Category: História

Artigos de História em Português

  • Bolo Rei – receita, lenda e tradição!

    Bolo Rei – receita, lenda e tradição!

    Bolo-Rei, símbolo de Natal e de tradição.

    Na mesa de doces de Natal esta iguaria em forma de coroa, é o rei da festa, em todo o seu esplendor. Uma delicia ao olhar e ao paladar.

    Tornou-se uma tradição de Natal e está enraizada na cultura portuguesa há mais de um século.

    Lenda e tradição

    De acordo com a lenda, o bolo-rei foi criado para homenagear os Reis Magos. Por isso possui uma forma redonda com um grande buraco no meio, enfeitado de frutos secos e cristalizados, de cores variadas. Desse modo assemelha-se a uma coroa incrustada de pedras preciosas.

    Esta doce iguaria representa ainda os presentes que os três Reis Magos deram ao Menino Jesus aquando do seu nascimento: assim, a côdea simboliza o ouro. As frutas, cristalizadas e secas, representam a mirra. Por fim, o aroma intenso do bolo assinala o incenso.

    Durante muito tempo, o bolo-rei escondia a fava ou brinde. Quem recebia a fatia com a fava tinha que comprar o bolo do próximo ano e muitos dentes se partiam no brinde de metal. Esta tradição que se perdeu no tempo, vinha de rituais pagãos: o brinde uma descendência da ideia de encontro com Caronte (o mítico barqueiro de Hades que transporta as almas mortas ao seu destino e exige um pagamento) e a fava da tradição romana de eleger o rei da festa com o sorteio desta planta.

    História e Origens

    Apesar dos antigos registos históricos, os primeiros grandes vestígios deste doce de massa lêveda adornado com frutas cristalizadas, surgiram em França, no século XVI, durante o reinado de D. Luís XIV, para as festas do Ano Novo e do Dia de Reis.

    Em Portugal

    O gâteau des rois (bolo dos reis) popularizado em Portugal no século XIX segue uma receita originária do sul de Loire, um bolo em forma de coroa feito de massa lêveda.

    Numa visita a França, o filho do fundador da icónica Confeitaria Nacional, na Baixa Lisboeta, ficou maravilhado com este bolo e contratou Gregoire (ou Gregório, como ficou conhecido pelos portugueses), um confeiteiro francês, para adaptar a receita do gâteau des rois (bolo dos reis).

    Confeitaria Nacional

    Em 1869, a Confeitaria Nacional tornou-se a primeira “casa” em Portugal a vender o bolo-rei que hoje conhecemos.
    Mais tarde, foram várias as pastelarias que adotaram a receita e passaram a comercializá-la.

    Variantes do bolo

    Por sua vez, o gâteau des rois remonta a tempos romanos, mais precisamente aos festivais de celebração de Saturno (o deus romano da abundância) que decorriam por volta do solstício de inverno. Acredita-se que esta seja também a origem do bolo-rei espanhol, o roscón de reyes, consumido no Dia de Reis. Ao longo dos anos, as diferentes versões deste bolo passaram a ser atribuídas à lenda cristã dos Três Reis Magos (Baltasar, Gaspar e Melchior). Esta associação espalhou-se a países de tradição cristã como Alemanha e Suíça, onde é conhecido como dreikönigskuchen (bolo dos três reis).

    Roscón de Reyes

    Proibição

    Curiosamente, devido ao nome e à conotação com a realeza, o bolo dos reis foi proibido após a Revolução Francesa, em 1789, tendo os pasteleiros mudado o nome do bolo para Gâteau des Sans-culottes para o poderem continuar a confeccionar. Em Portugal, depois da proclamação da República em 1910, a proibição do bolo-rei esteve também prestes a acontecer e muitos tentaram mudar o seu nome, mas sem sucesso.

    Variações

    O Bolo-Rei continua a ser o símbolo máximo da gastronomia na quadra natalícia e apesar de terem aparecido entretanto variações da receita (bolo rainha, bolo rei de chocolate, bolo rei com ovos moles, bolo rei entrançado ou trança de natal, bolo rei escangalhado) o tradicional continua a ter o seu trono assegurado.

    Bolo Rainha

    Há outro elemento comum, e que se mantém até aos dias de hoje: seja no Natal, no Ano Novo ou no Dia de Reis, em França, Portugal ou qualquer outro país, o bolo-rei simboliza momentos de partilha, convívio e celebração.

    Receita do Bolo-Rei tradicional

    Primeira massa

    •⁠ ⁠500gr farinha de trigo tipo 55
    •⁠ ⁠50gr fermento padeiro
    •⁠ ⁠2,5dl água

    Segunda massa

    •⁠ ⁠1kg farinha
    •⁠ ⁠350gr açúcar
    •⁠ ⁠350gr margarina
    •⁠ ⁠20gr sal
    •⁠ ⁠6 ovos
    •⁠ ⁠Raspa de 2 laranjas
    •⁠ ⁠Raspa de 2 limões

    Para perfumar a massa Q.B.

    •⁠ ⁠2,0dl Cerveja preta artesanal
    •⁠ ⁠2,0dl Licor Beirão
    •⁠ ⁠2,0dl Licor Anis
    •⁠ ⁠2,0dl Aguardente
    •⁠ ⁠2,0dl Vinho do Porto
    •⁠ ⁠2,0dl Triplesec
    •⁠ ⁠600 gr frutos cristalizados (em pequenos pedaços)
    •⁠ ⁠500 gr frutos secos

    Decoração

    •⁠ ⁠1 Ovo
    •⁠ ⁠1 Gema
    •⁠ ⁠Q.b. Abóbora cristalizada de várias cores
    •⁠ ⁠Figos cristalizados
    •⁠ ⁠Tangerinas cristalizadas
    •⁠ ⁠Cerejas cristalizadas
    •⁠ ⁠Amêndoa Palitada

    Torrão de Açúcar

    •⁠ ⁠100 Açúcar
    •⁠ ⁠100 Açúcar em Pó
    •⁠ ⁠q.b. Água

    Preparação

    Comece por amassar a primeira massa, que servirá de fermento. Reserve-a à parte.

    Amasse todos os outros ingredientes da segunda massa (exceto os frutos secos e as frutas cristalizadas), por 5 minutos.

    Adicione a primeira massa e deixe amassar até que a massa descole da cuba da batedeira.

    Estique a massa numa bancada, adicione os frutos secos e os cristalizados. Amasse à mão até que todos estejam bem envolvidos.

    Deixe a massa descansar durante a noite no frio.

    De manhã, divida em porções e faça um buraco no meio de cada uma para que fiquem com um formato semelhante a um donut e deixe levedar (como se tratasse de um brioche). Uma vez levedados, pincele com a mistura de ovos e gemas.

    Decoração

    Decore com abóbora cristalizada de várias cores, figos cristalizados, tangerinas cristalizadas, cerejas cristalizadas. Misture os açúcares (decoração) e adicione água o suficiente para criar um bloco de açúcar ao pressionar. Disponha três deles em cima do bolo. Ponha as amêndoas palitadas à volta do bolo onde não houver decoração.

    Leve a cozer a 180ºC

    (Receita cedida pela Escola de Turismo e Hotelaria de Lisboa, baseada na cozinha tradicional de Maria de Lourdes Modesto)

    Fontes de Fotografias/Conteúdo: wikipedia, olissiphotels.com, tavi.pt, be-the-story.com, visitportugal.com, El Mundo, lojascomhistoria.pt, sinalAberto, Pingo Doce

    Para mergulhar ainda mais no fascinante universo da história, cultura, gastronomia, lugares, negócios, curiosidades e diversos outros temas, explore outros artigos aqui na Tuguinha. A nossa missão é dar a conhecer uma ampla variedade de conteúdos aprofundados e intrigantes que vão enriquecer o seu conhecimento e satisfazer a sua curiosidade. Não perca a oportunidade de explorar tudo o que a Tuguinha tem para oferecer!

  • Filigrana Portuguesa – Uma arte com séculos

    Filigrana Portuguesa – Uma arte com séculos

    A Filigrana é uma arte manual de grande beleza, que exige extrema perícia para trabalhar os finíssimos fios de prata ou ouro entrelaçados e soldados que compõem cada peça, sendo por isso reconhecida internacionalmente pela sua qualidade.

    Nas oficinas resistentes, onde ainda se entrelaça a filigrana portuguesa, existe um orgulho, ou como os minhotos dizem, uma “Chieira” de fazer tudo à mão e com muita paciência. As máquinas bem tentam rivalizar na produção da filigrana, mas esta arte mantém um laço forte com a manualidade.

    Hoje, esta arte, assume diversas formas, desde peças delicadas, decoradas com motivos religiosos, até criações com um design polido e contemporâneo.

    A filigrana, ao longo do tempo, transcende as suas origens festivas, tornando-se numa expressão artística que combina tradição e modernidade.

    A filigrana ganhou uma nova vida nas mãos de designers de joalharia, que recriam a sua essência e libertam-na do conceito religioso.

    As marcas portuguesas de joias, que criam peças em filigrana também se lançaram no caminho da contemporaneidade, sem esquecer as raizes da tradição, apostando numa fusão harmoniosa entre ambos os conceitos.

    Estas marcas, reconheceram o potencial desta tradição portuguesa e têm contribuído para dar a conhecer este recanto da Europa a outros países.

    Assim, a filigrana, outrora ligada a significados religiosos, floresce agora como expressão artística moderna, mostrando ao mundo a beleza e a habilidade dos mestres filigraneiros portugueses.

    A história da filigrana continua a desdobrar-se, entre tradição e inovação, como uma narrativa que transcende fronteiras e encanta admiradores por todo o mundo.

    História da Filigrana

    A origem da filigrana remonta ao terceiro milénio antes de Cristo, na Mesopotâmia. As peças mais antigas datam de 2500 a.C. e foram descobertas nas sepulturas do Ur, no atual Iraque. Outras peças, descobertas na Síria, são de aproximadamente 2100 a.C..

    Dos factos existentes, podemos afirmar que é uma técnica milenar conhecida em muitas das civilizações do mundo antigo.

    Em Portugal foram encontrados exemplos desta técnica que datam de cerca de 2000 a.C., com origem fenícia, mas joias em filigrana produzidas em território nacional surgem durante o domínio muçulmano da Península, por volta do século VIII d.C.

    Mas foi na gloriosa época dos Descobrimentos, no século XV, quando os nossos navegadores alcançaram feitos incomparáveis e sem precedente, que a coroa Portuguesa trouxe pedras preciosas e metais das suas provincias ultramarinas. Foi então que os nossos ancestrais começaram a trabalhar o ouro e a prata. Foi este o despertar da filigrana.

    Nas peças de filigrana, os nossos ancestrais reproduziam o que viam à sua volta: a natureza, o amor, a religião e das suas mãos saíram peças de incrível delicadeza e beleza.

    A técnica é transmitida de geração em geração. As peças são feitas num trabalho de produção manual, entre as “filigraneiras”, e as oficinas. A arte milenar da filigrana, de formas predominantemente barrocas, desenvolveu-se no século XIX, particularmente no Minho (norte de Portugal) e foi levada a uma rara perfeição pelos artesãos portugueses.

    Em Portugal, os artesãos usaram e continuam a usar a filigrana como forma de expressão artística na joalharia tradicional, mas também da cultura portuguesa através dos seus desenhos em forma de flores, ondas ou escamas de peixe.

    Coração de Viana

    Este coração, utilizado como símbolo da cidade de Viana do Castelo, surgiu no Norte de Portugal nos finais do séc.XVIII, e tem uma forte ligação com a religião católica. Terá sido a rainha D. Maria I que, grata pela “bênção” de lhe ter sido concedido um filho varão, mandou executar um coração em ouro. O coração de Viana representa o Sagrado Coração de Jesus em chamas. A parte superior do coração simboliza as chamas da terra e o calor do amor.

    A tradição de ostentar este símbolo ao peito teve início em Viana do Castelo. Contudo, a filigrana é, meticulosamente moldada em terras vizinhas, nomeadamente na Póvoa de Lanhoso e Gondomar.

    O coração de Viana tornou-se um símbolo icónico da Filigrana Portuguesa, e património emocional de Portugal

    Brincos Rainha

    Os brincos rainha apareceram em Portugal durante o reinado da Rainha D. Maria I (1734 – 1816). A origem do nome, parece remontar ao reinado de D. Maria II (1819 – 1853), que usou um par destes brincos numa visita a Viana do Castelo em 1952. Depois desta visita, popularizaram-se como símbolo de riqueza e de status e ganharam o nome “brincos rainha”.

    Tradições

    É na romaria D’Agonia em Viana do Castelo, que as mordomas e as Noivas de Viana do Castelo desfilam as suas peças de filigrana dourada, numa tentativa de atrair a atenção dos rapazes. Pendentes imponentes em forma de coração de Viana, ou pequenos com o formato de relicário, brincos à rainha, ou os tradicionais brincos de fuso, colares compridos de contas e outros mais curtos — vale tudo para exibir a riqueza da filigrana portuguesa.

    Fontes: filigranaportuguesa.pt, imart.pt, portugaljewels.pt, mardestorias.com, caminhosdeportugal, oportunityleiloes, Nit, lojadeartigosreligiosos.com, bloguedominho

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  • Óbidos – Cultura, Beleza, Arquitetura e Conquista!

    Óbidos – Cultura, Beleza, Arquitetura e Conquista!

    Óbidos, é uma bela e encantadora Vila portuguesa, de origem romana e circundada por fortes muralhas, sede do município da região Oeste, situada na província histórica da Estremadura e no distrito de Leiria.

    É uma verdadeira e encantadora “joia portuguesa”, com edifícios históricos e casas brancas pitorescas com janelas coloridas e floridas, que dão ainda mais encanto e charme ao local.

    Com uma atmosfera muito simpática e pacata que transporta quem a visita para o período da Idade Média, época que esta vila viveu com todo o seu esplendor.

    Com ruas de pedra e as lojas que as preenchem repletas de artesanato e um grandioso castelo que fica na parte mais alta da vila, a região é o destino perfeito para quem gosta de explorar as histórias e tradições locais e poder participar nas maravilhosas festas medievais, comemorações natalícias e nos deliciosos festivais de chocolate.

    Dos recantos e jardins fechados da zona da antiga medina à presença do Gótico, passando pelo renascimento e Barroco, a Vila é uma extensa obra de arte talhada, reconstruída ao longo de vários séculos.

    Cultura

    Também conhecida como Vila literária e Vila Natal recebe estas denominações fruto da criatividade e graças aos prolongados eventos que aqui têm palco ao longo de todo o ano, aliados ao facto de ser uma vila repleta de história e de cultura, Óbidos renova-se a cada dia.

    A vida cultural é intensa e única. Grandes eventos temáticos marcam os dias do ano e a Literatura veio dar novo fôlego com um encanto e ambiente propícios a momentos especiais em família.

    Lazer

    A Lagoa de Óbidos, que divide os concelhos de Caldas da Rainha e Óbidos, é local de prática de desportos aquáticos ao longo de todo o ano. Aqui poderá desfrutar de momentos relaxantes e de lazer enquanto pratica vela, windsurf, canoagem, remo, kiteboard, jet ski náutico, stand up e paddleboarding.

    Um extenso areal, a perder de vista, traça o caminho natural para belos passeios ao longo das margens da lagoa, que se constitui como o sistema lagunar mais extenso da costa portuguesa.

    Lagoa de Óbidos

    Terá cenários deslumbrantes e um profundo encontro com a Natureza ao observar a vida selvagem de várias espécies no local.

    Gastronomia

    No que diz respeito à gastronomia, o grande destaque vai para a Ginja de Óbidos, bebida em copo de chocolate. Mas também para a caldeirada de peixe da Lagoa de Óbidos, as enguias fritas e o ensopado. Na doçaria imperam os doces conventuais como a lampreia das Gaeiras, os alcaides ou os pastéis de Moura.

    Festival do Chocolate de Óbidos

    Atividades Económicas

    As principais atividades económicas que aqui se praticam são o turismo, a agricultura e o comércio. Na agricultura, destacam-se a produção de fruta, produtos hostículas e vinha. No concelho, as indústrias dominantes são as alimentares, de bebibas, proteção civil, têxtil (vestuário e calçado), imobiliário e a extrativa. Dependentes da lagoa, existem ainda a pesca e a apanha de moluscos bivalves.

    Artesanato

    A cerâmica é um produto tradicional da região, e neste campo, destaca-se a artista Josefa de Óbidos que, para além da pintura, dirigiu ainda uma oficina de cerâmica artística que influenciou em grande escala as tipologias de cerâmica que na vila se produziam.

    Sobressaem também os trabalhos em verga, os cestos em vime, verga de cerâmica, olaria tradicional, miniaturas, mantas de retalhos e trapos, azulejaria e bordados.

    História da Vila de Óbidos

    Habitada desde a época do Paleolítico Inferior, a zona de Óbidos sempre se mostrou apelativa ao homem.

    Os primeiros sinais de uma ocupação mais organizada correspondem ao povo Celta, num castro voltado a poente, cuja fundação terá ocorrido por volta de 308 a.C..

    Sabe-se que houve tentativa de conquista por parte dos Fenícios que, ao fracassar, travaram comércio com o povo que dominava a região. No século I d.C., no entanto, as defesas celtas falharam perante os Romanos, que tomaram a vila através da água da lagoa que banhava o castelo nessa altura.

    A Origem do Nome

    Daqui surge, segundo alguns autores, o nome que viria a denominar a Vila, pois, na formalização da conquista, o chefe do exércitos romano terá reportado a Júlio César a sua vitória indicando que tal só teria sido possível pelo braço de mar, portanto devido a “Ob id os” (“por causa desta boca”), embora se defenda também que o nome Óbidos descenda da denominação mais apropriada de “Oppidum”, que significa Vila fortificada.

    Com o declínio do Império Romano, vários povos tomaram conta da Lusitânia ou Portugal, entre eles os Alanos, os Suevos e os Godos, e aos quais se sucederam as invasões Árabes, que permaneceram nesta terra entre 711 e 1148, tendo, entre outras coisas, desenvolvidos as ciências.

    A Porta da Traição

    Em Novembro de 1147, e após conquista de Lisboa aos mouros, D. Afonso Henriques decide-se pela conquista de Óbidos por saber que esta era uma praça muito mais forte que outras como Torres Vedras ou Alenquer.

    Assim, liderados por Gonçalo Mendes da Maia, “O Lidador”, um grupo de cavaleiros investiu durante a noite pela parte nascente da terra enquanto os restantes militares portugueses chamavam a atenção dos Árabes na porta do Castelo a poente, hoje chamada “Porta da Vila”.

    Porta da Vila

    A Reconquista

    Desta forma, puderam os cavaleiros deslocar-se na parte nascente do Castelo, cobertos de arbustos e moitas, tendo apenas sido descobertos pela filha de Ismael, o Alcaide moiro, que suspeitou das moitas andantes. O Alcaide ao ver que estava a ser invadido, julgando que para ali conseguirem os portugueses chegar só poderia ter sido traído por algum dos seus, gritou como sinal de alarme as palavras “traição, traição”, pelo que esta porta, que se encontra na base da torre D. Diniz, ficou conhecida como a “Porta da Traição”.

    De acordo com a história, foi valente a batalha, quer pelos cavaleiros quer pelos restantes militares que, sabendo da entrada dos cavaleiros por norte, se dispuseram a entrar pela porta da frente, permitindo a conquista do Castelo de Óbidos aos Mouros em 10 de Janeiro de 1148.

    Graças ao modo relativamente fácil em como o Castelo tinha sido tomado pelos Cavaleiros de D. Afonso Henriques, foi fundada uma memória a Jesus crucificado e à Virgem da Piedade. Intitulado o Cruzeiro da Memória, podemos encontrar uma Cruz de Pedra onde permanecem de um lado Cristo Crucificado e do outro Nossa Senhora da Piedade.

    Santuário do Senhor Jesus da Pedra

    Levou a cabo também a concretização de um pequeno nicho à Porta da Vila onde mandou colocar uma imagem de nossa Senhora da Piedade.

    A vila fez ainda parte do pentágono defensivo estratégico idealizado pelos Templários.

    Óbidos – A casa das Rainhas de Portugal

    Foram muitas as rainhas que por Óbidos passaram e contribuíram para o desenvolvimento da vila. D. Catarina, por exemplo, mandou edificar o aqueduto e chafarizes pela vila.

    O terramoto de 1755 fez-se sentir com grande intensidade, tendo várias partes da muralha, alguns templos e edifícios cedido.

    Uma vila de grandes batalhas

    A região de Óbidos foi ainda palco de várias batalhas da guerra peninsular contra os franceses.

    Já em 1973, num contexto diferente, Óbidos foi palco de uma das reuniões que levaram ao Movimento dos Capitães, na Sede da Sociedade Musical Recreativa Obidense, que desencadeou a revolução de 25 de Abril de 1974.

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    Fontes de Conteúdo/Fotografias: cm-obidos.pt, turismodocentro.pt, vivernocentrodeportugal.com,segurospromo.com, Discover Portugal, Time Out, Artesanato Português, Travel in Portugal, PontoPt

  • A Invenção do Telefone – Alexander Graham Bell

    A Invenção do Telefone – Alexander Graham Bell

    Oficialmente, a invenção do telefone é atribuída ao cientista de origem Escocesa Alexander Graham Bell nascido em 3 de Março de 1847 em Edimburgo, Escócia, Reino Unido.

    Interessou-se desde a juventude pela fala. O interesse por esse campo de pesquisa foi resultado de circunstâncias familiares. O seu pai estava envolvido com a educação de pessoas surdas e a sua mãe começou a perder a audição quando ele tinha 12 anos, o que motivou o seu interesse pela fala e pelo som.

    Dedicou parte de sua vida a ensinar dicção e terapia da fala em instituições na Escócia e posteriormente em Londres.

    Em 1870, Alexander Graham Bell, emigra com a familia para o Canadá. Mais tarde, ao conseguir uma vaga de fisiologia vocal e elocução na Universidade de Boston, mudou-se para os Estados Unidos da América e foi nessa altura, que conheceu Mabel Hubbard, sendo esta também surda, tendo casado no dia 11 Julho de 1877, tornado-se cidadão natural dos Estados Unidos.

    Alexander Graham Bell era um fonoaudiólogo que pesquisava formas de aperfeiçoar os seus estudos com as pessoas surdas.

    A ideia era recolher as vibrações dos sons e transformá-las em vibrações elétricas.
    Ele procurava um meio de transmitir palavras por ondas elétricas aos seus pacientes. Foi assim que iniciou os projetos que levaram à invenção do telefone.

    A invenção do telefone ocorreu de forma acidental para aperfeiçoar as transmissões do telégrafo que possuia conceitos estruturais muito semelhantes.

    Ao telégrafo, contudo, era possivel a transmissão de apenas uma mensagem de cada vez. Tendo bons conhecimentos de música, Graham Bell, percebeu a possibilidade de transmitir mais de uma mensagem ao longo do mesmo fio de uma só vez na concepção de “telégrafo múltiplo”

    Este era um conceito novo. Outros tentaram, mas Graham Bell foi quem conseguiu esse progresso e utilizou a electricidade para conduzir a voz humana.

    No início de Junho de 1875, Graham Bell e o seu assistente Thomas Watson (1854-1934) fizeram muitas experiências com dispositivos sonoros e elétricos.
    A ideia era recolher as vibrações dos sons e transformá-las em vibrações elétricas.
    Nesse mesmo mês e devido a essas experiências, o seu assistente Thomas Watson foi o primeiro a ouvir uma voz humana pelo dispositivo denominado telefone.


    As pesquisas posteriores, tiveram como objetivo o desenvolvimento de uma membrana para transformar o som em corrente e reproduzi-lo novamente no outro lado.

    Assim, foi criado o primeiro telefone, um aparelho rudimentar feito em madeira chamado telefone de forca.

    No ano seguinte e com o financiamento do seu sogro americano, em 7 de Março de 1876, o Escritório de Patentes dos Estados Unidos concedeu a Alexander Graham Bell a patente número 174 465 que cobre “o método de, e o instrumento para, transmitir sons vocais ou outros telegraficamente, causando ondulações eléctricas, similares às vibrações do ar que acompanham o som vocal”, ou seja o telefone, que revolucionaria a comunicação em todo mundo.

    Mas foi 3 dias depois, em 10 de Março daquele ano, que a primeira transmissão completa foi realizada. Por esse motivo o dia 10 de Março ficou marcado posteriormente como o dia do telefone.

    Segundo consta, a primeira frase transmitida foi dita por Graham Bell a Thomas Watson que escutou:
    “Senhor Watson venha cá. Preciso de falar com você “

    Um dos primeiros telefones utilizados com a patente de Bell (1977)

    No ano seguinte, Graham Bell, fundou a companhia Telefónica Bell que se tornou posteriormente a American Telephone & Telegraph, a maior companhia telefónica do mundo.

    Outro nome que também é apontado como o responsável pela criação do aparelho, é o do italiano António Meucci (1808-1889) reconhecido como o autor de um dispositivo semelhante em 1860. Esse dispositivo foi apelidado de “telégrafo falante”.
    Ele infelizmente, não tinha recursos suficientes para patentiar a sua invenção e o seu trabalho só foi reconhecido muitos anos após a sua morte.

    Existe ainda outro autor que disputou a patente do telefone, o engenheiro electricista Elisha Gray (1835-1901).

    O registo da patente de invenção do telefone em Março de 1876, deu início a uma das mais longas batalhas judiciais por patentes da história.

    Embora Alexander Graham Bell seja apontado como o inventor do telefone, é importante reconhecer que a invenção do telefone surgiu da contribuição de vários inventores em vários Países ao longo do tempo: na Alemanha, Johann-Philipp Reis; na França, Charles Bourseul, além dos já supracitados.

    No tribunal dos EUA foram movidas por Gray cerca de 600 ações reivindicando a invenção. No entanto Bell ganhou todas.

    Em 11 de Junho de 2002, o Congresso Americano reconheceu o Italiano Antonio Meucci como o verdadeiro inventor do telefone, através da resolução N°. 269.[3] Meucci vendeu o protótipo do aparelho a Bell na década de 1870. Porém, 10 dias depois, o Congresso Canadense reconheceu Bell.

    Este conflito de patentes acontece há décadas, sem uma definição.

    Além do telefone Alexander Graham Bell, foi responsável por outras invenções relacionadas ao som e também à aeronáutica.

    Em 1888, Alexander Graham Bell foi um dos fundadores da National Geographic Society e em 7 de janeiro de 1898 assumiu a presidência da instituição.

    Além do trabalho como cientista e inventor, Bell era favorável à esterilização compulsiva, tendo liderado algumas organizações favoráveis à eugenia. Um facto muito controverso na sua biografia é a sua forte identificação com o pensamento eugenista, que, em linhas gerais, prega que determinados grupos humanos não se deveriam reproduzir ou se misturar com outras etnias para não comprometer uma ideia de raça pura.

    Morreu em 2 de agosto de 1922 com 75 anos, em Beinn Bhreagh, Nova Escócia, Canadá, onde se encontra sepultado.

    “O inventor é um homem que olha ao redor do mundo e não se contenta com as coisas como elas são. Ele quer melhorar o que vê, quer beneficiar o mundo; ele é assombrado por uma ideia. O espírito de invenção o possui, buscando a materialização.”

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    Fontes Fotográficas/Conteúdo: eBiografia, todamateria, DW, Wikipedia, Britannica, Science Museum Group

  • Thomas Edison – O criador da lâmpada elétrica

    Thomas Edison – O criador da lâmpada elétrica

    Thomas Alvas Edison, nasceu no dia 11 de Fevereiro de 1847 em Ohio, e é o cientista norte-americano que deu vida à lâmpada elétrica.

    Foi Inventor, cientista e empresário. Durante toda a sua vida, Thomas Edison registou 2.332 patentes de diversas criações e inovações, como a lâmpada incandescente, o fonógrafo e a primeira câmera cinematográfica.

    Antes das suas invenções, Thomas Edison teve diversas funções, como jornaleiro e telégrafo, contribuindo muito com as suas invenções, para o avanço científico. A lâmpada elétrica é sem dúvida uma das grandes criações da humanidade, responsável por uma revolução na vida em sociedade.

    Ainda na adolescência ele teve interesse por por telégrafos. Foi nessa época, aos 14 anos, que sofreu um acidente de comboio que prejudicou seriamente a sua audição.
    Durante a sua juventude, Thomas Edison enfrentou desafios educacionais devido aos seus problemas auditivos e um estilo de aprendizagem não convencional, o que levou a sua mãe, uma ex-professora, a educá-lo em casa. Este período de formação foi fundamental, pois incutiu nele uma paixão pelas experiências e uma aprendizagem autodidata.

    Desde jovem, Thomas Edison mostrou um fascínio pela ciência e mecânica. Ele passava horas a ler livros de ciências e a realizar experiências. A sua curiosidade levou-o a montar um laboratório de química no porão da sua casa e mais tarde, um laboratório improvisado num vagão de comboio, enquanto trabalhava como telégrafo itinerante. Essas experiências iniciais moldaram o seu caminho para se tornar um grande inventor.
    Aos 22 anos, mudou-se para Nova York, onde as suas habilidades e inovações começaram a ganhar reconhecimento. As suas primeiras invenções, incluindo um contador elétrico para empresas de telegrafia, abriram caminho para as suas realizações futuras.

    A invenção da lâmpada foi fruto do esforço de diversos cientistas ao longo do tempo. Foram muitas as experiências e tentativas até se chegar a um dispositivo prático que pudesse ser amplamente difundido.
    O grande desafio estava em conseguir encontrar um filamento que não queimasse ao passar eletricidade.


    Thomas Edison alcançou o seu objetivo, resultado e êxito definitivo em 1879 quando patentiou o que seria a sua maior criação, uma lâmpada feita a partir de um filamento de carbono e uma cápsula de vidro em vácuo. Foi possível manter a lâmpada incandescente por 48h, sendo esta a primeira lâmpada bem sucedida o suficiente para ser comercializada.

    Segundo a história, foram feitas mais de 1.000 tentativas e testados cerca de 6.000 materiais diferentes até se chegar a um resultado de sucesso, e foi a partir daí que Thomas Edison inspirou diversas pessoas a persistirem sempre nos seus objetivos, já que para ele as tentativas não tinham sido falhas e sim descobertas de fazer uma lâmpada de mil maneiras.

    Thomas Edison não foi apenas um inventor prolífico, mas também um empreendedor visionário, que soube transformar as suas invenções em bem-sucedidos empreendimentos comerciais. A sua capacidade de ver além do laboratório e compreender o potencial industrial e comercial das suas inovações foi fundamental para a modernização da produção e do consumo.

    Um exemplo marcante dessa visão empreendedora foi a fundação da Edison Electric Light Company em 1878, que mais tarde se tornou a General Electric, uma das maiores e mais diversificadas empresas industriais do mundo.

    A General Electric foi pioneira na industrialização da produção de energia elétrica e equipamentos, desempenhando um papel crucial na eletrificação dos Estados Unidos e posteriormente de outras partes do mundo.
    Além disso, as suas realizações abrangem uma variedade de campos, incluindo telecomunicações, gravação de som e produção cinematográfica. A sua abordagem empresarial para a inovação estabeleceu um modelo para a pesquisa e desenvolvimento modernos, combinando criatividade técnica com visão comercial.

    Thomas Edison no seu laboratório em West Orange, New Jersey em 1901

    A sua contribuição mais notável, a lâmpada incandescente, transformou para sempre a forma como a humanidade usa a energia, inaugurando uma nova era na iluminação e no consumo de energia, pois permitiu uma renovação nas indústrias, na tecnologia, na iluminação de casas, cidades e indústrias e na forma como as pessoas passaram a encarar trabalho e momentos de lazer. A persistência, determinação e vontade de criar, fizeram de Thomas Edison um dos maiores inventores da história.

    Thomas Edison morreu aos 84 anos, no dia 18 de Outubro de 1931 em West Orange, nos EUA e ao longo da sua vida, expressou uma série de frases memoráveis e inspiradoras. Levando em consideração o seu trabalho de inventor, autodidata e empreendedor, talvez a mais famosa delas seja : “A nossa maior fraqueza está em desistir. A maneira mais certa de ter sucesso é sempre tentar mais uma vez.”

    Para mergulhar ainda mais no fascinante universo da história, cultura, gastronomia, lugares, negócios, curiosidades e diversos outros temas, explore outros artigos aqui na Tuguinha. A nossa missão é dar a conhecer uma ampla variedade de conteúdos aprofundados e intrigantes que vão enriquecer o seu conhecimento e satisfazer a sua curiosidade. Não perca a oportunidade de explorar tudo o que a Tuguinha tem para oferecer!

    Fontes Fotográficas/Conteúdo: Biblioteca do congresso
    dos EUA
    , britannica.com, Instituto Liberal, Glight, Quero Bolsa, eBiografia

  • Puro Sangue Lusitano – Séculos de Evolução

    Puro Sangue Lusitano – Séculos de Evolução

    De origem Portuguesa, o Puro Sangue Lusitano é conhecido como o cavalo de sela mais antigo do mundo ocidental.

    Está presente nas pinturas e gravuras de rochas entre 13 mil e 30 mil anos antes de Cristo. Os desenhos foram encontrados nas grutas do Escoural, nas mediações de Andaluzia.

    O Puro-sangue Lusitano é descendente direto do cavalo Ibérico, o ancestral de todos os cavalos do mundo. É uma das quatro raças primitivas a partir das quais derivam todas as outras raças de cavalo, que se conseguiu desenvolver e evoluir devido ao isolamento da Europa em que foi originado.

    Ele é considerado uma herança genética de Andaluzia, em Portugal. Antigamente acreditava-se, inclusive, que as éguas traziam ao mundo filhos do vento. São, portanto, os cavalos mais velozes na antiguidade.

    Estima-se que seja montado há mais de cinco mil anos e foi reconhecido durante a antiguidade por Gregos e Romanos como o melhor cavalo de combate e de sela de então.

    A sua criação é mais expressiva no Ribatejo e no Alentejo.

    Na sua longa história, o Puro Sangue Lusitano já prestou provas de ser capaz de fazer quase tudo: foi usado na agricultura, na caça e até em batalhas.
    Figurou também como o cavalo de lazer das casas reais europeias durante a idade média, tendo um papel preponderante na equitação académica.

    Os séculos de evolução tornam-no por isso num cavalo muito versátil e com uma grande aptidão natural para os exercícios de Alta Escola (Haute École). O Lusitano revela-se exímio não só no toureio e equitação clássica, mas também nas disciplinas equestres federadas, tais como dressage, obstáculos, atrelagem e, em especial, equitação de trabalho, estando no mesmo patamar que os melhores especialistas da modalidade. É o cavalo de eleição na maior parte das touradas portuguesas.

    Por serem animais com grande agilidade e flexibilidade revelando inteligência, empatia e companheirismo, bem como coragem e tranquilidade, são há muito utilizados pela cavalaria portuguesa, sendo ainda hoje a raça utilizada pela Guarda Nacional Republicana.

    São uma raça de cavalos vibrantes, fortes e corajosos mas são, em simultâneo, submissos, flexíveis e seguros.

    O seu habitat de excelência é sem dúvida a extensa planície do sul da Península Ibérica, de clima quente.

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    Fonte de Fotografías/Conteúdo: RodeoWest, Dica Madeira, Univitta, MF Magazine, Ortigão Costa

  • Jane Austen – A mais famosa romancista Inglesa

    Jane Austen – A mais famosa romancista Inglesa

    Jane Austen é uma importante escritora/romancista inglesa nascida em 16 de Dezembro de 1775, em Steventon, Inglaterra, cuja escrita marca a passagem do Neoclassicismo para o Romantismo.

    Seu pai, o clérigo George Austen (1731-1805), incentivava os oito filhos, inclusive as duas meninas, a estudarem. A mãe da escritora, Cassandra Austen (1739-1827), escrevia versos satíricos. Desta forma, Jane vivenciava um universo rural e clerical, mas rodeada também pela arte e pelo conhecimento.

    Quando ainda era criança, escreveu novelas para a familia, em parte publicadas em Love and Friendship and Other Early Works (1922). E com a idade de 20 anos, já tinha atingido uma certa maturidade artística.

    Da sua vida sentimental apenas se sabe e não existem provas, de um breve amor juvenil com Thomas Lefroy (parente irlandês de uma amiga de Austen), aos 20 anos. Em janeiro do ano seguinte, 1796, escreveu à sua irmã dizendo que tudo havia terminado, pois ele não podia casar por motivos económicos. Anos mais tarde aceitou o pedido de casamento do jovem Harris Bigg-Wither, porém no dia seguinte mudou de ideias. Ao que consta a sua irmã Cassandra (1773-1845) após a sua morte, destruiu algumas das suas cartas e eliminou trechos de outras, com o intuito, ao que parece de preservar a privacidade de Jane Austen.

    Na produção literária desta autora são considerados dois periodos: de 1796 a 1798 em que escreveu Sense and Sensibility (Sensibilidade e Bom Senso), o seu pai enviou a obra para uma editora que a recusou. Com a morte do pai, em 1805, a escritora, juntamente com a mãe e a irmã, foi morar em Southampton. Quatro anos depois mudaram-se para a vila de Chawton.

    Página de título da 1ª edição de “Orgulho e Preconceito”


    Foi nessa época que o seu irmão Henry (1771-1850) entrou em contacto com editores na tentativa de publicar as obras da irmã. Sense and Sensibility (Sensibilidade e Bom Senso) em 1811, foi publicado pela primeira vez, de forma anónima, sem o nome da autora. Em 1813 o livro Pride and Prejudice (Orgulho e Preconceito) foi publicado com bastante sucesso.


    Com a escrita de Mansfield Park em 1814, Emma em 1816 e Pesuasion (Persuasão) em 1818, todas as obras da autora eram um sucesso e bem vistas pela critica e, tiveram inclusive elogios de George IV, o Principe regente; no entanto continuavam a ser publicadas de forma anónima, pois naquela época, as mulheres não eram respeitadas, na sociedade pelas suas capacidades intelectuais.


    Assim o nome Jane Austen era desconhecido do grande público, quando, em 1816, a escritora teve os primeiros sintomas da doença de Addison que foi a causa da sua morte em 18 de Julho de 1817, em Winchester. Só depois da sua morte, a autoria dos seus romances foi divulgada.

    Os romances de Jane Austen, oferecem o privilégio através da sua leitura, da imaginária visualização pelo detalhe nas descrições das narrativas esplendorosas dos locais e momentos vivenciados, onde o amor, o casamento e a dependência financeira das mulheres na época estão evidenciadas.

    A história Pride and Prejudice (Orgulho e Preconceito) mostra a maneira com que a personagem Elizabeth Bennet lida com os problemas relacionados à educação, cultura, moral e casamento na sociedade aristocrática do início do século XIX, na Inglaterra. Elizabeth é a segunda de 5 filhas de um proprietário rural na cidade fictícia de Meryton, em Hertfordshire, não muito longe de Londres.

    Apesar de a história se ambientar no século XIX, tem exercido fascínio mesmo nos leitores modernos, continuando no topo da lista dos livros preferidos e sob a consideração da crítica literária. O interesse atual é resultado de um grande número de adaptações e até de pretensas imitações dos temas e personagens abordados por Jane Austen.

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    Fontes fotográficas/conteúdo: Bertrand.pt, Mundo Educação, Britannica, The Guardian

  • Galo de Barcelos – Um dos maiores símbolos nacionais!

    Galo de Barcelos – Um dos maiores símbolos nacionais!

    A sua origem remonta a meados do século XIX, quando começa a ser representado em olaria, mas foi nos anos 1950 que ganhou asas e passou a ser o símbolo de Portugal, impulsionado pelo Estado Novo. Em 1935, fez a primeira incursão internacional, representando o País na Exposição de Arte Portuguesa em Genebra.

    Empenhado na universalização de Portugal enquanto destino turístico, este colorido Galo de Barcelos passou de um simples símbolo do povo a um grande ícone português que detém uma curiosa lenda.
    Desde panos de cozinha, loiça, porta-chaves, estatuetas e outros, este símbolo português pode ser adquirido em qualquer loja de recordações do país.

    Largo da Porta Nova

    Origem:

    Barcelos é uma terra de tradições onde se pode sentir o coração do Minho e percorrer diversos episódios da história de Portugal. Para além disto, também se pode destacar a sua comida e as suas belas paisagens repletas de verde e outras cores que transmitem vivacidade. Chegar aqui é chegar à terra do símbolo que identifica Portugal do resto do mundo – o famoso Galo de Barcelos.

    Lenda:

    A curiosa lenda do galo está associada ao cruzeiro medieval que faz parte do espólio do Paço dos Condes. Segundo esta lenda, os habitantes do burgo andavam alarmados com um crime e, mais ainda, com o facto de não se ter descoberto o criminoso que o cometera.


    Certo dia, apareceu um galego que se tornou suspeito. As autoridades resolveram prendê-lo e apesar dos seus juramentos de inocência, ninguém acreditou que o galego se dirigisse a Santiago de Compostela, em cumprimento de uma promessa, e que fosse fervoroso devoto de Santiago, S.Paulo e Nossa Senhora. Por isso, foi condenado à forca. Antes de ser enforcado, pediu que o levassem à presença do juiz que o condenara.

    Concedida a autorização, levaram-no à residência do magistrado que, nesse momento, se banqueteava com alguns amigos. O galego voltou a afirmar a sua inocência e, perante a incredulidade dos presentes, apontou para um galo assado que estava sobre a mesa, exclamando: “É tão certo eu estar inocente, como certo é esse galo cantar quando me enforcarem”. Risos e comentários não se fizeram esperar mas, pelo sim pelo não, ninguém tocou no galo.

    O que parecia impossível tornou-se, porém, realidade! Quando o peregrino estava a ser enforcado, o galo assado ergueu-se na mesa e cantou. Já ninguém duvidou das afirmações de inocência do condenado. O juiz correu à forca e viu, com espanto, o pobre homem de corda ao pescoço. Todavia, o nó lasso impedia o estrangulamento. Imediatamente solto foi mandado em paz. Passados alguns anos, voltou a Barcelos e fez erguer o monumento em louvor a Santiago e à Virgem.

    O galo é associado a coisas positivas como à luz e ao sol que na lenda, acontece no momento em que o peregrino é salvo da forca e é provada a inocência do mesmo. Isto justifica a razão do galo já ter sido considerado um símbolo representativo de Cristo, como anunciador da nova luz e da ressurreição – daí a chamada Missa do Galo que ocorre na época natalícia.

    Para além disto, o Galo é um símbolo do povo, justamente pela sua aproximação doméstica. Devido ao seu canto, este também é associado à vitória e ao afastamento de bruxas e outros seres.

    Criador do Galo de Barcelos:

    Independentemente da sua veracidade, e de forma a eternizá-la, foi a partir daí que o artesão Domingos Côto criou o primeiro Galinho de Barcelos. Neste seguimento, e tendo em conta os dias de hoje, os efeitos da lenda ainda são visíveis. A realidade é que Barcelos é um dos pontos de paragem e passagem mais importante para quem faz o caminho central português até Santiago.

    Hoje em dia, o Galo de Barcelos é um ícone de Portugal que se encontra presente em diversas religiões e mitologias. A simbologia deste galo encontra-se nas profundas raízes da nossa cultura, inspiradas nos tempos gregos e romanos.

    A imagem do Galo de Barcelos surge, nesta altura, associada a um Portugal moderno, empenhado na sua universalização, enquanto destino turístico, e assume-se, definitivamente, como símbolo de identidade nacional, ultrapassando as fronteiras do concelho que lhe deu o nome.

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    Fontes & créditos fotográficos: 7maravilhas.pt; vortexmag.net; bestguide.pt; livingtours.com

  • A roda de madeira mais antiga do mundo

    A roda de madeira mais antiga do mundo

    A roda mais antiga do mundo, foi encontrada por arqueólogos Eslovenos, pertencentes ao instituto de Arqueologia da Ljubljana a 29 de Março de 2002.

    A agora chamada roda da Ljublana foi encontrada a sul de Ljubljana, na Eslovênia, num local chamado Stare Gmajne.

    Rodas semelhantes foram encontradas nas regiões montanhosas da Suíça e do sudoeste da Alemanha, mas esta roda de Ljubljana, é maior e mais antiga encontrada até aos dias de hoje.

    Com cerca de 5.170 anos, esta roda foi executada entre os anos 3030 e 3360 a.c, na época da Idade do Cobre.

    Feita de madeira de freixo, a roda Ljublana Marshes (nome em Inglês), tem 5 cm de espessura e um diâmetro de 72 cm. O eixo de carvalho, de 124 cm de comprimento, foi fixado à roda com cunhas de carvalho. Suspeita-se que fazia parte de um carrinho de mão com duas rodas.

    Mais da metade da sua estrutura foi preservada, e na fotografia, encontrada no site do museu da cidade de Ljublana, podemos ver o orifício de formato quadrado que funcionava como encaixe do eixo de carvalho.

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    Créditos de Fotografias e Informaçãohttps://slovenia.si/https://3seaseurope.com/

  • Pastel de Nata – História e Receita

    Pastel de Nata – História e Receita

    O Pastel de Nata é uma popular especialidade da doçaria Portuguesa, de inspiração conventual.
    Em 1837, em Belém, próximo ao Mosteiro dos Jerónimos, numa tentativa de subsistência, os clérigos do mosteiro puseram à venda uns pastéis de nata. Nessa época, Belém e Lisboa eram duas localidades distintas com acesso assegurado por barcos a vapor. A presença do Mosteiro dos Jerónimos e da Torre de Belém atraíam inúmeros turistas que contribuíram para difundir os pastéis de Belém.


    Na sequência da revolução liberal de 1820, em 1834 o mosteiro fechou. O pasteleiro do convento decidiu vender a receita ao empresário português vindo do Brasil, Domingos Rafael Alves, continuando até hoje, o segredo da receita na posse dos seus descendentes. No início, os pastéis foram postos à venda numa refinaria de açúcar situada próximo do Mosteiro dos Jerónimos. Em 1837 foram inauguradas as instalações num anexo, então transformado em pastelaria, a “A antiga confeitaria de Belém”. Tanto a receita original como o nome “Pastéis de Belém” estão patenteados.


    A receita ganhou diversas versões em Portugal em outros países, como Brasil, Macau, Hong Kong, Singapura e Taiwan, sendo difundida globalmente.


    Apenas os pastéis produzidos na Fábrica Pastéis de Belém podem ser chamados “Pastéis de Belém”. Os “outros” confeccionados noutros locais, são todos chamados de “Pastéis de Nata”, sendo estes o resultado da adaptação e reprodução dos “Pasteis de Belém”.


    Além disso, hoje em dia, podemos encontrar muitas versões de pasteis de nata, muitas variações, resultado do espírito criativo daqueles que gostam de pasteis de nata.
    A história do Pastel de Nata assemelha-se a um império construído sobre o poder do sentidos.

    Receita de Pastel de Nata

    Ingredientes:

    Massa Folhada
    •⁠ ⁠650 gr Água
    •⁠ ⁠1 kg Farinha
    •⁠ ⁠800 gr Margarina para folhados (textura maleável)

    Creme de Nata
    •⁠ ⁠1 L Leite
    •⁠ ⁠150 gr Farinha de trigo
    •⁠ ⁠40 gr Farinha Maizena
    •⁠ ⁠12 Gemas
    •⁠ ⁠1 Ovo

    Calda de Açúcar
    •⁠ ⁠1 kg Açúcar
    •⁠ ⁠500 gr Água
    •⁠ ⁠1 Pau de canela
    •⁠ ⁠1 Casca de limão

    Preparação:

    Amasse a farinha juntamente com a água até ter uma bola. Deixe repousar por 15 minutos. Estenda a massa num quadrado, sobreponha a margarina num losango e feche as pontas de forma a não sobrepor a massa (técnica igual à massa folhada). Dê duas voltas simples, com 15 minutos de descanso entre elas.

    Estique a massa de forma a que fique fina e pincele toda a superfície com água. Enrole a massa como se fosse uma torta. Corte discos e ponha-os nas formas. Deixe descansar 10 minutos. Com os dedos molhados, estique a massa até que saía ligeiramente do limite das formas. Reserve à parte.

    Para a calda, só precisa de ferver os ingredientes todos juntos durante 3 minutos.

    Reserve.

    Num tacho de cobre faça o seu creme de nata. Misture 200ml de leite com as farinhas e ferva os restantes 800ml noutro tacho. Aqueça ligeiramente o aparelho das farinhas com o leite fervido e depois misture todo o resto. Leve a cozer o aparelho (no tacho de cobre) até engrossar.

    Retire do lume e misture com a calda de açúcar. Adicione os ovos e as gemas. Encha as formas forradas com a massa folhada e leve a cozer a 300º/350º até a massa estar dourada e o creme bem caramelizado.

    Nota: não deixar ferver o aparelho do recheio

    (Receita cedida pela Escola de Turismo e Hotelaria de Lisboa, baseada na cozinha tradicional de Maria de Lourdes Modesto.)

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    Fontes: Visitportugal.com, pastel-de-nata.pt