Sinfonia”, praticamente integral, que contém mais de 200 páginas, faz parte do acervo do Departamento de Música da Biblioteca Estatal de Berlin, ao lado de outras obras-primas de Mozart e Bach. No manuscrito faltam apenas duas partes: uma delas (duas páginas) está em Bonn, na Casa de Beethoven, e outra parte (três páginas) se encontra na Biblioteca Nacional em Paris.
Nona Sinfonia de Beethoven
“Ode à Alegria”
A “Ode à Alegria”, também conhecida como “Hino à Alegria” (no original Ode An die Freude), encontra-se na parte final da Nona Sinfonia de Beethoven e louva a humanidade, que se passa a encontrar novamente reunida e em estado de felicidade.
O desejo de celebrar a fraternidade e a igualdade entre os homens já acompanhava Beethoven há bastante tempo, desde que o compositor teve um maior contacto com os valores pregados durante a Revolução Francesa.
A parte instrumental da “Ode à Alegria” – apenas a melodia criada por Beethoven a partir dos versos do poema An die Freude, do alemão Friedrich Schiller (1759-1805), transformou-se em 1985, no hino oficial da União Europeia. Com o passar do tempo, a composição tornou-se um símbolo de paz e comunhão entre os povos. A criação possui um célebre verso que anuncia que “todos os homens se tornam irmãos”.
Ode à Alegria de Beethoven
Outras composições de Beethoven:
• Três Sonatas para Piano, Opus 2 (1797) • Trio em Mi Bemol, para Violino,Viola e Violoncelo, Opus 3 (1797) • Serenata em Ré, para Violino, Viola e Violoncelo, Opus 8 (1798) • Três Sonatas para Piano e Violino, Opus 12 (1799) • Sonata em Dó Menor para Piano, Opus 13 (1799) (Sonata Patética) • Duas Sonatas para Piano, Opus 14 • Septeto em Mi Bemol, Opus 20 (1800) (Dedicado à Imperatriz Maria Teresa da Áustria) • Sinfonia n.º 1 em Dó Maior, Opus 21 (1800) • Concerto n.º 3, em Dó Menor, para Piano e Orquestra, Opus 37 (1800) (Dedicado ao Rei Luís Fernando da Prússia) • Sonata Quase uma Fantasia, Opus 27 n.º 2 (Sonata ao Luar) • Sinfonia n.º 2 em Ré Maior, Opus 36 • Sinfonia n.º 3 em Mi Bemol Maior, Opus 55 (1805) (Heroica) (Título original “Sinfonia Grande – Titolata Bonaparte” (Ao saber que Napoleão se fizera imperador dos franceses, trocou o título para “Sinfonia Heróica”) • Ópera Fidelio (1805) • Sonata em Fá Menor para Piano, Opus 57 (1808) (Appassionata) (Representou o rompimento dos últimos elos que o ligavam ao classicismo e a adoção da linguagem emotiva que caracterizou a época romântica) • Concerto n.º 5, para Piano e Orquestra, Opus 73 (1809) (Imperador) • Bagatela para piano (Für Elise) (1810) • Sinfonias n.º 7 e n.º 8 (1812) • Sonatas para Piano, Opus 106, 109, 110 e 111 (1822) • Missa Solene em Ré Maior, Opus 123 (1823) • Quartetos para Cordas, Opus 127, 130, 131, 132 e 135 (1825) (suas últimas composições)
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A literatura distópica, oferece-nos um vislumbre de futuros sombrios, explora cenários onde a sociedade se desintegra ou se transforma sob regimes opressivos e ditatoriais, catástrofes ou desigualdades extremas, onde o estado e a sua classe dominante utilizam as ferramentas da ciência e da razão para o controle das massas populares.
Estes livros não atraem só os leitores com as suas narrativas envolventes, mas também suscitam reflexões profundas sobre os perigos e os desafios que a humanidade poderá enfrentar.
Alguns livros notáveis da literatura distópica destacam-se pela sua visão e perspetivas únicas, são eles:
”1984″ de George Orwell
Créditos de imagem: penguinbookshop.com
Romance, lançado em 8 de Junho de 1949.
A história desenvolve-se num futuro distópico onde o mundo está dividido em três super estados, todos caracterizados por um controle governamental opressivo e cheio de censura.
A figura central é Winston Smith, um homem que vive no super estado da Oceânia, que secretamente despreza o Partido e a sua figura representante. A sua vida decorre sob constante vigilância e Winston começa a procurar a verdade e a revolta num mundo onde o pensamento independente é severamente castigado.
“Admirável Mundo Novo” de Aldous Huxley
Créditos de imagem: wook.pt
Romance, lançado em 1932.
Situado numa sociedade futurista e tecnologicamente avançada conhecida como o Estado Mundial, este romance explora um mundo onde os seres humanos são geneticamente manipulados e condicionados para papéis específicos, e a estabilidade social é mantida através do uso de uma droga indutora de prazer chamada soma.
A história desenvolve-se no momento em que Bernard Marx e a sua amiga Lenina Crowne, conhecem John, o Selvagem, que cresceu fora do Estado Mundial em condições mais primitivas.
Este contraste levanta questões sobre a liberdade, a felicidade e o custo de uma sociedade aparentemente perfeita.
“A Estrada” de Cormac McCarthy
Créditos de imagem: Fnac.pt
Romance, lançado em 26 de Setembro de 2006.
Vencedor do Prémio Pulitzer, desenvolve-se num mundo pós-apocalíptico sombrio.
A história centra-se num homem sem nome e no seu jovem filho, enquanto viajam através de uma paisagem desoladamente devastada por uma catástrofe não especificada.
Eles lutam para sobreviver contra as adversidades, a escassez de comida e grupos de sobreviventes sem lei.
O livro concentra-se profundamente na relação entre o pai e o filho, explorando temas de esperança, humanidade e os laços duradouros do amor perante a devastação total.
”Os Jogos da Fome” de Suzanne Collins
Créditos de imagem: Fnac.pt
Romance, lançado em 14 de Setembro de 2008.
Situado na nação distópica de Panem, este romance retrata uma sociedade onde a rica Capital exerce controlo sobre os distritos empobrecidos.
Todos os anos, crianças e jovens de cada distrito são selecionados para participar numa luta mortal televisiva chamada Jogos da Fome.
A protagonista, Katniss Everdeen, voluntaria-se para ocupar o lugar da sua irmã nos Jogos e durante o seu percurso, torna-se um símbolo de resistência contra o regime opressor.
“Fúria Vermelha” de Pierce Brown
Créditos de Imagem: Fnac.pt
Romance, lançado em 28 de Janeiro de 2014.
Em “Red Rising”, a sociedade distópica é caracterizada por uma estrutura hierárquica rígida onde os indivíduos são divididos em castas com códigos de cores baseados na sua perceção de superioridade genética.
Os Golds, no topo da hierarquia, são a classe governante, enquanto os Reds, na base, trabalham em condições duras para transformar Marte para as gerações futuras.
Este sistema de castas rígido, é mantido através de um condicionamento social e físico brutal, perpetuando um ciclo de opressão e subjugação.
Romances que Confrontam Medos Coletivos e Provocam Debates
O fascínio por livros distópicos está enraizado na capacidade destas histórias explorarem cenários extremos, exagerando problemas contemporâneos para destacar as suas consequências mais sombrias.
Estes romances, forçam-nos a confrontar os medos coletivos, como o autoritarismo, a desigualdade social e o colapso ambiental e ao mesmo tempo, provocam debates sobre a moralidade, a resistência e a essência da humanidade.
Frequentemente, as suas personagens são resilientes e valentes que lutam por um futuro melhor, oferecendo esperança e inspiração no meio do caos e da opressão.
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Vincent Van Gogh, é considerado um dos maiores pintores de todos os tempos, um superior e grandioso representante do pós-impressionismo, tendo produzido mais de 2 mil obras durante os seus 37 anos de vida.
O seu legado é tão extraordinário que, em 1973, em Amsterdão, na Holanda, seu país-natal, foi criado um museu para expor as suas obras.
Com um percurso difícil, cheio de problemas emocionais, Van Gogh deixou uma obra comovente e vigorosa que constitui um dos maiores legados artísticos da humanidade.
O artista foi caracterizado por alguns, como um homem incompreendido, atormentado, intempestivo e com distúrbios comportamentais. Por isso, não só as suas obras como a sua vida provocam muita curiosidade até aos dias de hoje. Van Gogh foi tema de diversos livros, filmes e documentários.
Vida de Van Gogh
Vincent Willen Van Gogh, nasceu em 30 de Março de 1853, na vila Brabante de Zundert, no sul da Holanda. Filho de um pastor calvinista, era o primogénito de 6 filhos, sendo três raparigas e dois rapazes. Um deles chamava-se Theo, quatro anos mais novo, que foi o seu melhor amigo durante toda a sua vida.
Vicent Van Gogh em Janeiro de 1886 // arteref.com
Infância
O seu interesse pela arte teve início ainda na infância, a qual a mãe encorajava. O futuro artista gostava de pintar com aguarelas. Teve uma infância melancolica e solitária.
Ainda na Holanda, aos 11 anos, Van Gogh foi estudar para um colégio interno em Zevenbergen, o que, segundo a sua biografia: Van Gogh, A Vida, de Steven Naifeh e Gregory White Smith, deixou-o infeliz. Quando tinha 13 anos, frequentou o ensino médio em Tilburg.
Desintegrado no internato e insatisfeito com a estrutura da sociedade à qual pertencia, com 16 anos aceitou a sugestão do pai e foi para Haia trabalhar com o tio, que abriu a filial da Galeria Goupil, importante empresa francesa que comercializava livros e obras de arte.
Passados três anos, foi para Bruxelas e posteriormente para Londres, sempre ao serviço da galeria, onde permaneceu dois anos e meio.
Em 1875, Van Gogh conseguiu realizar o seu desejo de conhecer Paris, onde julgava poder libertar-se de todas as suas frustrações. Mas não gostou do emprego. Dedicou-se à leitura de livros sobre arte, formou a sua opinião e discutia com os clentes. Em Abril de 1876 foi demitido do grupo Goupil.
Galeria Goupil – Paris // Wikipedia
Van Gogh tinha 22 anos e muitas ilusões, muitas frustrações e nenhum plano para o futuro. Voltou para a casa da sua família, em Etten, mas as suas relações familiares eram muito difíceis, particularmente com o seu pai e só se sentia compreendido por Theo, o seu irmão mais novo.
Van Gogh teve uma relação intensa com a religião, uma forma de fugir da sociedade, da familia e da realidade que o cercava.
Resolveu partir para Inglaterra, onde aceitou o cargo de professor de francês e alemão, mas rapidamente foi dispensado pela escola.
Van Gogh voltou para a Holanda, tornou-se depressivo, com muitas crises nervosas, passando longos periodos de solidão.
Em 1877 foi trabalhar para uma livraria em Dordrecht, até que decidiu entrar no Seminário Teológico da Universidade de Amsterdão, donde saiu sem completar o curso, frequentando a seguir um curso trimestral da Escola Evangélica, em Bruxelas.
A pedido do pai, conseguiu o lugar de pregador missionário nas minas de carvão de Borinage, na Bélgica. Van Gogh, em vez de pregar e orientar os mineiros, envolveu-se intensamente com o trabalho desta comunidade e trabalhava nas mesmas condições deles.
Preocupava-se com os doentes e pregava pouco, o que incomodou os seus superiores. Assim foi afastado do cargo em 1879.
Na sua vida sentimental, não foi feliz, teve romances mal sucedidos, destacando-se paixões por uma prima e por uma prostituta.
O início da carreira como pintor
O seu irmão Theo, que foi o seu principal amigo e apoio durante toda a sua vida, ao ver os seus desenhos, estimulou o irmão a seguir a carreira artística.
Theo Van Gogh // mymodernmet.com
Em 1880 apoiou Van Gogh financeiramente, para estudar anatomia e perspectiva em Bruxelas onde este finalmente descobriu a sua vocação: ser pintor. Passava os dias a desenhar.
Em 1881 mudou-se para Haia, onde foi acolhido pelo pintor Mauve. Pintava aguarelas, nas quais aparecem marinheiros, pescadores e camponeses. Pintava gente viva e ativa.
Escreveu para o irmão: “Eu não quero pintar quadros, eu quero pintar a vida”. Realizou numerosos desenhos e pinturas a óleo. No ano seguinte voltou para a casa dos pais, onde passava os dias a ler e a pintar.
A primeira obra de destaque
Em março de 1885 o seu pai morre repentinamente. E foi em Abril de 1885, que Van Gogh pintou a sua primeira obra de relevo, “Os comedores de batatas”. É um quadro sombrio e escuro, que retrata camponeses durante uma refeição noturna.
Segundo a sua biografia, foi nessa pintura que se fez notar o interesse do artista na teoria das cores, luz, sombra, contrastes e pinceladas carregadas de tinta.
“Os Comedores de Batata” (1885) – Museu Van Gogh, Holanda
No final de 1885, Van Gogh viajou para Antuérpia, onde estudou na Escola local e se apaixonou pela cor, descobrindo a pintura japonesa.
Influências
Em Fevereiro, foi viver para Paris com seu irmão Theo. Esta foi a época mais sociável do pintor. Familiarizou-se com os impressionistas Claude Monet, Auguste Renoir e Camille Pissarro. Mais tarde, ficou amigo de Paul Gauguin.
A influência dos artistas impressionistas e a crescente admiração pela arte oriental levaram Van Gogh a desenvolver o seu estilo próprio.
Em 1888, Van Gogh estava mal de saúde e foi viver para o campo, em Arles, onde pintava muito ao ar livre.
Obras importantes
Nesta fase, Van Gogh pintou as suas obras mais importantes, pintou mais de 100 quadros entre eles: “Vista de Arles com Lírios”(1888), “Girassóis”(1888) e “Quarto em Arles” (1888)
Personalidade instável e perturbada
Durante a sua vida, Van Gogh teve episódios psicóticos e delírios, temia pela sua estabilidade mental e negligenciava frequentemente a sua saúde física, por um lado, ao não manter uma alimentação regular e, por outro lado, bebendo muito.
Na mesma época, a pedido de Theo, Gauguin vai morar com Van Gogh, com a condição de este continuar a vender as suas telas. Mas a personalidade autocentrada de Gauguin não era compatível com a sensibilidade de Van Gogh.
Esta diferença de personalidades desenvolveu grandes discussões entre eles, crises de humor e agressões a Gauguin que numa das crises Van Gogh tentou magoar com uma navalha. Foi nessa altura, que mutilou a sua própria orelha.
“Com a Orelha Cortada” (1888) // BBC
Van Gogh foi internado no hospital Saint-Paul para doentes mentais. Depois de dez dias, foi para casa e pintou o autorretrato “Com a Orelha Cortada”(1888)
A obra mais aclamada
Em Maio de 1889 voltou a ser internado e fê-lo voluntariamente no Hospital Saint-Rémy-de-Provance.
O seu quarto foi transformado num ateliê. Nesse período pintou mais de duzentos quadros e centenas de desenhos, entre eles, uma das suas obras mais aclamadas: “A Noite Estrelada”( 1889).
“A Noite Estrelada” (1889) – Metropolitan Museum, Nova York
O artista deixou Saint-Rémy em Maio de 1890. Foi para Auvers, sob os cuidados do Dr. Gachet, que o examinou e disse que a situação era grave.
De acordo com a sua biografia, apesar do seu temperamento muitas vezes intempestivo, melancólico e com acessos de raiva, Van Gogh pintava em momentos de clareza mental, não durante surtos.
Autorretratos
Os autorretratos de Van Gogh tiveram muito destaque no legado do pintor. Foram registadas mais de 40 pinturas. A maioria apresentava a sua figura com olhares expressivos.
“Autorretrato com chapéu de feltro cinza” (1887) — Museu Van Gogh, Holanda
A única obra vendida em vida
Van Gogh, teve pouco reconhecimento como artista durante a sua vida. “A Vinha Encarnada”, produzida em 1888, foi a sua única obra vendida em vida.
O artista gostava de pintar ao ar livre, hábito que conservou até morrer.
Segundo a sua biografia, a técnica de pinceladas firmes e carregadas que criou para o seu próprio uso, aplicadas sem hesitação, permitiu-lhe pintar rapidamente e produzir um vasto número de obras nos últimos dois anos e meio da sua vida.
Van Gogh faleceu aos 37 anos no dia 29 de Julho de 1890, em Auvers-sur-Oise, dois dias após receber um tiro no peito. A versão mais conhecida sobre o trágico acontecimento aponta para o suicídio.
No dia de sua morte, no sótão da Galeria Goupil, em Paris, 700 quadros amontoavam-se sem comprador.
A fama só veio após a sua morte. Grande parte de sua história está descrita nas 750 cartas que escreveu para seu irmão Theo e que evidenciavam a forte ligação entre os dois.
Seis meses depois da sua morte, o irmão Theo também faleceu, sendo sepultado ao lado de Van Gogh, em Auvers-Sur-Oise, França.
Com um estilo ousado, Van Gogh inovou as técnicas dos impressionistas, trazendo dinamicidade e drama, contribuindo para o surgimento de diversos movimentos artísticos no início do século 20, sobretudo o expressionismo.
Van Gogh, teve uma carreira relativamente curta, mas sua obsessão pela pintura fez com que deixasse uma quantidade impressionante de telas e obras-primas e um dos maiores legados da arte ocidental.
Obras de Vincent Van Gogh
A produção de Van Gogh foi intensa, onde se destacam algumas obras importantes:
“A Igreja de Auvers” (1890) – Museu de Orsay, Paris
• A Igreja em Nuenen, 1884 • Os Comedores de Batata, 1885 • A Casa Paroquial de Nuenen, 1885 • Caveira com Cigarro Aceso, 1886 • Guinguette de Montmartre, 1886 • A Italiana, 1887 • A Ponte Debaixo da Chuva, 1887 • Natureza Morta com Absinto, 1887 • Dois Girassóis Cortados, 1887 • Autorretrato com Chapéu de Palha, 1887 • Pai Tanguy, 1887-1888 • Autorretrato Dedicado a Gauguin, 1888 • Terraço do Café na Praça do Fórum, 1888 • A Casa Amarela, 1888 • Barcos de Saintes-Maries, 1888 • Vista de Arles com Lírios, 1888 • O Velho Moinho, 1888 • La Mousmé, 1888 • A Vinha Encarnada, 1888 • Os Girassóis, 1888 • O Quarto em Arles, 1889 • A Noite Estrelada, 1889 • Autorretrato com Orelha Cortada, 1888 • Oliveiras, 1889 • Os Ciprestes, 1889 • A Sesta, 1890 • A Ronda dos Prisioneiros, 1890 • Amendoeiras, 1890 • A Igreja de Auvers, 1890 • Campo de Trigo com Corvos, 1890 • Retrato de Dr. Gachet, 1890
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Arroz, (Oryza sativa), é um grão de cereal comestível proveniente de uma planta herbácea da família Poaceae. Aproximadamente metade da população mundial, incluindo praticamente toda a Ásia Oriental e Sudeste Asiático, depende inteiramente do arroz como parte da sua alimentação.
Oryza Sativa // Ouriques Farm
Muitas culturas apontam terem sido as primeiras a cultivar o arroz, incluindo a China, a Índia e as civilizações do Sudeste Asiático.
No entanto, as evidências arqueológicas mais antigas aparecem na China central e oriental e têm data de 7.000 a.C e 5.000 a.C.
Mais de 90 por cento do arroz mundial é cultivado na Ásia, principalmente na China, na Índia, na Indonésia e no Bangladesh.
Uma equipa de Arqueólogos ao escavar na Índia, descobriu que a data determinada do arroz poderia ser de 4.530 a.C. No entanto, a primeira referência registada tem origem na China em 2.800 a.C.
O imperador chinês, Shennong, percebeu a importância do arroz para o seu povo e para homenagear o grão, estabeleceu cerimónias anuais do arroz a serem realizadas na época da sementeira, com o imperador a espalhar as primeiras sementes da época.
Imperador Shennong // tulay.ph
Actualmente, existem controvérsias sobre o inicio do cultivo do arroz e em que país aconteceu, sendo necessário considerar a diferença entre a domesticação e a colheita da planta em estado ainda selvagem.
Por exemplo, recentemente na Índia, grãos de arroz e cerâmicas antigas, com data de 6.500 a.C, foram encontrados em Lahuradewa em Uttar Pradesh.
Estes descobrimentos, indicam o cultivo muito precoce do arroz, cerca de 4.000 anos antes do que se supunha frequentemente nesta região.
No entanto, outros estudiosos argumentam que estas primeiras descobertas do arroz, podem ter sido colhidas de populações selvagens e concluem que são necessárias mais evidências para provar o cultivo ou domesticação.
Da mesma forma, na arqueologia chinesa, pressupõe-se que as primeiras descobertas do arroz cultivado foi por volta de de 7.000 a.C. mas, métodos anteriores de análise de amostras, não estabeleceram evidências de comportamentos de cultivo ou de traços físicos de domesticação no arroz.
Yangtze // visitourchina.com
Uma reavaliação recente indica que os grãos de arroz, especialmente do Baixo Yangtze, demonstram um aumento progressivo de tamanho, entre 6.000 a.C. e 3.500 a.C., e que esse aumento de tamanho sugere um processo de domesticação.
Embora não se possa afirmar, que a origem da planta do arroz tenha sido na China, na Índia ou na Tailândia, pode-se certamente confirmar que teve a sua origem na Ásia.
Existe no entanto, informação da forma como o arroz foi introduzido na Europa e na América. Os viajantes (exploradores, soldados, comerciantes, peregrinos) daquela época, tiveram um papel fundamental, ao levarem consigo para os mais variados destinos, as sementes das culturas que cresciam nas suas terras natais ou em terras estrangeiras.
No Ocidente, em algumas zonas da América e em certas regiões da Europa, como por ex: Itália e Espanha, que têm um clima adequado e acesso à água, o cultivo do arroz prosperava. Alguns historiadores acreditam que o arroz chegou à América em 1694, num navio britânico com destino a Madagascar.
Desviado do seu percurso para o porto de Charleston na Carolina do Sul, em vez de Madagascar onde era esperado, os colonos amigáveis, ajudaram a tripulação a reparar o navio. Para demostrar a sua gratidão, o capitão do navio, John Thurber, ofereceu a Henry Woodward algumas sementes de arroz.
Plantação de Arroz na Carolina do Sul // bunkhistory.org
Durante a Revolução Americana, toda a área de Charleston foi ocupada, tendo os invasores, enviado para casa todo o arroz colhido, sem deixar nenhuma semente para a colheita do ano seguinte!
A indústria do arroz americana sobreviveu a este contratempo e o cultivo continuou, graças ao Presidente Thomas Jefferson, que rompeu com uma lei italiana ao fazer contrabando de sementes de arroz para fora da Itália durante uma missão diplomática no final do século XVIII. A indústria do arroz transplantou-se assim da Carolina do Sul para os estados do sul ao redor da bacia do Mississippi.
O arroz é essencial e muito importante para várias culturas. Está diretamente associado à prosperidade, ao folclore e a lendas, que foram criadas por causa deste grão.
Em muitas culturas e sociedades, o arroz está diretamente integrado nas crenças religiosas.
O arroz também está ligado à fertilidade e, por essa razão, existe o costume de atirar arroz aos casais recém-casados. Na Índia, o arroz é sempre o primeiro alimento oferecido aos noivos, para garantir a fertilidade no casamento e o primeiro alimento sólido que as crianças comem.
Desde os seus primórdios até aos dias de hoje, o arroz continua a desempenhar um papel fundamental em sustentar os apetites do mundo e as tradições culturais.
D.Dinis O Lavrador // aejms.net
Em Portugal, foi no reinado de D. Dinis, o Lavrador (1279-1325), que surgiram as primeiras referências escritas à cultura do arroz.
Aqueça um fio de azeite num tacho, junte a cebola e deixe cozinhar até ficar macia.
Passe o arroz por água com a ajuda de um coador, escorra-o bem e junte-o à cebola. Mexa e deixe fritar um pouco até o arroz ficar translúcido.
Tempere com sal e junte a água quente. Tape e mal comece a fervilhar reduza o lume e deixe cozinhar. Desligue o lume e deixe terminar de cozinhar no próprio vapor.
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