Alice Augusta Ball foi uma química afro-americana cujo trabalho produziu o primeiro tratamento eficaz para a doença de Hansen, também conhecida como lepra.
Uma Cientista com uma Formação Excepcional

Ball nasceu em Seattle, Washington, a 24 de Julho de 1892, filha de James Presley Ball e Laura Louise Ball. O pai era editor de um jornal, fotógrafo e advogado, enquanto a mãe tinha trabalhado como fotógrafa. Destacou-se em ciências na Seattle High School e concluiu os estudos em 1910.
Na Universidade de Washington, Ball obteve uma licenciatura em química farmacêutica em 1912 e uma licenciatura em farmácia em 1914. Durante os estudos, publicou, com o professor de farmácia Williams Dehn, um artigo de 10 páginas, «Benzoylations in Ether Solution», no *Journal of the American Chemical Society*. A publicação fez dela uma das primeiras mulheres afro-americanas a publicar numa importante revista científica.
Depois de se formar, Ball recebeu ofertas de bolsas de estudo em várias Universidades. Escolheu a Universidade do Hawai, onde concluiu um mestrado em química em 1915 e tornou-se a primeira mulher e a primeira afro-americana a receber esse grau na instituição. Mais tarde, foi nomeada a primeira docente de química do sexo feminino da escola.
Óleo de Chaulmoogra e um Problema Médico Urgente
No Hawai, a investigação de pós-graduação de Ball examinou os constituintes químicos e o princípio activo da kava, *Piper methysticum*. Os seus conhecimentos de química levaram-na a contactar Harry T. Hollmann, ligado à Estação de Investigação da Lepra e ao Hospital de Kalihi, no Hawai.
Hollmann procurava ajuda para melhorar o uso terapêutico do óleo de chaulmoogra, há muito utilizado contra a lepra, mas com resultados inconsistentes. O óleo podia ser difícil de tolerar devido ao sabor amargo e às dores de estômago. Tomado por via oral, podia causar náuseas e vómitos. Injectado na sua forma original, podia provocar lesões dolorosas sob a pele.
O desafio terapêutico era extremamente importante porque a doença de Hansen era alvo de forte estigma. Os doentes eram frequentemente isolados à força em povoações remotas, onde as condições podiam ser terríveis. Por isso, um tratamento eficaz poderia significar mais do que o alívio da doença: poderia oferecer uma saída do isolamento para toda a vida.
O Método Ball

Ball desenvolveu um processo químico que isolava e modificava os ácidos gordos do óleo de chaulmoogra. O o resultado era um composto solúvel em água que poderia ser injectado.
Este foi o avanço essencial. Os ésteres etílicos que Ball utilizou permitiram que o tratamento fosse absorvido pela corrente sanguínea de forma segura e eficiente, ultrapassando os problemas de viscosidade e fraca absorção que tinham limitado a utilização anterior do óleo de chaulmoogra. O seu trabalho criou uma forma injectável do óleo que se tornou o tratamento mais eficaz para a lepra até à década de 1940.
O processo viria a ser conhecido como o «Método Ball». Em 1918, um médico do Hawai relatou no *Journal of the American Medical Association* que 78 doentes tinham tido alta do Hospital de Kalihi depois de serem tratados com as injecções. Em 1920, as autoridades de saúde havaianas referiram que muitas pessoas tratadas com o Método Ball podiam regressar a casa, em vez de permanecerem em quarentena toda a vida.
Uma Descoberta Perdida de Vista

Ball morreu em Seattle a 31 de Dezembro de 1916, aos 24 anos, antes de publicar as suas conclusões. A certidão de óbito original não identificava a causa da morte.
Após a sua morte, Arthur L. Dean, químico e presidente da Universidade do Hawai, deu continuidade ao trabalho e publicou os resultados sem atribuir crédito a Ball. Chamou à técnica o «Método Dean», até que Hollmann identificou o papel de Ball no trabalho.
Estudos posteriores e o reconhecimento institucional restauraram o legado de Ball. A Universidade do Hawai só reconheceu o seu trabalho na década de 1990. Em 2000, a universidade homenageou-a com uma placa junto de uma árvore de chaulmoogra atrás do Bachman Hall. Em 2007, o conselho da universidade atribuiu-lhe uma Medalha de Honra.
Um Lugar Duradouro na História da Medicina
O Método Ball acabou por se tornar obsoleto do ponto de vista médico após o desenvolvimento da monoterapia com dapsona, em 1946. Ainda assim, a sua importância histórica permanece clara. O trabalho de Ball marcou um ponto de viragem entre a medicina botânica inicial e a química farmacêutica moderna.
O seu método melhorou os resultados clínicos de milhares de doentes em todo o mundo. É também o feito de uma jovem química cujo contributo científico demorou a receber reconhecimento, mas cujo trabalho ajudou a transformar o tratamento da doença de Hansen.
A história de Alice Ball liga a química, a saúde pública e o reconhecimento. Com apenas 24 anos, deixou um método que deu a muitas pessoas a oportunidade de sair do isolamento e regressar a casa.
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