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  • Nepal – Uma Tapeçaria de Cultura, Natureza e Aventura

    Nepal – Uma Tapeçaria de Cultura, Natureza e Aventura

    Aconchegado nos contrafortes dos majestosos Himalaias, o Nepal é um fascinante mosaico de culturas diversas, património antigo e paisagens deslumbrantes.

    Conhecido principalmente por ser o lar do Monte Everest, o pico mais alto do mundo, este pequeno país do Sul da Ásia oferece uma riqueza de experiências para viajantes destemidos que vai desde a serenidade espiritual a aventuras repletas de adrenalina.

    A Terra dos Himalaias

    O Nepal ostenta oito das catorze montanhas mais altas do mundo, tornando-se um farol para alpinistas e caminhantes de todo o globo.

    A caminhada até ao Campo Base do Everest é lendária e oferece um vislumbre inigualável da beleza tocante dos Himalaias.

    Annapurna // adventure-pulse.com

    Para aqueles que não apreciam as caminhadas de alta altitude, o Circuito Annapurna oferece uma rota mais acessível, mas ainda assim desafiadora, através de campos em socalcos, florestas de rododendros e aldeias tradicionais.

    Uma Tapeçaria de Culturas

    O Nepal é diversificado de culturas e etnias, onde se falam mais de 120 línguas.

    Catmandu, a sua movimentada capital é Património Mundial da UNESCO.

    Os templos e palácios antigos da cidade, como o icónico Swayambhunath (ou Templo dos Macacos) e o sagrado Pashupatinath, oferecem um mergulho profundo nas ricas tradições espirituais do Nepal.

    Swayambhunath // bajracharya.org

    As ruas vibrantes estão cheias de vida com os sons e visões dos rituais diários, festivais e a coexistência harmoniosa do Hinduísmo e do Budismo.

    Pashupatinath // holidaystonepal.in

    Uma Viagem pela História do Nepal

    A história do Nepal é tão rica como as suas paisagens. As cidades medievais de Patan e Bhaktapur ressoam com ecos do passado.

    A Praça Durbar, constituída por diversas praças, todas ligadas por ruas e becos, apresentam intricadas esculturas em madeira, templos em estilo pagode e impressionantes palácios que exibem a destreza arquitetónica da civilização Newar.

    Praça Durbar // pristinenepal.com

    Abundância Natural

    Para além das suas montanhas, a beleza natural do Nepal estende-se aos seus vales luxuriantes, florestas subtropicais e lagos imaculados.

    O Parque Nacional de Chitwan que é Património Mundial da UNESCO, oferece um contraste marcante com os picos nevados, com as suas densas selvas que abrigam uma grande variedade de vida selvagem, incluindo o tigre-de-bengala e o rinoceronte de um chifre.

    Parque nacional de Chitwan // articlesfactory.com

    Lumbini, o local de nascimento do Buda, é outro destino sereno, que atrai peregrinos e turistas aos seus jardins tranquilos e mosteiros.

    Lazer dos aventureiros

    Para os amantes de aventura, o Nepal é um parque de diversões sem fim, tais como:

    •⁠ ⁠o rafting em águas bravas no rio Trishuli;
    •⁠ ⁠⁠o parapente sobre o pitoresco vale de Pokhara;
    •⁠ ⁠⁠o bungee jumping perto da fronteira do Tibete.

    Pokhara // asiaodysseytravel.com

    Estas são apenas algumas das atividades emocionantes disponíveis.

    Estas aventuras oferecem não só emoções fortes, mas também uma perspetiva única sobre as diversas paisagens do Nepal.

    Gastronomia Nepalesa

    A cozinha nepalesa reflete o seu património multicultural. Desde os deliciosos momos (pastéis) e o picante dal bhat (sopa de lentilhas com arroz) até aos doces sel roti e yomari, a comida do Nepal é uma fusão deliciosa de sabores.

    O tradicional banquete Newari é imperdível, oferecendo uma variedade de experiências gustativas elaboradas com ingredientes locais.

    Banquete Newari // insidehimalayas.com

    O Nepal, com as suas paisagens inspiradoras e ricas tapeçarias culturais, é mais do que apenas um destino de viagem.

    É uma caminhada de descoberta, que proporciona momentos de reflexão, conexão e êxtase.

    Se a sua intenção é procurar a iluminação espiritual, uma aventura que bombeie adrenalina, ou simplesmente um sopro de ar fresco na sua vida, o Nepal convida-o calorosamente a explorar as suas inúmeras maravilhas nas mais deslumbrantes paisagens do mundo.

    Foto de Capa: Photo by Cristian Grecu on Unsplash


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  • Sintra: Roteiro de Romance, Encantos e Maravilhas

    Sintra: Roteiro de Romance, Encantos e Maravilhas

    Sintra é uma linda e romântica vila portuguesa situada no distrito e área metropolitana de Lisboa. É Património Mundial da Humanidade e Paisagem Cultural classificada pela UNESCO.

    Sintra é um verdadeiro Tesouro Histórico, onde se encontram vestígios desde a idade do Bronze às diversas épocas da História de Portugal, sem descurar a época romana e a ocupação muçulmana.

    Apesar de ser um dos centros urbanos mais populosos de Portugal, tem recusado ser elevada ao estatuto de Cidade.

    Palácio da Quinta da Regaleira // http://acrosstheuniverse.blog.br

    Sintra é um testemunho de quase todas as épocas da história portuguesa e, no âmbito contextual de natureza, arquitetura e ocupação humana, Sintra evidencia o que hoje se considera uma paisagem cultural única no panorama da história portuguesa.

    Sintra é seguramente um dos destinos mais belos e românticos de Portugal, onde reis e rainhas se apaixonaram e que escritores e poetas, como Eça de Queiroz e Lord Byron, registaram para sempre nas suas obras.

    Lazer

    Descobrir Sintra:

    Um passeio pelas praias, os jardins exóticos, os parques exuberantes com caminhos entre árvores centenárias, os palácios de decoração fantástica, os pequenos lagos com recantos e as ruínas fingidas no meio da natureza, são decerto inspiradores para os maravilhosos lugares que pode visitar:

    Monte da Lua

    O Monte da Lua é um daqueles lugares cheios de magia e mistério onde a natureza e o Homem se conjugaram numa simbiose tão perfeita, classificado pela UNESCO como Património da Humanidade.

    Monte da Lua // livetheworld.com

    Palácio da Vila

    Na praça principal, vemos o Palácio da Vila com as suas duas chaminés cónicas, tão caraterísticas, que servem de bússola para voltar a este ponto de encontro.

    Datado de finais do século XIV, foi lugar de passeio de muitos reis ao longo da História de Portugal.

    Cada sala é decorada de forma diferente e tem uma história a conhecer, para além de o interior ser uma surpresa, pois é um verdadeiro museu do azulejo, com aplicações desde o séc. XVI, do início da sua utilização em Portugal.

    Palácio da Vila // thatch.co

    Palácio e Quinta da Regaleira

    É um palácio do séc. XIX, embora pareça ser mais antigo, com uma decoração que impressiona, rica em simbologia maçónica.

    Muito perto da entrada da Regaleira, fica Seteais, um palácio do séc. XVIII atualmente transformado em hotel. Vale a pena entrar nos jardins e ir até ao miradouro, de onde se vê o Palácio da Pena, o Castelo dos Mouros e o mar ao longe.

    Quinta da Regaleira // Photo by Rémy Penet on Unsplash

    Parque da Pena

    Antes de entrar no refúgio botânico do Parque da Pena, visite o Chalet da Condessa D’Edla e suba ao Palácio que Richard Strauss apelidou de “Castelo do Santo Graal”. Pelo caminho, é imperativo passar pelo Castelo dos Mouros. É um testemunho da presença islâmica na região, construído entre os séculos VIII e IX e ampliado depois da Reconquista.

    Chalet da Condessa D’Edla // hortensetravel

    Palácio da Pena

    Um dos palácios mais românticos de Portugal, uma reconstituição fantasiosa e revivalista, ao gosto do romantismo oitocentista, que se ficou a dever à paixão e imaginação do rei artista D. Fernando de Saxe-Coburgo Gotha, consorte de D. Maria II.

    Palácio da Pena // Photo by Alexey Komissarov on Unsplash

    Museus, Parque e Convento

    Para além de outros museus de interesse, merecem grande destaque o Parque de Monserrate, com o seu exótico palácio neogótico, e o Convento dos Capuchos, construído no séc. XVI utilizando cortiça como revestimento dos pequenos espaços, seguindo os preceitos de pobreza da Ordem de São Francisco de Assis, contrastando com os outros palácios.

    Palácio de Monserrate // Photo by Håkon Åreskjold on Unsplash

    Práticas ao ar livre:

    Perto de Lisboa, as praias da costa de Sintra, de areia dourada e fina, são das mais procuradas.

    • Praia das Maçãs

      Enquanto a Praia das Maçãs, é mais apreciada para banhos de sol e mar, os desportistas preferem a Praia Grande, onde se realizam diversas competições nacionais e internacionais ligadas ao surf, bodyboard e ao skimming. No entanto, há uma piscina de água salgada para quem gostar de um “mar” mais tranquilo.
    Praia das Maças // surfiberia
    • Azenhas do Mar

      As Azenhas do Mar, com o casario na falésia, também com a sua piscina de água salgada e uma pequena praia que desaparece na maré cheia, é uma das mais cénicas e vale bem o passeio, Assim como a Praia da Adraga, entre as arribas.
    • Cabo da Roca

      Para completar o percurso pela costa de Sintra, há que ir ao ponto mais ocidental do continente Europeu, o Cabo da Roca, «onde a terra acaba e o mar começa», e deslumbrarmo-nos com a vista e a força do mar.
    Cabo da Roca // By Olga1969 – Own work, CC BY 4.0, commons.wikimedia.org
    • Escalada

      Para superar limites, existem locais com boas condições para praticar escalada. A Pedra Amarela e o Penedo da Amizade são conhecidos pela dificuldade, mas a sensação de liberdade ao atingir o topo é indescritível, ao ter a melhor vista sobre a Vila de Sintra.

      Num dia bonito, e sem nuvens, a serra é também um lugar de excelência para a prática de parapente e asa delta.
    • Trilhos

      Existem também muitos trilhos para passeios pedestres e rotas de orientação para conhecer os mistérios desta paisagem.

      De duração variável e dedicados a várias temáticas, desde a natureza à cultura, adaptam-se a todos os graus de dificuldade.

      Um dos mais bonitos vai da Praia Grande, onde é possível ver uma jazida de onze trilhos de dinossauros e pegadas isoladas gravada na falésia, até ao Cabo da Roca, a 100 m acima do oceano.

    Gastronomia

    Dos pratos de carne, destacam-se o leitão de Negrais, a carne de porco às Mercês, o cabrito e a vitela assada.

    Carne de Porco à Mercês // sintranoticias.pt

    O litoral da região de Sintra é abundante em peixe fino, mariscos e moluscos. Assim, é possível comer um apetitoso robalo ou sargo, deleitar-se com um polvo, ou saborear mexilhões e percebes.

    Na doçaria, o destaque vai, inevitavelmente, para as queijadas de Sintra, doce ancestral que vem, pelo menos, da Idade Média.

    Mas há outros que merecem ser provados: os travesseiros, os pastéis da Pena, as nozes de Galamares, os fofos de Belas, a par de um conjunto de compotas tradicionais fabricadas segundo métodos tradicionais.

    Pasteis da Pena // piriquita.pt

    A acompanhar qualquer refeição, é indispensável o vinho de Colares, com a famosa casta Ramisco, um dos primeiros da carta de vinhos de Portugal.

    Atividades económicas

    O turismo é uma das principais atividades económicas no concelho, devido ao vastíssimo património arquitetónico existente e também devido aos seus recursos naturais.

    História

    Do Paleolítico e Neolítico à Idade do Bronze e do Ferro, passando pelo Período Romano, depois pelo domínio muçulmano, da fundação de Portugal (a 9 de Janeiro de 1154, D. Afonso Henriques outorga Carta de Foral à Vila de Sintra) aos Descobrimentos, Sintra que sobreviveu ao Terramoto de 1755, tem o seu período áureo situado entre o final do séc. XVIII e todo o séc. XIX.

    Aqui chega, no Verão de 1787, William Beckford, hóspede do 5° marquês de Marialva, estribeiro-mor do reino, residente na sua propriedade de Seteais e é aqui que a ainda princesa D. Carlota Joaquina, mulher do regente D. João, compra, no princípio do século XIX, a Quinta e o Palácio do Ramalhão.

    William Beckford // cm-sintra.pt

    Entre 1791 e 1793 Gerard Devisme constrói na sua extensa Quinta de Monserrate o palacete neo-gótico.

    O apogeu deste desenvolvimento extraordinário da paisagem de Sintra foi atingido com o reinado de D. Fernando II da dinastia de Saxe-Coburgo-Gotha (1836-1885).

    Muito ligado a Sintra e à sua paisagem, pela qual nutria um grande afecto, este rei-artista implantaria aqui o Romantismo de uma forma esplêndida e única para as regiões mediterrânicas.

    O rei adquiriu o Convento da Pena situado sobre uma montanha escarpada e transformou-o num palácio fabuloso e mágico, dando-lhe a dimensão máxima que apenas um romântico de uma grande visão artística e de uma grande sensibilidade estética podia sonhar.

    Parque da Pena // serradesintra.net

    Além disso, D. Fernando II rodeou o palácio de um vasto parque romântico plantado com árvores raras e exóticas, decorado com fontes, de cursos de água e de cadeias de lagos, de chalets, capelas, falsas ruínas, e percorrido de caminhos mágicos sem paralelo em nenhum outro lugar.

    O rei tomou também o cuidado de restaurar as florestas da Serra onde milhares de árvores foram plantadas, principalmente carvalhos e pinheiros mansos indígenas, ciprestes mexicanos, acácias da Austrália, e tantas outras espécies que contribuem perfeitamente para o carácter romântico da Serra.

    Sintra: Inspiração

    Entre a segunda metade do século XIX e os primeiros decénios do século XX, Sintra tornou-se um lugar privilegiado para artistas.

    Músicos como Viana da Motta; músicos-pintores como Alfredo Keil; pintores como Cristino da Silva (o autor de uma das mais célebres telas do romantismo português, Cinco Artistas em Sintra); escritores como Eça de Queiróz ou Ramalho Ortigão, todos eles aqui residiram, trabalharam ou procuraram inspiração.

    Lord Byron // theguardian.com

    Muitos outros artistas foram seduzidos por Sintra. Sintra foi transformada em arte escrita, pintada, cantada e recordada por Byron, Christian Andersen, Richard Strauss e William Burnett, entre outros.

    Sintra é a verdadeira e única capital do Romantismo.

    “Sintra é o único lugar do país em que a História se fez jardim, porque toda a sua legenda converge para aí e os seus próprios monumentos falam menos do passado do que de um eterno presente de verdura.

    E a memória do que foi mesmo em tragédia desvanece-se no ar ou reverdece numa hera de um muro antigo, em Sintra não se morre – passa-se vivo para o outro lado.

    Porque a morte é impossivel no vigor da beleza. E a memória do que passou fica nela para colaborar.”
    “Louvar Amar”, Vergilio Ferreira.

    Fontes: cm-sintra.pt, sintraromantica.net, visitportugal.com, infopedia.pt
    Capa: recordtours.pt/



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  • Bola de Berlim: Receita, tradição e doçura

    Bola de Berlim: Receita, tradição e doçura

    Bola de Berlim é um bolo tradicional português. Sendo um dos mais deliciosos e vendidos nas pastelarias, o que significa que é um dos preferidos dos portugueses.

    História e Origens

    A Bola de Berlim tem origem, como o próprio nome indica, no norte da Alemanha e foi trazida para terras lusas durante a 2.ª Guerra Mundial.

    Nesta época e sob o dominio ditatorial de António Oliveira Salazar, entre 1939 e 1945, Portugal manteve a neutralidade, atraindo às cidades de Lisboa e Porto um grande número de refugiados judeus que fugiam da Alemanha nazi, muitos deles com o objetivo de atravessar o Atlântico rumo à América.

    Foi nesta época que uma família judia fugiu da Alemanha para Portugal: a família Davisohn.

    A mãe desta família começou a reproduzir uma receita que aprendera na Alemanha: um frito de massa de farinha doce com açúcar no exterior e doce no interior. Era a Bola de Berlim, Berliner Pfannkuchen no original (Bolo de Berlim de frigideira).

    Berliner Pfannkuchen // familienkost.de

    Esta é uma história que é relatada no livro Judeus em Portugal durante a II Guerra Mundial da historiadora Irene Flunser Pimentel, que conta o que se passou a seguir: com o calor, as praias de Lisboa enchiam-se de refugiados judeus que aí comiam esta iguaria.

    Com a guerra, os refugiados necessitaram de trabalhar para sustentar a família e muitos dos judeus tornaram-se funcionários de empresas nacionais, como pastelarias e cafés. Por este mesmo motivo, Lisboa e Porto começaram a vender este doce típico.

    Com o passar do tempo, os pasteleiros nacionais desenvolveram a própria versão, passando a rechear com doce de ovos ou sem creme, ao invés de creme ou marmelada.

    Variantes da Bola de Berlim

    Com o tempo e a sua popularidade, a receita foi alterada. A Bola de Berlim é tradicionalmente recheada com creme amarelo de pasteleiro (feito de ovos), embora, ao longo dos anos, tenham surgido mais variações: chocolate, avelã, doce de leite, caramelo, frutos vermelhos, coco, limão…

    Bola de Berlim de Kinder Bueno // Bridor

    No entanto, a versão original, importada da Alemanha, seria com recheio de compota de fruta, de morango ou de frutos vermelhos, tal como a senhora Davisohn fazia.

    Sucesso da Bola de Berlim nas praias

    Tendo em conta o tamanho e a forma redonda (ideal para agarrar só com uma mão), as Bolas de Berlim começaram a ser vendidas na rua. Mais tarde, chegaram às praias, onde foram um sucesso tão grande que se transformaram num ritual típico do Verão.

    Depois de uma ida ao mar, o nosso corpo fica com uma camada de sal e sentimos um travo salgado na boca. O doce da Bola de Berlim contrasta na perfeição com o salgado do mar, ficando este sabor mais intensificado.

    Bola de Berlim numa praia Portuguesa // adn-agenciadenoticias

    Por ser um bolo frito, de massa fofa e arejada, torna-se muito usual o seu consumo na praia, pois os alimentos secos provocam sede e este bolo além de não ser seco é extremamente delicioso.

    A Bola de Berlim é um prazeroso e delicioso bolo que consola os sentidos e deleita o espirito.

    Receita da Bola de Berlim

    Ingredientes:

    •⁠ ⁠Óleo
    •⁠ ⁠Açúcar

    Massa:
    •⁠ ⁠25g de fermento de padeiro fresco
    •⁠ ⁠100ml de água morna
    •⁠ ⁠500g de farinha de trigo sem fermento
    •⁠ ⁠100g de manteiga
    •⁠ ⁠6 ovos
    •⁠ ⁠100g de açúcar

    Recheio:
    •⁠ ⁠2 c. de sopa de amido de milho
    •⁠ ⁠250ml de leite
    •⁠ ⁠1 casca de limão
    •⁠ ⁠1 vagem de baunilha
    •⁠ ⁠300g de açúcar
    •⁠ ⁠3 gemas

    Preparação:

    1.⁠ ⁠Massa: Comece por diluir 25g de fermento de padeiro fresco em 100ml de água morna;

    2.⁠ ⁠Numa taça, coloque 500g de farinha de trigo sem fermento, 100g de manteiga, o fermento diluído e 6 ovos inteiros. Se quiser, junte 100g de açúcar. Mexa e deixe repousar num local seco e quente, se preferir, pré-aqueça o forno, desligue e deixe repousar no seu interior;

    3.⁠ ⁠Assim que a massa levedar, divida-a em vários pedaços. Polvilhe uma superfície com farinha e molde a massa em pequenas bolas. Coloque num tabuleiro e deixe levedar mais um pouco no forno com uma temperatura de 50ºC;

    4.⁠ ⁠Recheio: Numa taça coloque 2 c. de sopa de amido de milho e 3c. de sopa de leite, de 250ml. Dissolva e reserve;

    5.⁠ ⁠Num tacho aromatize o restante leite com 1 casca de limão e um pouco de polpa de 1 vagem de baunilha. Coe este leite para um copo e, no mesmo tacho, adicione 300g de açúcar, novamente o leite aromatizado, 3 gemas batidas e o amido de milho dissolvido anteriormente. Mexa até engrossar;

    6.⁠ ⁠Leve as bolas já levedadas a um tacho com óleo quente. Frite e, de seguida, assim que arrefecerem um pouco, passe por açúcar. Faça um buraco e recheie com o creme.

    Receita de Joana Barrios 24kitchen.pt

    Fontes: foodlab.cascais.pt, visitlisboa.com, http://portal.uab.pt, 24kitchen.pt
    Fonte de capa: City Guide Lisbon


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  • Calças de Ganga / Jeans: História, Legado e Revolução

    Calças de Ganga / Jeans: História, Legado e Revolução

    As calças de ganga / jeans, desde que foram criadas, são transversais a todas as pessoas, países, culturas, idades, géneros e classes sociais.

    Democráticas, cosmopolitas e com uma forma easy-to-wear inigualável, as calças de ganga / jeans têm uma longa história no cenário fashion.

    História e Origem

    A história conta-nos que o tecido das calças de ganga / jeans apareceu por volta do ano de 1792. Foi em Nîmes, França, que se fabricou, pela primeira vez, o tecido que veio a caracterizar as calças de ganga, que ficou conhecido como “tecido de Nîmes”.

    Com o tempo e com a popularidade que foi ganhando, a expressão começou a ser abreviada para “Denim”.

    Crédito Fotográfico: Textile Value Chain

    Numa primeira fase, o tecido “Denim” começou a ser utilizado essencialmente em roupas para trabalho no campo e pelos marinheiros italianos que trabalhavam no porto de Génova, por ser um tecido robusto e de grande durabilidade.

    Levi Strauss – o visionário

    Pouco tempo depois, já na era da Corrida do Ouro na Califórnia, o tecido – com toda a sua tecnologia resistente – chamou a atenção do alemão Levi Strauss.

    Visionário, que no ano de 1853 abriu uma loja em São Francisco, onde começou por vender produtos secos e lona para as carroças dos mineiros.

    Loeb “Levi” Strass // Crédito Fotográfico: Page North

    Nessa altura, Levi Strauss apercebeu-se de que as roupas dos mineiros não eram adequadas para os trabalhos que tinham de desempenhar e, por isso, decidiu fazer umas calças com o tecido que vendia normalmente para cobrir as carroças.

    Este novo produto, criado por Levi Strauss, tornou-se rapidamente um sucesso para os mineiros, mas havia um problema: a lona era pouco flexível para calças, o que dificultava os movimentos.

    Perante esta questão fundamental, Levi Strauss foi à procura de um tecido mais flexível, resistente e confortável tendo encontrado, na Europa, o tecido “Denim”, feito de algodão sarjado.

    A partir daí, o nome de Levi Strauss elevou-se para uma marca: a Levi Strauss & Co. E as primeiras calças fabricadas com o tecido “Denim”, na altura, de cor castanha, tornaram-se num modelo famoso e clássico.

    Crédito Fotográfico: Sean Gallup via Getty Images

    A primeira calça de ganga Levi’s 501

    Assim, em meados de 1860, nascia a primeira calça Levi’s, a 501. Na época bastante diferente da versão atual mas já patenteada e com a mesma potência convencional e de fácil absorção comercial.

    A mestria de Jacob Davis

    A par com Levi Strauss, também Jacob Davis, costureiro, se tornou famoso ao propor a ideia de reforçar as costuras das calças.

    Em 1860, foram acrescentados os botões de metal e rebites, anos depois, coseram a etiqueta de couro no cós das calças.

    Mais tarde, assistiu-se ao aparecimento da cor azul índigo, que se tornou popular em 1890 e assim continua até aos dias de hoje.

    Já com grande sucesso, Levi Strauss e Jacob David decidiram requerer a patente do produto, a 20 de maio de 1873.

    Patente de Rebites de Cobre // Crédito Fotográfico: Rope Dye

    Ao longo dos anos, melhorias no design foram efectuadas: Levi Strauss adicionou um arco duplo de costura laranja para reforço adicional e para as identificar como Levi’s; zíperes substituíram os botões em alguns modelos em 1954.

    Quando a patente de Levi Strauss e Jacob David venceu em 1890, outros fabricantes ficaram livres para reproduzir o estilo.

    OshKosh B’Gosh entrou no mercado em 1895, Blue Bell (mais tarde Wrangler) em 1904 e Lee Mercantile em 1911.

    Durante a Primeira Guerra Mundial, os jeans Lee Union-Alls eram o padrão para todos os trabalhadores de guerra.

    Sucesso mundial na década de 30

    As calças de ganga / jeans atingiram a sua popularidade mundial por volta de 1930, quando vários filmes de sucesso começaram a retratar os famosos cowboys americanos.

    Hollywood ajudou desta forma a romantizar as calças de ganga / jeans nas décadas de 1920 e 1930, vestindo as calças em cowboys interpretados por atores como John Wayne e Gary Cooper.

    Gary Cooper // Credito Fotográfico: Mattsko

    Esta nova imagem glamorosa chegou aos consumidores que procuravam roupas casuais e lúdicas para usar nos finais de semana e feriados.

    Fotos publicitárias de atrizes como Ginger Rogers e Carole Lombard vestindo estas calças, ajudaram a convencer as mulheres de que o estilo era para elas também.

    Ginger Rogers // thetimeriver

    Na década de 1930, a Vogue deu o seu selo de aprovação, ao chamar as calças de ganga de “western chic”.

    Década de 40

    Em 1942, a estilista americana Claire McCardell vendeu mais de 75.000 exemplares do seu vestido de denim Popover .

    Claire McCardell // Crédito Fotográfico: Irving Penn

    Também a Segunda Guerra Mundial popularizou a imagem das calças de ganga, uma vez que o tecido “Denim” era utilizado nas fardas do exército americano.

    Décadas de 50 e 60

    Já em 1950 vem o boom absoluto em que as calças de ganga passaram a ser associadas à juventude rebelde e anti-establishment.

    Mais uma vez, este boom foi protagonizado por celebridades de Hollywood como Marlon Brando e James Dean – o eterno bad boy que criou o look blue jeans & t-shirt, receita de estilo adorada e repetida incansavelmente por fashionistas até hoje.

    Na época, até estrelas do rock’n’roll ajudaram a consolidar o estilo como cool; os hippies e os manifestantes anti-guerra usavam jeans nos anos 1960.

    Marlon Brando // Levi’s

    Na década de 1960, as calças de ganga passaram a simbolizar a contracultura. Algumas escolas de ensino médio proibiram o seu uso, o que só serviu para aumentar ainda mais o seu sucesso.

    Marylin Monroe com o seu glamour sensual também entrou na onda do tecido na época, trazendo a proposta para um nível ainda mais comercial e de puro sucesso.

    Marilyn Monroe // Philippe Halsman, 1952

    Década de 70

    No início dos anos 1970 como forma de mostrar apoio à classe trabalhadora as mulheres feministas e lutadoras da liberdade feminina escolheram estas calças como forma de demonstrar a igualdade de gênero.

    Também nesta década entram em cena os hippies que tinham como indumentária o tie-dye e, claro, as calças de ganga / jeans estilo boca de sino.

    No final dos anos 70 e início dos anos 80, a moda high-end também se começou a interessar pela peça.

    Os jeans Buffalo 70 da Fiorucci eram justos, escuros, caros e difíceis de comprar – por outras palavras, o oposto exato da calça boca de sino desbotada preferida do público mais jovem. Estas calças tornaram-se um sucesso entre o jet set e o Studio 54.

    Em 1976, Calvin Klein exibiu calças de ganga / jeans na passarela – o primeiro estilista a fazê-lo.

    Calvin Klein, 1978 // Vogue

    Gloria Vanderbilt apresentou os seus jeans de sucesso em 1979. Estes jeans de marca não foram apenas um sucesso comercial, pois foram também comercializados com uma imagem mais ousada.

    Década de 80

    Nos anos 80, estrelas do rock, modelos, artistas e cineastas também levantaram a bandeira “denim”, disseminando-o internacionalmente e trazendo o material também para a cena high fashion.

    Foi nesta década que aconteceu a provocativa campanha Calvin Klein de Brooke Shields e os anúncios sensuais de Claudia Schiffer para a Guess que ajudaram a dar aos jeans um novo tipo de potencial sedutor.

    Claudia Schiffer // Guess

    Década de 90 até ao presente

    Dos anos 1990 até ao presente, as calças de ganga / jeans passaram por várias transformações e – entre as novidades mais ousadas e construções com apelo statement – voltou às suas origens importando as versões mais clássicas para o topo da lista de must-haves mais vendidas.

    Nesta década, casas de moda como Versace, Dolce & Gabbana e Dior também entraram no mercado das calças de ganga / jeans.

    Ao longo das décadas, os tipos e estilos de jeans tornaram-se estratificados entre grupos e subgrupos: os estilos hip-hop do início da década de 1990 eram caracterizados por jeans oversized; intelectuais e modernos optaram pelo jeans escuro como forma de voltar às raízes do estilo; as estrelas pop preferiam as peças assinadas pela Diesel; os aficionados pagavam preços altos por Levi’s vintage e índigo japonês tingido à mão.

    Hoje, quase todas as marcas de luxo e designers de alta costura já exibiram jeans nas passarelas; e eles estão disponíveis em ambas as extremidades do espectro de preços, com uma infinidade de estilos: largo, skinny, cintura alta, baixa, claro, escuro ou colorido.

    Diferentes estilos de Jeans // Levi’s

    “Eu sempre disse que gostaria de ter inventado o jeans”, disse Yves Saint Laurent ao New York Magazine em Novembro de 1983. “Eles têm expressão, modéstia, apelo sexual, simplicidade – tudo o que espero nas minhas roupas.”

    Levi Strauss – imortal

    Levi Strauss foi o pioneiro que se elevou com a forma como idealizou e produziu as calças de ganga como, atualmente, o mundo as conhece.

    Nasceu em Buttenheim na Alemanha, no dia 26 de fevereiro de 1829 e faleceu a 26 de Setembro de 1902 em São Francisco, Estados Unidos, país onde revolucionou, o “mundo” das calças de ganga / jeans, a peça de roupa que une o interesse de homens e mulheres, miúdos e graúdos e é um grande sucesso ao longo de 150 anos.

    O nome Levi Strauss & Co. estabeleceu-se como a assinatura das calças Levi’s, uma das marcas mais conhecidas do mundo.

    Levi Strauss & Co., 1853 // Levi’s


    Fontes de conteúdo: Schutz, RFM, Vogue Globo
    Fonte de capa: Wallpaper by jdbrands2009 on Wallpapers.com


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  • Faróis – História de Luz na Escuridão

    Faróis – História de Luz na Escuridão

    A história dos Faróis é rica e valiosa pois reflete os avanços na navegação, arquitetura e tecnologia.

    Inicialmente, os faróis eram fogueiras simples construídas em terrenos elevados, servindo como auxílios à navegação para os marinheiros.

    No entanto, à medida que o comércio marítimo se expandiu a necessidade de uma navegação mais segura tornou-se essencial, estes primeiros balizadores evoluíram para estruturas mais permanentes e elaboradas.

    Os primeiros Faróis

    O Farol de Pharos foi um dos primeiros faróis conhecidos, construído por volta de 280 a.C. na pequena ilha de Pharos, no Egito, também conhecido como o Farol de Alexandria, é um dos faróis mais icónicos e significativos da história.

    Ilustração do Farol de Pharos // 101inventions

    Durante muitos séculos, foi a estrutura feita pelo homem mais alta do planeta.

    Foi construído para guiar os marinheiros com segurança até ao porto de Alexandria, um dos portos comerciais mais importantes do mundo antigo.

    O Farol de Pharos tornou-se um protótipo para os faróis ao redor do mundo, influenciando projetos subsequentes.

    Tinha uma grande chama aberta no topo, que era usada para produzir luz, enquanto espelhos de bronze polido eram usados para refletir e amplificar o brilho da chama, permitindo que fosse vista a quilômetros de distância.

    No século XV, o Farol de Pharos encontrava-se em ruínas, com os remanescentes deste a ser usados na construção da Cidadela de Qaitbay no mesmo local.

    Citadela de Qaitbay, Egito // Egypttoursportal

    Idade Média

    Durante a idade média, várias culturas usavam fogos em colinas ou plataformas para sinalizar passagens seguras.

    O declínio do Império Romano e das suas redes comerciais significou o declínio das grandes rotas marítimas e, consequentemente, dos faróis.

    À medida que a navegação evoluía, os faróis gradualmente expandiram-se para a Europa Ocidental e Setentrional, recuperando a sua popularidade.

    Farol de Hook // Screenwexford

    Um dos faróis mais antigos em funcionamento na Europa é o Farol de Hook, localizado em Hook Head, no Condado de Wexford, Irlanda. Foi construído durante a Idade Média com um design robusto e circular.

    Renascimento e Período Moderno Inicial

    Os séculos XVII e XVIII trouxeram avanços enormes na tecnologia, tais como a introdução nos faróis de lentes de vidro.

    As primeiras lentes usadas eram espessas, excessivamente pesadas e de má qualidade, feitas de vidro. Portanto, não eram muito eficazes e tendiam a perder a luz através do vidro grosso.

    A lente de Fresnel, inventada por Augustin-Jean Fresnel no início do século XIX, revolucionou o design de faróis, permitindo feixes de luz mais potentes e focados.

    Lente de Fresnel // U.S. National Park Service

    A lente de Fresnel ainda é usada hoje em dia em faróis em todo o mundo.

    Expansão Europeia e a Era Moderna

    No século XVIII, muitos países colocaram faróis ao longo das suas costas para ajudar na navegação marítima.

    Devido ao comércio internacional através do Oceano Atlântico, a construção de faróis prosperou e esta época ficou conhecida como a era moderna da construção de faróis.

    O primeiro farol a adotar uma estética e construção mais modernas foi o Farol de Eddystone, na Inglaterra.

    Farol de Eddystone // Lighthouse Accommodation

    A construção do Farol de Eddystone teve de ser o mais perfeita possível, pois as rochas no local eram extremamente perigosas.

    O seu designer modelou a base do farol inspirado por árvores de carvalho e, após ter sido comprovado o sucesso, este método tornou-se um padrão na indústria.

    Métodos de iluminação eficientes tornaram-se então o foco principal para os engenheiros de faróis.

    Após experimentar vários tipos de óleos e técnicas de fluxo de ar, desenvolveu-se um sistema para o uso de gás. Este tornou-se o padrão para todos os faróis até que a engenharia elétrica se tornasse mais proeminente no final do século XVIII.

    Farol do Cabo de São Vicente // Wikimedia Commons

    Com a invenção da lâmpada elétrica, a iluminação dos faróis mudou drasticamente para melhor.

    Desde então, os faróis pouco evoluíram. Num mundo em constante evolução, os faróis são algo que se manteve praticamente inalterado durante centenas de anos.

    Simbolismo

    Quando a vida por momentos se torna uma viagem vigorosa com as ondas, chuva e dificuldades, o farol comunica e transmite com a sua luz que a segurança e o conforto estão muito perto e a umas remadas de distancia.

    Crédito de capa: Agenda Cultural do Porto


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  • Mini Cooper: Pequeno de Tamanho, Grande na História

    Mini Cooper: Pequeno de Tamanho, Grande na História

    O Mini é um icónico automóvel britânico que fascinou entusiastas de carros por todo o mundo desde as suas origens.

    A história do Mini é uma viagem colorida e rica através dos anais da engenharia e design automóvel.

    História e Origem

    1956: A Crise do Suez e a Escassez de Combustível

    A Crise do Suez começou em 29 de Outubro de 1956, quando as forças armadas israelitas avançaram no Egipto, em direção ao Canal de Suez, uma via navegável valiosa que controlava dois terços do petróleo utilizado pela Europa.

    Em meados dos anos 1950, a Crise de Suez levou ao racionamento de combustível no Reino Unido, criando a necessidade de veículos mais eficientes no consumo de combustível.

    Simultaneamente, havia um mercado crescente para pequenos carros acessíveis, os chamados ‘bubble cars’, como o BMW Isetta e o Messerschmitt KR200.

    Carro antigo
    Messerschimitt KR-200 // Audrain Auto Museum

    1959: Introdução do Mini

    A British Motor Corporation (BMC) incumbiu Sir Alec Issigonis, um designer já reconhecido como o responsável pelo Morris Minor, de desenvolver um novo carro pequeno.

    Issigonis, concebeu este carro para ser barato, compacto mas ao mesmo tempo com interiores espaçosos e eficiente em termos de combustível.

    Inventor do Mini
    Sir Alec issigonis // National Portrait Gallery

    Para que este feito fosse possível, Sir Alec Issigonis, colocou o motor ao lado, o que criou mais espaço no interior do carro.

    O resultado foi o Mini, lançado em Agosto de 1959.

    Inicialmente foi comercializado sob duas marcas: o Austin Seven (mais tarde Austin Mini) e o Morris Mini-Minor, ambos essencialmente o mesmo veículo mas com emblemas diferentes.

    Morris Mini
    Morris Mini-Minor 1959 // NetCarShow

    Anos 60: Crescimento e Popularidade

    Design Inovador

    A configuração do Mini era inovadora, utilizando 80% do espaço do piso do carro para passageiros e bagagem, o que proporcionava um amplo espaço dentro de uma dimensão muito compacta.

    Mini Cooper

    Em 1961, John Cooper, um amigo de Issigonis e proprietário da Cooper Car Company, viu o potencial para uma versão de desempenho do Mini.

    Nascia assim o Mini Cooper, com um motor maior, carburadores duplos e travões de disco. Tornou-se um sucesso imediato, especialmente nos desportos a motor.

    John Cooper à esquerda // National Motorsport Academy

    Ícone Cultural

    Em meados dos anos 60, o Mini tornou-se um ícone cultural, muitas vezes visto como um símbolo dos Anos 60 e da cultura popular britânica.

    A sua associação com celebridades, como os membros dos Beatles, bem como o seu papel de destaque no filme de 1969 “The Italian Job”, cimentaram ainda mais o seu estatuto.

    Italian Job // artsalive.co.uk

    1970 a 1990 – Evolução e Desafios

    1970: Era da British Leyland

    A BMC passou por várias fusões, tornando-se eventualmente parte da British Leyland Motor Corporation.

    Apesar dos desafios corporativos, o Mini continuou a ser produzido e viu várias iterações e atualizações.

    Mini Clubman e Outras Variantes

    Durante este período, foram introduzidos vários modelos do Mini, incluindo o Mini Clubman, que apresentava uma frente redesenhada, e outras variantes como o Mini Van, Mini Moke (um veículo utilitário) e o Mini Pick-up.

    Mini Moke // Mini.com

    Declínio nas Vendas e Concorrência

    Durante os anos 80 e 90, o Mini começou a enfrentar forte concorrência por parte de carros mais modernos e as suas vendas começaram a diminuir.

    Apesar disso, o Mini manteve um seguimento leal e continuou a ser produzido com várias edições especiais e atualizações.

    Aquisição pela BMW e Era Moderna (ano 2000 até ao Presente)

    1994: Aquisição pela BMW

    Em 1994, o Rover Group, que incluía a marca Mini, foi adquirido pela BMW. Esta aquisição marcou o início de uma nova era para o icónico automóvel

    2001: O Novo MINI

    A BMW introduziu um Mini completamente redesenhado (agora oficialmente denominado “MINI” com todas as letras maiúsculas) em 2001.

    Mini MK1
    Mini MK1 2001 // Honest John Classics

    Embora mantendo o charme estético do original, o novo MINI apresentou engenharia moderna, desempenho melhorado e características de segurança avançadas.

    O novo MINI foi um sucesso imediato, atraindo tanto novos clientes como entusiastas do Mini clássico.

    Expansão e Variantes

    A BMW expandiu a gama MINI com vários modelos, como o MINI Convertible, MINI Clubman, MINI Countryman (um crossover compacto) e várias variantes de alto desempenho, como o John Cooper Works (JCW).

    Mini Countryman 2014
    Mini Countryman 2014 // The Car Connection

    Futuro Elétrico

    Nos últimos anos, o foco tem-se deslocado para a eletrificação, com a introdução do MINI Electric (MINI Cooper SE), demonstrando o compromisso da marca com a sustentabilidade enquanto mantém o seu design icónico e experiência de condução.

    Mini Cooper SE 2024
    Mini Cooper SE 2024 // Inside EVs

    O caminho do Mini, desde o seu design revolucionário nascido de uma crise de combustível até se tornar um ícone cultural e uma lenda moderna da indústria automóvel, é um testemunho do seu apelo duradouro e espírito inovador.

    Com uma evolução contínua e um leal seguimento global, o Mini continua a navegar pelo futuro da indústria automóvel, preservando sempre o seu património único e legado singular.

    Crédito de capa: Road & Track


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  • Piódão: Uma Aldeia de Conto de Fadas

    Piódão: Uma Aldeia de Conto de Fadas

    Piódão é uma Aldeia Histórica portuguesa que é uma autêntica preciosidade escondida numa das íngremes encostas da Serra do Açor, sede da Freguesia de Piodão do Município de Arganil situada no centro de Portugal.

    Os caminhos até à aldeia são muito tortuosos e com desfiladeiros enormes e bastante perigosos, no entanto, quando se chega ao destino encontra-se a calma e a beleza de poucos lugares do mundo.

    Em socalcos pintalgados de azul, a cor que adorna as janelas e portas das casas de xisto, esta aldeia compõe um quadro único e repleto de beleza.

    Incrustada na Serra do Açor (área de paisagem protegida), onde abundam panoramas deslumbrantes, nascentes e campos de pasto, esta aldeia histórica, lembra um presépio pela forma harmoniosa como as suas casas estão dispostas em anfiteatro e que, à noite quando se acende a iluminação, formam uma das suas melhores e deslumbrantes imagens.

    Piodão
    Piódão // Philip Biran Tabuas

    A marca desta aldeia serrana de ruas estreitas e sinuosas é o xisto, material abundante na região, que é utilizado na construção das casas e no chão das ruas, formando uma mancha de cor uniforme interrompida pelo azul forte das janelas e das portas de algumas das casas

    Esta nota de cor dissonante deve a sua origem a um factor prático pois conta-se que a única loja que fornecia a população só tinha tinta azul e dado o isolamento da aldeia não era fácil para as pessoas deslocarem-se a outro local.

    Foi na realidade o isolamento e as dificuldades de deslocação que preservaram intactas as características desta antiquíssima povoação.

    Piódão Igreja
    Igreja Matriz // Visit Arganil

    Do conjunto das pequenas casas de dois pisos destaca-se a Igreja Matriz dedicada à Nossa Senhora da Conceição, que a população construiu no início do séc. XIX com as suas economias.

    É um monumento inconfundível por ser branco no meio das escuras casinhas de xisto. A construção fica logo na entrada da aldeia e tem torres cobertas por cones, com detalhes em azul.

    No seu belo interior está um retábulo em talha dourada com imagens da Nossa Senhora da Conceição, de São Miguel e de São Sebastião.

    Lazer

    O melhor a fazer em Piódão é caminhar pelas ruelas de xisto, com passarelas e pequenas pontes, embaixo das quais passa toda a água que escorre da Serra do Açor.

    As casinhas aparentam ser todas iguais, mas cada uma guarda detalhes únicos aos admiradores mais atentos e não será preciso ir muito longe para se deparar com paisagens que parecem um cenário de um conto de fadas.

    Disposta em socalcos, em redor da encosta íngreme onde se insere, constitui um cenário ímpar cheio de belos lugares para visitar:

    • ⁠a Eira e a vista a partir dela;
    • a Fonte dos Algares;
    • o forno do pão;
    • a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição;
    • a capela das Almas;
    • a capela de São Pedro;
    • o museu onde também funciona o posto de turismo;
    • todas as escadarias e ladeiras;
    • e nos dias mais quentes, a praia fluvial de Piódão ganha destaque para aqueles que a visitam.
    Piódão - Praia Fluvial
    Praia Fluvial de Piódão // Aldeias do Xisto

    Gastronomia

    O prato mais icónico e irresistível da Aldeia Histórica do Piódão é a chanfana. Destacam-se também o arroz de coelho e, nas doçarias, o arroz doce e o pão-de-ló.

    A população que aqui vive e se instalou a partir do século XV ainda pasta os seus rebanhos, espalha os cereais no local comunitário junto da Eira, sobe a calçada estreita, que recorda os tempos medievais e produz os sabores da terra, nomeadamente o licor de castanha e a aguardente de mel.

    Chanfana de Piódão
    Chanfana // Aldeias Histórias de Portugal

    História

    Enquadra-se na tipologia das “Aldeias Históricas”. Sabe-se que a aldeia do Piódão serviu de abrigo a muitos que se pretendiam esconder ou por questões políticas em épocas mais severas, ou por questões jurídicas. No entanto, não foram só foragidos que a procuraram.

    No século XIX, o Cónego Manuel Fernandes Nogueira, fundou um colégio que preparava alunos para a entrada no seminário. Muitos rapazes da Beira Interior passaram pelo colégio entre 1886 e 1906.

    A história da aldeia perde-se na noite dos tempos. Poucos são os vestígios que permitem reconstruir a história, no entanto, os achados arqueológicos de Chãs d’Égua são um importante testemunho da possível antiguidade da aldeia.

    Píodão noite
    Piódão à noite // Vaga Mundos

    A Aldeia Histórica do Piódão constitui um conjunto arquitetónico de rara beleza pelo seu enquadramento natural, mas também pela sua antiguidade, unidade e estado de preservação das construções, sendo apelidada por muitos como a “aldeia presépio” dada a sua configuração que se espraia pela encosta do monte com as casas em xisto e lousa e as janelas e portas pintadas de azul, em anfiteatro.

    Esta aldeia é um lugar único, bucólico e maravilhoso situada num cenário idílico de extraordinária beleza.

    Fontes: visitportugal.com, turismodocentro.pt, visitarganil.pt


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  • Biquíni e Fato de Banho: Censura e Provocação

    Biquíni e Fato de Banho: Censura e Provocação

    A praia é um dos destinos favoritos quando chega o Verão. Corpos passeiam livremente e descontraídos de fato de banho ou biquini. Mas nem sempre foi assim.

    Nas zonas costeiras da Europa a moda de ir a banhos chegou, e Portugal, não foi excepção.

    O pudor dos tempos antigos

    Foi, com a burguesia e a aristocracia, ainda nos finais do século XIX que frequentavam as praias e usavam a água do mar para fins terapêuticos.

    Touca, meias pretas, sapatos de lona, calções pela barriga das pernas e uma blusa tipo túnica… Esta era a toilette para se ir à praia em 1880.

    Para garantir a boa decência, homens e mulheres tinham ainda zonas separadas.

    Mostrar a pele? Nem pensar… Isso seria um escândalo. Aliás, ia-se à praia por questões de saúde e não para se ficar bronzeado.

    Ir à praia, tornou-se um momento de socialização por toda a Europa e também uma questão de moda.

    Fato de Banho, 1890-95 // The Met Museum

    A realeza europeia, com pouco para fazer, descobria uma nova forma de passar o tempo e as outras classes sociais também não queriam ficar de parte.

    Entretanto, a sociedade e os seus valores foram mudando e a moda balnear também.

    Em 1891, os braços desnudam-se e causam um grande escândalo entre os mais puritanos.

    Todavia, na primeira metade do século XX assistiu-se a uma redução da quantidade de tecido necessário para ir à praia.

    Evolução do Design

    Uma redução que não foi pacífica: em 1907, a nadadora australiana Annette Kellerman foi presa em Boston por estar a usar um fato de banho justo, apesar deste a cobrir do pescoço aos pés.

    Annette Kellerman // wikipedia.com

    Anos depois, em 1913, o designer Carl Jantzen introduziu um conjunto de banho composto por um top e calções, peça que também foi totalmente bem recebida.

    De um traje completo, que cobria o corpo da cabeça aos pés, evolui-se para um traje mais simples, mais leve e de tecidos diferentes.

    Os fatos de banho em malha para as senhoras e o calção para os homens com ou sem peitilho, tornaram-se no último grito da moda nas praias.

    Fato de banho na década de 1920 em Portugal

    Da década de 1920 em diante, em Portugal, os fatos de banho, passam a ser vestidos com alça, que deixam ver os braços que caem sobre os pequenos calções.

    A exposição do corpo estava, aliás, bastante regulada.
    Existiam editais que saiam nas capitanias que regulamentavam as barracas, os toldos e a colocação de barcos dos pescadores.

    Fato de banho ao longo dos anos // noticiasmagazine.pt

    Haviam também prescrições relativamente à postura, nomeadamente quando à obrigatoriedade de usar fatos que resguardassem o corpo.
    As ordens eram acatadas sob o olhar vigilante dos cabos de mar.

    Fato de Banho No Mundo

    Na década de 1920, mostrar a pele era já menos atrevido, e na década de 1930 exibir as costas e um pouco do tronco era comum.

    Dos lindos fatos de banho cortados de Claire McCardell ao aparecimento de estrelas como Jayne Mansfield, Rita Hayworth e Ava Gardner — para não mencionar inúmeras pin-ups e bailarinas — em peças mais reveladoras e, cada vez mais, em duas peças, a natureza do traje de praia aceitável foi mudando continuamente.

    Ava Gardner // Daily Mail

    No entanto, nesta época, existia um problema: O Código Hays, um conjunto de regras impostas em Hollywood a partir de 1934, que proibia a exposição do umbigo em filmes, pelo que todas as partes inferiores da roupa de praia (mas não só) necessitavam de ser de cintura subida.

    O Fato de banho nas suas múltiplas variantes, tornou-se um objecto de moda e produto de consumo.

    História do Biquíni ou Bikíni

    Na antiguidade, existem registos anteriores do uso de algo semelhante a um biquíni.

    Mosaicos romanos do século IV, em que um deles, mostra duas mulheres a usar uma faixa para cobrir os seios e uma tanga na parte debaixo, usado nessa época, para praticar desporto.

    Curiosamente esses modelos eram muito mais ousados do que aqueles que vimos surgir algumas centenas de anos depois!

    Louis Réard // universityoffashion

    Com o passar do tempo, a partir da década de 1920, versões da peça começaram a surgir, mas nada se compara com a criação e design de Louis Réard: o biquíni que teve o efeito de uma bomba na sociedade da época.

    Biquíni = Bombástico

    O fim da II Guerra Mundial trouxe consigo uma revolução nos costumes.

    Depois de 5 anos de um conflito devastador, as pessoas queriam voltar a viver a sua vida, a divertirem-se.

    1946, é a data fatídica. Louis Réard, um engenheiro mecânico e designer de roupas francês, apresenta na piscina Molitor de Paris, um conjunto de duas peças, em algodão estampado, que cabiam num cubo de apenas 10 cm.

    Chamou-lhe biquíni em homenagem ao Atol de Bikini, no Pacífico, lugar onde foi testada a primeira bomba atómica.

    As reações não se fizeram esperar: considerado como imoral, foi proibido em piscinas públicas, em países como Portugal ou Espanha e nos filmes de Hollywood.

    Outro francês de nome Jacques Heim também não quis ficar atrás e desenhou o “Atome”, um modelo ainda mais pequeno.

    Atome // dsigno.es

    Louis Réard respondeu com um biquíni ainda mais reduzido.

    O biquíni do designer Louis Réard era composto por duas peças separadas, uma para a parte de cima e outra para a parte de baixo, que revelavam mais pele do que os trajes de banho tradicionais, o que foi um passo muito importante para a moda de praia que hoje conhecemos.

    Este primeiro biquíni de duas peças foi feito com o objetivo de ser ousado e provocativo, desafiando as normas sociais da época.

    Mentalidade da época

    Na época, modelos recusaram vestir a peça, tornando Micheline Bernardini, “stripper” e bailarina do Casino de Paris, a primeira mulher a posar com ela. Com uma piscina como pano de fundo, a jovem de 19 anos aparece nas fotos com um biquíni estampado com o desenho de uma página de jornal.

    Micheline Bernardini // welt.de

    Inicialmente, o biquíni enfrentou resistência e foi até mesmo banido em alguns países devido ao seu caráter considerado demasiado revelador.

    No entanto, ao longo dos anos, tornou-se cada vez mais aceite e popular, especialmente com o apoio de figuras famosas da moda e do entretenimento.

    Na década de 50, o biquíni é exibido no corpo de actrizes como Brigitte Bardot, mas ainda é rejeitado pela maior parte das mulheres. Pois as mulheres nesta época, eram muito contidas e recatadas.

    Demorou ainda algum tempo, para que o biquíni se tornasse numa peça comum, tanto que inicialmente foi proibido em muitas praias.

    Apogeu do Biquíni nos anos 60

    Só nos anos 60 é que realmente o biquíni alcançou o seu auge.

    Foi nesta década que Ursula Andress emergiu do mar com o conhecido e infame biquíni branco no filme da saga 007, Dr. No.

    Ursula Andress na saga 007 // CNN.com

    Foi também a década em que Raquel Welch usou um biquíni feito com peles de animais em One Million Years B.C e também quando Nancy Sinatra apareceu na capa do LP Sugar vestida com um biquíni rosa chiclete brilhante.

    Os anos 60 libertaram o corpo e a mente do tradicionalismo das gerações passadas.

    As praias foram invadidas por estes adolescentes com sede de diversão e nesta época nasceu o turismo de massa.

    Monokini

    A moda foi, entretanto, avançando. O monokini– apresentado por Rudi Gernreich – abriu caminho para o topless na década de 70… Modelos sem forro ou com a forma de triângulos fizeram furor…

    Monokini – Vogue

    Os próprios materiais evoluíram de uma forma extraordinária sendo a licra, em 1959, uma das maiores inovações: mantinha a sua forma, não desbotava e secava rapidamente.

    Popularidade do Biquíni

    A popularidade do biquíni continuou a aumentar na década de 1970, com tecidos como o crochê (veja-se Pam Grier em Coffy). De Pat Cleveland a Cheryl Tiegs, sem esquecer o trio original dos Anjos de Charlie, poucos foram aqueles que resistiram ao fascinio do biquíni.

    A democratização do biquíni em Portugal, aconteceu com a Revolução dos cravos no dia 25 de Abril de 1974, que permitiu posteriormente o uso livre desta peça.

    Na década de 1980, Phoebe Cates, do filme Fast Times in Ridgemont High, fez do biquíni vermelho uma peça cobiçada.

    Com a chegada dos anos 90, foram explorados muitos estilos, do modelo mais sporty ao mais minimalista que mal poderia ser chamado de biquíni (como o micro biquíni da Chanel, apresentado em 1996).

    Micro biquíni da Chanel // Alexis Duclos/Getty Images

    O que é imediatamente claro é que a história do biquíni é também a história do corpo: uma história de carne, censura, provocação e, cada vez mais de algumas expectativas frustradas.

    Ainda hoje, muitas das figuras que popularizaram o biquíni aos olhos do público foram aquelas cujo físico era considerado aspiracional, em conformidade com um conjunto culturalmente limitado de padrões de beleza.

    Talvez o biquíni seja algo que existe nos olhos de quem o vê. Esta peça, que para uns tem sido uma ousada afirmação das liberdadas e das indumentárias, tornou-se, para outros, um símbolo do olhar masculino omnipresente e das pressões depositadas nas mulheres.

    Seja pela discussão sobre a necessidade de uma maior inclusão aquando do casting das modelos que exibem na passerelle roupa de praia, seja pela hediondez de expressões como “bikini body”, seja pelas batalhas legais sobre o direito das mulheres muçulmanas em usar burkinis, o biquíni ainda não está totalmente em paz.

    Não existe uma peça do vestuário feminino tão pequena e com tanto para contar como o biquíni.

    Crédito Fotográfico: suburban men

    A história das roupas que usamos na praia e na piscina cruza-se com as conquistas de libertação das mulheres que percorreu todo o século XX e continua a surpreender.

    As restrições, as obrigações, os tabus e tantas interrogações a que as mulheres estão sujeitas, desde sempre, tiveram muita influência na evolução da roupa de banho feminina.

    Hoje, há de tudo um pouco. Mais reduzidos, mais discretos, estampados, lisos, em licra, algodão ou em tricot, com ou sem alças, a escolha é muito variada. As grandes marcas nunca se esquecem de oferecer nas suas coleções, em cada Verão, os últimos modelos.

    Fonte Fotográfica: Travel Caribou

    De fatos que cobriam quase totalmente o corpo ao monoquini, escolher o que vestir à beira-mar tem sido uma verdadeira saga para as mulheres com tentativas arriscadas, retrocessos, glamour e muita criatividade.

    Por isso o fato de banho e o biquíni estão intrinsecamente ligados à história da libertação e das conquistas femininas.

    Hoje, tudo é permitido e uma simples ida à praia prova-nos que a liberdade flui ao sabor das tendências de moda e das preferências pessoais.

    Fontes: artsandculture, mulherportuguesa, gizmodo, useamazona, Gralery

  • Literatura distópica – A Relevância Contemporânea

    Literatura distópica – A Relevância Contemporânea

    A literatura distópica, oferece-nos um vislumbre de futuros sombrios, explora cenários onde a sociedade se desintegra ou se transforma sob regimes opressivos e ditatoriais, catástrofes ou desigualdades extremas, onde o estado e a sua classe dominante utilizam as ferramentas da ciência e da razão para o controle das massas populares.

    Estes livros não atraem só os leitores com as suas narrativas envolventes, mas também suscitam reflexões profundas sobre os perigos e os desafios que a humanidade poderá enfrentar.

    Alguns livros notáveis da literatura distópica destacam-se pela sua visão e perspetivas únicas, são eles:

    ⁠”1984″ de George Orwell

    1989 - Orwell - Literatura Distópica
    Créditos de imagem: penguinbookshop.com

    Romance, lançado em 8 de Junho de 1949.

    A história desenvolve-se num futuro distópico onde o mundo está dividido em três super estados, todos caracterizados por um controle governamental opressivo e cheio de censura.

    A figura central é Winston Smith, um homem que vive no super estado da Oceânia, que secretamente despreza o Partido e a sua figura representante. A sua vida decorre sob constante vigilância e Winston começa a procurar a verdade e a revolta num mundo onde o pensamento independente é severamente castigado.

    “Admirável Mundo Novo” de Aldous Huxley

    Admirável Mundo Novo - Literatura Distópica
    Créditos de imagem: wook.pt

    Romance, lançado em 1932.

    Situado numa sociedade futurista e tecnologicamente avançada conhecida como o Estado Mundial, este romance explora um mundo onde os seres humanos são geneticamente manipulados e condicionados para papéis específicos, e a estabilidade social é mantida através do uso de uma droga indutora de prazer chamada soma.

    A história desenvolve-se no momento em que Bernard Marx e a sua amiga Lenina Crowne, conhecem John, o Selvagem, que cresceu fora do Estado Mundial em condições mais primitivas.

    Este contraste levanta questões sobre a liberdade, a felicidade e o custo de uma sociedade aparentemente perfeita.

    “A Estrada” de Cormac McCarthy

    A estrada - Literatura Distópica
    Créditos de imagem: Fnac.pt

    Romance, lançado em 26 de Setembro de 2006.

    Vencedor do Prémio Pulitzer, desenvolve-se num mundo pós-apocalíptico sombrio.

    A história centra-se num homem sem nome e no seu jovem filho, enquanto viajam através de uma paisagem desoladamente devastada por uma catástrofe não especificada.

    Eles lutam para sobreviver contra as adversidades, a escassez de comida e grupos de sobreviventes sem lei.

    O livro concentra-se profundamente na relação entre o pai e o filho, explorando temas de esperança, humanidade e os laços duradouros do amor perante a devastação total.

    ⁠”Os Jogos da Fome” de Suzanne Collins

    Jogos da Fome - Literatura Distópica
    Créditos de imagem: Fnac.pt

    Romance, lançado em 14 de Setembro de 2008.

    Situado na nação distópica de Panem, este romance retrata uma sociedade onde a rica Capital exerce controlo sobre os distritos empobrecidos.

    Todos os anos, crianças e jovens de cada distrito são selecionados para participar numa luta mortal televisiva chamada Jogos da Fome.

    A protagonista, Katniss Everdeen, voluntaria-se para ocupar o lugar da sua irmã nos Jogos e durante o seu percurso, torna-se um símbolo de resistência contra o regime opressor.

    “Fúria Vermelha” de Pierce Brown

    Fúria Vermelha
    Créditos de Imagem: Fnac.pt

    Romance, lançado em 28 de Janeiro de 2014.

    Em “Red Rising”, a sociedade distópica é caracterizada por uma estrutura hierárquica rígida onde os indivíduos são divididos em castas com códigos de cores baseados na sua perceção de superioridade genética.

    Os Golds, no topo da hierarquia, são a classe governante, enquanto os Reds, na base, trabalham em condições duras para transformar Marte para as gerações futuras.

    Este sistema de castas rígido, é mantido através de um condicionamento social e físico brutal, perpetuando um ciclo de opressão e subjugação.

    Romances que Confrontam Medos Coletivos e Provocam Debates

    O fascínio por livros distópicos está enraizado na capacidade destas histórias explorarem cenários extremos, exagerando problemas contemporâneos para destacar as suas consequências mais sombrias.

    Estes romances, forçam-nos a confrontar os medos coletivos, como o autoritarismo, a desigualdade social e o colapso ambiental e ao mesmo tempo, provocam debates sobre a moralidade, a resistência e a essência da humanidade.

    Frequentemente, as suas personagens são resilientes e valentes que lutam por um futuro melhor, oferecendo esperança e inspiração no meio do caos e da opressão.


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  • Nazaré – A Pérola de Portugal

    Nazaré – A Pérola de Portugal

    Nazaré, é uma bela e graciosa Vila portuguesa, sede de município, da região Oeste, situada na província histórica da Estremadura e no distrito de Leiria, sendo considerada uma das maiores pérolas do centro de Portugal.

    Considerada por muitos como a mais típica praia de Portugal, com antigas tradições ligadas à arte da pesca, encanta os visitantes pela sua beleza natural.

    A sua praia espetacular com o extenso areal em forma de meia-lua, que é também a frente do mar da cidade, é conhecido pela sua grandeza e pelos toldos de cores vivas que decoram a praia de areia branca em contraste com o azul da água.

    Vila da Nazaré // partiupelomundo.com

    O casario branco dos pescadores e enormes penhascos sobre o mar de um azul intenso, fazem desta Vila piscatória, um destino turístico de eleição, devido às suas características tradicionais.

    Percorrer as ruas estreitas, perpendiculares ao mar, onde a vida decorre ao ritmo de ventos e marés, é descobrir a essência destas gentes.

    Expansivas e alegres, escondem tristezas num sorriso aberto, falam a cantar e encantam pelo seu modo de ser e de vestir.

    Praia do Norte // travel-in-portugal.com

    O clima ameno, as gentes simpáticas e hospitaleiras, uma luz magnífica, as tradições e artes de pesca fizeram da Nazaré musa de pintores e artistas, celebrada em todo o mundo.

    Tradições

    Esta é a praia de Portugal onde as tradições de pesca são mais coloridas. Ainda se podem ver pescadores vestidos com camisas de xadrez e calças pretas, e as suas mulheres com as sete saias, como manda a tradição, a remendar as redes de pesca ou a secar o peixe sobre o areal, perto dos seus barcos coloridos.

    Pescadores Nazarenos // gegn.blogspot.com

    Aos sábados no fim da tarde nos meses de Verão, é imprescindível assistir ao interessante espetáculo da “Arte Xávega” em que chegam do mar as redes carregadas de peixe e as mulheres gritam os seus pregões de venda, muitas vezes utilizando códigos que só elas entendem.

    Zonas Populacionais da Nazaré

    Zona balnear de excelência, a Nazaré é constituida por três zonas populacionais distintas: o Sítio, a Praia e a Pederneira.

    A formosa enseada nazarena é protegida e abrigada pelo seu majestoso promontório, no cimo do qual se encontra o Sítio da Nazaré.

    Parte integrante da Vila, o Sítio é alcançado por um elevador que sobe 110 metros e proporciona uma vista memorável dos horizontes da praia, sendo direcionado ao pequeno santuário da Ermida da Memória.

    No alto do Sítio, do Miradouro do Suberco, o olhar perde-se num dos mais belos panoramas marítimos do país. Aqui, lenda e religiosidade encontram-se no culto de Nossa Senhora da Nazaré.

    Miradouro do Suberco // lpsphoto.top

    A Pederneira, núcleo primitivo da comunidade piscatória, é a guardiã tranquila das memórias de outras eras.

    Outrora porto de mar dos Coutos de Alcobaça e activo estaleiro naval, hoje contempla o desenvolvimento da praia que se estende a seus pés.

    O Porto de Pesca e Recreio, a sul da praia, faz a síntese da história da Vila, onde passado e presente se aliam para melhorar o futuro dos nazarenos.

    Lazer

    Atualmente, a grande atração desta cidade são as ondas e o surf, graças ao “Canhão da Nazaré”, um fenómeno geomorfológico submarino que permite a formação de ondas gigantes e perfeitas.

    Trata-se do maior desfiladeiro submerso da Europa, com cerca de 170 quilómetros ao longo da costa, que chega a ter 5000 metros de profundidade.

    O surfista havaiano Garrett McNamara deu-lhe a visibilidade mundial quando, em 2011, fez a maior onda do mundo em fundo de areia, com cerca de 30 metros, na Praia do Norte, vencendo o prémio Billabong XXL Global BigWave Awards e batendo um record do Guiness Book. À sua semelhança, surfistas de todo o mundo visitam a Nazaré todos os anos para se aventurarem no mar, sobretudo durante o Inverno.

    Canhão da Nazaré // empresashoje.pt

    Entre Novembro e Março, aguarda-se pacientemente que as maiores ondas se revelem, durante uma longa etapa do campeonato mundial de ondas gigantes, o Nazaré Tow Surfing Challenge. Na praia, os banhos de sol também são apreciados numa excelente plateia para apreciar as proezas destes jovens.

    Gastronomia

    Envolta em cheiros de sal e maresia e para aqueles, que apreciam peixe e marisco, a Nazaré é quase um paraíso gastronómico: peixe fresquíssimo cozinhado de diferentes maneiras, desde a suculenta Caldeirada à Nazarena (com diferentes variedades de peixe) às sardinhas, cherne e robalo grelhados e aos deliciosos lavagantes, lagosta e santola, entre outras iguarias típicas da beira-mar.

    Caldeirada à Nazarena // Teleculinária.pt

    Atividades Económicas

    O turismo é, a atividade com maior peso no concelho. Anualmente, milhares de turistas nacionais e estrangeiros procuram não só a época balnear, mas o Carnaval e a passagem de ano, que também têm características específicas.

    O artesanato da Nazaré é a continuidade dos seus costumes e recria de forma exemplar as tradições e o modo de vida da sua população. Destaque para as miniaturas em madeira dos barcos típicos e as bonecas trajadas com as camisolas de flanela dos pescadores e sete saias das peixeiras.

    As Sete Saias da Nazaré

    Uma das mais pitorescas tradições de Portugal são as sete saias da Nazaré.

    A mulher nazarena é conhecida por utilizar sete saias, um gesto que, apesar de levantar muitas teorias, ninguém sabe ao certo como surgiu.

    A verdade é que o número sete tem um alto significado místico, espiritual e bíblico: são sete as virtudes, os pecados mortais, os dias da semana ou mesmo as cores do arco-íris.

    Sete Saias da Nazaré // portugaldeantigamente.blogs.sapo.pt

    Contudo, como em tudo na Nazaré, a explicação das sete saias parece estar conectada ao mar. Afinal de contas, a Vila e o oceano são quase um só e a identidade de um está intrinsecamente ligada ao outro.

    A explicação mais óbvia tem então a ver com o frio que se fazia sentir junto à água, quando as mulheres nazarenas se encontravam na praia, fosse para trabalhar fosse para se despedirem dos maridos que iam para a faina. Para se protegerem do frio vento do Norte, as mulheres vestiam várias saias (que podiam ser bem mais que sete), e utilizavam para se tapar e cobrir os braços ou mesmo a cabeça.

    Lenda

    A lenda da imagem de Nossa Senhora da Nazaré remonta a tempos antigos.

    Segundo a lenda da Nazaré, em pleno século IV, um monge grego de nome Ciríaco terá trazido ao Mosteiro de Cauliniana, localizado em Espanha, perto da cidade de Mérida, a dita imagem da Virgem.

    Quatro séculos mais tarde, o último rei visigodo da Península Ibérica – D. Rodrigo – chegava ao mosteiro fugido dos Mouros, após estrondosa derrota na batalha de Guadalete.

    D. Rodrigo juntou-se a Frei Romano, um dos monges do mosteiro, que levou a imagem da Virgem na sua fuga, juntamente com as relíquias de São Bartolomeu e de São Brás.

    De acordo com a lenda da Nazaré, a imagem da Virgem foi guardada numa lapa durante cerca de 400 anos, até ser descoberta por um grupo de pastores locais.

    Dom Fuas Roupinho // 7maravilhas.pt

    Segundo a lenda da Nazaré, o alcaide-mor do Castelo de Porto de Mós, Dom Fuas Roupinho, que tinha por hábito caçar naquela região, terá também descoberto a imagem da Virgem, passando a venerá-la com devoção.

    A 14 de Setembro de 1182, D. Fuas Roupinho terá sido salvo pela Virgem. Reza a lenda que, nessa manhã de nevoeiro, D. Fuas Roupinho caçava um veado, que, toldado pela neblina, caiu por um precipício abaixo.

    Ao ver a morte diante dos seus olhos, D. Fuas invocou a Virgem, que terá parado o cavalo antes do equídeo resvalar pela escarpa.

    Ermida da Memória // atickettotakeoff.com

    Para agradecer o milagre, D. Fuas Roupinho ordenou a construção da Ermida da Memória, venerada desde essa época.

    Origem do nome

    Segundo a lenda da Nazaré, a imagem deu assim nome ao local onde foi encontrada: Sítio de Nossa Senhora de Nazareth, que deu origem ao nome final Nazaré.

    Nazaré, é uma Vila muito especial e singular, onde a tradição e a modernidade se aliam e apaixonam quem a visita.

    Fontes: visitportugal, turismodocentro.pt, findoutnazare.pt, cm.nazare.pt, airo.pt, tempo.pt

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