Category: História

Artigos de História em Português

  • Explorando o Cozido à Portuguesa: Origens e Receita Tradicional

    Explorando o Cozido à Portuguesa: Origens e Receita Tradicional

    O Cozido à Portuguesa é um dos pratos mais icônicos da gastronomia portuguesa.

    Essa receita tradicional reúne uma variedade de vegetais, carnes e enchidos, tudo cozido de forma harmoniosa. Apesar de ter uma aparência simples, o cozido é um prato que exige cuidado e tradição, tendo sido aprimorado ao longo dos séculos.

    Origem e História

    A origem do Cozido à Portuguesa está diretamente ligada à necessidade económica e à gestão engenhosa de poucos recursos.

    Em tempos de escassez, a solução para muitas famílias era aproveitar as sobras de alimentos, juntando tudo numa panela para cozer até obter uma refeição robusta e nutritiva.

    Este prato, além de alimentar, cumpria a função de aquecer o corpo nos dias frios, sendo especialmente valorizado no inverno.

    Curiosamente, variações desse tipo de prato são encontradas por toda a Europa.

    França e Itália

    A variação francesa deste prato é conhecida como “Pot-au-feu” e, na Itália, a sua variação é conhecida como “Bollito Misto”.

    Pot-au-feu // mmbonappetit.com

    Em ambas as versões, os ingredientes-base são os mesmos: carnes e legumes cozidos em conjunto, criando um prato quente e saboroso.

    Portugal

    Em Portugal, no século XVII, Domingos Rodrigues, cozinheiro da Casa Real e autor do primeiro tratado de culinária em português, Arte de Cozinha (1680), descreveu um prato muito semelhante ao que hoje chamamos de Cozido à Portuguesa.

    Arte de Cozinha // purl.pt

    Rodrigues detalha neste tratado a preparação e os ingredientes utilizados:
    Vaca gorda, galinha, perdizes, coelho, pombos, lebre, chouriços, linguiça, lombos de porco, orelheira, nabos, cabeças de alho, grão-de-bico, castanhas e sal.

    No entanto, não o designava como “Cozido à Portuguesa”, mas pelo nome espanhol “Olla Prodrida”, adaptando-o para o português “Olha Podrida”.

    Este nome, embora peculiar, dava pistas da tradição partilhada entre as diferentes culturas culinárias da época.

    Pode encontrar este livro gratuitamente aqui!

    Variantes do Cozido à Portuguesa

    O Cozido à Portuguesa é um prato que permite inúmeras adaptações, refletindo a riqueza gastronômica e cultural de cada região de Portugal. Embora possa variar bastante nos ingredientes, há um elemento indispensável: os enchidos, que são responsáveis pelo sabor único e acolhedor do prato.

    Principais variantes regionais:

    Minho

    No Minho, o cozido adquire um toque especial com galinha gorda, presunto, salpicão e focinho de porco. A couve utilizada é a tronchuda, e o arroz é cozinhado no forno, ficando carregado de sabor.

    Trás-os-Montes

    Nesta região, o cozido é reforçado com enchidos tradicionais como a alheira, o chouriço de sangue e a farinheira.

    Além disso, é frequente a mistura de diferentes tipos de couve, como a lombarda e coração. A variação de Trás-os-Montes inclui também toques de feijão-verde.

    Alentejo

    No Alentejo, o prato, conhecido como Cozido à Alentejana, dispensa a galinha, mas pode ser enriquecido com borrego.

    O porco é absolutamente central; aproveitam-se quase todas as partes do animal, como joelho, orelha, entrecosto, rabo e toucinho.

    Cozido à Alentejana // jvitorino.wordpress.com

    Os enchidos, incluindo morcela e a farinheira são essenciais, assim como a presença do grão-de-bico.

    Algarve

    No Algarve, o cozido ganha suavidade e um aroma especial com a inclusão de batata-doce e um raminho de hortelã, que perfuma o prato.

    Tal como no Alentejo, o grão-de-bico é um dos seus componentes tradicionais.

    Açores

    Nos Açores, destaca-se o famoso Cozido das Furnas, cozinhado no calor vulcânico, o que se torna numa experiência única.

    Furnas // en.azoresguide.net

    Nesta versão, juntam-se inhame, toucinho fumado, carne de vaca e galinha, além de legumes como batata, cenoura, batata-doce e couves. Os enchidos mais utilizados são o chouriço e a morcela.


    Madeira

    Na Madeira, a versão tradicional do cozido à portuguesa é servida com fatias de pão e hortelã.

    Há também uma variação mais típica da ilha, que combina cuscuz e tomilho, descartando os enchidos e utilizando apenas carne de porco magra e salgada.

    Ingredientes Base Tradicionais

    Apesar de cada região trazer as suas particularidades, pode-se afirmar que a receita-base do cozido tradicional é composta por:

    Carnes: Vaca, porco e frango.
    Enchidos: Chouriço de carne, chouriço de sangue, farinheira e morcela.
    Legumes e tubérculos: Couve-portuguesa, couve-lombarda, cenoura, batata e nabo.

    É esta versatilidade que torna o Cozido à Portuguesa um dos pratos mais representativos da alma gastronômica de Portugal!

    Receita do Cozido à Portuguesa

    Ingredientes

    •⁠ ⁠300 gramas de carne de vaca para estufar
    •⁠ ⁠⁠ ½ chispe 1 orelha de porco pequena
    •⁠ ⁠⁠300 gramas de toucinho entremeado
    •⁠ ⁠⁠300 gramas de entrecosto
    •⁠ ⁠⁠1 Chouriço de Carne
    •⁠ ⁠⁠1 Morcela
    •⁠ ⁠⁠1 Chouriço de Sangue
    •⁠ ⁠⁠1 Farinheira
    •⁠ ⁠⁠1 Couve portuguesa pequena
    •⁠ ⁠⁠1 Couve lombarda pequena
    •⁠ ⁠⁠2 Nabos médios
    •⁠ ⁠⁠2 Batatas Médias
    •⁠ ⁠⁠ 2 Cenouras
    •⁠ ⁠⁠1 medida de arroz (350ml)
    •⁠ ⁠⁠1 medida do caldo onde se cozeu as carnes
    •⁠ ⁠⁠1 medida de água
    •⁠ ⁠⁠2 latas de feijão branco 400gr

    Preparação

     1.⁠ ⁠Comece por cozer as carnes com os enchidos todos na mesma panela, com água, sal e pimenta. E conforme vão estando cozidos, vá reservando;

     2.⁠ ⁠Primeiro a farinheira e o chouriço de sangue, depois a morcela e o chouriço de carne. A seguir o entrecosto e o toucinho entremeado. Por fim o chispe, a orelha e a carne de vaca, que são os que demoram mais;

     3.⁠ ⁠Aproveite o caldo das carnes para preparar os restantes ingredientes do cozido;

     4.⁠ ⁠Comece por aquecer 1 fio de azeite num tacho, frite 1 caneca de arroz – cerca de 350ml – e junte 1 medida do caldo e outra de água.

    Tempere com pimenta e deixe cozinhar 18-20 minutos. Rectifique o sal, se achar que o caldo esta insosso;

     5.⁠ ⁠Noutra panela reserve caldo para aquecer 2 latas pequenas de feijão branco;

     6.⁠ ⁠A seguir trate dos legumes. Separe as folhas de uma couve portuguesa, lave bem, tire o talo e o veio central, parta em pedaços e junte à panela;

     7.⁠ ⁠Depois a 1 couve lombarda: retire as folhas mais rijas, corte em 4 sem o talo central e junte;

     8.⁠ ⁠Por fim batata, nabo e cenoura. Descasque, corte em pedaços e junte às couves. Tape e deixe cozer até estar tenrinho;

     9.⁠ ⁠Enquanto isso aproveite para cortar as carnes e os enchidos;

    10.⁠ ⁠Quando estiver tudo cozido e as carnes reaquecidas, é hora de empratar.

    Receita de Filipa Gomes – www.24kitchen.pt

    Fontes: revistacomunidades.pt, pingodoce.pt, 24kitchen.pt
    Foto de capa: pingodoce.pt


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  • Sutiã –  Uma Jornada de Estilo e Inovação

    Sutiã – Uma Jornada de Estilo e Inovação

    O Sutiã é uma lingerie que revolucionou a forma de nos vestirmos e nos relacionarmos com o nosso corpo.

    O sutiã, por muito tempo, foi usado apenas por baixo da roupa e para sustentar os seios. Hoje, transporta uma nova proposta: a de que a mulher se sinta ainda mais confiante, segura e poderosa.

    História do Sutiã

    A história do sutiã é repleta de curiosidades, procura de libertação feminina e muita evolução até chegarmos à lingerie que conhecemos hoje.

    Era Pré-sutiãs

    Embora não se saiba ao certo quando foi inventado o primeiro dos diversos precursores do sutiã, os historiadores encontraram referências a peças semelhantes a sutiãs em obras gregas antigas.

    Ilíada de Homero, descreve a deusa Afrodite a remover uma “faixa curiosamente bordada” do peito e na Lisístrata, de Aristófanes, onde uma mulher, que está a castigar o marido não fazendo sexo com ele, o provoca dizendo-lhe que vai despir o strophion.

    A historiadora Mireille Lee escreveu que, embora o strophion tivesse conotações sexuais e de género, é difícil determinar o que as mulheres dessa época vestiam sob as suas roupas – se é que vestiam alguma coisa – pois existe apenas uma reprodução artística da época que mostra uma mulher com um strophion sob a roupa.

    Fotografia: Sara M. Harvey, Patreon

    Outro dos exemplos, são os arqueólogos que escavavam na Villa del Casale, na Sicília.

    Estes arqueólogos descobriram um mosaico do século IV d.C. que mostrava mulheres romanas atléticas cujos seios estavam envoltos numa vestimenta que os estudiosos pensam poder ser um amictorium.

    Outra cobertura para o peito romana, a mamillare, era feita a partir de um cabedal mais resistente.

    Ilustração de um Mamillare // thelingerieformula.com

    No entanto, como o classicista Jan Radicke escreveu, embora as mulheres romanas parecessem ter “diversas opções para cobrirem e darem forma aos seus seios… não existem provas suficientes para chegar a uma conclusão” quanto ao aspecto da vestimenta ou se seria uma peça decorativa, sexual ou simplesmente para dar suporte ao peito.

    Sacos Medievais

    Em 2008, arqueólogos descobriram quatro sutiãs de pano num baú com artigos do século XV no Castelo de Lengberg, na Áustria.

    As vestimentas, que se assemelhavam bastante a sutiãs contemporâneos, podem ser a prova dos primeiros “sacos para o peito” referidos por alguns autores medievais.

    Sutiã encontrada em Lengberg // © Institute for Archaeologies

    Na altura, explicam-nos as historiadoras especialistas em têxteis Rachel Case, Marion McNealy e Beatrix Nutz, os seios grandes não estavam na moda e as mulheres utilizavam vestimentas de suporte para reduzirem o seu tamanho e o falatório sobre os seus corpos.

    Os “sacos para o peito” com 600 anos descobertos no Castelo de Lengberg tinham copas como os sutiãs contemporâneos e, nas palavras das historiadoras, “são obras-primas que usam o fio do tecido” para moldar e proporcionar suporte ao peito.

    A descoberta fez furor entre os historiadores do vestuário, sendo uma prova de que os sutiãs com copas – que se pensava terem surgido no século XIX – foram inventados mais cedo do que se pensava.

    A criação do Sutiã contemporâneo

    O sutiã tal como o conhecemos, surgiu quando os criadores do vestuário propuseram novas formas de moldar e suportar o peito.

    No entanto, as opiniões sobre o inventor do sutiã contemporâneo variam.

    Uns acreditam ter sido Herminie Cadolle, a retalhista francesa da década de 1880 que cortou um espartilho ao meio e o vendeu como um “sutiã-gorge” (suporte para a garganta); outros afirmam ter sido Olivia Flynt, a modista cujo substituto de espartilho “cintura Flynt” foi registado como patente nos EUA em 1873.

    Herminie Cadolle, 1898 // runwaymagazines.com

    O primeiro sutiã patenteado

    No final, quem ficou com os créditos desta invenção foi a socialite norte-americana chamada Mary Phelps Jacob ou Caresse Crosby, como era conhecida.

    Em 1914, Mary foi convidada para um baile, tendo percebido que o espartilho tradicional não combinava com o vestido que queria usar, num momento de criatividade, usou dois lenços de seda e uniu-os com fitas, criando assim o primeiro protótipo do sutiã moderno.

    Este design proporcionou uma liberdade e um conforto que as mulheres da época nunca tinham vivenciado antes.

    Mary patenteou a sua invenção, tendo-a chamado de “Brassiere”, e pouco depois começou a vender às as suas amigas e outras mulheres.

    Sutiã de Caresse Crosky // allthatsinteresting.com

    O seu design foi revolucionário porque se afastava do desconfortável espartilho, oferecendo uma alternativa mais prática e confortável.

    A criação de Mary marcou o início de uma nova era na moda íntima feminina.

    Como não teve muito sucesso na venda da peça para as indústrias têxteis, vendeu a patente para os irmãos Warner, anos mais tarde.

    A evolução do Sutiã

    Apesar de Mary Phelps Jacob ser considerada a inventora do sutiã, a popularização desta lingerie só se deu algum tempo depois, com a produção em alta escala.

    Década de 1920

    Na década de 1920, a popularização do estilo “garçonne” trouxe mudanças significativas no design dos sutiãs. As mulheres procuravam um visual mais reto e andrógino o que levou à criação de novos tipos de sutiãs que achatavam o busto.

    Sutiã estilo Garçonne // simons.ca

    A estilista Coco Chanel, foi uma grande influência para o uso da peça.

    Década de 1930

    Já nos anos 1930, o foco voltou-se para a valorização das curvas femininas e começaram a ser desenhados para realçar e moldar o busto, introduzindo enchimentos e novas técnicas de costura.

    Entre 1930 e 1940, surgiu o primeiro sutiã com com aro, para ressaltar o busto.

    Década de 1940

    A partir dos anos 1940, a indústria de lingerie começou a inovar rapidamente. A introdução do nylon revolucionou a produção de sutiãs, tornando-os mais acessíveis e duradouros.

    Em 1945, um dos modelos mais conhecidos foi criado: o meia-copa. A história em torno dele é bastante curiosa, pois quem inventou o sutiã não foi um estilista, e sim um engenheiro de aviação!

    O bilionário Howard Hughes desenhou o sutiã para a atriz Jane Russell, porque achava que os modelos de sutiã antigo não valorizavam o busto da musa.

    Howard Hughes // thevintagenews.com

    Década de 1950

    Nos anos 1950, o sutiã ganhou ainda mais popularidade com o glamour de Hollywood, onde estrelas como Marilyn Monroe exibiam as suas curvas acentuadas com sutiãs pontudos e estruturados.

    Marilyn Monroe // goldennugs.tumblr.com

    Este estilo continua muito popular nos dias de hoje. Este sutiã tem a característica de deixar o seio um pouco mais à mostra.

    Décadas de 1960 e 1970

    Entre 1960 e 1970, o movimento feminista influenciou a moda íntima e muitas mulheres começaram a ver o sutiã como um símbolo de opressão. Apesar disso, o sutiã continuou a evoluir, com designs que ofereciam mais liberdade e menos estrutura.

    Nesta altura, são criados os sutiãs de desporto, que antes da sua criação, escreve a historiadora especialista em roupa desportiva Jaime Schultz, muitas mulheres usavam sutiãs normais ou atavam o peito com faixas semelhantes às das “Mulheres de Biquíni” da Roma Antiga.

    Na década de 1970, duas corredoras inspiraram-se na protecção para os testículos utilizada pelos homens para fazer o Jockbra, que é actualmente considerado o primeiro sutiã desportivo da época contemporânea.

    Jockbra // http://nypost.com

    O Sutiã e o movimento feminista

    Em 1968, os sutiãs modeladores eram tão omnipresentes e estavam de tal forma associados às normas de sexualidade e beleza feminina que as feministas efectuaram um protesto contra o machismo no dia 7 de setembro em Atlantic City, nos Estados Unidos.

    Este protesto, teve como objetivo criticar o concurso de Miss America e tudo o que o evento representava.

    A manifestação ficou conhecida como “Bra-Burning” que, traduzido do inglês, significa “Queima de Sutiãs”.

    Manifestação “Bra-Burning” // awolau.org

    Além da lingerie, as mulheres colocaram no chão e no lixo: sapatos, cílios postiços, maquilhagem, revistas femininas e outros objetos relacionados com o universo feminino.

    O episódio ainda é lembrado nos dias hoje e é um marco sobre a relação das mulheres com a lingerie.

    Embora estigmatizadas como “queimadoras de sutiãs” pela cultura popular, as manifestantes nunca queimaram os seus sutiãs:
    “Pensamos em queimar (uma lata de lixo de sutiãs no passeio de Atlantic City) disse Carol Hanisch, a organizadora da manifestação, à NPR em 2008, “mas a polícia… não nos deixou queimar nada.”

    Década de 1990

    A introdução do sutiã sem costura nos anos 1990 e a popularização do sutiã desportivo mostraram como essa peça se adaptou às necessidades das mulheres ao longo do tempo, oferecendo cada vez mais opções de conforto e estilo.

    Foi em 1999 que os sutiãs de desporto se tornaram verdadeiramente aceites como peças de vestuário por conta própria devido a Brandi Chastain, a famosa futebolista dos EUA que despiu a sua camisola quando venceu o campeonato do mundo, tendo celebrado no campo vestida apenas com o seu sutiã desportivo – algo a que Schultz chamou “a saída do armário” desta peça.

    Brandi Chastain // cllct.com

    A importância do sutiã nos dias de hoje

    O sutiã é uma peça fundamental não apenas pelo conforto e suporte que proporciona, mas também pelo seu impacto na moda e na auto expressão das mulheres.

    Esta peça, permite que as roupas se ajustem melhor ao corpo, ajudando a criar silhuetas elegantes e proporcionando confiança a quem os usa.

    A moda íntima evoluiu para incluir uma variedade de estilos e designs que atendem às diferentes preferências e necessidades, desde o sutiã básico ao sutiã luxuoso.

    Além disso, o sutiã desempenha um papel fundamental na saúde e bem-estar das mulheres. Ele oferece o suporte necessário para prevenir desconfortos e dores, especialmente para as mulheres com bustos maiores.

    Crédito Fotográfico: Jon Ly on Unsplash

    A diversidade de modelos disponíveis hoje, reflete a crescente conscientização sobre a importância de uma boa lingerie que combine funcionalidade com estética.

    O sutiã é muito mais do que apenas uma peça de roupa, ele é uma celebração da diversidade e da individualidade feminina.

    É tudo uma questão de livre escolha, pois o sutiã tem o poder de realçar e ilustrar no corpo da mulher a beleza, a sensualidade, o conforto, a ousadia, a confiança e a descontração.

    Fontes: www.hopelingerie.com, www.nationalgeographic.pt, blog.delrio.com.br
    Créditos de Capa: Adriana Lima // harpersbazaar.com


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  • Baruch Spinoza: O Gênio Português que Transformou a Filosofia

    Baruch Spinoza: O Gênio Português que Transformou a Filosofia

    Baruch Spinoza, também conhecido como Bento de Espinosa e Benedictus de Spinoza, nasceu a 24 de Novembro de 1632, em Amesterdão, numa família Portuguesa de origem Judaica.

    Spinoza foi excomungado da comunidade Judaica Portuguesa em 1656, o que contribuiu para a sua reputação de figura controversa.

    Apesar disso, ganhou reconhecimento postumamente, e os estudiosos de hoje, continuam a examinar e a celebrar os seus pensamentos, integrando-os no discurso filosófico moderno.

    A filosofia de Baruch Spinoza é rica e complexa, abrangendo várias ideias que desafiam as visões tradicionais sobre Deus, a natureza e a humanidade.

    Neste artigo iremos explorar alguns dos seus principais conceitos filosóficos.

    Principais conceitos filosóficos


    Panteísmo

    Spinoza está frequentemente associado ao panteísmo, a crença de que Deus e a Natureza são uma só coisa.

    Determinismo

    Spinoza acreditava que tudo no universo segue leis naturais. Os seres humanos, tal como todos os outros aspectos da natureza, são determinados por causas e condições, levando à rejeição do livre-arbítrio no sentido tradicional.

    Ética e Emoções

    Na sua obra, Spinoza explorou a natureza das emoções humanas e sugeriu que compreender estas emoções através da razão leva à liberdade e felicidade. Baruch enfatizou a importância do conhecimento racional na dominação das paixões.

    Tipos de Conhecimento

    Spinoza classificou o conhecimento em três tipos:

    • Conhecimento Imaginativo: Derivado da experiência sensorial e frequentemente enganoso.
    • Conhecimento Racional: Conhecimento obtido através do uso da razão e da dedução lógica.
    • Conhecimento Intuitivo: A compreensão direta da essência das coisas.

    Natureza de Deus

    O Filósofo Português rejeitou a concepção antropomórfica de Deus.

    Para Spinoza, Deus não possui qualidades humanas, como vontade ou emoção. Na teoria de Baruch, tudo o que acontece é resultado das leis naturais inerentes ao universo.

    Filosofia Política

    No seu livro “Tractatus Theologico-Politicus”, Spinoza discutiu a relação entre a religião e o estado, defendendo a liberdade de pensamento e a separação da igreja do estado.

    Ele argumentou que uma sociedade bem governada deveria garantir a liberdade e a segurança dos seus cidadãos, independentemente das suas crenças.

    Liberdade Humana

    Embora tenha rejeitado o livre-arbítrio no sentido tradicional, Spinoza defendeu que a verdadeira liberdade é compreender a necessidade das nossas emoções e desejos.

    Viver de acordo com a razão permite que os indivíduos alcancem um tipo de liberdade e paz.

    Unidade da Existência

    Spinoza enfatizou a unidade de toda a existência, propondo que tudo está interconectado e faz parte da mesma substância divina, o que oferece uma visão holística da realidade.

    Principais Obras

    • “Tractatus Theologico-Politicus”: Explora a relação entre a religião e o estado, argumentando a favor da separação da filosofia e da teologia.
    Imagem: whitmorerarebooks
    • “Ethices”: A sua obra mais famosa, escrita em estilo geométrico, apresenta as suas visões sobre Deus, a natureza e a emoção humana, enfatizando a importância da compreensão racional.
    Imagem: wikipedia


    Influências

    Baruch Spinoza foi influenciado por vários filósofos e tradições filosóficas, mas muitos argumentariam que a influência mais significativa nos seus pensamentos foi René Descartes.

    A ênfase de Descartes no racionalismo e lógica influenciou profundamente Spinoza.

    Spinoza envolveu-se profundamente com a filosofia cartesiana, particularmente no que diz respeito ao dualismo e à natureza da substância.

    Imagem: wikipedia

    Embora tenha adotado o método de Descartes de usar a geometria para expressar argumentos filosóficos, Spinoza rejeitou a ideia de duas substâncias distintas (mente e corpo) e propôs uma visão em que a mente e o corpo estão interconectados.

    O filósofo foi também fortemente influenciado pelos avanços em Matemática e pela revolução científica do seu tempo.

    Legado

    Spinoza foi um precursor do Iluminismo e influenciou uma ampla gama de pensadores, incluindo Idealistas alemães e filósofos posteriores, como Nietzsche e Kant.

    Immanuel Kant // Imagem: wikipedia

    As suas ideias sobre liberdade, democracia e a natureza tiveram um impacto duradouro na filosofia e na política.

    Recentemente, as ideias de Spinoza ganharam um novo interesse em várias áreas, incluindo teoria política, ética ambiental e metafísica.

    A sua ênfase na interconexão e na unidade da existência ressoa com discussões contemporâneas sobre filosofia ecológica e pensamento sistémico.

    Em conclusão, o legado de Baruch Spinoza é caracterizado pela sua ousada reinterpretação de conceitos fundamentais relativos a Deus, à natureza, à ética e à sociedade.

    Spinoza continua a ser uma figura fundamental na história do pensamento, inspirando discussões sobre liberdade, conhecimento e a natureza da realidade no nosso mundo contemporâneo.

    Fotografia de capa: wikipedia


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  • Pai Natal – A história do nosso barbudo preferido

    Pai Natal – A história do nosso barbudo preferido

    O Pai Natal, também conhecido como São Nicolau, tem uma longa história repleta de tradições natalinas.

    Nos dias de hoje, o Pai Natal, é visto principalmente como o velhinho alegre vestido de vermelho que traz brinquedos a quem se porta bem durante o ano.

    A sua história remonta ao século III, quando São Nicolau percorreu a mundo e se tornou o santo padroeiro das crianças e dos marinheiros.

    Acredita-se que Nicolau, nasceu por volta do ano 280 d.C. perto de Myra, na atual Turquia.

    São Nicolau // National Geographic

    Sendo um monge muito admirado pela sua piedade e compaixão, São Nicolau tornou-se numa lenda.

    Diz-se que com a sua fortuna herdada, costumava ajudar os mais necessitados oferecendo-lhes dinheiro anonimamente e que segundo a lenda, deixava sacos de moedas junto das chaminés das casas.

    O seu dia de festa é comemorado no aniversário da sua morte, a 6 de Dezembro.

    Este dia era tradicionalmente considerado um dia de sorte para fazer grandes compras ou para casamentos.

    Durante o Renascimento, São Nicolau era o santo mais popular da Europa.

    Mesmo após a Reforma Protestante, quando a veneração dos santos começou a ser desencorajada, São Nicolau manteve uma reputação positiva, especialmente na Holanda.

    O nome Santa Claus

    São Nicolau fez as suas primeiras incursões na cultura popular americana no final do século XVIII.

    Em Dezembro de 1773, e novamente em 1774, um jornal de Nova Iorque noticiou que vários grupos de famílias holandesas se reuniam para honrar o aniversário da sua morte.

    O nome Santa Claus evoluiu a partir do apelido holandês de Nicolau, Sinter Klaas, uma forma abreviada de Sint Nikolaas (holandês para São Nicolau).

    Em 1804, John Pintard, um membro da Sociedade Histórica de Nova Iorque, distribuiu gravuras de São Nicolau na reunião anual da sociedade.

    O fundo da gravura continha imagens de Natal muito familiares, incluindo meias cheias de brinquedos e frutas penduradas sobre uma lareira.

    John Pintard // By Waldo & Jewett

    O Pai Natal e a vertente comercial

    A troca de presentes, centrada principalmente nas crianças, tem sido uma parte importante da celebração do Natal desde a revitalização das festividades no início do século XIX.

    As lojas começaram a anunciar as compras de Natal em 1820, e na década de 1840, os jornais começaram a criar secções separadas para anúncios de festas de Natal, que frequentemente apresentavam imagens do recém-popular Pai Natal.

    Em 1841, milhares de crianças visitaram uma loja na Filadélfia para ver um modelo de Pai Natal em tamanho real.

    Foi apenas uma questão de tempo, até que as lojas começassem a atrair as crianças e os seus pais com a promessa de um encontro com o Pai Natal de carne e osso.

    O primeiro Pai Natal de centro comercial // Philadelphia: The Great Experiment 

    No início da década de 1890, o Exército da Salvação precisava de dinheiro para pagar as refeições de Natal gratuitas que ofereciam a famílias necessitadas.

    Começaram a vestir homens desempregados, com trajes de Pai Natal e a enviá-los às ruas de Nova Iorque para solicitar doações. Esses conhecidos Pais Natal do Exército da Salvação têm tocado sinos nos cruzamentos das cidades americanas desde então.

    A imagem que conhecemos

    Em 1881, o cartunista político Thomas Nast baseou-se num poema de Clement Clarke Moore, um ministro Episcopal, para criar a primeira imagem que corresponde à nossa visão moderna do Pai Natal.

    O seu desenho, que apareceu na Harper’s Weekly, retratava o Pai Natal como um homem corpulento e alegre, com uma barba branca farta, a segurar um saco cheio de brinquedos.

    Pai Natal de Thomas Nast // Artists Network

    Foi Nast, com a sua ilustração, quem idealizou o Pai Natal no seu traje vermelho brilhante, no seu ateliê no Pólo Norte, os elfos e a sua esposa, Sra. Claus.

    O Pai Natal pelo mundo

    Até meados dos anos 1980, Portugal era um dos países europeus em que os pedidos natalícios das crianças eram dirigidos ao Menino Jesus, durante essa década é que se criou a tradição de fazer os pedidos ao Pai Natal.

    O Pai Natal da América do século XVIII não foi o único doador de presentes inspirado em São Nicolau a aparecer durante esta época.

    Existem figuras semelhantes e tradições de Natal em todo o mundo. O “Christkind” ou “Kris Kringle” era acreditado como o responsável por entregar presentes às crianças bem-comportadas da Suíça e da Alemanha.

    Significando “criança de Cristo”, o “Christkind” é uma figura angelical frequentemente acompanhada por São Nicolau nas suas missões natalinas.

    Christkind e Pai Natal // mymerrymessygermanlife

    Na Escandinávia, um alegre elfo chamado “Jultomten” era considerado o responsável por entregar presentes num trenó puxado por cabras.

    A lenda inglesa diz que o Pai Natal visita cada lar na véspera de Natal para encher as meias das crianças com guloseimas festivas.

    O Père Noël é encarregado de encher os sapatos das crianças francesas.

    Na Itália, há a história de uma mulher chamada “La Befana”, uma bruxa bondosa que desce pela chaminé das casas italianas montada na sua vassoura para entregar brinquedos.

    Enquanto celebramos a época natalícia, é fascinante refletir sobre como as tradições em torno do Pai Natal evoluíram ao longo dos séculos, lembrando-nos da alegria de dar e do espírito duradouro do Natal em todo o mundo.

    Boas Festas!

    Fontes: History.com


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  • Café Procope – O café mais antigo do mundo!

    Café Procope – O café mais antigo do mundo!

    Café Procope, é um café histórico localizado em Paris, França.

    É conhecido como um dos cafés mais antigos do mundo, fundado em 1686 por Francesco Procopio dei Coltelli, um imigrante siciliano.

    Ao longo dos séculos, o Café Procope tornou-se um ponto de encontro muito popular para intelectuais, escritores e revolucionários, desempenhando um papel significativo na vida social e cultural de Paris.

    Origem

    Francesco Procopio aprendeu a actividade sob a liderança de um imigrante arménio chamado Pascal, que tinha um espaço na rue de Tournon onde vendia refrescos, incluindo limonada e café.

    A tentativa de Pascal de gerir este tipo de negócio em Paris não foi bem sucedida e foi para Londres em 1675, deixando o espaço para Procopio.

    Francesco Procopio // wikipedia

    O Café Procope abriu durante a era em que os cafés se tornaram centros importantes para encontros sociais e discussões intelectuais na Europa.

    Inicialmente, era referido como um “antre” (caverna ou gruta) porque era muito escuro no seu interior, mesmo quando o sol brilhava no exterior. Após várias renovações, Procopio instalou no seu novo café, peças que no presente são padrão nos cafés europeus modernos, tais como os candelabros de cristal, espelhos de parede e mesas de mármore.

    Sorte

    Em 1689, a Comédie-Française abriu as suas portas no teatro em frente ao Café Procope.

    Comédie-Française // wikipedia

    Desta forma, o café começou a ser frequentado por muitos atores, escritores, músicos, poetas, filósofos, revolucionários, estadistas, cientistas, dramaturgos, artistas de palco, autores e críticos literários.

    Clientes Famosos

    O café recebeu muitas figuras notáveis ao longo da sua história. Os filósofos do Iluminismo, Voltaire, Rousseau e Diderot eram visitas frequentes, assim como os líderes revolucionários posteriores, Marat, Danton, Robespierre e Paul Verlaine. No século XIX, atraiu escritores como Victor Hugo e Honoré de Balzac.

    Voltaire e Diderot no Café Procope // martinezfinecoffees.com

    Relevância na Revolução Francesa

    O Café Procope foi um centro de debate político durante a Revolução Francesa. Diz-se que as figuras revolucionárias da época usaram o café como local para trocar ideias e traçar estratégias.

    O Club des Cordeliers costumava realizar as suas reuniões no Café Procope, juntamente com Danton e Marat, que praticamente viviam no seu pátio. O local impulsionava o movimento revolucionário, sendo muito frequentado por Robespierre e os Jacobinos.

    Paul Verlaine no Café Procope // relaisdulouvre.com

    Herança de hábitos

    O Café Procope além de ser um local de consumo de café em Paris, também introduziu o hábito dos gelados aos parisienses, numa época em que estas iguarias eram consideradas luxuosas.

    Crédito Fotográfico: relaisdulouvre.com

    Arquitetura e Ambiente na atualidade

    O Café Procope, nos dias de hoje, mantém muito do seu charme histórico, com a decoração e mobiliário da época que evocam a sua longa história. É um lugar popular para turistas curiosos e interessados no seu enorme legado e vastíssima herança.

    O restaurante tem dois pisos; com muitos salões decorados ao estilo francês do século XVIII.

    Crédito Fotográfico: relaisdulouvre.com

    O Café Procope continua a funcionar como café e restaurante, atraindo tanto cidadãos locais como turistas. Oferece um menu com cozinha tradicional francesa e mantém uma atmosfera que reflete o seu passado ilustre, com os preços a combinar.

    O Café Procope permanece como um testemunho do legado cultural duradouro de Paris, combinando a sua rica história com experiências gastronómicas modernas.

    Apesar da sua fama, fechou em 1872 devido a problemas financeiros, reabrindo na decada de 1920, como café, sob um formato diferente, mas mantendo o mesmo nome, em homenagem ao café original. Desde o seu renascimento, o café tem acolhido várias cerimônias de entrega de prémios literários, incluindo o Prix Procope des Lumières, dedicado a ensaios políticos, filosóficos e sociais.

    Crédito Fotográfico: relaisdulouvre.com

    O Café Procope adquiriu o status de maior café literário do mundo e, por mais de 200 anos, todos aqueles que tinham um nome ou aspiravam a fazer um, fosse no mundo das letras, das artes ou da política, frequentavam o local.

    Café Procope, um património cultural com centenas de anos, sem fim à vista!

    Crédito de Capa: Jean-Marie Hullot from France – Le Procope

  • Sintra: Roteiro de Romance, Encantos e Maravilhas

    Sintra: Roteiro de Romance, Encantos e Maravilhas

    Sintra é uma linda e romântica vila portuguesa situada no distrito e área metropolitana de Lisboa. É Património Mundial da Humanidade e Paisagem Cultural classificada pela UNESCO.

    Sintra é um verdadeiro Tesouro Histórico, onde se encontram vestígios desde a idade do Bronze às diversas épocas da História de Portugal, sem descurar a época romana e a ocupação muçulmana.

    Apesar de ser um dos centros urbanos mais populosos de Portugal, tem recusado ser elevada ao estatuto de Cidade.

    Palácio da Quinta da Regaleira // http://acrosstheuniverse.blog.br

    Sintra é um testemunho de quase todas as épocas da história portuguesa e, no âmbito contextual de natureza, arquitetura e ocupação humana, Sintra evidencia o que hoje se considera uma paisagem cultural única no panorama da história portuguesa.

    Sintra é seguramente um dos destinos mais belos e românticos de Portugal, onde reis e rainhas se apaixonaram e que escritores e poetas, como Eça de Queiroz e Lord Byron, registaram para sempre nas suas obras.

    Lazer

    Descobrir Sintra:

    Um passeio pelas praias, os jardins exóticos, os parques exuberantes com caminhos entre árvores centenárias, os palácios de decoração fantástica, os pequenos lagos com recantos e as ruínas fingidas no meio da natureza, são decerto inspiradores para os maravilhosos lugares que pode visitar:

    Monte da Lua

    O Monte da Lua é um daqueles lugares cheios de magia e mistério onde a natureza e o Homem se conjugaram numa simbiose tão perfeita, classificado pela UNESCO como Património da Humanidade.

    Monte da Lua // livetheworld.com

    Palácio da Vila

    Na praça principal, vemos o Palácio da Vila com as suas duas chaminés cónicas, tão caraterísticas, que servem de bússola para voltar a este ponto de encontro.

    Datado de finais do século XIV, foi lugar de passeio de muitos reis ao longo da História de Portugal.

    Cada sala é decorada de forma diferente e tem uma história a conhecer, para além de o interior ser uma surpresa, pois é um verdadeiro museu do azulejo, com aplicações desde o séc. XVI, do início da sua utilização em Portugal.

    Palácio da Vila // thatch.co

    Palácio e Quinta da Regaleira

    É um palácio do séc. XIX, embora pareça ser mais antigo, com uma decoração que impressiona, rica em simbologia maçónica.

    Muito perto da entrada da Regaleira, fica Seteais, um palácio do séc. XVIII atualmente transformado em hotel. Vale a pena entrar nos jardins e ir até ao miradouro, de onde se vê o Palácio da Pena, o Castelo dos Mouros e o mar ao longe.

    Quinta da Regaleira // Photo by Rémy Penet on Unsplash

    Parque da Pena

    Antes de entrar no refúgio botânico do Parque da Pena, visite o Chalet da Condessa D’Edla e suba ao Palácio que Richard Strauss apelidou de “Castelo do Santo Graal”. Pelo caminho, é imperativo passar pelo Castelo dos Mouros. É um testemunho da presença islâmica na região, construído entre os séculos VIII e IX e ampliado depois da Reconquista.

    Chalet da Condessa D’Edla // hortensetravel

    Palácio da Pena

    Um dos palácios mais românticos de Portugal, uma reconstituição fantasiosa e revivalista, ao gosto do romantismo oitocentista, que se ficou a dever à paixão e imaginação do rei artista D. Fernando de Saxe-Coburgo Gotha, consorte de D. Maria II.

    Palácio da Pena // Photo by Alexey Komissarov on Unsplash

    Museus, Parque e Convento

    Para além de outros museus de interesse, merecem grande destaque o Parque de Monserrate, com o seu exótico palácio neogótico, e o Convento dos Capuchos, construído no séc. XVI utilizando cortiça como revestimento dos pequenos espaços, seguindo os preceitos de pobreza da Ordem de São Francisco de Assis, contrastando com os outros palácios.

    Palácio de Monserrate // Photo by Håkon Åreskjold on Unsplash

    Práticas ao ar livre:

    Perto de Lisboa, as praias da costa de Sintra, de areia dourada e fina, são das mais procuradas.

    • Praia das Maçãs

      Enquanto a Praia das Maçãs, é mais apreciada para banhos de sol e mar, os desportistas preferem a Praia Grande, onde se realizam diversas competições nacionais e internacionais ligadas ao surf, bodyboard e ao skimming. No entanto, há uma piscina de água salgada para quem gostar de um “mar” mais tranquilo.
    Praia das Maças // surfiberia
    • Azenhas do Mar

      As Azenhas do Mar, com o casario na falésia, também com a sua piscina de água salgada e uma pequena praia que desaparece na maré cheia, é uma das mais cénicas e vale bem o passeio, Assim como a Praia da Adraga, entre as arribas.
    • Cabo da Roca

      Para completar o percurso pela costa de Sintra, há que ir ao ponto mais ocidental do continente Europeu, o Cabo da Roca, «onde a terra acaba e o mar começa», e deslumbrarmo-nos com a vista e a força do mar.
    Cabo da Roca // By Olga1969 – Own work, CC BY 4.0, commons.wikimedia.org
    • Escalada

      Para superar limites, existem locais com boas condições para praticar escalada. A Pedra Amarela e o Penedo da Amizade são conhecidos pela dificuldade, mas a sensação de liberdade ao atingir o topo é indescritível, ao ter a melhor vista sobre a Vila de Sintra.

      Num dia bonito, e sem nuvens, a serra é também um lugar de excelência para a prática de parapente e asa delta.
    • Trilhos

      Existem também muitos trilhos para passeios pedestres e rotas de orientação para conhecer os mistérios desta paisagem.

      De duração variável e dedicados a várias temáticas, desde a natureza à cultura, adaptam-se a todos os graus de dificuldade.

      Um dos mais bonitos vai da Praia Grande, onde é possível ver uma jazida de onze trilhos de dinossauros e pegadas isoladas gravada na falésia, até ao Cabo da Roca, a 100 m acima do oceano.

    Gastronomia

    Dos pratos de carne, destacam-se o leitão de Negrais, a carne de porco às Mercês, o cabrito e a vitela assada.

    Carne de Porco à Mercês // sintranoticias.pt

    O litoral da região de Sintra é abundante em peixe fino, mariscos e moluscos. Assim, é possível comer um apetitoso robalo ou sargo, deleitar-se com um polvo, ou saborear mexilhões e percebes.

    Na doçaria, o destaque vai, inevitavelmente, para as queijadas de Sintra, doce ancestral que vem, pelo menos, da Idade Média.

    Mas há outros que merecem ser provados: os travesseiros, os pastéis da Pena, as nozes de Galamares, os fofos de Belas, a par de um conjunto de compotas tradicionais fabricadas segundo métodos tradicionais.

    Pasteis da Pena // piriquita.pt

    A acompanhar qualquer refeição, é indispensável o vinho de Colares, com a famosa casta Ramisco, um dos primeiros da carta de vinhos de Portugal.

    Atividades económicas

    O turismo é uma das principais atividades económicas no concelho, devido ao vastíssimo património arquitetónico existente e também devido aos seus recursos naturais.

    História

    Do Paleolítico e Neolítico à Idade do Bronze e do Ferro, passando pelo Período Romano, depois pelo domínio muçulmano, da fundação de Portugal (a 9 de Janeiro de 1154, D. Afonso Henriques outorga Carta de Foral à Vila de Sintra) aos Descobrimentos, Sintra que sobreviveu ao Terramoto de 1755, tem o seu período áureo situado entre o final do séc. XVIII e todo o séc. XIX.

    Aqui chega, no Verão de 1787, William Beckford, hóspede do 5° marquês de Marialva, estribeiro-mor do reino, residente na sua propriedade de Seteais e é aqui que a ainda princesa D. Carlota Joaquina, mulher do regente D. João, compra, no princípio do século XIX, a Quinta e o Palácio do Ramalhão.

    William Beckford // cm-sintra.pt

    Entre 1791 e 1793 Gerard Devisme constrói na sua extensa Quinta de Monserrate o palacete neo-gótico.

    O apogeu deste desenvolvimento extraordinário da paisagem de Sintra foi atingido com o reinado de D. Fernando II da dinastia de Saxe-Coburgo-Gotha (1836-1885).

    Muito ligado a Sintra e à sua paisagem, pela qual nutria um grande afecto, este rei-artista implantaria aqui o Romantismo de uma forma esplêndida e única para as regiões mediterrânicas.

    O rei adquiriu o Convento da Pena situado sobre uma montanha escarpada e transformou-o num palácio fabuloso e mágico, dando-lhe a dimensão máxima que apenas um romântico de uma grande visão artística e de uma grande sensibilidade estética podia sonhar.

    Parque da Pena // serradesintra.net

    Além disso, D. Fernando II rodeou o palácio de um vasto parque romântico plantado com árvores raras e exóticas, decorado com fontes, de cursos de água e de cadeias de lagos, de chalets, capelas, falsas ruínas, e percorrido de caminhos mágicos sem paralelo em nenhum outro lugar.

    O rei tomou também o cuidado de restaurar as florestas da Serra onde milhares de árvores foram plantadas, principalmente carvalhos e pinheiros mansos indígenas, ciprestes mexicanos, acácias da Austrália, e tantas outras espécies que contribuem perfeitamente para o carácter romântico da Serra.

    Sintra: Inspiração

    Entre a segunda metade do século XIX e os primeiros decénios do século XX, Sintra tornou-se um lugar privilegiado para artistas.

    Músicos como Viana da Motta; músicos-pintores como Alfredo Keil; pintores como Cristino da Silva (o autor de uma das mais célebres telas do romantismo português, Cinco Artistas em Sintra); escritores como Eça de Queiróz ou Ramalho Ortigão, todos eles aqui residiram, trabalharam ou procuraram inspiração.

    Lord Byron // theguardian.com

    Muitos outros artistas foram seduzidos por Sintra. Sintra foi transformada em arte escrita, pintada, cantada e recordada por Byron, Christian Andersen, Richard Strauss e William Burnett, entre outros.

    Sintra é a verdadeira e única capital do Romantismo.

    “Sintra é o único lugar do país em que a História se fez jardim, porque toda a sua legenda converge para aí e os seus próprios monumentos falam menos do passado do que de um eterno presente de verdura.

    E a memória do que foi mesmo em tragédia desvanece-se no ar ou reverdece numa hera de um muro antigo, em Sintra não se morre – passa-se vivo para o outro lado.

    Porque a morte é impossivel no vigor da beleza. E a memória do que passou fica nela para colaborar.”
    “Louvar Amar”, Vergilio Ferreira.

    Fontes: cm-sintra.pt, sintraromantica.net, visitportugal.com, infopedia.pt
    Capa: recordtours.pt/



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  • Bola de Berlim: Receita, tradição e doçura

    Bola de Berlim: Receita, tradição e doçura

    Bola de Berlim é um bolo tradicional português. Sendo um dos mais deliciosos e vendidos nas pastelarias, o que significa que é um dos preferidos dos portugueses.

    História e Origens

    A Bola de Berlim tem origem, como o próprio nome indica, no norte da Alemanha e foi trazida para terras lusas durante a 2.ª Guerra Mundial.

    Nesta época e sob o dominio ditatorial de António Oliveira Salazar, entre 1939 e 1945, Portugal manteve a neutralidade, atraindo às cidades de Lisboa e Porto um grande número de refugiados judeus que fugiam da Alemanha nazi, muitos deles com o objetivo de atravessar o Atlântico rumo à América.

    Foi nesta época que uma família judia fugiu da Alemanha para Portugal: a família Davisohn.

    A mãe desta família começou a reproduzir uma receita que aprendera na Alemanha: um frito de massa de farinha doce com açúcar no exterior e doce no interior. Era a Bola de Berlim, Berliner Pfannkuchen no original (Bolo de Berlim de frigideira).

    Berliner Pfannkuchen // familienkost.de

    Esta é uma história que é relatada no livro Judeus em Portugal durante a II Guerra Mundial da historiadora Irene Flunser Pimentel, que conta o que se passou a seguir: com o calor, as praias de Lisboa enchiam-se de refugiados judeus que aí comiam esta iguaria.

    Com a guerra, os refugiados necessitaram de trabalhar para sustentar a família e muitos dos judeus tornaram-se funcionários de empresas nacionais, como pastelarias e cafés. Por este mesmo motivo, Lisboa e Porto começaram a vender este doce típico.

    Com o passar do tempo, os pasteleiros nacionais desenvolveram a própria versão, passando a rechear com doce de ovos ou sem creme, ao invés de creme ou marmelada.

    Variantes da Bola de Berlim

    Com o tempo e a sua popularidade, a receita foi alterada. A Bola de Berlim é tradicionalmente recheada com creme amarelo de pasteleiro (feito de ovos), embora, ao longo dos anos, tenham surgido mais variações: chocolate, avelã, doce de leite, caramelo, frutos vermelhos, coco, limão…

    Bola de Berlim de Kinder Bueno // Bridor

    No entanto, a versão original, importada da Alemanha, seria com recheio de compota de fruta, de morango ou de frutos vermelhos, tal como a senhora Davisohn fazia.

    Sucesso da Bola de Berlim nas praias

    Tendo em conta o tamanho e a forma redonda (ideal para agarrar só com uma mão), as Bolas de Berlim começaram a ser vendidas na rua. Mais tarde, chegaram às praias, onde foram um sucesso tão grande que se transformaram num ritual típico do Verão.

    Depois de uma ida ao mar, o nosso corpo fica com uma camada de sal e sentimos um travo salgado na boca. O doce da Bola de Berlim contrasta na perfeição com o salgado do mar, ficando este sabor mais intensificado.

    Bola de Berlim numa praia Portuguesa // adn-agenciadenoticias

    Por ser um bolo frito, de massa fofa e arejada, torna-se muito usual o seu consumo na praia, pois os alimentos secos provocam sede e este bolo além de não ser seco é extremamente delicioso.

    A Bola de Berlim é um prazeroso e delicioso bolo que consola os sentidos e deleita o espirito.

    Receita da Bola de Berlim

    Ingredientes:

    •⁠ ⁠Óleo
    •⁠ ⁠Açúcar

    Massa:
    •⁠ ⁠25g de fermento de padeiro fresco
    •⁠ ⁠100ml de água morna
    •⁠ ⁠500g de farinha de trigo sem fermento
    •⁠ ⁠100g de manteiga
    •⁠ ⁠6 ovos
    •⁠ ⁠100g de açúcar

    Recheio:
    •⁠ ⁠2 c. de sopa de amido de milho
    •⁠ ⁠250ml de leite
    •⁠ ⁠1 casca de limão
    •⁠ ⁠1 vagem de baunilha
    •⁠ ⁠300g de açúcar
    •⁠ ⁠3 gemas

    Preparação:

    1.⁠ ⁠Massa: Comece por diluir 25g de fermento de padeiro fresco em 100ml de água morna;

    2.⁠ ⁠Numa taça, coloque 500g de farinha de trigo sem fermento, 100g de manteiga, o fermento diluído e 6 ovos inteiros. Se quiser, junte 100g de açúcar. Mexa e deixe repousar num local seco e quente, se preferir, pré-aqueça o forno, desligue e deixe repousar no seu interior;

    3.⁠ ⁠Assim que a massa levedar, divida-a em vários pedaços. Polvilhe uma superfície com farinha e molde a massa em pequenas bolas. Coloque num tabuleiro e deixe levedar mais um pouco no forno com uma temperatura de 50ºC;

    4.⁠ ⁠Recheio: Numa taça coloque 2 c. de sopa de amido de milho e 3c. de sopa de leite, de 250ml. Dissolva e reserve;

    5.⁠ ⁠Num tacho aromatize o restante leite com 1 casca de limão e um pouco de polpa de 1 vagem de baunilha. Coe este leite para um copo e, no mesmo tacho, adicione 300g de açúcar, novamente o leite aromatizado, 3 gemas batidas e o amido de milho dissolvido anteriormente. Mexa até engrossar;

    6.⁠ ⁠Leve as bolas já levedadas a um tacho com óleo quente. Frite e, de seguida, assim que arrefecerem um pouco, passe por açúcar. Faça um buraco e recheie com o creme.

    Receita de Joana Barrios 24kitchen.pt

    Fontes: foodlab.cascais.pt, visitlisboa.com, http://portal.uab.pt, 24kitchen.pt
    Fonte de capa: City Guide Lisbon


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  • Calças de Ganga / Jeans: História, Legado e Revolução

    Calças de Ganga / Jeans: História, Legado e Revolução

    As calças de ganga / jeans, desde que foram criadas, são transversais a todas as pessoas, países, culturas, idades, géneros e classes sociais.

    Democráticas, cosmopolitas e com uma forma easy-to-wear inigualável, as calças de ganga / jeans têm uma longa história no cenário fashion.

    História e Origem

    A história conta-nos que o tecido das calças de ganga / jeans apareceu por volta do ano de 1792. Foi em Nîmes, França, que se fabricou, pela primeira vez, o tecido que veio a caracterizar as calças de ganga, que ficou conhecido como “tecido de Nîmes”.

    Com o tempo e com a popularidade que foi ganhando, a expressão começou a ser abreviada para “Denim”.

    Crédito Fotográfico: Textile Value Chain

    Numa primeira fase, o tecido “Denim” começou a ser utilizado essencialmente em roupas para trabalho no campo e pelos marinheiros italianos que trabalhavam no porto de Génova, por ser um tecido robusto e de grande durabilidade.

    Levi Strauss – o visionário

    Pouco tempo depois, já na era da Corrida do Ouro na Califórnia, o tecido – com toda a sua tecnologia resistente – chamou a atenção do alemão Levi Strauss.

    Visionário, que no ano de 1853 abriu uma loja em São Francisco, onde começou por vender produtos secos e lona para as carroças dos mineiros.

    Loeb “Levi” Strass // Crédito Fotográfico: Page North

    Nessa altura, Levi Strauss apercebeu-se de que as roupas dos mineiros não eram adequadas para os trabalhos que tinham de desempenhar e, por isso, decidiu fazer umas calças com o tecido que vendia normalmente para cobrir as carroças.

    Este novo produto, criado por Levi Strauss, tornou-se rapidamente um sucesso para os mineiros, mas havia um problema: a lona era pouco flexível para calças, o que dificultava os movimentos.

    Perante esta questão fundamental, Levi Strauss foi à procura de um tecido mais flexível, resistente e confortável tendo encontrado, na Europa, o tecido “Denim”, feito de algodão sarjado.

    A partir daí, o nome de Levi Strauss elevou-se para uma marca: a Levi Strauss & Co. E as primeiras calças fabricadas com o tecido “Denim”, na altura, de cor castanha, tornaram-se num modelo famoso e clássico.

    Crédito Fotográfico: Sean Gallup via Getty Images

    A primeira calça de ganga Levi’s 501

    Assim, em meados de 1860, nascia a primeira calça Levi’s, a 501. Na época bastante diferente da versão atual mas já patenteada e com a mesma potência convencional e de fácil absorção comercial.

    A mestria de Jacob Davis

    A par com Levi Strauss, também Jacob Davis, costureiro, se tornou famoso ao propor a ideia de reforçar as costuras das calças.

    Em 1860, foram acrescentados os botões de metal e rebites, anos depois, coseram a etiqueta de couro no cós das calças.

    Mais tarde, assistiu-se ao aparecimento da cor azul índigo, que se tornou popular em 1890 e assim continua até aos dias de hoje.

    Já com grande sucesso, Levi Strauss e Jacob David decidiram requerer a patente do produto, a 20 de maio de 1873.

    Patente de Rebites de Cobre // Crédito Fotográfico: Rope Dye

    Ao longo dos anos, melhorias no design foram efectuadas: Levi Strauss adicionou um arco duplo de costura laranja para reforço adicional e para as identificar como Levi’s; zíperes substituíram os botões em alguns modelos em 1954.

    Quando a patente de Levi Strauss e Jacob David venceu em 1890, outros fabricantes ficaram livres para reproduzir o estilo.

    OshKosh B’Gosh entrou no mercado em 1895, Blue Bell (mais tarde Wrangler) em 1904 e Lee Mercantile em 1911.

    Durante a Primeira Guerra Mundial, os jeans Lee Union-Alls eram o padrão para todos os trabalhadores de guerra.

    Sucesso mundial na década de 30

    As calças de ganga / jeans atingiram a sua popularidade mundial por volta de 1930, quando vários filmes de sucesso começaram a retratar os famosos cowboys americanos.

    Hollywood ajudou desta forma a romantizar as calças de ganga / jeans nas décadas de 1920 e 1930, vestindo as calças em cowboys interpretados por atores como John Wayne e Gary Cooper.

    Gary Cooper // Credito Fotográfico: Mattsko

    Esta nova imagem glamorosa chegou aos consumidores que procuravam roupas casuais e lúdicas para usar nos finais de semana e feriados.

    Fotos publicitárias de atrizes como Ginger Rogers e Carole Lombard vestindo estas calças, ajudaram a convencer as mulheres de que o estilo era para elas também.

    Ginger Rogers // thetimeriver

    Na década de 1930, a Vogue deu o seu selo de aprovação, ao chamar as calças de ganga de “western chic”.

    Década de 40

    Em 1942, a estilista americana Claire McCardell vendeu mais de 75.000 exemplares do seu vestido de denim Popover .

    Claire McCardell // Crédito Fotográfico: Irving Penn

    Também a Segunda Guerra Mundial popularizou a imagem das calças de ganga, uma vez que o tecido “Denim” era utilizado nas fardas do exército americano.

    Décadas de 50 e 60

    Já em 1950 vem o boom absoluto em que as calças de ganga passaram a ser associadas à juventude rebelde e anti-establishment.

    Mais uma vez, este boom foi protagonizado por celebridades de Hollywood como Marlon Brando e James Dean – o eterno bad boy que criou o look blue jeans & t-shirt, receita de estilo adorada e repetida incansavelmente por fashionistas até hoje.

    Na época, até estrelas do rock’n’roll ajudaram a consolidar o estilo como cool; os hippies e os manifestantes anti-guerra usavam jeans nos anos 1960.

    Marlon Brando // Levi’s

    Na década de 1960, as calças de ganga passaram a simbolizar a contracultura. Algumas escolas de ensino médio proibiram o seu uso, o que só serviu para aumentar ainda mais o seu sucesso.

    Marylin Monroe com o seu glamour sensual também entrou na onda do tecido na época, trazendo a proposta para um nível ainda mais comercial e de puro sucesso.

    Marilyn Monroe // Philippe Halsman, 1952

    Década de 70

    No início dos anos 1970 como forma de mostrar apoio à classe trabalhadora as mulheres feministas e lutadoras da liberdade feminina escolheram estas calças como forma de demonstrar a igualdade de gênero.

    Também nesta década entram em cena os hippies que tinham como indumentária o tie-dye e, claro, as calças de ganga / jeans estilo boca de sino.

    No final dos anos 70 e início dos anos 80, a moda high-end também se começou a interessar pela peça.

    Os jeans Buffalo 70 da Fiorucci eram justos, escuros, caros e difíceis de comprar – por outras palavras, o oposto exato da calça boca de sino desbotada preferida do público mais jovem. Estas calças tornaram-se um sucesso entre o jet set e o Studio 54.

    Em 1976, Calvin Klein exibiu calças de ganga / jeans na passarela – o primeiro estilista a fazê-lo.

    Calvin Klein, 1978 // Vogue

    Gloria Vanderbilt apresentou os seus jeans de sucesso em 1979. Estes jeans de marca não foram apenas um sucesso comercial, pois foram também comercializados com uma imagem mais ousada.

    Década de 80

    Nos anos 80, estrelas do rock, modelos, artistas e cineastas também levantaram a bandeira “denim”, disseminando-o internacionalmente e trazendo o material também para a cena high fashion.

    Foi nesta década que aconteceu a provocativa campanha Calvin Klein de Brooke Shields e os anúncios sensuais de Claudia Schiffer para a Guess que ajudaram a dar aos jeans um novo tipo de potencial sedutor.

    Claudia Schiffer // Guess

    Década de 90 até ao presente

    Dos anos 1990 até ao presente, as calças de ganga / jeans passaram por várias transformações e – entre as novidades mais ousadas e construções com apelo statement – voltou às suas origens importando as versões mais clássicas para o topo da lista de must-haves mais vendidas.

    Nesta década, casas de moda como Versace, Dolce & Gabbana e Dior também entraram no mercado das calças de ganga / jeans.

    Ao longo das décadas, os tipos e estilos de jeans tornaram-se estratificados entre grupos e subgrupos: os estilos hip-hop do início da década de 1990 eram caracterizados por jeans oversized; intelectuais e modernos optaram pelo jeans escuro como forma de voltar às raízes do estilo; as estrelas pop preferiam as peças assinadas pela Diesel; os aficionados pagavam preços altos por Levi’s vintage e índigo japonês tingido à mão.

    Hoje, quase todas as marcas de luxo e designers de alta costura já exibiram jeans nas passarelas; e eles estão disponíveis em ambas as extremidades do espectro de preços, com uma infinidade de estilos: largo, skinny, cintura alta, baixa, claro, escuro ou colorido.

    Diferentes estilos de Jeans // Levi’s

    “Eu sempre disse que gostaria de ter inventado o jeans”, disse Yves Saint Laurent ao New York Magazine em Novembro de 1983. “Eles têm expressão, modéstia, apelo sexual, simplicidade – tudo o que espero nas minhas roupas.”

    Levi Strauss – imortal

    Levi Strauss foi o pioneiro que se elevou com a forma como idealizou e produziu as calças de ganga como, atualmente, o mundo as conhece.

    Nasceu em Buttenheim na Alemanha, no dia 26 de fevereiro de 1829 e faleceu a 26 de Setembro de 1902 em São Francisco, Estados Unidos, país onde revolucionou, o “mundo” das calças de ganga / jeans, a peça de roupa que une o interesse de homens e mulheres, miúdos e graúdos e é um grande sucesso ao longo de 150 anos.

    O nome Levi Strauss & Co. estabeleceu-se como a assinatura das calças Levi’s, uma das marcas mais conhecidas do mundo.

    Levi Strauss & Co., 1853 // Levi’s


    Fontes de conteúdo: Schutz, RFM, Vogue Globo
    Fonte de capa: Wallpaper by jdbrands2009 on Wallpapers.com


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  • Faróis – História de Luz na Escuridão

    Faróis – História de Luz na Escuridão

    A história dos Faróis é rica e valiosa pois reflete os avanços na navegação, arquitetura e tecnologia.

    Inicialmente, os faróis eram fogueiras simples construídas em terrenos elevados, servindo como auxílios à navegação para os marinheiros.

    No entanto, à medida que o comércio marítimo se expandiu a necessidade de uma navegação mais segura tornou-se essencial, estes primeiros balizadores evoluíram para estruturas mais permanentes e elaboradas.

    Os primeiros Faróis

    O Farol de Pharos foi um dos primeiros faróis conhecidos, construído por volta de 280 a.C. na pequena ilha de Pharos, no Egito, também conhecido como o Farol de Alexandria, é um dos faróis mais icónicos e significativos da história.

    Ilustração do Farol de Pharos // 101inventions

    Durante muitos séculos, foi a estrutura feita pelo homem mais alta do planeta.

    Foi construído para guiar os marinheiros com segurança até ao porto de Alexandria, um dos portos comerciais mais importantes do mundo antigo.

    O Farol de Pharos tornou-se um protótipo para os faróis ao redor do mundo, influenciando projetos subsequentes.

    Tinha uma grande chama aberta no topo, que era usada para produzir luz, enquanto espelhos de bronze polido eram usados para refletir e amplificar o brilho da chama, permitindo que fosse vista a quilômetros de distância.

    No século XV, o Farol de Pharos encontrava-se em ruínas, com os remanescentes deste a ser usados na construção da Cidadela de Qaitbay no mesmo local.

    Citadela de Qaitbay, Egito // Egypttoursportal

    Idade Média

    Durante a idade média, várias culturas usavam fogos em colinas ou plataformas para sinalizar passagens seguras.

    O declínio do Império Romano e das suas redes comerciais significou o declínio das grandes rotas marítimas e, consequentemente, dos faróis.

    À medida que a navegação evoluía, os faróis gradualmente expandiram-se para a Europa Ocidental e Setentrional, recuperando a sua popularidade.

    Farol de Hook // Screenwexford

    Um dos faróis mais antigos em funcionamento na Europa é o Farol de Hook, localizado em Hook Head, no Condado de Wexford, Irlanda. Foi construído durante a Idade Média com um design robusto e circular.

    Renascimento e Período Moderno Inicial

    Os séculos XVII e XVIII trouxeram avanços enormes na tecnologia, tais como a introdução nos faróis de lentes de vidro.

    As primeiras lentes usadas eram espessas, excessivamente pesadas e de má qualidade, feitas de vidro. Portanto, não eram muito eficazes e tendiam a perder a luz através do vidro grosso.

    A lente de Fresnel, inventada por Augustin-Jean Fresnel no início do século XIX, revolucionou o design de faróis, permitindo feixes de luz mais potentes e focados.

    Lente de Fresnel // U.S. National Park Service

    A lente de Fresnel ainda é usada hoje em dia em faróis em todo o mundo.

    Expansão Europeia e a Era Moderna

    No século XVIII, muitos países colocaram faróis ao longo das suas costas para ajudar na navegação marítima.

    Devido ao comércio internacional através do Oceano Atlântico, a construção de faróis prosperou e esta época ficou conhecida como a era moderna da construção de faróis.

    O primeiro farol a adotar uma estética e construção mais modernas foi o Farol de Eddystone, na Inglaterra.

    Farol de Eddystone // Lighthouse Accommodation

    A construção do Farol de Eddystone teve de ser o mais perfeita possível, pois as rochas no local eram extremamente perigosas.

    O seu designer modelou a base do farol inspirado por árvores de carvalho e, após ter sido comprovado o sucesso, este método tornou-se um padrão na indústria.

    Métodos de iluminação eficientes tornaram-se então o foco principal para os engenheiros de faróis.

    Após experimentar vários tipos de óleos e técnicas de fluxo de ar, desenvolveu-se um sistema para o uso de gás. Este tornou-se o padrão para todos os faróis até que a engenharia elétrica se tornasse mais proeminente no final do século XVIII.

    Farol do Cabo de São Vicente // Wikimedia Commons

    Com a invenção da lâmpada elétrica, a iluminação dos faróis mudou drasticamente para melhor.

    Desde então, os faróis pouco evoluíram. Num mundo em constante evolução, os faróis são algo que se manteve praticamente inalterado durante centenas de anos.

    Simbolismo

    Quando a vida por momentos se torna uma viagem vigorosa com as ondas, chuva e dificuldades, o farol comunica e transmite com a sua luz que a segurança e o conforto estão muito perto e a umas remadas de distancia.

    Crédito de capa: Agenda Cultural do Porto


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  • Mini Cooper: Pequeno de Tamanho, Grande na História

    Mini Cooper: Pequeno de Tamanho, Grande na História

    O Mini é um icónico automóvel britânico que fascinou entusiastas de carros por todo o mundo desde as suas origens.

    A história do Mini é uma viagem colorida e rica através dos anais da engenharia e design automóvel.

    História e Origem

    1956: A Crise do Suez e a Escassez de Combustível

    A Crise do Suez começou em 29 de Outubro de 1956, quando as forças armadas israelitas avançaram no Egipto, em direção ao Canal de Suez, uma via navegável valiosa que controlava dois terços do petróleo utilizado pela Europa.

    Em meados dos anos 1950, a Crise de Suez levou ao racionamento de combustível no Reino Unido, criando a necessidade de veículos mais eficientes no consumo de combustível.

    Simultaneamente, havia um mercado crescente para pequenos carros acessíveis, os chamados ‘bubble cars’, como o BMW Isetta e o Messerschmitt KR200.

    Carro antigo
    Messerschimitt KR-200 // Audrain Auto Museum

    1959: Introdução do Mini

    A British Motor Corporation (BMC) incumbiu Sir Alec Issigonis, um designer já reconhecido como o responsável pelo Morris Minor, de desenvolver um novo carro pequeno.

    Issigonis, concebeu este carro para ser barato, compacto mas ao mesmo tempo com interiores espaçosos e eficiente em termos de combustível.

    Inventor do Mini
    Sir Alec issigonis // National Portrait Gallery

    Para que este feito fosse possível, Sir Alec Issigonis, colocou o motor ao lado, o que criou mais espaço no interior do carro.

    O resultado foi o Mini, lançado em Agosto de 1959.

    Inicialmente foi comercializado sob duas marcas: o Austin Seven (mais tarde Austin Mini) e o Morris Mini-Minor, ambos essencialmente o mesmo veículo mas com emblemas diferentes.

    Morris Mini
    Morris Mini-Minor 1959 // NetCarShow

    Anos 60: Crescimento e Popularidade

    Design Inovador

    A configuração do Mini era inovadora, utilizando 80% do espaço do piso do carro para passageiros e bagagem, o que proporcionava um amplo espaço dentro de uma dimensão muito compacta.

    Mini Cooper

    Em 1961, John Cooper, um amigo de Issigonis e proprietário da Cooper Car Company, viu o potencial para uma versão de desempenho do Mini.

    Nascia assim o Mini Cooper, com um motor maior, carburadores duplos e travões de disco. Tornou-se um sucesso imediato, especialmente nos desportos a motor.

    John Cooper à esquerda // National Motorsport Academy

    Ícone Cultural

    Em meados dos anos 60, o Mini tornou-se um ícone cultural, muitas vezes visto como um símbolo dos Anos 60 e da cultura popular britânica.

    A sua associação com celebridades, como os membros dos Beatles, bem como o seu papel de destaque no filme de 1969 “The Italian Job”, cimentaram ainda mais o seu estatuto.

    Italian Job // artsalive.co.uk

    1970 a 1990 – Evolução e Desafios

    1970: Era da British Leyland

    A BMC passou por várias fusões, tornando-se eventualmente parte da British Leyland Motor Corporation.

    Apesar dos desafios corporativos, o Mini continuou a ser produzido e viu várias iterações e atualizações.

    Mini Clubman e Outras Variantes

    Durante este período, foram introduzidos vários modelos do Mini, incluindo o Mini Clubman, que apresentava uma frente redesenhada, e outras variantes como o Mini Van, Mini Moke (um veículo utilitário) e o Mini Pick-up.

    Mini Moke // Mini.com

    Declínio nas Vendas e Concorrência

    Durante os anos 80 e 90, o Mini começou a enfrentar forte concorrência por parte de carros mais modernos e as suas vendas começaram a diminuir.

    Apesar disso, o Mini manteve um seguimento leal e continuou a ser produzido com várias edições especiais e atualizações.

    Aquisição pela BMW e Era Moderna (ano 2000 até ao Presente)

    1994: Aquisição pela BMW

    Em 1994, o Rover Group, que incluía a marca Mini, foi adquirido pela BMW. Esta aquisição marcou o início de uma nova era para o icónico automóvel

    2001: O Novo MINI

    A BMW introduziu um Mini completamente redesenhado (agora oficialmente denominado “MINI” com todas as letras maiúsculas) em 2001.

    Mini MK1
    Mini MK1 2001 // Honest John Classics

    Embora mantendo o charme estético do original, o novo MINI apresentou engenharia moderna, desempenho melhorado e características de segurança avançadas.

    O novo MINI foi um sucesso imediato, atraindo tanto novos clientes como entusiastas do Mini clássico.

    Expansão e Variantes

    A BMW expandiu a gama MINI com vários modelos, como o MINI Convertible, MINI Clubman, MINI Countryman (um crossover compacto) e várias variantes de alto desempenho, como o John Cooper Works (JCW).

    Mini Countryman 2014
    Mini Countryman 2014 // The Car Connection

    Futuro Elétrico

    Nos últimos anos, o foco tem-se deslocado para a eletrificação, com a introdução do MINI Electric (MINI Cooper SE), demonstrando o compromisso da marca com a sustentabilidade enquanto mantém o seu design icónico e experiência de condução.

    Mini Cooper SE 2024
    Mini Cooper SE 2024 // Inside EVs

    O caminho do Mini, desde o seu design revolucionário nascido de uma crise de combustível até se tornar um ícone cultural e uma lenda moderna da indústria automóvel, é um testemunho do seu apelo duradouro e espírito inovador.

    Com uma evolução contínua e um leal seguimento global, o Mini continua a navegar pelo futuro da indústria automóvel, preservando sempre o seu património único e legado singular.

    Crédito de capa: Road & Track


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